13/03/2010

PSD



Em tempos, os congressos do PSD eram o equivalente nacional à noite dos Óscares.
Santana Lopes, uma das estrelas (ou a estrela) com lugar cativo na passadeira vermelha, matou a coisa. Ao decidir-se por chegar ao topo a partir das bases.
O que de facto nem chegou a acontecer. Chegou lá por desistência. E perdeu depois as directas que disputou. Toda uma ironia.

Não sou, nunca fui militante do PSD. Nem de qualquer outro partido.
O facto de o presidente do PSD poder vir a ser primeiro-ministro é suficiente para que me detenha na observação deste e daquele.
Já aqui escrevi sobre Passos Coelho e sobre Rangel, numa altura em que o segundo estava longe de ser considerado candidato ao lugar.
Sobre o primeiro, tenho verificado que nos últimos tempos é geralmente considerado o mais bem preparado intelectualmente dos quatro candidatos anunciados, mas...
E este mas mais os ataques de que tem sido alvo, de todos os lados, parecem denunciar um receio qualquer que não é explícito nem o pode ser.
Sobre o segundo, Rangel, registo as contradições em que caiu embora o considere um tipo capaz.
Se o parlamento tivesse, distribuídos pelos diferentes partidos, 230 deputados com a bagagem de qualquer um destes dois homens, muito melhor estaríamos na certa.
Tenho de Aguiar Branco uma ideia mais parda.
E de Castanheira de Barros, nada posso dizer.

Quem mais haverá alinhado à partida?
Não conto ir a Mafra este fim de semana.

11/03/2010

La main de Vata


imagem do site do SLB

Não fosse a mão de Vata e eu teria perdido uma aposta que de resto estava a ser instado a mudar face à transmissão televisiva a que assistíamos bem perto do Estádio do Luz.
O urro que então se ouviu antecipou, se a memória não me trai nesse particular, o alçar da mão aos nossos olhos.
Uma aposta que fizera com o mesmo companheiro de andanças, uns bons meses antes, à hora de almoço enquanto víamos na televisão do restaurante as imagens do tremor de terra em São Francisco. Era o dia 19 de Outubro de 1989 e eu apostei, não sei por que ideia luminosa, que o Benfica iria à final da Taça dos Campeões e perderia.
A mão de Vata pôs a bola na baliza quase 6 meses depois, a 18 de Abril!
O Benfica foi à final e perdeu.
Hoje faz uns jogos (um jogo?) que isso foi.
Já lá vão 35 anos

Sobre uma história muito mal contada.


Primeiras páginas em Jorge Feio; Fernanda Leitão; Carlos Pina, “11 de Março: autópsia de um golpe”, APR, Lisboa, 1975
Cofragens

Gostava eu de saber qual é a evolução da taxa de acidentes com colapso na betonagem de pontes e viadutos desde que se começou a usar betão armado (ou simples) em Portugal.

Independentemente de ter sido isso ou não o que se verificou ontem na A4. Dizem que sim mas as imagens que vi estão longe de ser esclarecedoras.


espólio Campos Vilhena, foto de MSS, 1956

10/03/2010

A Santa Oposição

Estando o país como está, a Santa Oposição em vez de atacar onde é importante e ajudar onde é necessário, anda a alinhar gente para ser ouvida nos Estaus, digo em São Bento.
A propósito de nada e de coisa nenhuma.
Toyota USA

A série de incidentes com Toyotas que nos Estados Unidos tem sido relatada é, para além das causas, uma pouco inocente campanha e um repositório de imbecilidades tal que nos faz sentir ilusória e relativamente mais seguros na estradas portuguesas.

09/03/2010

Hoje sou portista



Nunca percebi qual era a preferência clubística do meu Pai.
A única coisa relacionada com futebol que me comunicou e ficou entranhada foi uma história passada num jogo do Futebol Clube do Porto.
Mas o moral da história estava longe de ser alinhado com uma preferência por este clube.
Mesmo assim, admito que a cidade e o ambiente o possam em qualquer altura ter influenciado nesse sentido. Mas não sei. Não soube, não saberei.
Admitindo que, por essa via, tenha adquirido um pouco de sangue azul e branco, as minhas próprias experiências não me encaminharam para a simpatia para com o Futebol Clube do Porto.
Mas nunca deixei de torcer pelo Porto nas competições europeias.
Fui dos que comemorei em Lisboa a vitória de 87.
Em 2003 e 2004 já não tinha vida para isso e ainda assim passei pelas ruas de Lisboa.
Previa a eliminação do Porto esta noite. Disse-o há dias.
Mas, mesmo recordando o passado recente em casa do Arsenal (4-0 na época passada) – coisa que parece que escapa à maioria dos comentadores – não esperava um balanço tão mau.
Hoje sou portista. E fico chateado com a derrota.

