09/05/2010

A pior época de sempre

O Sporting conclui hoje a sua pior época de sempre, em vista do campeonato nacional.
Considerei a percentagem de aproveitamento com 0% para a derrota, 50% para o empate e 100% para a vitória (o antigo 0-1-2 em pontos).









média a cheio, mínimo e máximo anteriores a tracejado.

webliografia: http://desportoluso.no.sapo.pt/(Jorge Miguel Teixeira)

Correcção: O teor deste post está errado. O Sporting apresenta percentagens menores nas épocas de 1966/67 e 1968/69 (57,69%). O erro deveu-se a não ter corrigido a percentagem deste ano para os 2 pontos em vez dos 3 por vitória. É portanto a sua terceira pior época.

07/05/2010

Da bola

Aqui se vê quem ficou acima e abaixo da média (do tempo dos três pontos):










em percentagem de pontos obtidos sobre pontos possíveis.

06/05/2010

Cinzas

O Instituto de Meteorologia norueguês prevê que elas pairem amanhã sobre terras de Portugal.
O nosso prevê que não.


© Meteorologisk institutt (met.no)

actualização às 17:48 de 6 de Maio: o IM já alterou a sua nota.

05/05/2010

Apostas

Disse aqui já que não me importo de pôr o dinheiro onde ponho a boca, em se tratando de dar palpites.
Desta vez, não encontrei quem quisesse apostar comigo que os Liberais Democratas ficarão em terceiro lugar em número de votos no Reino Unido.
As sondagens aparentemente confirmam o meu palpite, depois de os terem dado como segundos algumas vezes.
E de tanto se ter gabado o desempenho de Nick Clegg nos debates televisivos, particularmente no primeiro dos três.
Amanhã se verá.


rol de sondagens em http://ukpollingreport.co.uk/blog/
Orgânicas

Nos arredores da fábrica de pirotecnia que ontem explodiu havia uma senhora que contava que quando se começou ali a construir habitações já lá existia aquela indústria.
Naturalmente, existe agora um sem-número de opiniões que defendem a não reconstrução das instalações e restabelecimento da actividade.
Os comportamentos a que eu chamo orgânicos – poderá haver quem lhes chame outro nome e quem ache que orgânico é outra coisa – são todos aqueles em que não se percebe plano, previsão, desenho. O que significa apenas que, a existirem, nos escapam completamente dada a sua complexidade.
O caso aqui será esse. A indústria lá estava e toda a gente sabia que lá estava e apesar dela, construiu a sua casa, menosprezando o risco que ela representava.
A indústria lá estando e representando um risco para as redondezas, limitava a soberania sobre os terrenos circunvizinhos que não poderiam ter a utilização que os seus proprietários legitimamente lhes quereriam dar.
Da conjugação das duas condições resultou o cenário em que se desenrolou o fatal incidente de ontem que mais consequências não teve para as redondezas porque a orgânica assim o ditou. E não o planeamento.

Voltados que estamos ao cenário de cinzas sobre os mares e as terras da Europa, há uma outra coisa que também ela volta à tona de água – a da unificação do espaço aéreo europeu.
Gostava eu de entrever uma única razão para que se possa dizer – como dizem alguns – que enfrentar o problema das cinzas volantes com um sistema único de controle e soberania aérea é muito mais fácil do que com o sistema actual, compartimentado.
Não vejo relação. Mas pode ser que exista.

04/05/2010

Portugal, 2008

Objecto voador não identificado

A cena só lembrou a do bicycle repair man dos Monty Pithon:

First Superman: Oh look - is it a Stockbroker?
Second Superman: Is it a Quantity Surveyor?
Third Superman: Is it a Church Warden?
All: No! It's BICYCLE REPAIR MAN!

Há pouco num programa de televisão em que se discute a bola.
Não era um pássaro, não era um avião, que coisa era aquela que o Luisão tinha na mão?


imagem da RTPN e citação obtida aqui

30/04/2010

As grandes questões universais – episódio q+9 bis

O que faz uma mulher destas a ler notícias madrugada fora?


imagem da BBC
Ao menos é forrado a corcha

E falava eu em pagodes, mas dos outros, há bocado.

