30/08/2009

Coisas


(clicar na foto para ampliar)

Ok, a publicação a tempo dos dados relativos a incêndios florestais em curso não será uma coisa com uma importância por aí além. Concedo.
Esta mensagem (das 18:59) sugere-me, até porque acompanho desde o seu aparecimento há anos, este tipo de informação que a multiplicação de ocorrências durante o dia de hoje entupiu o sistema. Seja lá o sistema o que fôr.
Sugere-me. Não o posso afirmar.
Mas é uma sugestão que nasce da associação a outros casos, como o da Linha Saúde 24 – essa com uma importância comparavelmente maior – o sistema não está programado para reagir expeditamente a um surto. E é justamente nos surtos que ele aumenta de importância e justifica a sua existência.
Coisas...

P.S. Ouço neste preciso momento que também o Ricardo Jorge não estará a dar conta do recado, atrasando as análises de despiste da gripe A.

27/08/2009

Os homens dos bastões

Estive aqui a ouvir quatro Bastonários em debate na RTP.
Intelectualmente, dois deles são pessoas muito capazes. A um outro não o ouvi nunca o tempo suficiente para formar uma opinião. O que resta diz o que lhe vem à cabeça e não tem medo de o dizer. Admiro-o por isso.
Extraindo o sumo ao que foi dito, desemboca-se sempre no país mal organizado, mal hierarquizado, entregue aos mais incapazes dos incapazes.
Confere.
Leceia, 2009

26/08/2009

Portugal, 2009



A autêntica definição de um lugar conhecido.
Pelado

Fiquei agora mesmo a saber que a Liga dos Campeões, ou as suas eliminatórias preambulares vá, se podem disputar em campos pelados.
Logo a seguir, vi Moutinho marcar um golaço.
A ver vamos.
Probabilidades

O que será mais arriscado:
Passar todas as temporadas de praia encostado a falésias ou andar a mesma porção de tempo rente às paredes em qualquer cidade portuguesa?
A forma como se reage às adversidades, correndo atabalhoadamente pelas trancas, também mostra o desenvolvimento mental de uma sociedade.
E as afirmações dos responsáveis, não pelo desastre, mas pela orla costeira mostram que, para lá da corrida às trancas, há pouco tino.
Ontem, num debate na TVI, reivindicaram-se pelouros, jurisdições, dinheiros, etc.
Sobre o caso, valha a verdade, é que não há mesmo nada a dizer. Não tem assunto.

24/08/2009

União de facto

Eu também não consigo perceber por que é que a união de facto tem que ter direitos e deveres para além daqueles que são decididos por comum acordo dos interessados.
O que é que o Estado tem que meter o bedelho?
É só porque há um número excessivo de pessoas que têm que ser protegidas pelo Estado de tudo e mais alguma coisa?
Não seria mais indicado instruí-los, fazê-los usar a cabeça?
Ou há alguma outra razão que me escape?

23/08/2009

Lições de civismo e de moral a granel

Uma coisa absolutamente insuportável é o tom inquisitório com que os papagaios do jornalismo, recém-encartados num qualquer procedimento ou atitude de que nunca tinham ouvido falar – nota-se isto pelo deslumbramento com a coisa – quase exigem aos entrevistados não conformes que se confessem pecadores e, frente à câmara, instados pelo microfone, ali mesmo peçam a absolvição e se penitenciem.

É vê-los agora perseguir aqueles que estão junto a falésias depois de terem deixado os suspeitos de não lavarem as mãos.
Não há pachorra.

22/08/2009

No país do atraso mental

É lá, nesse país, que se anda à procura de explicações para a erosão costeira.
La mer


