14/08/2009

624 anos



Porque ainda há quem não queira ser espanhol.
Epidemia

Ouvir pessoas sem um mínimo dos mínimos de preparação matemática a discorrer sobre a curva de propagação de uma epidemia é absolutamente cansativo.
Objectos de estimação



Este é-o. Conheci-o há horas, oferecido por velhos amigos. Entrou directamente para a galeria dos estimáveis.

13/08/2009

Portugueses de 2ª ou talvez não



Ouvi com atenção o Sr. Secretário de Estado do Desporto, quando inquirido sobre a questão de Liedson jogar ou não na Selecção Nacional de Futebol.
Disse, em forma de pergunta, em resposta à jornalista que (cito assim mais ou menos e alterando as palavras – poderão ver ou ouvir tudo aqui) qualquer cidadão, como eu (ele) ou a senhora (jornalista) podendo votar para escolher o Governo e o Presidente da República, não poderá também integrar qualquer selecção nacional, se para isso tiver o necessário mérito?
Acrescentou, porém, logo a seguir que compete às diferentes federações desportivas assegurar que as selecções nacionais não são constituídas maioritariamente por cidadãos não nascidos em Portugal ou não residentes no país.
Quererá o Sr. Secretário de Estado do Desporto esclarecer se há ou não portugueses de 2ª? E, havendo, quando e como é que diferem dos de 1ª?
Isto é mais ou menos o mesmo que dizer que a=b Λ a≠b.
É o habitual, afinal.

12/08/2009

Overbooking

É a sensação que tenho quando deixo de ter sinal de rede no MODEM e passo a obtê-lo assim que ligo, do número de telefone registado na base de dados da ZON, para a assistência.
Basta que passem poucos segundos do momento em que se completa a ligação. Não espero sequer pelo atendimento.
É demasiado frequente nas situações em que me vejo obrigado a para lá ligar. A verdade é que me poupa ao diálogo com aquela gente.
Portugal, 2007

11/08/2009

Comportamentos

Disse a senhora Ministra da Saúde que havia gente decidida a contaminar outras pessoas em retaliação pela contaminação dos seus próprios filhos.
Disse ainda que havia gente que se recusava a colocar máscaras, suponho que em zonas públicas de estabelecimentos de saúde, enquanto se não apurava de que maleita padecia.
Não tenho razão alguma para duvidar do que disse a Ministra.
Isto lembra-me é aqueles que acham que o povo se transfigura ao volante.
Ao volante faz exactamente o mesmo que a pé, de barco, de comboio ou de bicicleta.
Torna-se é mais perigoso.
Fosse esta gripe mais malina... coisa de que ainda não nos livrámos.
Bandeira

Segundo uma jornalista da SIC a “bandeira verde e vermelha da Restauração” hasteada no varandim da Câmara de Lisboa foi substituída pela da monarquia constitucional. Mais tarde foi “destrocada a substituição indevida”.
Não há palavras.
Para quem não viu, a bandeira hasteada antes de mais era a da Cidade de Lisboa e não a Nacional.
Isto hoje é o corriqueiro no jormalismo. A excepção é a notícia sem asneira grossa ou completa cegueira.

averbamento às 15:00 - a SIC já retirou da reportagem a expressão “bandeira verde e vermelha da Restauração”. Mantém-se o resto e a confirmação mesmo no fim de que a jornalista viu lá a Bandeira Nacional.

10/08/2009

Por um desmentido

Tenho a pior das opiniões daquilo a que ainda se teima em chamar justiça por cá.
A amostra que tenho dos intervenientes, da legislação à sentença, é confrangedora do ponto de vista intelectual.
Hoje, tem sido propalada a história do ourives de Viana do Castelo e seu filme publicitário.
Não conheço o indivíduo. Por isso quando anseio por um desmentido sobre o que ele diz que se passa no processo do assalto à loja de que é proprietário, não é para pôr em causa a palavra do homem, é antes porque, estúpido, ainda espero qualquer coisa mais digna, mais capaz, daquilo a que teimam em chamar justiça.
Temo que ele esteja a dizer a verdade.