29/04/2010

La Palissada

As coisas só existem quando o pagode as vê.
Opening bell

Pergunto-me se a zona do euro beneficiará de uma abertura Snoopy no xadrez mundial.


imagem da CNN

28/04/2010

José Mourinho

1 - Eu não percebo nada de futebol.
2 - Eu, apesar do parágrafo anterior e também de opinar que não há nada mais inútil do que uma opinião, tinha uma opinião sobre Mourinho – em terra de cegos, quem tem um olho é rei.

Dou hoje mais latitude a essa opinião – Mourinho tem, pelo menos, olho e meio.
Se dúvidas houvesse...

Em saber quem manda, atente-se nas entradas e saídas de cena no momento actual.
E é nestes momentos que o poder tem face.


© Laurence Chaperon (trecho de imagem) in http://www.bundeskanzlerin.de

27/04/2010

A-

O estado a que isto chegou – palavras que o então capitão Salgueiro Maia terá usado a propósito de uma outra situação, há pouco mais de trinta e seis anos – o estado a que isto chegou não é, naturalmente da inteira responsabilidade do actual primeiro-ministro, por muito fraca que seja a sua valorização aqui neste blogue. Não é. Terá ele lá a sua quota-parte na cárrega mas há uma colecção de alinhados antes dele que desceram a ladeira com ela, a cárrega às costas sem a conseguirem alijar. Antes pelo contrário. Tudo o que fizeram foi pôr mais lenha nos alforges.

Dizer que estas coisas dos ratings reflectem de facto a realidade é desconhecer várias coisas: a primeira é que não existe realidade; a segunda é que as reacções dos mercados são motivadas por um número de factores que não anda longe do dos que condicionam o tempo ou os vulcões, sendo por isso mesmo imprevisível quando colocam nos píncaros uma Islândia à beira da bancarrota ou valorizam uma Irlanda que se arrasta mas não parece que o faz; a terceira é que sempre existiram uns espertos que atiram barro à parede, uns oportunistas que fisgam a fisga e uma mole de idiotas úteis que compõe o rebanho.
É, por fim, desconhecer que não existindo realidade, nada disto faz sentido.

Absolvo daqui José Sócrates desta vez.
Aparentemente, não sou só eu. A Santa Oposição em vez de tratar do essencial anda a inquirir não se sabe o quê nem para quê. Chega a ser patético ouvir aquelas sessões.
Entrementes...


(clicar na imagem para aceder ao segredo dos mercados)
Faz hoje umas greves que


sobre carta militar do IGEOE

anotei uma vez mais que a caminhada urbana não se assemelha à rústica. Parece mais penosa.

25/04/2010

Música do dia


imagem em http://www.the-brit.com/Code/Info/jack.htm

(clicar na bandeira para aceder à dita música)

23/04/2010

Senilidade

É estar cinco dias a partir pedra com um algoritmo que se resolvia em cinco minutos, um quarto de século atrás.
Uns séculos atrás.

22/04/2010

Katla


(clicar para obter o pdf)

Há um mês ou dois, lia numa compilação de comunicações sobre o Terramoto de 1755 que ele foi precedido em quinze dias por uma erupção do Katla.
Essa erupção terá durado cerca de quatro meses e gerou uma torrente glaciar de enormes proporções bem como uma nuvem de cinzas que toldou os céus da Europa.
Foi essa a primeira vez que atentei a tal vulcão.
Rui Pedro Soares

De Rui Pedro Soares apenas conheço as declarações e a argumentação que apresentou na Comissão de Ética e agora na Comissão eventual de inquérito à... .
Pareceu-me um tipo intelectualmente capaz. E é esse o único juízo que dele faço. Mais nenhum.
As reacções que a recusa de responder ao inquérito já suscitou, mostram uma carrada de preconceito sobre ele.
É claro que o que está em causa não é a maior ou menor capacidade do homem. É assunto diverso. Ainda assim já ouvi suficientes vezes a sua diminuição também nesse ponto. Pareceu-me sempre ter sido naquele espírito em que os “bons” são sempre muito inteligentes e os “maus” sempre muito estúpidos.
Quem diz os “bons” e os “maus” diz os amigos e os inimigos.
Cabe dizer que a ponderação subjectiva (que não juízo) que dele faço no cômputo geral das coisas é diminuta. Como a de qualquer peão. Em qualquer jogo.
O facto de ter levantado um incidente que tanto escarcéu já fez soar coloca-o na ordem do dia. Só isso.