a banda sonora poderia ser esta

Como habitualmente, nesse último de todos os verões, o meio-dia do sol ainda nos apanhava à procura do primeiro café, talvez do terceiro cigarro, ainda alheados pela frescura das paredes seculares, da canícula que soltava o bafo pela porta assim que a entreabríamos. Ainda indecisos entre Vila Nova, o Malhão, Aivados ou Oliveirinha.
Deu-me para ligar o rádio, vá lá saber-se por quê.
A princípio, pareceu-me a coisa disparatada. Depois, ouvi alguém dizer que uma tripulação de um qualquer voo confirmara ter avistado uma onda de grandes dimensões (há sempre uma tripulação algures que confirma as coisas mais bizarras).
Isto de ondas de grandes dimensões é sempre uma questão a esclarecer – qual é a grande dimensão de uma onda? O comprimento? A amplitude?
As ondas do tipo maremoto têm sempre comprimentos de onda enormes e pequeníssima amplitude em relação com o comprimento. Já as ondas formadas pelos fenómenos meteorológicos são de pequeno comprimento de onda e de amplitude da mesma ordem de grandeza do seu comprimento.
Ora o que é visível na praia é a amplitude da onda. Dificilmente se avista da costa um tsunami a aproximar-se até que, ao atingir águas menos profundas, a amplitude da onda tenha uma variação positiva e comece a destacar-se a sua crista.
Uma onda devida a vento normalmente não ocorre isolada nem com as condições meteorológicas que se verificavam em tal dia.
Achei a coisa bizarra e assim que o tempo foi correndo e os noticiários invariados, desmontada a coisa pelo decurso, fui auscultar a opinião no café da vila.
Havia até apóstolos do fim dos tempos. O eclipse há pouco mais de uma semana e agora isto. E era 1999, esse ano de conjugações tão terríveis.
Saboreei aquelas inquietações talvez antevendo que seria o último verão ali.
Não me recordo já se foi para a Oliveirinha que fomos. Só que estava um belíssimo dia de praia.
Só nos lembrámos da coisa, já noite, quando parámos em Colos para meter gasolina e na televisão do café ao lado das bombas se via uma imagem da dita onda.
Era curiosa. Mas quantas vezes não se vê coisa parecida em iguais condições atmosféricas?
Faz hoje dez anos. E era Domingo.

21/08/2009

Probabilidades

Como toda a gente já ouviu dizer, o mundo é um lugar perigoso.
A única coisa que me ocorre face à desgraça que aconteceu no Algarve, é perguntar-me a quantas das pessoas que ali pereceram passou pela cabeça avaliar a probabilidade do desabamento ocorrer naquela altura.
Todos os dias a todas as horas desprezamos tais avaliações. Às vezes de maneira mais leviana, outras menos.
O instinto de sobrevivência persiste afinal de contas.
Custa-me como sempre é ouvir o chorrilho de asneiras que já ouvi hoje.
Ouvi até dizer que alguém carregara com entulho aquele acidente topográfico. Deve ter tido uma trabalheira dos diabos.
O blogger repórter



Sem sair de casa.
Nos sapatos do fotógrafo enquanto jovem (cena 7)



Lisboa - Largo do Duque do Cadaval (clicar na foto para ampliar)

20/08/2009

Talião

Sou entranhadamente um rústico e entranhadamente pela lei de talião.
Não vejo nisto nada de racional, nenhum vestígio de argumentário que aí desemboque. Sou apenas assim e não me detenho em escalpelos de tal coisa.
Anda a arrastar-se há tempo a história do liberta-se, não se liberta, por razões humanitárias, ou de compaixão, como lhe queiram chamar, já que se encontra minado por um cancro, um tipo que foi condenado pelo homicídio de centenas de pessoas num atentado terrorista – a bomba no avião da PanAm que caiu na Escócia em 88.
Uns quantos argumentam que ele é inocente.
Se é inocente, não deveria estar preso e isso é outra conversa. A justiça, longe de ser cega para os pratos da balança, é também falível como tudo na vida. Pode pois o homem ser inocente. Libertar-se-ia então com base em apelos, em refutação de provas, etc..
Tendo sido condenado, vamos usar da presunção de culpa – é, pois, culpado.
Fico perplexo e não acho que seja uma questão de argumentação mas de entranhas, como disse no início, que se liberte por compaixão ou razões humanitárias quem tenha morto centenas de pessoas. Deliberadamente. Cobardemente.

Averbado às 17:15 - foi libertado.
Duas nada grandes questões universais

Aqueles tipos que ladeavam Sócrates quando uma jornalista lhe perguntou o que ele tinha a dizer sobre o último caso – aquela coisa das escutas em Belém – riam ruidosamente de quê?
O que é que interessa às pessoas e para o que está em causa – que é o mau funcionamento - que a Linha Saúde 24 seja uma parceria entre o público e o privado, como salientou a Ministra?
Um país sem manual de instruções

Confronto-me amiúde com alguém que é estrangeirado.
Que alia a um desprezo generalizado pelas instituições nacionais, análises mais ou menos racionais sobre procedimentos, métodos, competências, avaliações.
A minha avaliação comparativa, menos estribada na observação fora de portas, resvala para um provérbio que mete merda e moscas.
Para além de todas as considerações que se possam fazer a partir do princípio de que é a necessidade que gera a organização, a avaliação dessa organização, creio, faz-se pela forma como funciona ou não uma hierarquia de comando – o que é dizer saber quem manda e quem obedece. Quem escreve os manuais e quem segue as suas instruções.
Com uma necessidade levada ao extremo, são sempre os mais capazes os que dão as ordens e os menos capazes os que obedecem, sem grandes questões, parece-me.
A questão é que à medida em que as condições ambientais se tornam mais favoráveis, há uma tendência para o desfazer da hierarquia e para a desvalorização das capacidades.
Portugal não é um país habituado a manuais de instruções.
Poder-se-á dizer que nem todas as formas de organização são necessariamente hierarquizadas. Talvez. Gostava de conhecer uma que funcionasse de forma aceitável.
O facto é que, avessos aos tais manuais, temos uma hierarquia em que, regra geral, quem dita as regras ou dá as ordens não faz a menor ideia do que está a fazer.
E quem deve respeitá-las não se sente minimamente inclinado a isso. Talvez por as sentir tão absurdas.
O meu argumento depois de passar pela merda e pelas moscas, desagua na hierarquia. É disso que temos falta se queremos ser mais organizados e racionais.
Não tenho a certeza de que uma sociedade mais organizada seja necessariamente um melhor local para se viver.
Mas que também eu, não sendo estrangeirado, me irrito com tanta asneira e tanta incompetência, lá isso é verdade.