08/03/2010

Paternidade

Ouvi agora mesmo no tempo de antena do MDM, a propósito do Dia Internacional da Mulher, um apelo ao respeito pelos direitos laborais correlatos com a maternidade e com... a paternidade!!!
Ele havia coisas que eu supunha impossíveis.
Pecuum

Não vou acrescentar uma palavra às referências biblícas ao pastor e às ovelhas.
Apenas noto que os maus pastores castigam as ovelhas.
Efeitos especiais

Há um erro de construção lógica quando se quer mostrar as capacidades de uma televisão a cores através de uma televisão a preto e branco,
Há um erro de construção lógica quando se quer mostrar as capacidades de uma televisão de alta definição através de uma televisão de baixa definição (sendo que alto, baixo ou normal aqui são conceitos voláteis).
Há um erro de construção lógica quando se quer dar a ilusão das três dimensões sem que o receptor possua o equipamento necessário (que pode ser um vulgar par de óculos).
Em todas estas situações há erros lógicos elementares. E, todavia, que corriqueiras elas são.

07/03/2010

Legalidades jornalísticas

A propósito do acidente de aviação que vitimou duas figuras bem conhecidas da sociedade portuguesa, ouviu-se hoje repetidamente dizer que a pista era “ilegal”.
Estou longe de estar inteirado dos requisitos que são necessários para que uma recta alcatroada ou não, possa receber com regularidade aeronaves que careçam de pista.
Mas sei que se me apetecer nivelar e alcatroar uma recta com umas centenas de metros lá no monte, não haverá quem me detenha.
Tudo isto, no entanto, é absolutamente irrelevante quando um avião se despenha por causas que em nada se relacionam com o local de onde levantou ou onde irá aterrar, a acreditar nas notícias.
Ou não será?
Porque ele há ruas com dias e coisas que batem certo

mapa
07MAR

No fundo, é a serra de Sintra que bate certo com a data.
Alterações climáticas

Devem ser as alterações climáticas – diz que o lince se poderá reproduzir também em Grândula.
Que grândulas alterações...


Biosfera, RTPN, 7 de Março de 2010

05/03/2010

Das divisões do Mundo (episódio n+7)

O Mundo também se divide entre os que fazem equivaler a palavra jovem à palavra criminoso, desde que o ente em questão tenha menos de vinte e não-sei-quantos anos, e os outros.
Tragédia


Rio Tua em Mirandela, 2001

O caso de Mirandela é demasiado trágico para que se possa aproveitá-lo para isto ou para aquilo.
O que não se pode, antes ou depois dele, é escamotear o clima de desrespeito, de indisciplina, de ausência de temor das consequências, nas escolas. E fora delas.
E é também demasiado trágico para que os papagaios do costume, de microfone em riste, insistam em perguntar às pessoas se se trata deste fenómeno novo chamado bullying.
Triste gente esta, nascida ontem, para a qual o mundo todos os dias traz novidades. E em inglês.
Resumindo, casos destes sempre os houve, mais ou menos graves. Nunca foi necessário ir buscar palavras inglesas para os denominar. Havia os calduços, as amostras, as cuspidelas, por aí fora.
O que é destes tempos, nem sequer sendo coisa recente mas apenas continuada, é a sua conjugação com a falta de respeito que a escola permite e até quase se pode dizer incentiva, o que origina que atinjam proporções diferentes. E a notícia que deles se tem.
Já Marçal Grilo, que foi ministro da Educação, citava no título de um livro, uma professora: “Difícil é sentá-los”.

