18/08/2010
17/08/2010
16/08/2010
Ideia genial para acabar de vez com os incêndios em Portugal

Com os olhos postos no ícone do Comendador Marques de Correia, sinto-me vez por outra inspirado por ele.
Desta feita, qual génio da lâmpada, ou melhor génio do ícone, pois estava a limpar-lhe o pó, a iluminação:
É possível, viável e até fácil acabar com os incêndios em Portugal.
Senão vejamos:
Há um número assinalável de incêndios a começar de noite e de madrugada.
Esses fogos não se devem a outra coisa senão a intervenção humana.
Muitos deles serão ateados por quem é incendiário por natureza. Bêbedo, débil mental, feiticeiro, todas as designações com que a ciência actual brinda aqueles que se sentem atraídos pelo fogo.
Diz-se que em cada ano se detêm não sei quantos reincidentes. Este ano já ouvi falar nuns quantos que foram detidos.
Evitemos então que esta gente incendeie.
Como?
Fácil. É criar junto do mar uma zona de resort, só com materiais incombustíveis ou muito dificilmente ardentes onde nós, os contribuintes, pagaríamos umas férias forçadas e devidamente vigiadas a estas pessoas.
Fácil é ver que havendo todas as condições de conforto nesse local – que nem outra coisa seria admissível à luz dos actuais direitos humanos, nada de guantanameras nem essas coisas – todos os anos haveria gente a candidatar-se a tal vilegiatura, ateando o seu fogozito e agindo algo bizarramente a ver se pegava.
Cedo nós os contribuintes seríamos chamados a contribuir – passe a redundância – para a ampliação do dito resort, calcetando as áreas florestais anexas de onde atempadamente se removeriam as árvores para lugar mais seguro, contrariando assim a máxima interrogativa (de lógica imbatível) de um publicitário do passado recente que punha na voz de um conhecido actor esta pérola “Se elas [as árvores] andassem, como é que tinhas sombra?”.
Ano após ano, garanto-vos, o resort cresceria e o número de incêndios acabaria por entrar em derivada negativa depois de um crescimento exponencial.
Tenderia para zero, é claro.
Com alguma sorte ficaríamos todos de férias à beira-mar, à pala dos contribuintes. Ainda que rotulados de bêbedos, débeis mentais, feiticeiros e outros epítetos com que a a ciência actual qualifica os que se sentem atraídos pelo fogo e o desencadeiam.
Sopram-me aqui que os contribuintes somos todos nós – um disparate, sei-o eu, apesar de o ter escrito ali em cima - e que este raciocínio que eu reputo de brilhante é, afinal, um somatório de asneiras igualzinho ao dos tontinhos idealistas que traçam cenários, fazendo variar uma só variável. Uma falácia.
Vou agora arredar o ícone do Comendador para ir ao dicionário ver o que é uma falácia. Já volto.

Com os olhos postos no ícone do Comendador Marques de Correia, sinto-me vez por outra inspirado por ele.
Desta feita, qual génio da lâmpada, ou melhor génio do ícone, pois estava a limpar-lhe o pó, a iluminação:
É possível, viável e até fácil acabar com os incêndios em Portugal.
Senão vejamos:
Há um número assinalável de incêndios a começar de noite e de madrugada.
Esses fogos não se devem a outra coisa senão a intervenção humana.
Muitos deles serão ateados por quem é incendiário por natureza. Bêbedo, débil mental, feiticeiro, todas as designações com que a ciência actual brinda aqueles que se sentem atraídos pelo fogo.
Diz-se que em cada ano se detêm não sei quantos reincidentes. Este ano já ouvi falar nuns quantos que foram detidos.
Evitemos então que esta gente incendeie.
Como?
Fácil. É criar junto do mar uma zona de resort, só com materiais incombustíveis ou muito dificilmente ardentes onde nós, os contribuintes, pagaríamos umas férias forçadas e devidamente vigiadas a estas pessoas.
Fácil é ver que havendo todas as condições de conforto nesse local – que nem outra coisa seria admissível à luz dos actuais direitos humanos, nada de guantanameras nem essas coisas – todos os anos haveria gente a candidatar-se a tal vilegiatura, ateando o seu fogozito e agindo algo bizarramente a ver se pegava.
Cedo nós os contribuintes seríamos chamados a contribuir – passe a redundância – para a ampliação do dito resort, calcetando as áreas florestais anexas de onde atempadamente se removeriam as árvores para lugar mais seguro, contrariando assim a máxima interrogativa (de lógica imbatível) de um publicitário do passado recente que punha na voz de um conhecido actor esta pérola “Se elas [as árvores] andassem, como é que tinhas sombra?”.
Ano após ano, garanto-vos, o resort cresceria e o número de incêndios acabaria por entrar em derivada negativa depois de um crescimento exponencial.
Tenderia para zero, é claro.
Com alguma sorte ficaríamos todos de férias à beira-mar, à pala dos contribuintes. Ainda que rotulados de bêbedos, débeis mentais, feiticeiros e outros epítetos com que a a ciência actual qualifica os que se sentem atraídos pelo fogo e o desencadeiam.
Sopram-me aqui que os contribuintes somos todos nós – um disparate, sei-o eu, apesar de o ter escrito ali em cima - e que este raciocínio que eu reputo de brilhante é, afinal, um somatório de asneiras igualzinho ao dos tontinhos idealistas que traçam cenários, fazendo variar uma só variável. Uma falácia.
Vou agora arredar o ícone do Comendador para ir ao dicionário ver o que é uma falácia. Já volto.
13/08/2010
12/08/2010
Jornalismo científico
Ou, como é costume, não ter a menor ideia do que se está a dizer.
Enganei-me. Não é ciência científica, é ciência de mercearia.
Menos ainda, são contas de dividir. Uma coisa tão simples como o preço da água.
Na TVI 24, há pouco, uma voz feminina anunciava que o preço de litro e meio de água andava à volta de um euro, se esta fosse engarrafada. Anda pois, para cima ou para baixo, dependendo do sítio onde se compra.
E disse, comparando, que já a mesma quantidade de água da torneira custava menos de 25 cêntimos.
Também é verdade, custa menos de 25 cêntimos.
Só não vejo a que propósito vêm os 25 cêntimos. Também custa menos de 5 euros e também custa menos de 1 cêntimo, já com tudo incluído, mesmo nas localidades onde a água é mais cara, suponho.
Isto para parar no valor facial mais baixo da moeda circulante.
No meu caso, litro e meio de água custa-me cerca de 0,0018 €. Ou menos de 1/5 de cêntimo.
Onde é que ela, a voz feminina, terá ido buscar os 25 cêntimos?
Ou, como é costume, não ter a menor ideia do que se está a dizer.
Enganei-me. Não é ciência científica, é ciência de mercearia.
Menos ainda, são contas de dividir. Uma coisa tão simples como o preço da água.
Na TVI 24, há pouco, uma voz feminina anunciava que o preço de litro e meio de água andava à volta de um euro, se esta fosse engarrafada. Anda pois, para cima ou para baixo, dependendo do sítio onde se compra.
E disse, comparando, que já a mesma quantidade de água da torneira custava menos de 25 cêntimos.
Também é verdade, custa menos de 25 cêntimos.
Só não vejo a que propósito vêm os 25 cêntimos. Também custa menos de 5 euros e também custa menos de 1 cêntimo, já com tudo incluído, mesmo nas localidades onde a água é mais cara, suponho.
Isto para parar no valor facial mais baixo da moeda circulante.
No meu caso, litro e meio de água custa-me cerca de 0,0018 €. Ou menos de 1/5 de cêntimo.
Onde é que ela, a voz feminina, terá ido buscar os 25 cêntimos?
11/08/2010
O fogo
O fogo é daqueles assuntos que já não tem assunto.
Passe a tragédia das mortes. Que essa também não é matéria para este tipo de escrutínio.
Ainda assim, gostaria de ouvir os tontinhos com responsabilidades que tanto andaram a dizer que o sistema montado era eficaz, sendo essa a razão pela qual tinha havido menos área ardida nos últimos anos, etc....
Há depois algo mais a que voltarei um destes dias. Para um assunto que já não tem assunto...
O fogo é daqueles assuntos que já não tem assunto.
Passe a tragédia das mortes. Que essa também não é matéria para este tipo de escrutínio.
Ainda assim, gostaria de ouvir os tontinhos com responsabilidades que tanto andaram a dizer que o sistema montado era eficaz, sendo essa a razão pela qual tinha havido menos área ardida nos últimos anos, etc....
Há depois algo mais a que voltarei um destes dias. Para um assunto que já não tem assunto...
10/08/2010
De fora parte