19/08/2009

No país do atraso mental

Há demasiada gente a queixar-se da inutilidade da Linha Saúde 24.
Há o reconhecimento oficial de que a coisa não funciona bem.
Não funciona bem ou não funciona mesmo?
Sendo um caso ou outro, isto não seria o básico dos básicos na prevenção e previsão das coisas?
Parece-me bem que sim.

Quantas mais linhas dessas que se propõem atender as carências de cada um não funcionam de facto?
Há alguém com dois dedos de testa a tratar destes assuntos?

18/08/2009

A canção do Verão

Pertenço ao grupo dos que costumam eleger uma música, uma canção de Verão.
Já me vai passando o hábito, é certo, com a idade.
Mas este ano, graças à RTP, não tenho a menor dúvida que esta é a minha canção do Verão de 2009.
Magnífica!

correcção: errada e estupidamente escrevi SIC em vez de RTP.
Sporting

Mantenho o que disse, com muita pena minha.
Sosseguem

Sosseguem os donos das verdades absolutas.
Os que sabem exactamente o que o futuro trará e que será calamitoso em todas as vertentes.
Há finalmente um furacão no Atlântico!

17/08/2009

Sou pelo manguito

Não sei quem foi a cabeça que teve a ideia de substituir beijos, abraços e apertos de mão por uma vénia.
Percebo e julgo útil que se recomende a abstenção do ósculo, do estreitar nos braços, do dá cá um bacalhau. Não vem daí mal nenhum ao mundo, antes pelo contrário.
Julgo ter entendido parte do argumentário que desembocou na vénia.
Não podia ser o punho erguido, porque os que não gramam socialismos mais ou menos científicos não iriam nisso.
Não podia o ser o vê da vitória, porque os que não gramam ingleses, quejandos e pêpêdês não seriam de opinião.
Não podiam ser os três dedos dos escuteiros, porque há demasiada gente que o não sabe fazer.
Não podiam ser nem o sentido nem a continência porque os anti-militaristas não alinhariam.
Não podia ser o polegar para cima porque se poderia pensar que se tratava de cravar uma boleia.
Não podia ser dizer um abraço – como é costume, aliás – porque libertaria gotículas de saliva.
Chegou-se, por igual exclusão de mais uns quantos gestos, à vénia. À atitude de f, como diria o Eça.
Excluiu-se o manguito, talvez por falta de lembrança.
É um gesto muito mais genuíno e adaptado às circunstâncias.
Sou pelo manguito.


imagem roubada ao blogue ROINESXXI

16/08/2009

A inauguração da rotunda

rretunda

Escondida dos olhares forasteiros, conspícua aos olhos dos eleitores, inútil afinal.
É esta a rotunda do HGU, inaugurada com grande pompa no dia do sexto aniversário.
O ano VII começa hoje.
Volta


imagens da RTP e de MCV
Arrife nº18, ponte sobre o rio Liz, 2003

15/08/2009

No país do atraso mental

Aquela velha parábola do tipo que aguarda que o avião que se despenha chegue perto do chão para saltar, embora com as devidas distâncias, é real na cabeça de alguns jornalistas.
Foi ouvir um deles perguntar se sempre se confirmava que uma pessoa tinha saltado antes do embate do avião que se despenhou em Évora.
Foi ouvir outro mencionar essa hipótese.

14/08/2009

624 anos



Porque ainda há quem não queira ser espanhol.
Epidemia

Ouvir pessoas sem um mínimo dos mínimos de preparação matemática a discorrer sobre a curva de propagação de uma epidemia é absolutamente cansativo.
Objectos de estimação



Este é-o. Conheci-o há horas, oferecido por velhos amigos. Entrou directamente para a galeria dos estimáveis.