04/03/2010

Memória

Na noite de hoje completam-se nove anos após a tragédia de Entre-os-Rios.
Cinquenta e nove pessoas faleceram nas águas do Douro no pior acidente rodoviário da história do país.
Na altura falou-se da dinamitação da ponte em 1919 durante o conflito militar que opôs realistas a republicanos.
Mas não me recordo de ter visto imagem alguma deste episódio publicada nos jornais de há nove anos.
Aqui estão duas, captadas pelo Sr. Vitorino Melo:


fotografias de Vitorino Melo, in Ilustração Portuguesa, II série, nº 682, de 17 de Março de 1919 (clicar para ampliar)

03/03/2010

Cabora Bassa

Estou um bocado curioso com os desenvolvimentos que possam responder à questão aqui formulada há três anos e tal - qual terá sido a vantagem para Portugal de vender a participação em Cabora Bassa?
Atropelamento

Começou hoje o julgamento da condutora que matou duas pessoas no Terreiro do Paço há mais de dois anos.
Desta vez já se conhece a identidade da senhora.
Coisa que bizarramente não se sabia há tempos e a que aqui fiz alusão.
Seja qual fôr o desfecho deste caso, sabe-se já que nada na lei impede a senhora de continuar a conduzir.
A menos que uma junta médica a dê como incapaz, calculo.
Isto aplica-se a esta senhora como se aplica a qualquer um que mate e estropie na estrada, ficando provando que tal aconteceu por sua única responsabilidade.
Não estou a dizer que é aqui o caso. O julgamento ainda não terminou. Só que é tão bizarro que os nomes das mortas sejam divulgados e não o nome de quem as matou, como permitir que alguma pessoa responsável por coisa semelhante continue a andar na estrada atrás de um volante.

02/03/2010

Conteúdo

Algumas considerações sobre os temas da actualidade:
A haver um canal de televisão que justificasse censura, seria decerto a ARtv.
O país ficaria impedido de aferir a qualidade modal dos seus representantes no Parlamento.
A notícia da provável criação de uma comissão de inquérito à forma como decorreu o processo de intenção de compra da TVI pela PT ou lá o que é que ela irá inquirir é uma acha mais para a fogueira da justificação da dita censura.
Digo isto porque tenho sido cliente do som de tal canal de tv. E o que ouço substancia a péssima ideia que tenho da qualidade intelectual dos sentantes do hemiciclo. Com raras e muito honrosas excepções, naturalmente.
Noto que, recentemente, nas audições da Comissão de Ética, se refere amiúde a necessidade de (ob)ter conteúdos.
De facto, a necessidade de ter conteúdos, conteúdo – basta-me o singular – deveria ser universal e óbvia. Pelos vistos, não o é.
Almejarei talvez estupidamente o melhor dos mundos. Julgo apenas que almejo um mundo político com menor número de incapazes. Só isso.
A sanha da oposição em atacar Sócrates com assuntos menores e sem ponta por onde se lhe pegue é o espelho da sua capacidade.
E a amostra da alternativa existente.
Pobre país, como dizia Pacheco Pereira.

28/02/2010

Remissão II



2-5 fora e 3-0 em casa dá apuramento.
Se o Porto não se apurar, como me parece que não se apura, face ao Arsenal, teremos Pinto da Costa a renovar com Jesualdo? Ou será já amanhã?
Impacto ambiental

Houvesse no tempo de Dom João V estas duas noções: a que se ganhou no reinado do seu filho sobre os terramotos e sua génese terrena e a que se adquiriu posteriormente de que a costa ocidental da América do Sul é muito propensa a tais fenómenos na sua extrema manifestação e teria Dom Luís da Cunha ousado congeminar a troca do Algarve pelo Chile?
Xynthia


carta de previsão do ECMWF via site do IM

As previsões que o ECMWF fez anteontem davam a entender que a depressão seria muito cavada ao atingir a França.
Daí, o meu comentário.
Ao que dizem as notícias, mortífera se tornou.

25/02/2010

Remissão



Ainda não acabou.
Mas o que se viu hoje haveria de se ver sempre.
Quase sempre, vá.