08/08/2009

Κύπρος



Para quem, como eu, tem um fascínio por esta ilha bem como pelas de Creta e Malta, nunca lá tendo posto os pés, esta moeda que hoje me deram, é uma espécie de chamariz.

06/08/2009

Nos sapatos do fotógrafo enquanto jovem (cena 6)



Estação C.F. de Lisboa-Rossio

05/08/2009

Lisboa, esta tarde

Agradecimento



Desde 2003 que tenho o blogue H Gasolim Ultramarino (daí vem o ultramarino) alojado nos servidores da Globo.
Para além do serviço ter sido sempre de bom e regular funcionamento, descontando as primevas convulsões de crescimento, proporciona ainda o alojamento de imagens, de modo simples e rápido.
É a esse alojamento que recorro agora para alojar as páginas das “Ruas com dias”, com novo aspecto.
Agradeço à Globo as boas condições que me oferecem, gratuitamente, em comparação com as que me foram retiradas pela Zon, ainda que dela seja cliente e pague religiosamente as contas.

04/08/2009

Ele há dias

Desde que me deitei ao trabalho de fazer uma caderneta com marcos miriamétricos das estradas nacionais do Plano de 1945 e depois de placas com nomes de ruas que fossem datas, até completar todas as estradas e todos os dias do ano, que me vinha socorrendo do espaço que a Netcabo agora dita Zon disponibilizava aos seus clientes. Posto que era aos clientes e que estava incluído no contrato inicial, era um serviço pago.
A Zon resolveu acabar com tal coisa, mandou um mail de aviso como manda ene de índole comercial e que me escapou.
Quando me dei conta que não conseguia aceder às páginas, aos ficheiros, fiz uma reclamação.
Depois de uma primeira resposta certeira em que me comunicaram o fim – os papagaios agora dizem descontinuação, como se descontínuo fosse igual a fim – e tendo em conta a minha resposta posterior algo indignada, sobreveio um chorrilho de comunicados em que me diziam que a minha situação estava a ser analisada, misturados com segundos avisos de que as páginas iriam deixar de estar acessíveis a edição no dia tal, já mais do que passado, até que, finalmente, alguém mais capaz pôs fim à torrente, confirmando a tal descontinuação, mas que, no futuro, talvez...
Isto foi em Junho e princípios de Julho.
Um destes dias – um mês depois dos sucessos - recebi um mail comercial da Zon informando-me que em dada área do sítio deles, poderia gerir a minha página pessoal.
Como tivesse tentado mexer na página e aquilo embora parecendo funcionar, não funcionava – o que é dizer aceitava ficheiros novos mas depois não os reconhecia – voltei a perguntar com base na tal comunicação comercial o que é que tinha que fazer para carregar e apagar ficheiros.
Responderam-me por SMS que, atendendo à minha reclamação – qual reclamação? Apenas pedi que me respondessem a uma dúvida – tinham verificado que eu tinha acesso a todas as áreas das páginas deles!!!
Insisti, explicando que não tinha feito reclamação alguma recentemente, apenas um pedido de esclarecimento. E que agora me bastava um sim ou sopas. Ou voltava a haver páginas pessoais ou não.
Desta feita, pelo telefone, disseram-me que, de facto, as páginas pessoais estavam descontinuadas!
Há pachorra para isto? Não há!
O curioso nisto tudo é que nunca mais me disseram por escrito que as páginas pessoais tinham terminado.



As ruas estão provisoriamente na Bravenet.
As estradas continuam lá na Zon, sem edição possível, até que as retirem do ar.
Já tenho para ambas as colecções um novo alojamento previsto.

02/08/2009

Metade da vida

Metade da minha vida levei-a a ouvir o "Lugar ao Sul", de Rafael Correia, na Antena 1. 25 anos.
Ontem, sem saber grande coisa do que se passava, ouvi na parte final uma estranha saudação por voz alheia ao programa.
Duvido que a rádio me volte a proporcionar momentos como aqueles.

A quem não souber do que se tratou, convido a ir aqui e ouvir.
C.M. 1274 de Sintra, 2006

E.T.A.