13/08/2009

Portugueses de 2ª ou talvez não



Ouvi com atenção o Sr. Secretário de Estado do Desporto, quando inquirido sobre a questão de Liedson jogar ou não na Selecção Nacional de Futebol.
Disse, em forma de pergunta, em resposta à jornalista que (cito assim mais ou menos e alterando as palavras – poderão ver ou ouvir tudo aqui) qualquer cidadão, como eu (ele) ou a senhora (jornalista) podendo votar para escolher o Governo e o Presidente da República, não poderá também integrar qualquer selecção nacional, se para isso tiver o necessário mérito?
Acrescentou, porém, logo a seguir que compete às diferentes federações desportivas assegurar que as selecções nacionais não são constituídas maioritariamente por cidadãos não nascidos em Portugal ou não residentes no país.
Quererá o Sr. Secretário de Estado do Desporto esclarecer se há ou não portugueses de 2ª? E, havendo, quando e como é que diferem dos de 1ª?
Isto é mais ou menos o mesmo que dizer que a=b Λ a≠b.
É o habitual, afinal.

12/08/2009

Overbooking

É a sensação que tenho quando deixo de ter sinal de rede no MODEM e passo a obtê-lo assim que ligo, do número de telefone registado na base de dados da ZON, para a assistência.
Basta que passem poucos segundos do momento em que se completa a ligação. Não espero sequer pelo atendimento.
É demasiado frequente nas situações em que me vejo obrigado a para lá ligar. A verdade é que me poupa ao diálogo com aquela gente.
Portugal, 2007

11/08/2009

Comportamentos

Disse a senhora Ministra da Saúde que havia gente decidida a contaminar outras pessoas em retaliação pela contaminação dos seus próprios filhos.
Disse ainda que havia gente que se recusava a colocar máscaras, suponho que em zonas públicas de estabelecimentos de saúde, enquanto se não apurava de que maleita padecia.
Não tenho razão alguma para duvidar do que disse a Ministra.
Isto lembra-me é aqueles que acham que o povo se transfigura ao volante.
Ao volante faz exactamente o mesmo que a pé, de barco, de comboio ou de bicicleta.
Torna-se é mais perigoso.
Fosse esta gripe mais malina... coisa de que ainda não nos livrámos.
Bandeira

Segundo uma jornalista da SIC a “bandeira verde e vermelha da Restauração” hasteada no varandim da Câmara de Lisboa foi substituída pela da monarquia constitucional. Mais tarde foi “destrocada a substituição indevida”.
Não há palavras.
Para quem não viu, a bandeira hasteada antes de mais era a da Cidade de Lisboa e não a Nacional.
Isto hoje é o corriqueiro no jormalismo. A excepção é a notícia sem asneira grossa ou completa cegueira.

averbamento às 15:00 - a SIC já retirou da reportagem a expressão “bandeira verde e vermelha da Restauração”. Mantém-se o resto e a confirmação mesmo no fim de que a jornalista viu lá a Bandeira Nacional.

10/08/2009

Por um desmentido

Tenho a pior das opiniões daquilo a que ainda se teima em chamar justiça por cá.
A amostra que tenho dos intervenientes, da legislação à sentença, é confrangedora do ponto de vista intelectual.
Hoje, tem sido propalada a história do ourives de Viana do Castelo e seu filme publicitário.
Não conheço o indivíduo. Por isso quando anseio por um desmentido sobre o que ele diz que se passa no processo do assalto à loja de que é proprietário, não é para pôr em causa a palavra do homem, é antes porque, estúpido, ainda espero qualquer coisa mais digna, mais capaz, daquilo a que teimam em chamar justiça.
Temo que ele esteja a dizer a verdade.

08/08/2009

Κύπρος



Para quem, como eu, tem um fascínio por esta ilha bem como pelas de Creta e Malta, nunca lá tendo posto os pés, esta moeda que hoje me deram, é uma espécie de chamariz.

06/08/2009

Nos sapatos do fotógrafo enquanto jovem (cena 6)



Estação C.F. de Lisboa-Rossio

05/08/2009

Lisboa, esta tarde

Agradecimento



Desde 2003 que tenho o blogue H Gasolim Ultramarino (daí vem o ultramarino) alojado nos servidores da Globo.
Para além do serviço ter sido sempre de bom e regular funcionamento, descontando as primevas convulsões de crescimento, proporciona ainda o alojamento de imagens, de modo simples e rápido.
É a esse alojamento que recorro agora para alojar as páginas das “Ruas com dias”, com novo aspecto.
Agradeço à Globo as boas condições que me oferecem, gratuitamente, em comparação com as que me foram retiradas pela Zon, ainda que dela seja cliente e pague religiosamente as contas.