22/02/2010

PM

José Sócrates, honra lhe seja, deu cartas na entrevista a Sousa Tavares.
Stop.
Acontecimentos do ano

Chegados ainda a menos de um sétimo do ano, já estão pelo meu palpite bem definidos os acontecimentos nacionais e universais de 2010.
Espero não me enganar.
Portugal, 2010

21/02/2010

210210

Curiosidade. Para desanuviar.
Em cada século há apenas uma data em que se encontra na forma abreviada esta sequência: cbacba.
Em que c=b+1 e b=a+1.

19/02/2010

Fernando Nobre

Para quem como eu acha que a culpa do estado em que estamos é não dos imbecis que por aí andam – que culpa podem eles ter de serem imbecis? – mas dos capazes que se demitem e viram as costas, a candidatura de Fernando Nobre é de saudar. E é saudável.
ETA



A ser verdade o que se contou na imprensa e que foi:
O condutor de um veículo, no qual seguiam duas pessoas, desobedeceu a uma ordem de paragem por parte da GNR no caminho municipal nº 1408 de Óbidos, na noite de 1 de Fevereiro, segunda-feira.
O veículo foi mais tarde encontrado abandonado.
Na noite de quinta-feira, 4 de Fevereiro, as autoridades foram avisadas por um vizinho de que uma casa sita no Casal da Avarela se encontrava de portas e janelas abertas e luzes acesas há alguns dias.
Na sexta-feira, 5 de Fevereiro, forças policiais invadiram esta casa tendo encontrado material utilizável na fabricação de explosivos, bem como explosivos prontos a usar.
O veículo abandonado foi identificado como sendo o utilizado pelos ocupantes da casa.


A ser isto tudo verdadeiro, presume-se que os ocupantes da viatura e inquilinos da casa, certos de estarem a praticar actos ilícitos, abandonaram carro e casa, temendo primeiro uma nova intercepção na estrada e depois um assalto das autoridades à residência e sequente captura, depois de estas relacionarem o veículo com a morada.
Incorreram num erro de estimativa e num erro de análise. O de estimativa foi de três dias e tal. O de análise foi julgarem que o carro conduziria a polícia à casa. A barreira a que escaparam encontrava-se, segundo as notícias, no caminho que serve a moradia.

O facto de não terem nem fechado a porta nem apagado a luz aponta para uma pressa desmedida e pouco consentânea com o sangue frio que se costuma atribuir a operacionais da ETA.

A não se tratar de uma reacção tal, então observa-se que tudo fizeram para chamar a atenção para a casa.
Mais, só colocando letreiros e sinais sonoros.

É uma história bizarra e parece que, mais uma vez, muito mal contada.
Meio por meio

Temos portanto metade do país a escutar às portas da outra metade.
A metade que escuta fá-lo para mostrar que a metade escutada não tem classe.
Concedo: há uma meia-dúzia restante que já se desligou da paisagem e da companhia.
Mascarada



Deve haver uma mascarada qualquer que me impede de aceder ao computador, à rede.
Não deve. Há.
Intermitente que é, mascarada que anda.

13/02/2010

Olvido

"No preciso momento em que abro os olhos fiquei completamente estupefacto. A escuridão tinha desaparecido e estava em pleno dia. Uma claridade intensa, sem contudo, incomodar a vista iluminava tudo à nossa volta."



Basta talvez multiplicarmos a nossa própria indiferença face a um qualquer fenómeno estranho que tenhamos presenciado, pelo número de pessoas que julgamos terem testemunhado o mesmo e teremos uma ideia da insignificância histórica da coisa, ainda que objectivamente ela se revista de uma importância muito superior.
O que sucedeu nos céus de Portugal na madrugada de 15 de Julho de 1979 não foi explicado.
E é provável que se trate de uma das mais testemunhadas anormalidades da história do país, tantos foram os relatos que a imprensa disse ter ouvido e recebido.
aqui referi o que vi e onde.
Para quem quer passar à frente, resumo que se tratou de um clarão que tudo iluminou como se tratasse de um sol forte e a pino num dia de Verão, durante o lapso de tempo suficiente para ficar com um retrato bem vívido na retina do que me rodeava. Um segundo, mais, não faço ideia. Isto cerca das duas e meia da manhã.
Dessa noite, restava o testemunho de quem comigo estava. Havia os outros circunstantes que ignoro quem fossem e havia o testemunho de dois amigos que, a quilómetros dali, julgaram tratar-se de uma formidável explosão, tanto que procuraram o melhor possível resguardar-se da onda de choque que imaginaram potentíssima.
Havia as notícias na rádio e os vespertinos do dia.
E raramente pensei no assunto. Vez por outra relatei o caso a uma ou outra pessoa.
Recentemente, decorridos trinta anos, voltei a mencionar o episódio aqui no blogue.
Surgiu por estes dias uma reacção de alguém que também passou pela experiência e que deparou com o meu relato.
Aqui vos fica a narração. É mais interessante do que a minha.