Com atraso em relação à relativa promessa, aqui vai o link para a colecção de cromos roubados ao Google.
Numa altura em que a street view do dito está a ser questionada por cá.
Estamos então numa base de ladrão que rouba a ladrão. Mal comparado.
Quem é alheio a esta recolha pirata é Fernando Vilela, que mandou uma legítima foto de uma placa toponímica que mais uma vez agradeço.
A colecção ainda está em acabamentos. Faltam 100 cromos, arranjar as páginas mensais e dar outro aspecto à página de entrada.
Claro que a ideia é trocar as fotos do Google por fotos legítimas.

Com atraso em relação à relativa promessa, aqui vai o link para a colecção de cromos roubados ao Google.
Numa altura em que a street view do dito está a ser questionada por cá.
Estamos então numa base de ladrão que rouba a ladrão. Mal comparado.
Quem é alheio a esta recolha pirata é Fernando Vilela, que mandou uma legítima foto de uma placa toponímica que mais uma vez agradeço.
A colecção ainda está em acabamentos. Faltam 100 cromos, arranjar as páginas mensais e dar outro aspecto à página de entrada.
Claro que a ideia é trocar as fotos do Google por fotos legítimas.
Incondicional
Sou um admirador incondicional dos bombeiros.
Esta coisa de morrerem a combater o fogo...

imagem daqui
Heróis facilmente esquecidos como os de 1966 em Sintra, que eram afinal soldados. Os de 1985 em Armamar e 1986 em Águeda, os de 2006 em Famalicão da Serra. E tantos, tantos outros. Que é sempre mais fácil relembrarmos as tragédias colectivas.
Sou um admirador incondicional dos bombeiros.
Esta coisa de morrerem a combater o fogo...

imagem daqui
Heróis facilmente esquecidos como os de 1966 em Sintra, que eram afinal soldados. Os de 1985 em Armamar e 1986 em Águeda, os de 2006 em Famalicão da Serra. E tantos, tantos outros. Que é sempre mais fácil relembrarmos as tragédias colectivas.
09/08/2010
Exemplo dos tempos
Um excelente exemplo das características irracionais dos tempos que correm é a novela telejornalística global à volta das pedras que deram à senhorita Campbell.
Sem qualquer tipo de conteúdo mas susceptível de ser escrutinada no Tribunal da Haia.
Aparentemente para que se faça prova testemunhal algo enviezada de que Charles Taylor conhecia e detinha diamantes em bruto.
Isto leva a algum lado?
Assim como assim, novela por novela, a do C. sempre teve mais piada.
Um excelente exemplo das características irracionais dos tempos que correm é a novela telejornalística global à volta das pedras que deram à senhorita Campbell.
Sem qualquer tipo de conteúdo mas susceptível de ser escrutinada no Tribunal da Haia.
Aparentemente para que se faça prova testemunhal algo enviezada de que Charles Taylor conhecia e detinha diamantes em bruto.
Isto leva a algum lado?
Assim como assim, novela por novela, a do C. sempre teve mais piada.
Não há memória
Desta feita, concorro com os saltimbancos das novas e com os arautos da desgraça.
Não tenho memória de ter feito uma leitura tal aqui neste meu escritório de trabalho desde finais de 2002, quando para aqui vim.
A noite quase sem arrefecimento aqui por estas bandas prenunciava já algo assim.
Não fosse eu maçã do Baixo Alentejo e não haveria condições, parafraseando o ilustre Comendador Marques de Correia.
Desta feita, concorro com os saltimbancos das novas e com os arautos da desgraça.
Não tenho memória de ter feito uma leitura tal aqui neste meu escritório de trabalho desde finais de 2002, quando para aqui vim.
A noite quase sem arrefecimento aqui por estas bandas prenunciava já algo assim.
Não fosse eu maçã do Baixo Alentejo e não haveria condições, parafraseando o ilustre Comendador Marques de Correia.
08/08/2010
Travoada
Primeiro, vi as nuvens.
Cheirou-me a trovoada lá para as minhas bandas.
Fui espreitar e nada. Pouco depois, voltei lá e vi um só raio sobre todo o território continental.
Onde teria caído o bicho?
Estava capaz de apostar que foi na linha Sines – Ferreira. Já depois das Ermidas.
Primeiro, vi as nuvens.
Cheirou-me a trovoada lá para as minhas bandas.
Fui espreitar e nada. Pouco depois, voltei lá e vi um só raio sobre todo o território continental.
Onde teria caído o bicho?
Estava capaz de apostar que foi na linha Sines – Ferreira. Já depois das Ermidas.
07/08/2010
Pérolas (de autor, como agora se diz)
"A ponte Áifel (de Viana do Castelo) deve o nome ao construtor da famosa torre Êifel."
Cito assim de memória um dos comentadores da Volta a Portugal em bicicleta na RTP.
O que conta é a forma como o mesmíssimo nome foi pronunciado de duas maneiras diferentes numa frase curta.
Sem que a intenção fosse mesmo essa.
Uma nota ainda sobre a péssima sinalização e guarnição do percurso este ano.
Desde carros que aparecem a circular entre os ciclistas. Por acaso no mesmo sentido.
Até aos sucessivos enganos de trajecto suscitados aos corredores.
Os comentadores permanecem a anedota do costume, é claro.
"A ponte Áifel (de Viana do Castelo) deve o nome ao construtor da famosa torre Êifel."
Cito assim de memória um dos comentadores da Volta a Portugal em bicicleta na RTP.
O que conta é a forma como o mesmíssimo nome foi pronunciado de duas maneiras diferentes numa frase curta.
Sem que a intenção fosse mesmo essa.
Uma nota ainda sobre a péssima sinalização e guarnição do percurso este ano.
Desde carros que aparecem a circular entre os ciclistas. Por acaso no mesmo sentido.
Até aos sucessivos enganos de trajecto suscitados aos corredores.
Os comentadores permanecem a anedota do costume, é claro.
06/08/2010
Ruas com dias