04/08/2009

Ele há dias

Desde que me deitei ao trabalho de fazer uma caderneta com marcos miriamétricos das estradas nacionais do Plano de 1945 e depois de placas com nomes de ruas que fossem datas, até completar todas as estradas e todos os dias do ano, que me vinha socorrendo do espaço que a Netcabo agora dita Zon disponibilizava aos seus clientes. Posto que era aos clientes e que estava incluído no contrato inicial, era um serviço pago.
A Zon resolveu acabar com tal coisa, mandou um mail de aviso como manda ene de índole comercial e que me escapou.
Quando me dei conta que não conseguia aceder às páginas, aos ficheiros, fiz uma reclamação.
Depois de uma primeira resposta certeira em que me comunicaram o fim – os papagaios agora dizem descontinuação, como se descontínuo fosse igual a fim – e tendo em conta a minha resposta posterior algo indignada, sobreveio um chorrilho de comunicados em que me diziam que a minha situação estava a ser analisada, misturados com segundos avisos de que as páginas iriam deixar de estar acessíveis a edição no dia tal, já mais do que passado, até que, finalmente, alguém mais capaz pôs fim à torrente, confirmando a tal descontinuação, mas que, no futuro, talvez...
Isto foi em Junho e princípios de Julho.
Um destes dias – um mês depois dos sucessos - recebi um mail comercial da Zon informando-me que em dada área do sítio deles, poderia gerir a minha página pessoal.
Como tivesse tentado mexer na página e aquilo embora parecendo funcionar, não funcionava – o que é dizer aceitava ficheiros novos mas depois não os reconhecia – voltei a perguntar com base na tal comunicação comercial o que é que tinha que fazer para carregar e apagar ficheiros.
Responderam-me por SMS que, atendendo à minha reclamação – qual reclamação? Apenas pedi que me respondessem a uma dúvida – tinham verificado que eu tinha acesso a todas as áreas das páginas deles!!!
Insisti, explicando que não tinha feito reclamação alguma recentemente, apenas um pedido de esclarecimento. E que agora me bastava um sim ou sopas. Ou voltava a haver páginas pessoais ou não.
Desta feita, pelo telefone, disseram-me que, de facto, as páginas pessoais estavam descontinuadas!
Há pachorra para isto? Não há!
O curioso nisto tudo é que nunca mais me disseram por escrito que as páginas pessoais tinham terminado.



As ruas estão provisoriamente na Bravenet.
As estradas continuam lá na Zon, sem edição possível, até que as retirem do ar.
Já tenho para ambas as colecções um novo alojamento previsto.

02/08/2009

Metade da vida

Metade da minha vida levei-a a ouvir o "Lugar ao Sul", de Rafael Correia, na Antena 1. 25 anos.
Ontem, sem saber grande coisa do que se passava, ouvi na parte final uma estranha saudação por voz alheia ao programa.
Duvido que a rádio me volte a proporcionar momentos como aqueles.

A quem não souber do que se tratou, convido a ir aqui e ouvir.
C.M. 1274 de Sintra, 2006

E.T.A.



Também a E.T.A. data de 1959.
O ano de todas as revoluções.
Pertenço ao grupo dos que não condenam o terrorismo por ser o que é – terrorismo.
Na guerra, se não tenho um lado meu, posso quando muito observar. E nessa observação corro o risco de tombar para um dos lados, mais hoje menos amanhã.
Objectivamente, considero que cada um combate com os meios que tem. É longa a história que aí conduz e não me detenho a valorizar esses meios.
Já escrevi sobre isso aqui, a propósito de Arafat.
Tento imaginar-me na pele de um acossado. Ou de alguém que luta por algo em que acredita acima da própria vida. Tenho a certeza de que não consigo. Mas tenho a confiança de que lutaria também.
Debate

Inversamente proporcional à capacidade intelectual de um debatente é a quantidade de vezes que profere qualquer coisa do género, visando o interlocutor: “eu sei que isto o põe nervoso...
Está muito na moda. O que quer dizer...

01/08/2009

Distorcer

No estranho caso da deputada convidada, viu-se finalmente quem é que andava a distorcer os factos.
Os que com cara-de-pau vão agora, na certa, trocar as tintas à coisa, para ver se passa na malha grossa.
É uma vulgaridade. Ainda por cima sem ponta por onde se lhe pegue.
Mas seria pouco avisado esperar deles mais.

31/07/2009

Restos de colecção (72)


trecho de uma tabuada de 1969? (clicar para ver mais amplo)

30/07/2009

Voar baixinho


imagem da página da Assembleia Legislativa dos Açores

O caso do Estatuto dos Açores é exemplar da qualidade intelectual da maioria dos parlamentares – não confundir com maioria parlamentar, a que a semântica se encarregou de dar outro significado.
A política feita com asneiras e disparates é apenas um espelho das cabeças. Nada mais do que isso.
Isto cansa.
Não que eu tenha em suprema conta um organismo como o Tribunal Constitucional. Mas há coisas que são de bê-á-bá.
À janela do comboio

Fui à janela enquanto falava com a moça que estava sentada ao fundo da carruagem, ao lado de quem pousei a revista que lia, e quando saí da janela, depois de ver por onde passávamos, verifiquei que estava na janela seguinte, entre várias mulheres sentadas à esquerda e à direita.
Perguntei para a geral o que tinha acontecido – como é que tinha sido possível eu ter posto a cabeça de fora numa janela e a cabeça para dentro numa outra?
Ninguém ao que me recordo se mostrou interessado no assunto. Talvez a moça ao lado da minha revista, talvez ela me tenha lançado um olhar compreensivo.