21/04/2010

Pegos

Ouvi repetidas vezes que era necessário sinalizar ou esvaziar a lagoa artificial (suponho que o era) onde faleceram dois miúdos. Parece que estão a drená-la.
Pergunto-me se será necessário sinalizar ou esvaziar todos os lagos, lagoas, pegos, rios e ribeiras onde não há pé.
Esvaziar o Tejo parece-me trabalho de Hércules. Mas não é nada que não se possa fazer.
Se a “prevenção” assim o exigir.

adenda: Esqueci-me do verbo vedar.
Comboios

Na fronteira da Tailândia com a Libéria, com dois hambúrgueres dentro de um saco de plástico transparente no bolso esquerdo das calças e um peso de cobre de dois quilos no direito.
Um comboio com umas asas simbólicas que saía como que no ar de um túnel, do ventre da montanha à nossa frente, umas dezenas de metros sobre as nossas cabeças circulando sobre uns carris mal equilibrados sobre bogies que serviam de vigas de apoio, em consola sobre o abismo.
Uma fronteira a que se acedia por um corredor, virando à direita no último instante junto a uma guarita sem guarda.
Um tipo com uma falsificação de scanner, no corredor seguinte, assustava os saintes que trouxessem bens não declarados.
Havia ainda o J.d' que encontrei depois de ter passado de novo sem me aperceber a fronteira, num sítio mal assinalado. Procurava ele a casa de um conhecido.

E depois de tudo isto, na vila.
De mala a tiracolo (chiça!) à procura de transporte para a estação, depois de me ter certificado, como se preciso fosse, de que já em lado nenhum ali teria pousada.
O comboio apitou debaixo da primeira passagem sob a estrada quase quando vi o taxista no veículo de três filas de bancos.
Disse-me que para aquele já não ia a tempo. Só para o outro, que seria o do contrário.
Percebo agora o embuste. O do sentido contrário, se atrasado, atrasaria este na gare para o cruzamento.
Deixei-o ir.
Os velhos alinhavam-se ali como se estivessem a ver passar os comboios que, na realidade, passavam lá longe, umas boas centenas de metros atrás deles, antes de se dirigirem para a estação ou dela saírem.
Não conheci nenhum rosto embora tivesse havido quem me dissesse que sabia bem quem eu era.
Chegou um táxi guiado por uma mulher magra e alta.
Perguntei-lhe se me levava a Lisboa. Ela sorriu e perguntou em que dia. Eu disse-lhe que era agora, naquele preciso momento.
Ela sorriu e disse que precisava de pensar nisso e talvez tivesse que levar o filho e mais alguém para dividir o volante com ela. Não me ofereci para o fazer na ida. Pensei na ilegalidade da coisa.
Quando dava a volta por trás do carro em direcção à fila de velhos, à espera de uma decisão, o que sabia quem eu era disse-me: coitada, faz-lhe falta o dinheiro mas se calhar não chega a Alcácer, está a morrer!

20/04/2010

Probabilidades

Há uma óbvia regra d’ouro para quem se dedica a prever acontecimentos – calar a boca quando não se conhece o comportamento de um fenómeno, quer por experiência estatística quer por parcial compreensão do seu funcionamento ainda que não haja histórico do mesmo.
A questão das cinzas volantes inscreve-se neste caso – nem se sabe o que o vulcão vai fazer a seguir (ainda que haja um histórico da actividade vulcânica que permite ainda assim algum cálculo) nem se conhecem as condições mínimas de segurança a partir das quais é possível as aeronaves circularem em determinada rota (ainda que se proceda a testes com intervalos de segurança largos, calculo).
É o escuro completo. Ou quase completo.
Ouvir portanto dizer que abrindo metade do espaço aéreo europeu ou metade dos aeroportos ou o espaço aéreo de metade do número de países – não se ficou a saber o que disse o senhor que falava um inglês arrevesado e que não faço ideia quem seja – equivale a ter no ar metade dos voos previstos é daquelas coisas que, para além da confusa explicação e da não menos obscura utilização do cálculo combinatório mais básico – partindo do princípio ideal que todos os destinos e origens ligam uns aos outros e com igual frequência de voos, a abertura de 50% destes dá um número de voos que tende para 25% do total e não para os 50% do senhor de pronúncia arrevesada, dá uma ideia de que se fala só para não ficar calado.
É claro que a ponderação de frequências e de ligações pode ser (e é) diversa e os 50% do senhor da pronúncia arrevesada até equivalerem de facto aos 50% dos voos esperados.
Eu é que não acredito.
Nem nele nem em quem faz previsões para a abertura desta ou daquela rota.
Ou para o restabelecimento sem restrições do espaço aéreo ora e futuramente afectado.