Ler o artigo completo

Agradeço ao Jorge a gentileza que teve.
Jornalismo

Ontem, ao noticiar o insólito caso do voo de Évora para Tires, uma jornalista afirmou que a aeronave se despenhara antes de alcançar o aeródromo de Cascais e que um dos ocupantes saltara do avião já na pista.
O avião caiu portanto antes de chegar à pista embora já na pista é que alguém saltou!
Será preciso possuir um curso de aeronáutica para avaliar esta impossibilidade?

12/02/2010

Esticar a corda

Não tenho sobre o Primeiro-Ministro grande opinião sobre as suas capacidades intelectuais.
Fundamento-a em vários episódios em que o ouvi dizer coisas extraordinárias, sem o mínimo sentido. E que aqui referi por vezes.
Tenho a ideia, já aqui também expressa, de que é alvo de uma campanha torpe e muito mal fundamentada por parte de quem não tem maiores capacidades intelectuais.
Houvesse de facto alguma coisa grave a apontar a José Sócrates e ele já estaria frito a esta hora.
Não estando, a única coisa que ressalta é a inépcia de quem assim o ataca.
Tudo isto já aqui o afirmei.
Não li, não ouvi nem conto ler ou ouvir estas ou quaisquer outras transcrições de conversas, mensagens ou gravações apanhadas à sorrelfa.
O próprio facto de serem publicadas sem consequência é por si só a justificação da inanidade.
Porém, a corda estica-se. E estica-se porque sobre o descontentamento existente, qualquer chapada de qualquer coisa castanha e com a devida textura é imediatamente tida por lama.



A ver vamos se a corda parte.

08/02/2010

Marcos

Em 1993, havia num troço de estrada que ligava a E.N. 264 à via Infante de Sagres (vulgo Via do Infante), uns marcos quilométricos que assinalavam os km 90 e tal do IP1.
Eram marcos curiosos conquanto respeitassem o formato dos do plano de 45, referiam-se a um IP do plano de 85.
Ignoro se ainda lá estão e se foram ou não reciclados.
Já na dita via Infante de Sagres, escassos quilómetros andados, os competentes marcos de lata letra branca em fundo azul de auto-estrada já marcavam os km 300 e tal do IP1. Em cerca de dez quilómetros, tinham afinal sido percorridos mais de duzentos!!! Sendo que nem uma nem outra contagem faziam o mínimo sentido.
Aí, na última vez que lá passei, os marcos referiam-se à A22.
Poder-se-ia falar de muitos outros exemplos semelhantes de desnorte, de incompetência, de burrice.



Este aqui encontrei-o em 1995 num sítio onde seria talvez expectável encontrar o km 20 da E.N. 264, na versão proposta pelo plano de 45 e a uma légua bem medida do local onde afinal está o km 1 da E.N. 264, que acabou por ser construída com um traçado inicial diferente.
Este marco tampouco remonta ao tempo do traçado inicial. Foi lá colocado muito posteriormente.
Acresce que o formato do marco nem sequer é regulamentar. Como se pode perceber pela imagem comparando com qualquer dos marcos quilométricos da weberneta.
É o tipo de coisa que acontece porque sim.
E há demasiados porque sim aqui, ali, no governo do país aos mais diversos níveis. Este é apenas um exemplo caricato.