29/07/2009

Sporting

Depois da forma como me envergonhou a época passada e que não esqueci, não espero que o Sporting faça grande coisa esta época.
Antes sair cedo do que ser enxovalhado. O dinheiro... eu sei!
No país dos incapazes

Há algo de muito subjectivo nesta apreciação mas o facto é que ouvir que vai haver uma investigação judicial sobre o caso do Hospital de Santa Maria me faz imediatamente pensar que agora é que não se vai apurar nada. Mesmo nada.
É subjectivo, repito. E preconceituoso, admito. Oxalá me engane.
Não vi

Apercebi-me esta noite de que houve um debate entre Santana Lopes e António Costa na SIC.
Não vi, de facto.
Há muito que ouvi de ambos o suficiente para ter de cada um a ideia que são intelectualmente fraquíssimos.
Sair da boca de qualquer deles qualquer coisa que faça algum sentido só por efeitos de algum milagre.
Não acredito em tais coisas.
Alguém crismou esta luta de “O Costa do Castelo” contra “O Leão da Estrela”. Não faço ideia quem foi, mas quem foi teve espírito.

28/07/2009

No país dos incapazes

Deixemos de lado, por ora, seja o que fôr de muito grave que tenha ocorrido no Hospital de Santa Maria.
A questão é que não se saberá ainda o que foi, se é que alguma vez se saberá.

Atentemos apenas, para já, no chorrilho de asneiras aqui mencionado genericamente e que foi proferido nas primeiras horas, ao bom estilo de a bata do cirurgião não era azul mas vermelha, o que está contra as normas – ninguém disse isto mas ouviram-se ene coisas do mesmo calibre.
Ele era a política das farmacêuticas e suas recomendações, também as recomendações do Infarmed, a farmácia do Hospital entregue a não sei quem e muito mais asneirolas com as quais eu gostaria de ver confrontados os seus postilhões num futuro próximo. Isso nunca acontece. Dizem-se as coisas mais desprovidas de sentido – ainda ninguém se lembrou de perguntar se a sala de cirurgia (ou salas de cirurgia) estava certificada, coisa que é comum acontecer noutros contextos.
Se cai uma parede em cima de alguém, o importante é saber se a obra está licenciada ou não e não o que de facto motivou a queda. Faz parte da cultura arracional em vigor.

Ouço mesmo agora que a Procuradoria resolveu abrir um processo. A ver, virão os desgraçados pacientes?
Pobre país, como dizia JPP.
Gáfete, 1995



Em 1959 talvez esta imagem não fosse muito diferente.

27/07/2009

Aqui de longe

E com o desconto de falar sobre circunstâncias que desconheço, ocorre-me que, não fosse a câmara de video instalada no Ferrari de Massa, andar-se-ia agora à procura de uma causa para o acidente.
Com isto, digo que talvez as lesões dele e os estragos na viseira do capacete se pudessem atribuir ao embate final.
É o chamado supônhamos que ainda que possa ser disparatado neste caso, chama a atenção para as inúmeras causas que ficam por identificar em acidentes quaisquer que sejam.
Ainda assim e sem que tenha a ver com o acima dito, é estranho que já não se veja o carro de Barrichello na imagem enquanto a peça ainda anda no ar. E estou a contar com a desaceleração que o atrito do ar ou da pista (se já tinha ido ao chão) provocaria numa peça animada de velocidade no mesmo sentido do do carro de Massa.
Com tanto mecanismo de segurança e ainda não utilizam viseiras à prova de bala. Bizarrias.
Já as circunstâncias em que se diz terem acontecido algumas das lesões que ditaram a morte de Ayrton Senna indicavam essa falha, ainda que não fossem determinantes para o desfecho.
Não deixa de ser curiosa a já por muitos assinalada e repetida (pensando ainda no caso de Senna) ocorrência de casos similares com poucos dias de intervalo.
O de Surtees e o de Massa.

26/07/2009

25/07/2009

A idade mental

A idade mental de uma sociedade também se avalia pela frequência de medidas-placebo.