Situação às 9:00 de hoje, com as ferramentas do Instituto Meteorológico norueguês e do FlightRadar24.com


© Meteorologisk institutt (met.no)


© FlightRadar24.com

18/04/2010

Informação rigorosa

Quem acompanhou as notícias sobre as cinzas, ouviu pérolas como estas nos noticiários nacionais:
a nuvem encontra-se agora entre os 5000 km e os 8000 km
a nuvem já toca o norte de Portugal, na zona de Santa Maria

(cito de memória, também nada rigorosamente)

Pergunto-me qual será a percentagem média das notícias que cada jornalista dá e percebe na íntegra.

17/04/2010

Cinzas


© Meteorologisk institutt (met.no)

Interessante esta carta do Instituto Meteorológico norueguês.
Há também um powerpoint com as cartas anteriores.

16/04/2010

Estádio Nacional



Uma pergunta que não se pode fazer a uns quantos é a de qual é a razão que determina que o Estádio Nacional é, para esses quantos, inseguro.
Pela minha parte, não me lembro de nenhum que me pareça mais seguro – onde haja menor risco de uma grande catástrofe - do que aquele.
Admito que possa estar equivocado neste juízo.
A falta de aviação dos pobrezinhos

Já não consigo ouvir os pobrezinhos a dizerem que já não têm dinheiro nem comida e que não há voos.

15/04/2010

Costumes em vias de extinção

Como as espécies, como os indivíduos, todos os dias se extinguem e se formam costumes.
Há defensores acérrimos das espécies, das tradições e dos costumes em vias de extinção em todo o lado.
Não sei quantas pessoas houve a protestar contra a queda do costume dos líderes políticos britânicos não debaterem na televisão. Calculo que poucas.
Custa-me ver cair assim alguns hábitos antigos.


imagem da ITV via BBC
Provar o desconhecimento

Sempre me pareceu uma impossibilidade do Direito a prova de um desconhecimento.
Vá lá, não será necessário nenhum esforço para eu fazer prova de que desconheço o nome completo de todos e cada um dos residentes na Cidade do México que lá permaneciam às 18:00 do dia 12 de Maio de 1949, hora local. Sendo que a prova não sou eu que a faço, é o senso comum.
O que me leva a ter esta ideia é que este desconhecimento é normalmente ligado não a impossibilidades práticas ou de baixíssima probabilidade mas a pessoas, factos, conceitos ou noções que estão facilmente acessíveis.

14/04/2010

Figuras

É bom que nos lembremos de vez em quando que, a acreditar no que para aí se diz, vivemos numa sociedade em que o apoio de Figo a um partido político é uma coisa com significado.
Ou a cara de Ronaldo na publicidade a um banco.
Ou milhentos outros exemplos.
Tromba d’água

Continuará o povoléu a chamar tromba d’água a qualquer chuvada intensa e localizada.
Faltará sempre a tromba à dita, como aqui disse há tempos.
As condições eram favoráveis à ocorrência de coisas tais, como previa o IM.
Não choveu foi tanto.
Bom para ir para a Arrábida


carta do IM

Será que vai chover assim tanto?
Diz que a bola é redonda

13/04/2010

Estalim e outras histórias

Lá nas mesmas brumas da memória onde paira o Castelo de Beja está um cão chamado Estalim.
Estalim, corruptela de José. Estranha a forma que se usava para equiparar a cão as figuras deste mundo de que se queria distância. E o José até já era morto e enterrado, lá muito longe.
Era este Estalim querido de todos, o que costuma abizarrar ainda mais estas graças dadas aos animais já de si previstos de estimação.
O Estalim, certo dia, depois de ter sido querido companheiro de andanças, resolveu suicidar-se, atirando-se da parede do poço que ele tão bem conhecia para o seu fundo. Saiu de lá na fateixa.
Lembra-me isto hoje por causa de uma cadela, de igual fidelidade, da mesma casa. Uma que com o Estalim e outro que ficava pelo monte e do qual não me recordo o nome, fizeram naquela casa o triunvirato das boas lembranças caninas de todos nós, os da família.
Resolveu ela, no aniversário da dona, vacilar quanto à vida.
Aguenta-te, amiga. Não vás já. Ainda tens uns latidos para dar e uns pares de calças para me sujar com as patas.