Passado pouco tempo de me ter deitado, vai para ano e tal, à tarefa de coleccionar fotografias de placas toponímicas com datas, tropecei nesta página que inventaria os dias de um ano inteiro pelo mundo fora.
Nota-se uma preponderância de países latinos, europeus e americanos.
Com a oferta de Fernando Vilela, aqui há dias, veio à cabeça outra ideia disparatada – fazer uma colecção ecuménica, exceptuando agora as placas em português.
Para já, o único cromo legítimo é o que Fernando Vilela gentilmente entregou para a colecção.
Há depois uns quantos – muitos – sacados ao Google Street View.
Espera-se que cada um deles seja substituído por uma fotografia a sério.
Vai levar tempo.
A colecção deve ficar acessível este fim-de-semana.

Passado pouco tempo de me ter deitado, vai para ano e tal, à tarefa de coleccionar fotografias de placas toponímicas com datas, tropecei nesta página que inventaria os dias de um ano inteiro pelo mundo fora.
Nota-se uma preponderância de países latinos, europeus e americanos.
Com a oferta de Fernando Vilela, aqui há dias, veio à cabeça outra ideia disparatada – fazer uma colecção ecuménica, exceptuando agora as placas em português.
Para já, o único cromo legítimo é o que Fernando Vilela gentilmente entregou para a colecção.
Há depois uns quantos – muitos – sacados ao Google Street View.
Espera-se que cada um deles seja substituído por uma fotografia a sério.
Vai levar tempo.
A colecção deve ficar acessível este fim-de-semana.
05/08/2010
Escol
Faz amanhã 44 anos que uma vasta equipa dirigida por estes homens entregou ao serviço do país uma notável obra de engenharia.
Fê-lo com seis meses de... avanço em relação ao prazo previsto.

in Magazine da Morrison-Knudsen Company, Inc., Novembro de 1964
(em clicando, verão ampliado e legendado)
Faz amanhã 44 anos que uma vasta equipa dirigida por estes homens entregou ao serviço do país uma notável obra de engenharia.
Fê-lo com seis meses de... avanço em relação ao prazo previsto.

in Magazine da Morrison-Knudsen Company, Inc., Novembro de 1964
(em clicando, verão ampliado e legendado)
04/08/2010
Rien se perd, rien ne se crée, tout se transforme
Talvez se trate de uma questão de conforto espititual.
Vi hoje uma apresentação na Casa Branca de um gráfico em tarte que traduziria a frase “Where did the oil go?”

A ferramenta que gerou este gráfico é referida na comunicação respectiva.
Deve tratar-se de uma questão de conforto espiritual, como disse.
Mesmo como arma de arremesso jurídica, suponho o seu valor pouco maior do que nulo.
Que tipo de ciência será esta?
Talvez se trate de uma questão de conforto espititual.
Vi hoje uma apresentação na Casa Branca de um gráfico em tarte que traduziria a frase “Where did the oil go?”

A ferramenta que gerou este gráfico é referida na comunicação respectiva.
Deve tratar-se de uma questão de conforto espiritual, como disse.
Mesmo como arma de arremesso jurídica, suponho o seu valor pouco maior do que nulo.
Que tipo de ciência será esta?
03/08/2010
02/08/2010
Educação
“Vamos querer até que haja uma aprendizagem efectiva” – pouco importa que esta frase seja retirada do contexto. Vale por si e a menos que houvesse da minha parte uma inversão do seu sentido, tivesse ela sido dita num contexto semelhante ao deste post, está bem patente o que quer dizer.
A frase, para quem esteja mais desatento, foi proferida pela Ministra da Educação a propósito do caso da eliminação das reprovações.
Passo por cima do caso principal por achar que não me merece para já grande atenção.
Atento apenas na frase.
Diz portanto a senhora ministra que vamos querer até.
A preposição até diz-nos que a querença ultrapassará as expectativas vulgares.
E quais são essas expectativas? Não sabemos. Apenas que estão abaixo de que haja uma aprendizagem efectiva. Mais simplesmente, que estão abaixo de que se aprenda na escola.
Não ignoro que nem sempre os sistemas educativos estão destinados a dar instrução ao povo.
Talvez sejam mais os casos em que não estão do que os que para isso são montados.
A questão aqui é que esta frase é uma assunção de que o nosso sistema não está virado para uma aprendizagem efectiva. Está virado para qualquer outra coisa.
Na minha opinião, um sistema educativo ou instrutivo deve adequar-se ao modelo social e à realidade. Creio mesmo que qualquer sistema desadequado à realidade...
Na minha valorização das coisas, estou atento ao lugar comum, imemorial e óbvio da cultura em terra produtiva e do abandono das terras inférteis. Ainda que se possa elaborar sobre os limites da infertilidade.
Atentando a tal, julgo que uma sociedade deverá saber identificar os seus melhores em cada campo e aproveitá-los como tal.
Nem toda a gente serve para pensar. Terá algum tipo de interesse para o colectivo e para o indivíduo que com ele se percam tempo e energias a tentá-lo fazer usar a cabeça?
Enquanto isso há, perdida numa aldeia do interior, sem meios, uma criança notável que só não dará um contributo precioso à nossa organização futura se não lhe dermos a hipótese de o fazer.
Essa criança está condenada ao subaproveitamento num sistema que se entretém a nivelar por baixo. Ficará inevitavelmente uns degraus acima dos seus pares mas nunca dará o que poderia dar.
Se é isso que queremos, ter um rebanho controlável e pouco reivindicativo, o caminho não está mal lançado.
Temos que contar é que, rebanho à parte, estamos a perder, a desperdiçar os nossos melhores. Tantos mais desperdiçaremos quantas mais faixas sociais deixarmos ao abandono.
E que para o lugar deles, irão os incapazes com meios. Como podemos verificar já, olhando à nossa volta. Incapazes com I grande.
Um caminho para baixo. Sempre para baixo.
A menos que esta frase “Vamos querer até que haja uma aprendizagem efectiva” seja uma espécie de revelação. De apocalipse.
Alguém acredita nisso?
Errata: claro que até nesta frase não é preposição, é advérbio.
“Vamos querer até que haja uma aprendizagem efectiva” – pouco importa que esta frase seja retirada do contexto. Vale por si e a menos que houvesse da minha parte uma inversão do seu sentido, tivesse ela sido dita num contexto semelhante ao deste post, está bem patente o que quer dizer.
A frase, para quem esteja mais desatento, foi proferida pela Ministra da Educação a propósito do caso da eliminação das reprovações.
Passo por cima do caso principal por achar que não me merece para já grande atenção.
Atento apenas na frase.
Diz portanto a senhora ministra que vamos querer até.
A preposição até diz-nos que a querença ultrapassará as expectativas vulgares.
E quais são essas expectativas? Não sabemos. Apenas que estão abaixo de que haja uma aprendizagem efectiva. Mais simplesmente, que estão abaixo de que se aprenda na escola.
Não ignoro que nem sempre os sistemas educativos estão destinados a dar instrução ao povo.
Talvez sejam mais os casos em que não estão do que os que para isso são montados.
A questão aqui é que esta frase é uma assunção de que o nosso sistema não está virado para uma aprendizagem efectiva. Está virado para qualquer outra coisa.
Na minha opinião, um sistema educativo ou instrutivo deve adequar-se ao modelo social e à realidade. Creio mesmo que qualquer sistema desadequado à realidade...
Na minha valorização das coisas, estou atento ao lugar comum, imemorial e óbvio da cultura em terra produtiva e do abandono das terras inférteis. Ainda que se possa elaborar sobre os limites da infertilidade.
Atentando a tal, julgo que uma sociedade deverá saber identificar os seus melhores em cada campo e aproveitá-los como tal.
Nem toda a gente serve para pensar. Terá algum tipo de interesse para o colectivo e para o indivíduo que com ele se percam tempo e energias a tentá-lo fazer usar a cabeça?
Enquanto isso há, perdida numa aldeia do interior, sem meios, uma criança notável que só não dará um contributo precioso à nossa organização futura se não lhe dermos a hipótese de o fazer.
Essa criança está condenada ao subaproveitamento num sistema que se entretém a nivelar por baixo. Ficará inevitavelmente uns degraus acima dos seus pares mas nunca dará o que poderia dar.
Se é isso que queremos, ter um rebanho controlável e pouco reivindicativo, o caminho não está mal lançado.
Temos que contar é que, rebanho à parte, estamos a perder, a desperdiçar os nossos melhores. Tantos mais desperdiçaremos quantas mais faixas sociais deixarmos ao abandono.
E que para o lugar deles, irão os incapazes com meios. Como podemos verificar já, olhando à nossa volta. Incapazes com I grande.
Um caminho para baixo. Sempre para baixo.
A menos que esta frase “Vamos querer até que haja uma aprendizagem efectiva” seja uma espécie de revelação. De apocalipse.
Alguém acredita nisso?
Errata: claro que até nesta frase não é preposição, é advérbio.
01/08/2010
31/07/2010
30/07/2010
29/07/2010
27/07/2010
Freeport
Talvez fosse agora altura de ouvir os imbecis com responsabilidades que tanta volta deram à roda de Alcochete e arredores.
Atacar Sócrates, com a intenção de o atacar, pelo que ele não fez é apenas um sinal de burrice. Apenas isso. Nada mais.
Infelizmente estamos atolados nela. Na burrice dos responsáveis.
Talvez fosse agora altura de ouvir os imbecis com responsabilidades que tanta volta deram à roda de Alcochete e arredores.
Atacar Sócrates, com a intenção de o atacar, pelo que ele não fez é apenas um sinal de burrice. Apenas isso. Nada mais.
Infelizmente estamos atolados nela. Na burrice dos responsáveis.
26/07/2010
25/07/2010
23/07/2010
Teste de carga