24/07/2009

No país dos incapazes

Atacar este governo (ou qualquer outro) por motivos pelos quais não responde nem deve responder, é prova de estupidez.
Estupidez que produz o exacto efeito contrário.
Mas a estupidez não é culpa nem responsabilidade de quem dela é portador. É apenas assim.
No país dos incapazes

Concretizando:
Um tribunal, um departamento de investigação, uma instalação qualquer que seja que necessite de determinadas condições de resguardo e de segurança dificilmente pode funcionar razoavelmente em edifícios de escritórios.
Mas a razão é coisa que não assiste nunca a quem decide estas coisas.

Um tribunal, quando construído de raiz para o efeito, mostra não ter raízes.
A razão foi portanto coisa que não assistiu ou a quem projectou ou quem a construiu e a quem fiscalizou.
Estamos no país dos incapazes.

23/07/2009

No país dos incapazes

Concretizando:
Pode ser que eu tenha azar e que as declarações razoáveis a propósito do caso da cegueira no Hospital de Santa Maria me tenham passado todas ao lado, excepto uma – a de alguém (suponho que um médico) que indicou a percentagem de casos similares relatados associados a este medicamento e que caía no intervalo dos valores esperados para um medicamento em utilização.
E que rematou dizendo - se tivemos 100% aqui, alguma coisa mais aconteceu.
Tudo o resto que ouvi – e foi uma cópia - um conjunto de inanidades. De ilogismos, de ignorância, de ausência de raciocínio e de, em suma, sacudir a água do capote.
Como dizia há anos Pacheco Pereira, pobre país.
No país dos incapazes

Não se passa um dia em que não se tenha notícia de que o país está cheio de incapazes em posições dirigentes.
Não se passa um dia em que não se tenha notícia de que o país está cheio de incapazes em funções técnicas.
Não se passa um dia em que uns e outros não nos mimoseiem com um chorrilho de asneiras para justificar a sua incapacidade.
Não são capazes de mais nem de melhor, é certo. Não têm a menor culpa ou responsabilidade de serem incapazes. São-no. Nasceram assim, incapazes de usar o cérebro.
Quem tem a responsabilidade são os capazes que se demitem. Que viram as costas. Que encolhem os ombros. Que já tiraram férias do país.
Não sei quantas vezes já escrevi isto aqui. Repito-me.
Mas não há dia...

22/07/2009

Ainda com a cabeça na Lua



Posto que a notícia hoje é solar e lunar, urge combinar ambos nos sonhos. Que se sonhe...

2026
2027
2028

21/07/2009

Jardins bonitos como há em Alhandra

Disse-o já aqui por uma vez, a Lua troca-me as voltas.
E ainda não me tirei dos meus cuidados para perceber a revolução lunar de forma a não ser surpreendido pelas suas aparições a leste e a oeste.
Há, porém, uma outra coisa relacionada com ela que me troca as voltas – em que dia pousou o módulo lunar no satélite da Terra e a que hora aconteceu isso? E o pé de um humano? E qual dos dois momentos considerar mais importante? Deixando esta última questão de lado, posto que subjectiva, vamos às dúvidas objectivas:
E não me refiro às dúvidas que o feito ainda hoje suscita mas sim que dia e hora considerar quando eram as tais 4:18 p.m EDT (hora relatada da alunagem) ou as 10:56 p.m. EDT (hora relatada da descida de Armstrong)?
Nos dias seguintes, lembro-me de ter discutido a coisa quando tanto se lia que o homem chegara à Lua a 20 de Julho, como a 21.
Ainda hoje não sei em que dia e a que hora foi. Há uns anos, um livro sugeriu-me uma tese.
Em “O homem que vendeu a Lua”, Heinlein define a propriedade do satélite e de todos os corpos celestes como pertencentes a quem detenha o lugar na Terra em cuja vertical eles se encontram no momento.



Sendo que é uma questão curiosa e de intrincadíssima solução traçar a esfera celeste e os seus componentes conhecidos num dado instante, com os dados e os conhecimentos que possuímos ainda hoje, sessenta anos depois de Heinlein ter escrito o livro, a posição da Lua às horas acima referidas não é de cálculo difícil.
A hora do lugar na vertical do qual se encontraria então, seria a hora dos sucessos. E o dia assim conhecido.
Em alternativa, há o tempo do meridiano de Greenwich. Esse dita que Armstrong terá posto o pé na Lua a 21 de Julho e não a 20.
Viu-se mais tarde que não há por lá (na Lua) jardins bonitos como há em Alhandra.

astronauta
astronauta roubado aqui

18/07/2009

Numa rota de estradas esquecidas - E.N. 218-1, 2005



Ponte internacional sobre o rio Maçãs, talvez desactivada ontem.