Também a E.T.A. data de 1959.
O ano de todas as revoluções.
Pertenço ao grupo dos que não condenam o terrorismo por ser o que é – terrorismo.
Na guerra, se não tenho um lado meu, posso quando muito observar. E nessa observação corro o risco de tombar para um dos lados, mais hoje menos amanhã.
Objectivamente, considero que cada um combate com os meios que tem. É longa a história que aí conduz e não me detenho a valorizar esses meios.
Já escrevi sobre isso aqui, a propósito de Arafat.
Tento imaginar-me na pele de um acossado. Ou de alguém que luta por algo em que acredita acima da própria vida. Tenho a certeza de que não consigo. Mas tenho a confiança de que lutaria também.
Debate

Inversamente proporcional à capacidade intelectual de um debatente é a quantidade de vezes que profere qualquer coisa do género, visando o interlocutor: “eu sei que isto o põe nervoso...
Está muito na moda. O que quer dizer...

01/08/2009

Distorcer

No estranho caso da deputada convidada, viu-se finalmente quem é que andava a distorcer os factos.
Os que com cara-de-pau vão agora, na certa, trocar as tintas à coisa, para ver se passa na malha grossa.
É uma vulgaridade. Ainda por cima sem ponta por onde se lhe pegue.
Mas seria pouco avisado esperar deles mais.

31/07/2009

Restos de colecção (72)


trecho de uma tabuada de 1969? (clicar para ver mais amplo)

30/07/2009

Voar baixinho


imagem da página da Assembleia Legislativa dos Açores

O caso do Estatuto dos Açores é exemplar da qualidade intelectual da maioria dos parlamentares – não confundir com maioria parlamentar, a que a semântica se encarregou de dar outro significado.
A política feita com asneiras e disparates é apenas um espelho das cabeças. Nada mais do que isso.
Isto cansa.
Não que eu tenha em suprema conta um organismo como o Tribunal Constitucional. Mas há coisas que são de bê-á-bá.
À janela do comboio

Fui à janela enquanto falava com a moça que estava sentada ao fundo da carruagem, ao lado de quem pousei a revista que lia, e quando saí da janela, depois de ver por onde passávamos, verifiquei que estava na janela seguinte, entre várias mulheres sentadas à esquerda e à direita.
Perguntei para a geral o que tinha acontecido – como é que tinha sido possível eu ter posto a cabeça de fora numa janela e a cabeça para dentro numa outra?
Ninguém ao que me recordo se mostrou interessado no assunto. Talvez a moça ao lado da minha revista, talvez ela me tenha lançado um olhar compreensivo.

29/07/2009

Sporting

Depois da forma como me envergonhou a época passada e que não esqueci, não espero que o Sporting faça grande coisa esta época.
Antes sair cedo do que ser enxovalhado. O dinheiro... eu sei!
No país dos incapazes

Há algo de muito subjectivo nesta apreciação mas o facto é que ouvir que vai haver uma investigação judicial sobre o caso do Hospital de Santa Maria me faz imediatamente pensar que agora é que não se vai apurar nada. Mesmo nada.
É subjectivo, repito. E preconceituoso, admito. Oxalá me engane.
Não vi

Apercebi-me esta noite de que houve um debate entre Santana Lopes e António Costa na SIC.
Não vi, de facto.
Há muito que ouvi de ambos o suficiente para ter de cada um a ideia que são intelectualmente fraquíssimos.
Sair da boca de qualquer deles qualquer coisa que faça algum sentido só por efeitos de algum milagre.
Não acredito em tais coisas.
Alguém crismou esta luta de “O Costa do Castelo” contra “O Leão da Estrela”. Não faço ideia quem foi, mas quem foi teve espírito.

28/07/2009

No país dos incapazes

Deixemos de lado, por ora, seja o que fôr de muito grave que tenha ocorrido no Hospital de Santa Maria.
A questão é que não se saberá ainda o que foi, se é que alguma vez se saberá.