10/04/2010

As trágicas ironias do destino

A floresta de Katyn, 70 anos depois, embosca a Polónia de novo.
A Polónia pode, como talvez nunca na História do Mundo, substituir o presidente morto por um presidente em quase tudo idêntico.
A Beja, pela estrada de Aljustrel

No milénio passado, lá nas brumas da memória, está um passatempo a que fui sujeito certa vez e que me ficou tão gravado na mente que hoje mesmo salta à liça: em dado troço da E.N. 18, entre Ervidel e Beja, perguntaram-me se eu achava que dali em diante o Castelo de Beja (figurado na sua Torre de Menagem) ficaria sempre visível no horizonte até à chegada à capital.
Obrigou-me com isso a concentrar-me nesse ponto.
Verifiquei que, ao contrário do que a minha infantil mente calculara, ela, a torre, desapareceu por detrás de uma altura a dado passo.
Ao ler o João Espinho, na sua Praça da República, fiquei a saber da probabilidade de os vindouros não poderem vir a ser submetidos a tal exame topológico, enquanto houver tal estrada.
Espero que sejam exageradas as actuais preocupações.



Castelo de Beja
Subindo lá vais
Tu metes inveja
Castelo de Beja
Às águias reais

Às águias reais
Tu metes inveja
Subindo lá vais
Castelo de Beja

(popular)

09/04/2010

E pur si muove!

Não é que seja uma anormalidade de monta.
No entanto, ela move-se nas entranhas para além de se mover no espaço.
Apenas entre ontem e hoje, segundo o Instituto Geográfico Nacional de Espanha (sobre mapa do IM).

08/04/2010

Lembranças fundas

Calculo que desde há 29 anos que o Benfica não joga um jogo europeu a 8 de Abril.
Nesse dia perdeu 2-0 com o Carl Zeiss Jena, da Alemanha de Leste.
E já eram as meias-finais. Da Taça das Taças.


do ABC de Sevilha
As grandes questões universais – episódio q+9

O que faz uma mulher destas a ler notícias madrugada fora?


imagem da BBC

07/04/2010

Sentenças

Segui até aqui com algum interesse três casos que andam pelos tribunais.
O da condutora que matou duas pessoas e feriu gravemente uma outra no Terreiro do Paço;
O da cegueira no Hospital de Santa Maria;
O do acidente na A23, que foi, depois de Entre-os-Rios, o pior acidente rodoviário, em número de mortos, das estradas do continente português, o qual já correu na primeira instância e de que ainda não apurei se houve ou não recurso.
Há depois uns quantos outros que me interessam particularmente, todos eles relacionados com quedas de estruturas em obras de viadutos e pontes, sobre os quais me apercebi pelo histórico que a imprensa se empenha em deles não dar notícia.
Incluo ainda o do comboio do Tua. Não o da pedra que se desprendeu mas o descarrilamento junto à ponte da Brunheda.
Foi anunciado que a sentença em primeira instância do atropelamento do Terreiro do Paço é hoje conhecida.
Há, neste caso, a serem verdadeiras as notícias publicadas, demasiada contradição entre os factos conhecidos e mensuráveis e a versão que se diz ser a da acusada.
Há, até, a serem verdadeiras as tais notícias, argumentos que parecem violar as Leis da Física tais como estão estabelecidas.
Diz-se ainda que a acusada é psicóloga.
Tudo isto, ainda que impropriamente, leva com um grande ponto de interrogação invertido atrás, como era uso da língua de Cervantes*, e outro direito à frente.
Suponhamos agora que fica demonstrado em tribunal que a senhora ou mentiu ou é incapaz de perceber o que lhe aconteceu.
Ficando tal demonstrado, poderá ela, em bom juízo, exercer a profissão de psicóloga?

*e da nossa também.

06/04/2010

Comparações

Azar teve Emídio Rangel ao ser ouvido na Comissão de Ética a seguir a Santos Silva.
Ficou mais patente o enorme abismo intelectual.
Do brilho do primeiro a ser ouvido à fosca lâmpada do segundo da ordem do dia.
Concorde-se ou não com Santos Silva, há que lhe reconhecer a capacidade intelectual.
É pena que o PS escolha pôr a fasquia muitos furos abaixo.