07/02/2010

Tabu



Há alguns tabus mais ou menos persistentes na vida portuguesa.
Um deles é a ETA.
Com as excepções óbvias do assalto à Embaixada de Espanha, do caso GAL e da controvérsia sobre a extradição de Telletxea Maia, o assunto ETA foi sempre encarado como longínquo.
Até que recentemente, com o episódio dos carros de aluguer, a coisa saiu um bocado das baias em que se encontrava.
Falando de cor, apenas com o cheiro da pólvora, sempre tive a ideia, dir-se-ia uma espécie de ilusão mental, que a ETA apenas usaria o território nacional, vez por outra, como posição recuada, onde teria aqui e ali casas seguras, apenas para abrigo temporário dos seus irregulares.
Nunca me cheirou a tal pólvora. Mesmo que admita que na conturbada fase de 1975 – se a Embaixada de Espanha foi ela própria incendiada! – tenha havido algum tráfego de armas e bagagens.
O quadro geral era, na minha ilusionada ideia, de que as coisas se passariam assim.
Os últimos sinais, desde as histórias dos carros alugados, iam no sentido inverso.
Até ver, confirma-se que havia mesmo uma base. Pelo menos uma.
A minha questão agora é se isto vai alterar em alguma coisa o denso véu que sempre caiu sobre este tema. Como um tabu.
Lá, onde as paredes têm ouvidos

E olhos. E todos ouviram falar de Manoel Vilhena e viram o que fez.


trecho de fotografia de folheto editado pelo Turismo de Malta.

04/02/2010

Umas quantas notas agripadas

Já estava assim antes da vergonha de jogo no Dragão. Não há relação entre uma coisa e outra.
O Sporting, nestes últimos tempos, tem envergonhado com alguma frequência os seus adeptos. Nem uma sequer glória no futebol para contrabalançar.
Carvalhal disse, e cito de memória, que o Sporting fez uns maus 45 minutos. Não fiquei a saber quais. O certo é que a goleada se anteviu desde cedo. E que em nenhuma altura pareceram as coisas mudar de tom.

A Drª Manuela Ferreira Leite disse, e cito mais uma vez de memória, que o país precisa de estadistas e não de políticos.
Se não se pode ter o dois-em-um, mesmo não fazendo ideia como é que se faz um estadista apolítico, então concordo com a senhora.
Cheira-me, todavia, que o que o país precisa é de gente capaz e não de mediocridades.

A Lei das Finanças Regionais e todo o folclore acessório mostra bem o que seria um país cortado às postas, cada uma delas a puxar as brasas para si.
Mas o problema tem boníssima solução: é convencer os do PSD a aclamarem Alberto João Jardim. Quem não vai gostar disso são os madeirenses, mas pronto.
Acham que ele não ganhava a José Sócrates ou a um eventual substituto deste?

01/02/2010

Belfast, 2009


fotografia de Mr. Gaston Smith, correspondente do HGU no Ulster

31/01/2010

Pum!

Ainda mal refeito de um disco falecido, vejo-me com uma placa defunta.
Graças à inigualável prestação fraterna volto a penates.
Espero que sem interrupções por muito tempo.
Apresento as minhas desculpas a quem aqui embalde veio.

20/01/2010

Orçamento

Temos um Primeiro-Ministro que acha que os prejuízos do Estado são coisa despicienda pois estão cobertos pelo... Estado!*

O Sr. Paulo Portas (CDS-PP): — Eu não disse isso! Disse «manteve».

O Sr. Primeiro-Ministro: — Manteve o que tinha.
Portanto, o Sr. Deputado acha que aquilo que o Estado deveria fazer era ir a correr levantar o dinheiro para precaver o seu depósito?! Não, Sr. Deputado, o Estado sabe que os seus depósitos estão garantidos tal como estão garantidos todos os depósitos dos portugueses. Não hesitaremos em tomar todas as medidas para garantir esses depósitos.

Aplausos do PS.


O senhor de La Palisse não se lembraria dessa.
É portanto a partir desta premissa maior que se desencadeia o raciocínio. Não estamos mal.