Atentemos apenas, para já, no chorrilho de asneiras aqui mencionado genericamente e que foi proferido nas primeiras horas, ao bom estilo de a bata do cirurgião não era azul mas vermelha, o que está contra as normas – ninguém disse isto mas ouviram-se ene coisas do mesmo calibre.
Ele era a política das farmacêuticas e suas recomendações, também as recomendações do Infarmed, a farmácia do Hospital entregue a não sei quem e muito mais asneirolas com as quais eu gostaria de ver confrontados os seus postilhões num futuro próximo. Isso nunca acontece. Dizem-se as coisas mais desprovidas de sentido – ainda ninguém se lembrou de perguntar se a sala de cirurgia (ou salas de cirurgia) estava certificada, coisa que é comum acontecer noutros contextos.
Se cai uma parede em cima de alguém, o importante é saber se a obra está licenciada ou não e não o que de facto motivou a queda. Faz parte da cultura arracional em vigor.

Ouço mesmo agora que a Procuradoria resolveu abrir um processo. A ver, virão os desgraçados pacientes?
Pobre país, como dizia JPP.
Gáfete, 1995



Em 1959 talvez esta imagem não fosse muito diferente.

27/07/2009

Aqui de longe

E com o desconto de falar sobre circunstâncias que desconheço, ocorre-me que, não fosse a câmara de video instalada no Ferrari de Massa, andar-se-ia agora à procura de uma causa para o acidente.
Com isto, digo que talvez as lesões dele e os estragos na viseira do capacete se pudessem atribuir ao embate final.
É o chamado supônhamos que ainda que possa ser disparatado neste caso, chama a atenção para as inúmeras causas que ficam por identificar em acidentes quaisquer que sejam.
Ainda assim e sem que tenha a ver com o acima dito, é estranho que já não se veja o carro de Barrichello na imagem enquanto a peça ainda anda no ar. E estou a contar com a desaceleração que o atrito do ar ou da pista (se já tinha ido ao chão) provocaria numa peça animada de velocidade no mesmo sentido do do carro de Massa.
Com tanto mecanismo de segurança e ainda não utilizam viseiras à prova de bala. Bizarrias.
Já as circunstâncias em que se diz terem acontecido algumas das lesões que ditaram a morte de Ayrton Senna indicavam essa falha, ainda que não fossem determinantes para o desfecho.
Não deixa de ser curiosa a já por muitos assinalada e repetida (pensando ainda no caso de Senna) ocorrência de casos similares com poucos dias de intervalo.
O de Surtees e o de Massa.

26/07/2009

25/07/2009

A idade mental

A idade mental de uma sociedade também se avalia pela frequência de medidas-placebo.

24/07/2009

No país dos incapazes

Atacar este governo (ou qualquer outro) por motivos pelos quais não responde nem deve responder, é prova de estupidez.
Estupidez que produz o exacto efeito contrário.
Mas a estupidez não é culpa nem responsabilidade de quem dela é portador. É apenas assim.
No país dos incapazes

Concretizando:
Um tribunal, um departamento de investigação, uma instalação qualquer que seja que necessite de determinadas condições de resguardo e de segurança dificilmente pode funcionar razoavelmente em edifícios de escritórios.
Mas a razão é coisa que não assiste nunca a quem decide estas coisas.

Um tribunal, quando construído de raiz para o efeito, mostra não ter raízes.
A razão foi portanto coisa que não assistiu ou a quem projectou ou quem a construiu e a quem fiscalizou.
Estamos no país dos incapazes.

23/07/2009

No país dos incapazes

Concretizando:
Pode ser que eu tenha azar e que as declarações razoáveis a propósito do caso da cegueira no Hospital de Santa Maria me tenham passado todas ao lado, excepto uma – a de alguém (suponho que um médico) que indicou a percentagem de casos similares relatados associados a este medicamento e que caía no intervalo dos valores esperados para um medicamento em utilização.
E que rematou dizendo - se tivemos 100% aqui, alguma coisa mais aconteceu.
Tudo o resto que ouvi – e foi uma cópia - um conjunto de inanidades. De ilogismos, de ignorância, de ausência de raciocínio e de, em suma, sacudir a água do capote.
Como dizia há anos Pacheco Pereira, pobre país.
No país dos incapazes