01/04/2010

Dia das Mentiras

Citando-me, a mesma memória arrasta a praga de gafanhotos, que esteve decerto na génese da patranha dos pirilampos.
Em que ano dos anos 60 terá ela ocorrido?

30/03/2010

Isossistas da comoção

Retomando uma ideia de há meia dúzia de anos, se possível fosse medir a comoção causada pelos eventos nas populações, que surpresas nos reservaria o desenho das isossistas da comoção?
O efeito da distância a atenuar a intensidade parece poder presumir-se idêntico ao dos sismos.
Um atentado em Moscovo, tomando apenas essa variável, geraria menos comoção do que um em Londres. E este menos comoção do que um em Madrid.
Mas o número das variáveis que se pressentem em jogo é em ordem de grandeza semelhante ao das que condicionam o comportamento humano em qualquer outro caso.
Seria estultícia encontrar explicações para o desenho das curvas, caso se pudessem traçar.
O cerne da questão

As notícias de que, após um lapso de quase ano e meio que mostrou as imperfeições da técnica nos mais altos escalões, se verificou a primeira colisão de feixes de partículas no grande acelerador do CERN trouxeram mais uma vez atrás a historieta das origens do universo.
E é repetida à exaustão.

29/03/2010

Esgotar o assunto



Já aqui o disse – Vitrúvio fez bem em dispôr Arquimedes na banheira.
Que dela saem amiúde ideias mais ou menos parvas, mais ou menos gloriosas.
Não é de uma ideia, porém, que me lembrei hoje. É de uma recorrência que ali me acode e que versa a indexação das estrelas dos estabelecimentos hoteleiros à velocidade de escoamento da dita banheira.
Detesto sítios onde a água se some a conta-gotas.

28/03/2010

As andorinhas

Dei-me conta de que não vejo andorinhas há séculos.
Pode ser que uma ou outra me sobrevoe mas por ela não dou.
Qualquer bizarria está na causa disso.
Lembro-me de ter avistado estes ninhos no outono de há dois anos.



Com eles, a memória do tempo em que na velha casa do quintal lá estava um, dois ou três. E em que as via entrar e sair pela porta descuidada ou cuidadamente aberta.
Restar-me-á acrescentar à lista de compras onde figura o Cristo-Rei de plástico e a buzina de bexiga uma andorinha de louça.

25/03/2010

Quem nada não se afoga

Há dias em que se acorda com uma música ligada no gira-discos mental.
Há dias em que se acorda com uma perfumada lembrança de alguém.
Há dias em que se acorda no meio de um intrincado e movimentado enredo.
Há dias em que se acorda envolto numa extraordinária abstracção.
Suponho que nunca tinha acordado com um aforismo na cabeça. Foi hoje.


Recriação baseada nos pictogramas olímpicos de 1964 e 1972.

Sendo que este, como quase todos os aforismos, não é absolutamente certeiro.
Há muito quem bem nade e mesmo assim se afogue.

24/03/2010

Romero

Ouço agora que passam hoje trinta anos sobre o dia em que as nossas apostas à mesa da Mexicana se decidiram.
Eram sobre o tempo de que Óscar Romero ainda disporia antes de ser assassinado.
Se a memória me não atraiçoa, só demos por isso no dia seguinte ao ler os jornais da manhã.

23/03/2010

Obama

É a primeira lança em África do presidente americano. Está de parabéns.
Veremos as voltas que o serviço de saúde ainda dará até assentar e ser aceite.
Mandato

A questão dos britânicos com a Palestina (em sentido lato) é talvez daquelas que hoje se apresentam a que mais perdura no tempo.
O caso de hoje é disso uma amostra.

O toque

Detesto telefones.
Melhor dizendo, detesto falar ao telefone.
É aquele mínimo necessário às circunstâncias que se esgota em parcos segundos, poucas vezes ao mês.
Há séculos atrás, na era dos beep (ou pagers), um dos meus amigos emprestou-me um durante as férias para que eu não ficasse isolado do mundo exterior, como era de resto meu desígnio.
Acabei por simpatizar com o aparelhinho que devolvi mesmo assim com agrado no final da vilegiatura.
Uma das coisas que me fazia simpatizar com ele era o toque. O toque que eu escolhi entre dez que o catálogo tinha.
Muitos anos depois ainda pensava encontrá-lo algures, talvez para me rodear de memórias dessas férias, talvez só mesmo pelo som.
Hoje, por mor de um frango assável, descobri que o meu telemóvel tem tal toque no catálogo.
Um telemóvel que me ofereceram acho que vai para quatro anos.
Fico agora mais sensível ao toque, acho. O que não sei se é bom se é mau.
Bellas, 2005