* discussão do Orçamento para 2009, a propósito do caso BPN e da conta do Estado naquele banco.
(Diário da Assembleia da República, I série, X Legislatura, 4ª Sessão Legislativa, nº16, sessão de 5 Nov. 2008, p. 93 – linhas 23 a 29) - consultar aqui.
negrito meu

19/01/2010

Estação C.F. de Abambres, 1991

Poucas

Foram afinal muito poucas as asneiras que se ouviram no debate de ontem.
Tirando um certo desnorte da moderadora (falar em paredes mestras nos dias que correm...) o que se ouviu foram banalidades óbvias e o que se pressentiu foram muitas crispações e disputas de pelouro.
Houve aqui há talvez mais de quinze anos um debate esse sim interessante na RTP.
Nele se percebeu que a avaliação que então se fazia das consequências de termos um sismo com as mesmas características do de 1755, era devastadora.
E era a partir dessa base que se considerava o plano de acção.
Hospitais no chão, pontes intransitáveis, etc. Uma majoração dos danos.
Não é que adiante muito ir além do grande plano, das linhas gerais. Mas ter uma ideia de como agir no pior dos cenários.
É, acima de tudo, preciso saber quem manda. Colocar ordem nas coisas e ter uma imensa capacidade de improvisação.
E, entretanto, aprender as lições.

17/01/2010

E se fosse cá?

Vem aí mais uma vaga do “e se fosse cá?”.
Como aqui disse anteontem, as lições que nestes casos se retiram raramente frutificam. E os casos são sempre únicos.
Não obstante, há ali muita coisa para aprender.
O mais importante de tudo, todavia, é a prioridade ao bom-senso, seja lá isso o que fôr.
Força, autoridade, hierarquia de comando, improvisação e impiedade. Isto se a prioridade fôr curar os feridos e salvar as vidas.
Se a prioridade fôr outra qualquer, serão outros os requisitos necessários.
Os grandes planos, nestas ocasiões, à excepção do óbvio bom senso, saem sempre furados.
Estou com alguma curiosidade em medir a quantidade de asneiras por metro quadrado de plateia no programa de amanhã.

15/01/2010

Port-au-Prince

Há uma era antes do estilo CNN e da massificação dos satélites.
Antes portanto da vulgarização das imagens ou do seu primado.
Uma coisa que leva 30 anos do zero ao estado actual em que qualquer telefone móvel capta e envia vídeo (ainda estamos na muito baixa resolução) para quase todo o globo terrestre.
Dessa porção de tempo, a lista das grandes catástrofes inclui o Ruanda e o Darfur.
Inclui o maremoto bíblico de 2004, o sepultamento de Armero, a devastação de parte da cidade do México, os terramotos na Arménia, na Turquia, no Irão (dois), o de Kobe. O da China.
Inclui o ciclone na Birmânia e outros mais acontecimentos de menores proporções letais, correndo eu o risco de me esquecer de algum1 2 3.
Os dois primeiros, tratando-se de guerras e talvez pelo número de baixas não ser instantâneo, acabaram por merecer uma divulgação visual muito aquém da sua dimensão.
De todos os outros se obteve uma ideia fotográfica. Cada vez mais diversificada à medida que os anos foram avançando. Com as excepções limitativas da Birmânia e em certa medida do Irão. E com a minha medida subjectiva, por quase metade desse intervalo de tempo haver aqui apenas dois canais e uma empresa de televisão.
Nada ali se compara porém ao que se vê agora. Nem sequer no caso do maremoto de 2004, admitindo-se que em algumas regiões tenha sucedido exactamente o mesmo desnorte e incapacidade de resposta. Não estavam lá as câmaras.
Aqui antevê-se a ausência total e completa de uma resposta organizada. Por agora.
É um retrato que permite medir consequências de uma incapacidade.
Nestas coisas, as lições que se retiram raramente frutificam. E os casos são sempre únicos.
Mas há ali muita coisa para aprender.

1 Dois terramotos na Índia e um no Paquistão.
2 Furacão Mitch.
3 Deslizamentos de terras na Venezuela (estado de Vargas).

13/01/2010

O Haiti (não) seja aqui*

É muto provável que tenha sido de proporções devastadoras o que por lá aconteceu.
Esta imagem recorda certas gravuras de Lisboa.


imagem da CNN

*na canção de Caetano Veloso é o Havaí, é claro

12/01/2010

Um dia histórico

Hoje é um dia histórico.
A barragem de Alqueva atingiu a cota máxima (152 m) cerca das 16:00.
Afinal, os 75 anos reduziram-se a 8.
Um erro grosseiro esse que dava tal prazo para o enchimento da albufeira.


imagem do SNIRH

11/01/2010

Espelhos e simetrias

Os Cro Magnons que andaram a pintar em Fátima tinham deficit topológico mental. Ou o.


imagem da RTP

10/01/2010

Madame Butterfly

E, de repente, ali estava eu a mostrar a Fanny Ardant (sim, vi-a na Revista do Expresso esta semana) a série de fotos – dez de cada – que o mesmo jornal publicara de mulheres e borboletas cujo perfil se assemelhava.
A nº8! Repara bem na assombrosa semelhança da nº8 com a respectiva borboleta! – não sei se ela reparou bem.
A coisa era patrocinada por uma associação qualquer de coleccionadores de borboletas.