imagem do blogue Rio de Janeiro Antigo
Indagar da relevância para o sistema bancário de usar um algoritmo para medir uma coisa qualquer, fazendo variar umas variáveis, seria talvez a curiosidade do dia.
Seria, se não fosse particularmente óbvia a irrelevância do exercício académico e talvez politicamente necessário.
O que me faz lembrar da escada do economista.
Será que um tal teste de carga a esta escada também a aprovava?

imagem do blogue Rio de Janeiro Antigo
Indagar da relevância para o sistema bancário de usar um algoritmo para medir uma coisa qualquer, fazendo variar umas variáveis, seria talvez a curiosidade do dia.
Seria, se não fosse particularmente óbvia a irrelevância do exercício académico e talvez politicamente necessário.
O que me faz lembrar da escada do economista.
Será que um tal teste de carga a esta escada também a aprovava?
22/07/2010
Vidas
Pelo pouco que vi nas reportagens sobre o caso dos presumidos homicídios de Carqueija, interrogo-me sobre se há alguma informação relevante sobre a sociedade que dali se retire, não tanto pelos crimes mas pela envolvente, ou se é um caso cuja ponderação é irrelevante, com traços semelhantes a tantos outros de tantas outras épocas.
Pelo pouco que vi nas reportagens sobre o caso dos presumidos homicídios de Carqueija, interrogo-me sobre se há alguma informação relevante sobre a sociedade que dali se retire, não tanto pelos crimes mas pela envolvente, ou se é um caso cuja ponderação é irrelevante, com traços semelhantes a tantos outros de tantas outras épocas.
21/07/2010
20/07/2010
Busca e salvamento
Pergunto-me, quando vejo o aparato das corvetas e dos helicópteros, qual é a razão entre os casos de sucesso de busca e salvamento de pessoas perdidas no mar sem embarcação e o número total de casos em que tais meios são aplicados?
A partir de quanto tempo é que se pode falar ainda em salvamento e se esse tempo é compatível com a utilização das corvetas.
Quantos casos de busca, já não de salvamento, justificam tais meios?
E para que servem as motos de água e as chatas com motor a ziguezaguer sem norte, a partir do tal intervalo de tempo, que eu não sei determinar, em que o índice de sobrevivência está abaixo de zero?
Trata-se apenas e só, de um nada racional conforto psicológico para os que cá ficaram?
Pergunto-me, quando vejo o aparato das corvetas e dos helicópteros, qual é a razão entre os casos de sucesso de busca e salvamento de pessoas perdidas no mar sem embarcação e o número total de casos em que tais meios são aplicados?
A partir de quanto tempo é que se pode falar ainda em salvamento e se esse tempo é compatível com a utilização das corvetas.
Quantos casos de busca, já não de salvamento, justificam tais meios?
E para que servem as motos de água e as chatas com motor a ziguezaguer sem norte, a partir do tal intervalo de tempo, que eu não sei determinar, em que o índice de sobrevivência está abaixo de zero?
Trata-se apenas e só, de um nada racional conforto psicológico para os que cá ficaram?
18/07/2010
O terramoto de 19 de Fevereiro de 1989
Apercebi-me hoje de que algo me deveria ter escapado há vinte e um anos atrás.
Ou então que da memória se me apagou tal facto.
Num livrito fraco que acabei de ler, encontrei referências a uma predição de um sismo feita por uma “bruxa” e que teve destaque na imprensa da época, aparentemente da mais popular e sensacionalista à mais circunspecta.
E que tal rumor terá gerado uma espécie de êxodo dos alfacinhas e seus circunvizinhos.
De facto, não tenho a menor ideia de tal.
Pela minha agenda, dou-me conta de que era uma época demasiado ocupada para que me desse conta de sentimentos populares mais ou menos visíveis.
Não me lembro. Ponto.
Para quem como eu observou de perto e com muita curiosidade o êxodo fantástico de Novembro de 1967, em que milhares de pessoas fugiam pelos campos e pelas estradas, a pé, de uma colossal explosão com hora marcada, seria esperável que tivesse dado alguma atenção a uma possível replicação do fenómeno embora desta vez anunciado ao que parece com muito maior antecedência, privando assim a experiência do dramatismo das fugas sem tino e sem destino.
Pois, como disse, ou não me dei mesmo conta ou a coisa foi de tal modo pífia que se me obliterou das gavetas.
Apercebi-me hoje de que algo me deveria ter escapado há vinte e um anos atrás.
Ou então que da memória se me apagou tal facto.
Num livrito fraco que acabei de ler, encontrei referências a uma predição de um sismo feita por uma “bruxa” e que teve destaque na imprensa da época, aparentemente da mais popular e sensacionalista à mais circunspecta.
E que tal rumor terá gerado uma espécie de êxodo dos alfacinhas e seus circunvizinhos.
De facto, não tenho a menor ideia de tal.
Pela minha agenda, dou-me conta de que era uma época demasiado ocupada para que me desse conta de sentimentos populares mais ou menos visíveis.
Não me lembro. Ponto.
Para quem como eu observou de perto e com muita curiosidade o êxodo fantástico de Novembro de 1967, em que milhares de pessoas fugiam pelos campos e pelas estradas, a pé, de uma colossal explosão com hora marcada, seria esperável que tivesse dado alguma atenção a uma possível replicação do fenómeno embora desta vez anunciado ao que parece com muito maior antecedência, privando assim a experiência do dramatismo das fugas sem tino e sem destino.
Pois, como disse, ou não me dei mesmo conta ou a coisa foi de tal modo pífia que se me obliterou das gavetas.