Não se passa um dia em que não se tenha notícia de que o país está cheio de incapazes em posições dirigentes.
Não se passa um dia em que não se tenha notícia de que o país está cheio de incapazes em funções técnicas.
Não se passa um dia em que uns e outros não nos mimoseiem com um chorrilho de asneiras para justificar a sua incapacidade.
Não são capazes de mais nem de melhor, é certo. Não têm a menor culpa ou responsabilidade de serem incapazes. São-no. Nasceram assim, incapazes de usar o cérebro.
Quem tem a responsabilidade são os capazes que se demitem. Que viram as costas. Que encolhem os ombros. Que já tiraram férias do país.
Não sei quantas vezes já escrevi isto aqui. Repito-me.
Mas não há dia...

22/07/2009

Ainda com a cabeça na Lua



Posto que a notícia hoje é solar e lunar, urge combinar ambos nos sonhos. Que se sonhe...

2026
2027
2028

21/07/2009

Jardins bonitos como há em Alhandra

Disse-o já aqui por uma vez, a Lua troca-me as voltas.
E ainda não me tirei dos meus cuidados para perceber a revolução lunar de forma a não ser surpreendido pelas suas aparições a leste e a oeste.
Há, porém, uma outra coisa relacionada com ela que me troca as voltas – em que dia pousou o módulo lunar no satélite da Terra e a que hora aconteceu isso? E o pé de um humano? E qual dos dois momentos considerar mais importante? Deixando esta última questão de lado, posto que subjectiva, vamos às dúvidas objectivas:
E não me refiro às dúvidas que o feito ainda hoje suscita mas sim que dia e hora considerar quando eram as tais 4:18 p.m EDT (hora relatada da alunagem) ou as 10:56 p.m. EDT (hora relatada da descida de Armstrong)?
Nos dias seguintes, lembro-me de ter discutido a coisa quando tanto se lia que o homem chegara à Lua a 20 de Julho, como a 21.
Ainda hoje não sei em que dia e a que hora foi. Há uns anos, um livro sugeriu-me uma tese.
Em “O homem que vendeu a Lua”, Heinlein define a propriedade do satélite e de todos os corpos celestes como pertencentes a quem detenha o lugar na Terra em cuja vertical eles se encontram no momento.



Sendo que é uma questão curiosa e de intrincadíssima solução traçar a esfera celeste e os seus componentes conhecidos num dado instante, com os dados e os conhecimentos que possuímos ainda hoje, sessenta anos depois de Heinlein ter escrito o livro, a posição da Lua às horas acima referidas não é de cálculo difícil.
A hora do lugar na vertical do qual se encontraria então, seria a hora dos sucessos. E o dia assim conhecido.
Em alternativa, há o tempo do meridiano de Greenwich. Esse dita que Armstrong terá posto o pé na Lua a 21 de Julho e não a 20.
Viu-se mais tarde que não há por lá (na Lua) jardins bonitos como há em Alhandra.

astronauta
astronauta roubado aqui

18/07/2009

Numa rota de estradas esquecidas - E.N. 218-1, 2005



Ponte internacional sobre o rio Maçãs, talvez desactivada ontem.

16/07/2009

O Jardim é de madeira (rija)

Simpatiza-se ou antipatiza-se com as pessoas sem saber por quê. Eu não sei nem tenho pretensões a saber.
Considera-se uma pessoa capaz quando ela dá sinais evidentes de o ser, pelo raciocínio, pela acção, pela consideração das coisas. Independentemente de simpatizarmos com ela ou de a sua simples presença no écran ou, mais perto, no passeio do outro lado da rua, nos causar aquela irritação...
Simpatizo com Alberto João sem nunca o ter visto do outro lado da rua.
E digo dele, pela observação que tenho feito, que é muito melhor do que a caricatura que compôs.
Sobre a questão de hoje, nada a acrescentar.