22/03/2010

Planos

Ando intrigado com esta coisa dos Planos de Prevenção de Risco de Corrupção.
Pergunto-me se não havia já nos mais diversos serviços do Estado (e afins) processos de evitar a corrupção. Se era tudo o da Joana.
Pergunto-me qual será a probabilidade de tais planos virem a integrar o rol dos Grandes Planos que só serviram para nada e coisa nenhuma.
Gostava também de saber se acaso não há um plano para acabar com estes planos disparatados e redundantes.
Planos estes que pelos vistos muitas entidades ou não levam a sério ou levam tão a sério que o tempo que consomem para o dar à luz não é conforme ao plano que planeou estes planos.
Porrada

Não sei se lhe hei-de chamar clinic, atelier, workshop ou arraial de porrada.
Parece-me, não sei por quê, que a última fórmula é a mais adequada para a minha sugestão.

A qual é:
Considerandos – tendo em conta:
1) a continuada ocorrência de distúrbios e confrontos com e entre claques de clubes de futebol que geram perturbações da ordem pública, propiciando o cometimento dos mais diversos actos criminosos e violentos;
2) a despesa que o erário público tem que suportar em operações de manutenção da ordem para obviar às situações acima referidas;
3) a necessidade de efectuar periodicamente exercícios de simulação de emergências que testem a resposta dos meios de socorros e assistência a grande número de feridos;
4) a necessidade de efectuar periodicamente exercícios de simulação de ocorrências que testem a resposta dos meios policiais na contenção de multidões;
5) a necessidade de demolir edifícios ou qualquer outro tipo de construções que constituam risco público;
6) quaisquer outras boas razões que aduzir se possam para dar mais força aos considerandos,

Sugiro:
Que, de acordo com um calendário a definir por regulamento e de acordo com as conveniências que em cada ano possam parecer as mais óbvias,
Se promova uma série de eventos (clinic, atelier, workshop ou arraial de porrada) com as claques de futebol.
A saber:

a) Com uma só claque (também esta opção se poderia chamar arraial de porrada, pois não é certo que no entretanto não batam uns nos outros):
1) Demolição de construções cujo estado constitua risco público;
2) Arremessamento de pedras em locais onde uma regularização ou enchimento com brita ou cascalho se verifique necessário;
3) Outros que sejam boa ideia.

b) Com duas claques:
Batalha campal em local devidamente cercado, para o qual seriam estas conduzidas em transporte apropriado, sem vidros ou aberturas que possibilitassem o contacto visual com o exterior (era mais para não partirem os vidros e isso).

c) Com três ou mais claques (há mais de três que façam estrago?):
Um tudo ao molho, nas mesmas circunstãncias do caso anterior.

Com qualquer uma destas opções, se faria um excelente aproveitamento da energia que as claques utilizam agora para estragar o que não é para estragar, enquanto se exercitariam os ditos serviços de socorro e assistência bem como as forças policiais.

Num outro plano, de resto já aqui mencionado, eu que não sou de citações, recorro desta vez ao Embaixador José Cutileiro, que meses depois do meu post, na sua coluna “O Mundo dos Outros” no Expresso (suponho que de 25 de Julho, que como sabemos, é o dia da Batalha de Ourique), escrevia:

[...]
Esperemos que a determinação britânica de ganhar aquela guerra se mantenha - e seja contagiosa. O Reino Unido gasta a sério em defesa e - logo seguido da França - tem as melhores forças armadas da Europa. A avaliar por claques de futebol suas à solta em cidades do continente, talvez bater de vez em quando em estrangeiros lhes esteja na massa do sangue. Mesmo povos que não gozem de tal dom, porém, terão rapidamente de acordar do torpor e de meter mãos à obra. É tarefa pelo menos tão urgente quanto combater o aquecimento global.

Talvez treiná-los, enquadrá-los e mandá-los para o Afeganistão.
E há também a tal hipótese de os usar para produzir energia daquela dita renovável. Aos socos e aos pontapés a aparelhos pintados das competentes cores. Mas isso parece mais difícil.