As mulheres com cara de pão
Se eu me esforçasse agora um pouco talvez conseguisse dar, por escrito ou por desenhado, uma ideia do que me ocorreu serem as mulheres com cara de pão.
Talvez com isso despertasse, numa probabilidade desprezável, o receio de alguém meu conhecido se sentir identificado com o conceito.
Não o vou fazer, por ambas as razões. Não estou para esforços numa manhã de domingo e não quero correr o risco de embater com probabilidades desprezáveis.
Dito isto, posso afirmar que foi esta uma ocorrência de há minutos. A de eu ter constatado que um certo tipo de mulheres que ostenta um certo tipo de cara – e ainda assim posso adiantar sem revelar mais do que isso, que o pão deve ter vindo à baila associado a uma pele algo curtida e grossa – a de eu ter constatado, dizia, que essas mulheres depois de durante anos as ter provavelmente associado ao pão, a um panito sem sal, convenhamos, à moda do meu Alentejo, me despertavam agora uma certa curiosidade feminil.
Tudo isto se desfiou atrás dos meus olhos há pouco.
Será caso da idade?
Ou as minhas células ordenam-me que desça à rua e compre pão quente?
Se eu me esforçasse agora um pouco talvez conseguisse dar, por escrito ou por desenhado, uma ideia do que me ocorreu serem as mulheres com cara de pão.
Talvez com isso despertasse, numa probabilidade desprezável, o receio de alguém meu conhecido se sentir identificado com o conceito.
Não o vou fazer, por ambas as razões. Não estou para esforços numa manhã de domingo e não quero correr o risco de embater com probabilidades desprezáveis.
Dito isto, posso afirmar que foi esta uma ocorrência de há minutos. A de eu ter constatado que um certo tipo de mulheres que ostenta um certo tipo de cara – e ainda assim posso adiantar sem revelar mais do que isso, que o pão deve ter vindo à baila associado a uma pele algo curtida e grossa – a de eu ter constatado, dizia, que essas mulheres depois de durante anos as ter provavelmente associado ao pão, a um panito sem sal, convenhamos, à moda do meu Alentejo, me despertavam agora uma certa curiosidade feminil.
Tudo isto se desfiou atrás dos meus olhos há pouco.
Será caso da idade?
Ou as minhas células ordenam-me que desça à rua e compre pão quente?
17/07/2010
15/07/2010
14/07/2010
13/07/2010
O tipo que era uma perna só
Explicava eu aos circunstantes que, lá dá vila, do meu tempo, era este, aquele e aqueloutro.
Como exemplo de um dos mais próximos, dava um que aparecia de repente na forma de uma só perna embrulhada em qualquer coisa.
Depois chegou outro, pessoalizado, mas cheio de pressa.
Foi desse outro que ouvi pronunciar o nome agora mesmo ao telefone, o que me despertou esta onírica recordação fresquinha.
Explicava eu aos circunstantes que, lá dá vila, do meu tempo, era este, aquele e aqueloutro.
Como exemplo de um dos mais próximos, dava um que aparecia de repente na forma de uma só perna embrulhada em qualquer coisa.
Depois chegou outro, pessoalizado, mas cheio de pressa.
Foi desse outro que ouvi pronunciar o nome agora mesmo ao telefone, o que me despertou esta onírica recordação fresquinha.
12/07/2010
Breve nota sobre o Mundial de futebol
Como se pode aferir pelo palpite* que fiz, não percebo patavina de futebol.
Já o sabia. Mas é mais uma prova de que não me engano.
Ou de que me engano muito em se tratando destes palpites:
A Inglaterra vem-me desiludindo campeonato após campeonato, quando acreditava neles para irem até ao fim.
Neste, esperava mais da Argentina. Frente à Alemanha, desmoronou-se como todos viram. Continuo com dúvidas de que um Maradona sózinho consiga fazer desmoronar uma equipa assim.
A Itália também me surpreendeu pela negativa.
O resto que eu esperava pode avaliar-se pelos palpites que dei.
Não percebendo portanto nada de futebol, ouso ainda assim opinar de cátedra:
- O jogo Portugal – Espanha foi muito semelhante ao que ocorreu em Lisboa para o Euro 2004. Qualquer uma das duas equipas poderia ter ganho o jogo. Tal como Portugal teve mais sorte dessa vez, desta foi a ocasião da Espanha.
- Tenho uma estranha sensação de que a Espanha mereceu ser campeã. Estranha, porque vi meia-dúzia de jogos.

(clicar para ver que "seguimos siendo el mejor equipo del mundo")
E, confesso, comprei a Marca no dia a seguir à derrota dos espanhóis com a Suiça e L’Équipe do dia a seguir à derrota dos franceses com o México.
* há uma incorrecção nos palpites dos quatro finais de CJ, que foi mais certeiro ao incluir a Holanda e a Espanha.
Como se pode aferir pelo palpite* que fiz, não percebo patavina de futebol.
Já o sabia. Mas é mais uma prova de que não me engano.
Ou de que me engano muito em se tratando destes palpites:
A Inglaterra vem-me desiludindo campeonato após campeonato, quando acreditava neles para irem até ao fim.
Neste, esperava mais da Argentina. Frente à Alemanha, desmoronou-se como todos viram. Continuo com dúvidas de que um Maradona sózinho consiga fazer desmoronar uma equipa assim.
A Itália também me surpreendeu pela negativa.
O resto que eu esperava pode avaliar-se pelos palpites que dei.
Não percebendo portanto nada de futebol, ouso ainda assim opinar de cátedra:
- O jogo Portugal – Espanha foi muito semelhante ao que ocorreu em Lisboa para o Euro 2004. Qualquer uma das duas equipas poderia ter ganho o jogo. Tal como Portugal teve mais sorte dessa vez, desta foi a ocasião da Espanha.
- Tenho uma estranha sensação de que a Espanha mereceu ser campeã. Estranha, porque vi meia-dúzia de jogos.