07/01/2010

Um filme interessante


imagem da Imdb

Uma história e um filme perfeitamente desconhecidos que me colaram ontem ao écran.
Não é o meu tipo de filme. Mas fiquei ali pregado até ao fim.

06/01/2010

Território


fotografia de Mr. Gaston Smith, correspondente do HGU no Ulster

Para quem associou desde muito cedo as expressões “recolher obrigatório” e “estado de emergência” à Irlanda do Norte, parece talvez improvável um “adeus às armas”.
Quando o que está em causa é um território em disputa.
Isto a propósito de mais uma notícia no sentido da paz e desta fotografia recebida há dias.
A notícia é uma entre tantas. Das quais uma boa porção nada significou.
O território...

05/01/2010

A década

Convinha talvez fazer um aditamento às convenções numéricas – cardinais e ordinais – para que uma década, um século, um milénio acabem quando o estado de espírito o decidir e não segundo a contagem que o Homem inventou sabe-se lá quando e segundo as regras da base 10 que terá provindo do número de dedos das mãos.
Sobre isto, já tinha escrito há um certo tempo.

Memória

Ontem, no programa da SIC N – O Dia Seguinte – ninguém percebeu que Walter Rosa e Walter Marques, recentemente falecido, não eram a mesma pessoa.
Aqui há tempo, no mesmo programa embora com outra composição – em quatro mudaram dois, ninguém sabia onde ficava o norte no Estádio Nacional.

04/01/2010

A torre do Califa



Naquilo que se pode considerar como uma das grandes questões universais, ocorreu-me interrogar-me sobre o número – menos precisamente, sobre a ordem de grandeza desse número – das diversas construções humanas que foram de facto as mais altas do seu tempo.
Talvez se consiga chegar a um valor que não pareça muito disparatado com os dados disponíveis que são sempre escassos. Ou não.
Uma coisa poderemos saber – quanto tempo demorarão estes 828 m a ser superados.
A fuga de Peniche

É facto que o PCP nunca formou governo em Portugal.
É facto que o PCP não pode ser só por si directamente responsabilizado pelo que sucedeu em 1975 em Portugal e pelo rol de prisões arbitrárias que então ocorreu em tempo tão curto.
É igualmente facto que o PCP foi sempre o representante do sovietismo em Portugal.
É ainda sabido que o regime soviético foi pródigo na prisão dos que se lhe opunham e até dos que, dentro dele, se desviavam da linha justa e caíam em desgraça.
Faz por isso para mim pouco sentido que o mesmo PCP apareça simbolicamente como grande paladino do derrube de paredes prisionais, atendendo às declarações proferidas na celebração da fuga do forte de Peniche.
Não lhes censuro naturalmente a comemoração. É coisa deles.
Não lhes censuro os ideais e os valores. Cada um tem os seus.
Não aceito é vê-los fazerem-se passar por arautos precursores da liberdade.
Isso é que é branquear o estalinismo e apagar da memória partidária todos os seus admiradores.

01/01/2010

Apogeu

Serena e suave
Vejo a luz entrar
Sobre as mantas entaladas
Num sonho cor-de-mar.
E possesso fico,
De alabardas armado,
Fecho o meu cerco
Às intenções.
Rol, torrente d'emoções
Que se esvai
Num chão lavado de flores
Pueris.
Aqui te ris.
Sempre que há condão
De magias fazer
Sem condição.
Depuseste a razão,
Pediste a rendição -
- Tudo a correr.
E de novo a luz fugiu.
Deixou frios e arrepios
Em mesas descompostas.
E nada mais se viu
Do que alguém,
Que da cena saía,
Longe e de costas.


1985

SG, "Dizeres do Sul", 1993