Se, por via deste blogue, não tivesse obtido mais satisfações – muito mais – do que aborrecimentos – insignificantes, de facto – naturalmente, como a maioria das pessoas, teria fechado a loja assim que a curva de uns ultrapassasse a das outras.
E é por ser de uma curva que se trata – uma curva com a qual foi contemplado por gentileza, mais uma vez, do João Espinho – que agradeço a distinção com uma curva do caminho (a E.N.2 em noite de fogo do inferno).
Deste caminho que daqui a um mês leva meia-dúzia de anos sem que eu quase tenha dado por isso.
O infinito sempre me pareceu mais plausível do que o finito.




Talvez que um dia destes me sinta capaz de atribuir a mesma distinção a outrem. Não hoje.
Peço desculpa por isso.

15/07/2009

Mistérios do Universo



Ele há coisas que nunca ficamos a saber o que são, o que foram.
Na realidade, dependendo do grau de satisfação com o conhecimento, essas coisas poderão ser todas. Todas as coisas.
Faz hoje trinta anos que qualquer coisa aconteceu à frente dos meus olhos sem que eu tenha ainda hoje a menor ideia do que foi. Uma das que ficam marcadas. Para sempre.




clicar para ampliar

13/07/2009

pH

Diz a sexóloga na TVI 24 que “o pH do sémen humano é 7,2 – um bocadinho ácido, portanto”.
Digo eu que quem não sabe do que fala, o melhor que tem a fazer é estar calado.
Diz que havia um industrial que fabricava certa mercadoria que era tão boa que nem pH tinha. Não o fazia, porém, na televisão.

12/07/2009

A peste

Estamos aqui às voltas com os primeiros passos da epidemia.
Na peste e na guerra, sendo que peste é aqui mais uma vez uma lata palavra, é que se diferencia em absoluto a conversa para as massas e entre os que as dirigem.
É natural que se digam muitos disparates às massas. Não têm faltado todos os dias.
O que preocupa – e me preocupa sempre – é pensar que muitas das pessoas que se dirigem às massas com argumentação irrazoável estão de facto convencidas do que dizem.
Ouço hoje um responsável dizer que o facto de a taxa de incidência da doença ser em Portugal mais baixa do que em outros países é mérito da acção do governo.
Não sei se ainda hoje há pessoas no aeroporto à espera dos voos de Cancun, convertendo-se elas próprias em veículos de propagação. Não sei se há mas já houve.
Não sei se há alguma noção de como lidar com situações deste tipo que sejam realmente graves e não como esta, que até agora tem correspondido às minhas expectativas de benignidade. Nada nos garante que não piorará e nada me garante que há um mínimo de noção de como atenuar os efeitos de tal. Que impedir uma peste de se propagar todos sabemos que ainda não conseguimos fazer.
Apercebo-me é de que o discurso político parece corresponder aos meus temores – eles estão de facto convencidos do que dizem.
Afinal, talvez seja isso que faz deles políticos.


gráfico feito a partir dos dados da OMS.

09/07/2009

O Sr. Monteiro

Passados quase trinta anos, encontrava-me na esquina que me era vagamente, muito vagamente, familiar.
Disse então à testemunha deste acaso: aqui, vai para uma vida, no meio de um episódio bizarro, adentrei a oficina de alfaiate de um homem que se caracterizava por ter os bordos da mesa de corte todos queimados dos cigarros.
Da loja de chapéus, umbria face à imensa luz da rua, uma remota voz confirmou:
Era mesmo ele. O Sr. Monteiro. Morava mesmo aqui por cima.