(clicar para ver que "seguimos siendo el mejor equipo del mundo")
E, confesso, comprei a Marca no dia a seguir à derrota dos espanhóis com a Suiça e L’Équipe do dia a seguir à derrota dos franceses com o México.
* há uma incorrecção nos palpites dos quatro finais de CJ, que foi mais certeiro ao incluir a Holanda e a Espanha.
11/07/2010
Espanha
Comecei a escrever este (um outro) post ainda havia zero a zero.
Para dizer que era espanhol, face à vergonha do jogo holandês.
Se é certo que em tempos um jogo da selecção espanhola era um festival de pancadaria, hoje foi ao contrário.
Ainda que houvesse fora-de-jogo no lance do golo, a Espanha merece ganhar.
Comecei a escrever este (um outro) post ainda havia zero a zero.
Para dizer que era espanhol, face à vergonha do jogo holandês.
Se é certo que em tempos um jogo da selecção espanhola era um festival de pancadaria, hoje foi ao contrário.
Ainda que houvesse fora-de-jogo no lance do golo, a Espanha merece ganhar.
10/07/2010
Da gentileza
A gentileza é algo que eu valorizo, determinismo à parte.
É qualquer coisa que me desarma.
Nunca fui um interneteiro.
Vi-me num IRC meia-dúzia de vezes, dez anos atrás.
Troquei umas dezenas de moedas a partir de um forum, na era do Euro.
Recebo uns três a cinco mails por mês. Ou menos. Exceptuando os dos comentários. Sequer sou alvo de spam por aí além. Já aqui o disse.
Não ingressei em nenhuma rede social, apesar do blogue.
Conheci duas pessoas por causa dele.
Não sei quem é Fernando Vilela.
Não sei quando e com que frequência visita este blogue.
Sei apenas que, por várias vezes, teve a gentileza de me enviar fotografias de placas toponímicas com dias do ano.
Fê-lo sem fazer a menor ideia de quem eu sou, apesar do blogue.
E desta vez, enviou-me esta:

A gentileza é algo que eu valorizo, determinismo à parte.
É qualquer coisa que me desarma.
Bem haja, Fernando Vilela.
A gentileza é algo que eu valorizo, determinismo à parte.
É qualquer coisa que me desarma.
Nunca fui um interneteiro.
Vi-me num IRC meia-dúzia de vezes, dez anos atrás.
Troquei umas dezenas de moedas a partir de um forum, na era do Euro.
Recebo uns três a cinco mails por mês. Ou menos. Exceptuando os dos comentários. Sequer sou alvo de spam por aí além. Já aqui o disse.
Não ingressei em nenhuma rede social, apesar do blogue.
Conheci duas pessoas por causa dele.
Não sei quem é Fernando Vilela.
Não sei quando e com que frequência visita este blogue.
Sei apenas que, por várias vezes, teve a gentileza de me enviar fotografias de placas toponímicas com dias do ano.
Fê-lo sem fazer a menor ideia de quem eu sou, apesar do blogue.
E desta vez, enviou-me esta:

A gentileza é algo que eu valorizo, determinismo à parte.
É qualquer coisa que me desarma.
Bem haja, Fernando Vilela.
08/07/2010
A menoridade de sempre
É pelos vistos, a causa das coisas.
A ser verdade que se tratava de um atraso para uma cerimónia de tomada de posse.
É pelos vistos, a causa das coisas.
A ser verdade que se tratava de um atraso para uma cerimónia de tomada de posse.
Acções do Estado (II)
Estou aqui a ouvir o Ministro das Comunicações no Telejornal e até agora, para além de não ter dito coisa alguma, pareceu sempre um apresentador de programas de vinhos – disse nada com ênfase e palavras extraordinariamente escolhidas e aparentou estar convencido do que dizia. Efabulando com conceitos absurdos.
Seria de esperar mais?
Estou aqui a ouvir o Ministro das Comunicações no Telejornal e até agora, para além de não ter dito coisa alguma, pareceu sempre um apresentador de programas de vinhos – disse nada com ênfase e palavras extraordinariamente escolhidas e aparentou estar convencido do que dizia. Efabulando com conceitos absurdos.
Seria de esperar mais?
Acções do Estado
Esta gente que nos governa, estes e outros que os antecederam, ainda não percebeu que quando se vende uma coisa se perdem os direitos que sobre ela se têm.
E que excepções de soberania são incompatíveis com a integração europeia.
É uma questão de capacidade. Não tem nada a ver com política nem com outra coisa qualquer.
Sabe-se que a política não é linear. Sequer é racional. É uma conjugação de forças, como quase tudo neste mundo. Avaliá-las mal é que é uma incapacidade. Racional ou artística.
Esta gente que nos governa, estes e outros que os antecederam, ainda não percebeu que quando se vende uma coisa se perdem os direitos que sobre ela se têm.
E que excepções de soberania são incompatíveis com a integração europeia.
É uma questão de capacidade. Não tem nada a ver com política nem com outra coisa qualquer.
Sabe-se que a política não é linear. Sequer é racional. É uma conjugação de forças, como quase tudo neste mundo. Avaliá-las mal é que é uma incapacidade. Racional ou artística.
Tempo

imagem do IM
Foi este gráfico que me despertou a curiosidade.
O aumento brutal da temperatura entre as duas e as três da manhã, antecedido de uma outra variação anómala entre a meia-noite e a uma, pôs-me a pulga atrás da orelha.
Vejo agora que se tratou de algo mais vasto do que um fenómeno na zona de São Teotónio.
Algo que me desperta recordações de uma certa noite do final da década de 80 ou dos primórdios de 90 em que da varanda do monte via o céu vermelho a sul, a trovoada seca e as descargas nuvem-nuvem.
Disseram-me depois que na zona central do Algarve a temperatura havia subido entre a meia-noite e as três da manhã de forma semelhante à de hoje.
Depois choveu forte e secou depressa.
Lá na vila só fez “travoada”.
E eu era muito mais novo.