16/07/2009

O Jardim é de madeira (rija)

Simpatiza-se ou antipatiza-se com as pessoas sem saber por quê. Eu não sei nem tenho pretensões a saber.
Considera-se uma pessoa capaz quando ela dá sinais evidentes de o ser, pelo raciocínio, pela acção, pela consideração das coisas. Independentemente de simpatizarmos com ela ou de a sua simples presença no écran ou, mais perto, no passeio do outro lado da rua, nos causar aquela irritação...
Simpatizo com Alberto João sem nunca o ter visto do outro lado da rua.
E digo dele, pela observação que tenho feito, que é muito melhor do que a caricatura que compôs.
Sobre a questão de hoje, nada a acrescentar.


Se, por via deste blogue, não tivesse obtido mais satisfações – muito mais – do que aborrecimentos – insignificantes, de facto – naturalmente, como a maioria das pessoas, teria fechado a loja assim que a curva de uns ultrapassasse a das outras.
E é por ser de uma curva que se trata – uma curva com a qual foi contemplado por gentileza, mais uma vez, do João Espinho – que agradeço a distinção com uma curva do caminho (a E.N.2 em noite de fogo do inferno).
Deste caminho que daqui a um mês leva meia-dúzia de anos sem que eu quase tenha dado por isso.
O infinito sempre me pareceu mais plausível do que o finito.




Talvez que um dia destes me sinta capaz de atribuir a mesma distinção a outrem. Não hoje.
Peço desculpa por isso.

15/07/2009

Mistérios do Universo



Ele há coisas que nunca ficamos a saber o que são, o que foram.
Na realidade, dependendo do grau de satisfação com o conhecimento, essas coisas poderão ser todas. Todas as coisas.
Faz hoje trinta anos que qualquer coisa aconteceu à frente dos meus olhos sem que eu tenha ainda hoje a menor ideia do que foi. Uma das que ficam marcadas. Para sempre.




clicar para ampliar

13/07/2009

pH

Diz a sexóloga na TVI 24 que “o pH do sémen humano é 7,2 – um bocadinho ácido, portanto”.
Digo eu que quem não sabe do que fala, o melhor que tem a fazer é estar calado.
Diz que havia um industrial que fabricava certa mercadoria que era tão boa que nem pH tinha. Não o fazia, porém, na televisão.

12/07/2009

A peste

Estamos aqui às voltas com os primeiros passos da epidemia.
Na peste e na guerra, sendo que peste é aqui mais uma vez uma lata palavra, é que se diferencia em absoluto a conversa para as massas e entre os que as dirigem.
É natural que se digam muitos disparates às massas. Não têm faltado todos os dias.
O que preocupa – e me preocupa sempre – é pensar que muitas das pessoas que se dirigem às massas com argumentação irrazoável estão de facto convencidas do que dizem.
Ouço hoje um responsável dizer que o facto de a taxa de incidência da doença ser em Portugal mais baixa do que em outros países é mérito da acção do governo.
Não sei se ainda hoje há pessoas no aeroporto à espera dos voos de Cancun, convertendo-se elas próprias em veículos de propagação. Não sei se há mas já houve.
Não sei se há alguma noção de como lidar com situações deste tipo que sejam realmente graves e não como esta, que até agora tem correspondido às minhas expectativas de benignidade. Nada nos garante que não piorará e nada me garante que há um mínimo de noção de como atenuar os efeitos de tal. Que impedir uma peste de se propagar todos sabemos que ainda não conseguimos fazer.
Apercebo-me é de que o discurso político parece corresponder aos meus temores – eles estão de facto convencidos do que dizem.
Afinal, talvez seja isso que faz deles políticos.


gráfico feito a partir dos dados da OMS.

09/07/2009

O Sr. Monteiro

Passados quase trinta anos, encontrava-me na esquina que me era vagamente, muito vagamente, familiar.
Disse então à testemunha deste acaso: aqui, vai para uma vida, no meio de um episódio bizarro, adentrei a oficina de alfaiate de um homem que se caracterizava por ter os bordos da mesa de corte todos queimados dos cigarros.
Da loja de chapéus, umbria face à imensa luz da rua, uma remota voz confirmou:
Era mesmo ele. O Sr. Monteiro. Morava mesmo aqui por cima.

06/07/2009

Dias redondos e dosianos

Experimente-se, numa folha de Excel, escrever o número 40000.
Depois, formate-se a célula como data.
Verificamos que nos encontramos no dia 40000 das contas do dito, começadas no último ano do século XIX.
Apercebi-me já depois de ter começado a escrever este post de que há cópia de notícias sobre a coisa.
Banalidades ditas curiosidades que em tempos se encontravam na contracapa de certas revistas.
Vila Nova de Milfontes, 1994

03/07/2009

Exemplos

Estava o Prof. Salvato Trigo na RTP a tecer comentários sobre os exemplos de linguagem que as elites devem dar – referia-se à educação e à instrução – quando disse que [...] ninguém se instrói [...].
Exemplar, de facto.