06/07/2009

Dias redondos e dosianos

Experimente-se, numa folha de Excel, escrever o número 40000.
Depois, formate-se a célula como data.
Verificamos que nos encontramos no dia 40000 das contas do dito, começadas no último ano do século XIX.
Apercebi-me já depois de ter começado a escrever este post de que há cópia de notícias sobre a coisa.
Banalidades ditas curiosidades que em tempos se encontravam na contracapa de certas revistas.
Vila Nova de Milfontes, 1994

03/07/2009

Exemplos

Estava o Prof. Salvato Trigo na RTP a tecer comentários sobre os exemplos de linguagem que as elites devem dar – referia-se à educação e à instrução – quando disse que [...] ninguém se instrói [...].
Exemplar, de facto.
Ataque de Asma


imagem da Sky News
O caso Pinho

O ex-ministro Manuel Pinho é daquelas figuras que, sem nunca a ter conhecido, me desperta companheirismo.
Como diria um amigo meu, tem cara de “boa senhora”.
E não se leia nisto sarcasmo ou ironia alguma. É de facto uma pessoa que me é simpática na pantalha.
Dito isto, foi também enquanto ministro uma personagem que me intrigou de alguma forma.
Ouvi-o dizer coisas inacreditáveis e ao mesmo tempo parecer ser capaz de juntar três ou quatro argumentos com sentido, coisa que, como sabemos, há pouco quem consiga no actual panorama político, da esquerda à direita.
Dizem, agora, até os adversários políticos que foi diligente e eficaz nalguns casos mas não lhe ficou bem dizer que trabalhara dia e noite – há um estranho costume em Portugal de julgar o trabalho não pela sua qualidade mas pela sua quantidade, como se um tipo que não se deita esteja mais bem equipado para tomar boas decisões do que um que dorme o tempo suficiente.
Foi em diversas ocasiões criticado “ao lado” como também é costume por cá – por exemplo no caso da “mão-de-obra barata” em Portugal anunciada aos chineses.
É claro que a comparação não era com a chinesa, o que não faria o menor sentido, tratando-se de comparar destinos de eventuais investimentos chineses na Europa.
Dito tudo isto, o homem hoje surpreendeu-me.
Por cá, não sei há quanto tempo não havia qualquer coisa do género.
Houve, no Parlamento Europeu, o chegar de roupa ao pelo por parte do Prof. Rosado Fernandes, coisa de resto de que o próprio nunca mostrou arrependimento, tendo em conta que se sentira atingido na sua honra.
O gesto foi de facto para mim surpreendente. Por ter sido feito por quem foi e no sítio em que foi.
Ainda assim não me consigo pôr na pele de quem o critica por tal.
O ex-ministro Pinho não deixou, apesar do sucedido, de me parecer uma figura simpática.

30/06/2009

O mundo em que vivemos

Madoff foi condenado a 150 anos de prisão.
Na corrupção há a figura do corruptor e do corrompido. Na aldrabice apontada à ganância alheia que aqui designamos por conto do vigário, não existe a criminalização do ganancioso que alimenta a teia do aldrabão.

28/06/2009

JPP

Pacheco Pereira está longe de ser um indivíduo destituído.
Faz por isso espécie que, depois do falhanço que foi aquela fugaz passagem pelo jornal da SIC, apareça agora a solo a fazer uma coisa que faz menos bem. A falar para uma audiência.
O homem pensa por ele, escreve bem e é explícito no que diz, em confronto com outros.
Mas torna-se maçudo assim. É claro que isto é uma opinião. E como todas as opiniões...
A ver vamos, porém, quanto tempo se aguenta o programa.


imagem da SIC N
O lixo social e a infinita estupidez dos simples

Dizem – e as imagens mostraram – que aconteceram distúrbios num jogo de juniores em Alcochete, na academia do Sporting.
Os conflitos acontecem pela acumulação de lixo social – já sabemos isso há muitos séculos.
Faz parte da vida.
Há depois uns simples com responsabilidades que dizem que a culpa é das instalações.
É o velho dito da “sala torta”.
Em tempos, era o Estádio Nacional que não tinha condições de segurança – talvez seja mesmo dos mais seguros, mas isso é impossível de explicar a certa gente da bola – porque certo dia deixaram entrar uma parte desse lixo com armas mortais.
É claro que a grande maioria são meros papagaios. Como em todas as áreas da vida.