imagem do IM
Foi este gráfico que me despertou a curiosidade.
O aumento brutal da temperatura entre as duas e as três da manhã, antecedido de uma outra variação anómala entre a meia-noite e a uma, pôs-me a pulga atrás da orelha.
Vejo agora que se tratou de algo mais vasto do que um fenómeno na zona de São Teotónio.
Algo que me desperta recordações de uma certa noite do final da década de 80 ou dos primórdios de 90 em que da varanda do monte via o céu vermelho a sul, a trovoada seca e as descargas nuvem-nuvem.
Disseram-me depois que na zona central do Algarve a temperatura havia subido entre a meia-noite e as três da manhã de forma semelhante à de hoje.
Depois choveu forte e secou depressa.
Lá na vila só fez “travoada”.
E eu era muito mais novo.
Maura, a mulher-cobra e Paulo, o polvo palpiteiro
Uma das coisas por que valerá a pena passar os olhos depois do Mundial é o nascimento e a evolução da fábula do polvo palpiteiro. Propagando-se à ecúmena.
Nada mais do que uma mulher-cobra dos tempos que correm.
Não me recordo se essa também dava palpites ou era apenas uma atracção de circo.
A nível regional.
Uma das coisas por que valerá a pena passar os olhos depois do Mundial é o nascimento e a evolução da fábula do polvo palpiteiro. Propagando-se à ecúmena.
Nada mais do que uma mulher-cobra dos tempos que correm.
Não me recordo se essa também dava palpites ou era apenas uma atracção de circo.
A nível regional.
07/07/2010
Noites longas
Um alentejano contando mais de meio século tem nas suas memórias incontáveis noites de calor.
No meu caso prazenteiras.
É por isso mesmo que estranho a razão pela qual estas noites quentes me trouxeram à memória não uma das muitas que já tive o prazer de atravessar mas uma cena de um filme – a cena inicial de Body Heat em que Ned Racine (William Hurt) contempla um incêndio longínquo enquanto fuma um cigarro e ignora a mulher que se veste nas suas costas.
Não me recordo de outra cena de filme que tanto me tenha instilado uma sensação de calor.
FADE IN:
EXT. NIGHT SKY
Flames in the night sky. Distant sirens. Pulling back,
we see that the burning building is mostly hidden by dense,
black shapes that define the oceanside skyline of Miranda
Beach, Florida. We're watching from across town. The
sound of a bathroom shower comes to a dripping stop at
about the same time we see the naked back and head of Ned
Racine. We continue to pull back into
RACINE'S APARTMENT - NIGHT
Racine, dressed in undershorts, is standing on the small
porch off his apartment on the upper floor of an old house.
Racine lights a cigarette and continues to stare off at
the fire. We've passed him now, into the bedroom of the
apartment, and the shape of a young woman, Angela, flashes
by, drying her body with a towel.
trecho do guião em http://www.imsdb.com/scripts/Body-Heat.html
Um alentejano contando mais de meio século tem nas suas memórias incontáveis noites de calor.
No meu caso prazenteiras.
É por isso mesmo que estranho a razão pela qual estas noites quentes me trouxeram à memória não uma das muitas que já tive o prazer de atravessar mas uma cena de um filme – a cena inicial de Body Heat em que Ned Racine (William Hurt) contempla um incêndio longínquo enquanto fuma um cigarro e ignora a mulher que se veste nas suas costas.
Não me recordo de outra cena de filme que tanto me tenha instilado uma sensação de calor.
FADE IN:
EXT. NIGHT SKY
Flames in the night sky. Distant sirens. Pulling back,
we see that the burning building is mostly hidden by dense,
black shapes that define the oceanside skyline of Miranda
Beach, Florida. We're watching from across town. The
sound of a bathroom shower comes to a dripping stop at
about the same time we see the naked back and head of Ned
Racine. We continue to pull back into
RACINE'S APARTMENT - NIGHT
Racine, dressed in undershorts, is standing on the small
porch off his apartment on the upper floor of an old house.
Racine lights a cigarette and continues to stare off at
the fire. We've passed him now, into the bedroom of the
apartment, and the shape of a young woman, Angela, flashes
by, drying her body with a towel.
trecho do guião em http://www.imsdb.com/scripts/Body-Heat.html
06/07/2010
05/07/2010
O Princípio
Um princípio, enquanto não me convencerem do contrário, é uma lei. Segundo a qual. Segundo o qual.
Não consegui ainda perceber o que é o princípio do utilizador-pagador.
Porque não é um princípio segundo o qual quem utiliza e só quem utiliza seja o que fôr, paga.
É apenas um lugar-comum que fica bem numa argumentação vazia de conteúdo.
Sempre dá um ar...
Um princípio, enquanto não me convencerem do contrário, é uma lei. Segundo a qual. Segundo o qual.
Não consegui ainda perceber o que é o princípio do utilizador-pagador.
Porque não é um princípio segundo o qual quem utiliza e só quem utiliza seja o que fôr, paga.
É apenas um lugar-comum que fica bem numa argumentação vazia de conteúdo.
Sempre dá um ar...
04/07/2010
02/07/2010
01/07/2010
Imposto sobre a estupidez
Todos os agravamentos que ora e doravante sofrermos nos impostos, nas taxas e nas alcavalas serão devidos à nossa própria estupidez. E à estupidez dos que escolhemos para nos governarem.
Também é estúpido dizer isto, uma vez que nada disto começou hoje.
Remontará talvez ao reinado de D. Fernando. Nesse tempo, porém, a democracia era outra. Como se conta que se viu na aclamação do seu meio-irmão.
Todos os agravamentos que ora e doravante sofrermos nos impostos, nas taxas e nas alcavalas serão devidos à nossa própria estupidez. E à estupidez dos que escolhemos para nos governarem.
Também é estúpido dizer isto, uma vez que nada disto começou hoje.
Remontará talvez ao reinado de D. Fernando. Nesse tempo, porém, a democracia era outra. Como se conta que se viu na aclamação do seu meio-irmão.
Palavra do dia

O Priberam elegeu hoje o King.
Parece-me bem. 1 de Julho, o início dos três meses em tempos consagrados ao cansaço dos ociosos excessos.
Cheira essa palavra a férias grandes, trazendo tudo o resto atrás.
Nunca joguei a versão “a parceiros”. Mas sim a “a três”, com o morto.

O Priberam elegeu hoje o King.
Parece-me bem. 1 de Julho, o início dos três meses em tempos consagrados ao cansaço dos ociosos excessos.
Cheira essa palavra a férias grandes, trazendo tudo o resto atrás.
Nunca joguei a versão “a parceiros”. Mas sim a “a três”, com o morto.
30/06/2010
Trabalho de campo
Hoje em dia há máquinas que registam na foto as coordenadas esféricas e o azimute.
E para quem não tem nada disso, há o Google.

Antes ou depois, há a discussão sobre se isto é bom ou mau.
Big Brother is actually watching you.
Hoje em dia há máquinas que registam na foto as coordenadas esféricas e o azimute.
E para quem não tem nada disso, há o Google.