27/06/2009

As datas e os medos

Referi-me aqui há três meses e tal à questão para muitos melindrosa da marcação das eleições.
Continuo ainda hoje sem saber qual a razão para se ter mudado em 2005 a data da eleição das autarquias locais, passando-a do 50º domingo (ou 51º num caso) para o 41º. Há-de ter havido uma e a ignorância é minha.
Ora, se como então referi, a eleição legislativa ocorreu sempre, salvo as datas simbólicas iniciais e as intercalares e antecipadas, no 40º domingo (ou 41º num caso), tal medida destinava-se a fazer incidir, salvo se viesse a haver novo desencontro de anos eleitorais, as duas eleições – legislativas e autárquicas – no espaço de uma semana ou até a fazê-las coincidir.
Não vejo que fosse de outra forma.
É por isso que acho agora absurda toda esta querela. Afinal qual terá sido a razão para se ter mudado a data em 2005?

25/06/2009

O xadrez protestante



Não sei há quantos anos foi.
Mas tenho a ideia de que já me interessava por xadrez. E precisamente por isso me encantei com o xadrez de cartão amarelo e verde que algum jornal ou revista do estrangeiro tinha oferecido aos leitores nesse dia e alguém deixou abandonado na praia, semi-enterrado e ainda com as peças todas por destacar da matriz.
A praia já não existe e nesse tempo era a favorita dos meus pais. Talvez por ser deserta. Raramente se via por lá gente e quando aparecia eram esses a quem chamavam protestantes. Quase sempre estrangeiros. E vinham de um acampamento ali perto.
Eu não gostava da praia por ser rochosa mas nesse dia o presente que alguém ali me deixou reconciliou-me em parte com ela.
Lembrei-me disto hoje nem sei por quê.
Gostava de saber se ainda o tenho algures.

23/06/2009

A lógica jornalística



Passou na RTP uma reportagem sobre aquilo que muita gente previa que viesse a acontecer – a desorganização dos cadernos eleitorais, possibilitando, com as novas regras do Cartão de Cidadão, que alguém votasse “legalmente” duas vezes. No sítio onde já votava, não residindo, e no local de residência constante do dito cartão.
O que foi notável foi absorver a lógica da jornalista.
Perguntou a certa altura ao eleitor duplicado se alguém lhe tinha pedido o bilhete de identidade para acompanhar o cartão de eleitor.
E qual seria a relevância disso? Seria o facto do homem ostentar o bilhete de identidade (caso ainda dele fosse portador – disse que não) impedimento ou livre trânsito para votar1, ou para votar em duplicado, posto que estava oficialmente registado em duas mesas de voto?!!!
Não seria a cor da camisa também relevante no caso? O penteado? A altura dos tacões?
Está, infelizmente, cheio destas premissas absurdas o jornalismo que hoje se pratica.
A cor da camisa seria demasiado absurda para se perguntar – o senhor votou com uma camisa verde? – mas qualquer coisa que pareça fazer sentido, embora não faça sentido algum, é usada para mostrar serviço.
Mostra muito mais do que isso, infelizmente.


1Atente-se apenas, a título de exercício inútil, na irrelevância da coisa:
Suponhamos que o cidadão em causa ainda detinha e usou o BI. Num dos locais ou nos dois.
Se o usou no local primitivo, tal não geraria qualquer tipo de estranheza, pois seria a rotina habitual, a menos que estivesse caducado e alguém reparasse em tal. O mesmo se aplicaria a qualquer outro documento válido de identificação. Se o usou no segundo, aplica-se tudo o que se disse anteriormente, à excepção de ser a rotina habitual, a menos que existisse nas listas uma referência explícita aos detentores do novo Cartão de Cidadão.
Se não o usou em lado algum, tendo usado outro documento válido de identificação (incluindo o Cartão de Cidadão) ou até a própria face, não se vê razão para que tenha isso relevância para o caso.
A única coisa que poderia eventualmente relevar de uma confissão do eleitor seria a ilegalidade por ele cometida de ter utilizado um documento que já tinha sido substituído por outro.
Mas essa ilegalidade seria por sua vez irrelevante face ao caso e ao que se pretendia demonstrar.

22/06/2009

Nos sapatos do fotógrafo enquanto jovem (cena 5)





talvez deva datar a foto de cima do ano da graça de 1992.