Antes ou depois, há a discussão sobre se isto é bom ou mau.
Big Brother is actually watching you.
28/06/2010
Aprendizagem
Uma das coisas que é impossível transmitir aos novos é o que é o envelhecimento.
Seja porque o exposto é intrínsecamente verdadeiro, seja porque os novos não querem ouvir ou não são capazes de entendê-lo, seja porque os velhos querem poupar aos novos as notícias dessa provável fatalidade, seja ainda porque os anciãos têm mais com que se preocupar.
Ia escrever que, com a idade, se deixa de aprender nas viagens, como se deixa de aprender em quase tudo, contrariando o “todos os dias se aprende” e indo ao encontro do “burro velho não aprende línguas”.
Não se aprende, apenas se toma nota, se verifica.
Ia escrever mas...
Ocorreu-me então que, algures em certa rua de uma cidade média do mundo ocidental, se me entranhou a ideia de que a civilização (ou o IDH, como se pretende medir tal coisa) se relaciona com o cheiro a mijo (haveria que criar uma escala para o graduar, eventualmente com a ajuda dos cães ou das borboletas, caso não exista já) através de uma equação diferencial.
De que forma, não faço a menor ideia.
Aprende-se, afinal, a congeminar disparates. Que não são mais do que aproximações, afinações, de disparates antigos.
Uma das coisas que é impossível transmitir aos novos é o que é o envelhecimento.
Seja porque o exposto é intrínsecamente verdadeiro, seja porque os novos não querem ouvir ou não são capazes de entendê-lo, seja porque os velhos querem poupar aos novos as notícias dessa provável fatalidade, seja ainda porque os anciãos têm mais com que se preocupar.
Ia escrever que, com a idade, se deixa de aprender nas viagens, como se deixa de aprender em quase tudo, contrariando o “todos os dias se aprende” e indo ao encontro do “burro velho não aprende línguas”.
Não se aprende, apenas se toma nota, se verifica.
Ia escrever mas...
Ocorreu-me então que, algures em certa rua de uma cidade média do mundo ocidental, se me entranhou a ideia de que a civilização (ou o IDH, como se pretende medir tal coisa) se relaciona com o cheiro a mijo (haveria que criar uma escala para o graduar, eventualmente com a ajuda dos cães ou das borboletas, caso não exista já) através de uma equação diferencial.
De que forma, não faço a menor ideia.
Aprende-se, afinal, a congeminar disparates. Que não são mais do que aproximações, afinações, de disparates antigos.
26/06/2010
Palpite falhado
Com algum estrondo.
O somatório da diferença de golos dos terceiros classificados de cada grupo dá -10, tal como há quatro anos na Alemanha.
Com algum estrondo.
O somatório da diferença de golos dos terceiros classificados de cada grupo dá -10, tal como há quatro anos na Alemanha.
25/06/2010
17/06/2010
15/06/2010
14/06/2010
12/06/2010
10/06/2010
09/06/2010
A banalização do erro
Dizia um escritor que muito aprecio que a estupidez não era nova, o que era novo era a sua universalidade.
Pondo as minhas reticências à ideia que haja também algo de novo na universalidade da dita estupidez, parece-me que, a haver algo de novo, é esta multiplicação de espelhos fátuos que faz com que o erro se multiplique, se banalize e seja encarado de forma tão natural como o acerto.
O facto de se ver, de se ouvir, de se ler demasiadas vezes a mesma inconsequência racional e lógica deriva numa aceitação dessa inconsequência que a torna normal, natural.
Já aqui escrevi sobre as questões com que este mundo errático e erróneo mais me contempla.
Ou que eu nele contemplo.
Ocorreu-me isto hoje face a alguém que é de opinião que amanhã, 10 de Junho de 2010, não é quinta-feira.
E que face ao meu desacordo se barrica dizendo justamente que tem direito a ter uma opinião diferente da minha.
Não lhe nego esse direito. Alguém lho nega?
O que não acho é que seja uma coisa normal, natural. Merecedora de atenção.
Dizia um escritor que muito aprecio que a estupidez não era nova, o que era novo era a sua universalidade.
Pondo as minhas reticências à ideia que haja também algo de novo na universalidade da dita estupidez, parece-me que, a haver algo de novo, é esta multiplicação de espelhos fátuos que faz com que o erro se multiplique, se banalize e seja encarado de forma tão natural como o acerto.
O facto de se ver, de se ouvir, de se ler demasiadas vezes a mesma inconsequência racional e lógica deriva numa aceitação dessa inconsequência que a torna normal, natural.
Já aqui escrevi sobre as questões com que este mundo errático e erróneo mais me contempla.
Ou que eu nele contemplo.
Ocorreu-me isto hoje face a alguém que é de opinião que amanhã, 10 de Junho de 2010, não é quinta-feira.
E que face ao meu desacordo se barrica dizendo justamente que tem direito a ter uma opinião diferente da minha.
Não lhe nego esse direito. Alguém lho nega?
O que não acho é que seja uma coisa normal, natural. Merecedora de atenção.
08/06/2010
Zoogmatismo
Um dos meus velhos amigos referia a palavra zoogmatismo para designar a influência que um animal pudesse ter sobre outro por via do olhar.
Dizia ele que era fácil para um homem zoogmatizar uma galinha. Tal como algumas serpentes zoogmatizavam as suas presas antes da captura.
Ouve-se dizer já que é preciso agora mexer na lei da paternidade.
Até à data, dada a natureza das coisas, apenas um e um só homem podia ser pai e uma e uma só mulher podia ser mãe de uma criança.
Claro que em alguns casos, nem o pai era o pai nem a mãe era a mãe de facto. Mas a verosimilhança fazia com que assim fosse, a cada pessoa um só pai e uma só mãe.
Enquanto a Natureza continua a insistir em que o ser humano (e mais uns quantos seres) apenas possa advir da conjunção de um macho e de uma fêmea, ainda que, desde o século XX, possam nunca se ter cruzado, há já quem ache que, já que os pais (o pai, um só) afinal não são os pais e as mães (mãe, como é sabido, há só uma) não são as mães de facto – chamam a essas e esses as e os biológicos – não faz mal nenhum que uma pessoa tenha dois (por que não sete?) pais e duas (ainda que haja só uma) mães? Ou mesmo três mães e dois pais, numa generosa full-hand de cinco dedos (ou serão cem?), why not?
Retomo aqui, a propósito e inspirado no mui censurado Prof. Paulo Otero, o zoogmatismo do meu amigo.
Se zoogmatizar pode ser sinónimo de olhar, por que não ir também “modernamente” mais longe e adoptar essa palavra para designar o animal que olha, que vela por?
Por uma criança.
É ou não verdade que os animais têm dado provas de protecção e de cuidado que muitos pais não dão?
Assim sendo, que diferença faz que um cão seja mãe de uma criança ou uma cadela seja um trio de pais de outra? Não vejo que haja que discriminar nem em espécie, nem em género nem em número.
Há por aí muitos defensores acérrimos – com argumentos que eles acham razoáveis – só do que lhes interessa.
Que cada um defenda o que lhe interessa parece-me bem.
Agora que pretenda ser razoável, racional e até universal (no sentido de aberto a todas as variantes e possibilidades) na defesa dos seus interesses é que já me parece estupidez pura e dura.
Quase sempre decididos os que o fazem a proibir os argumentos e as manifestações de interesses contrários aos seus.
O que de resto faz sentido. Uma vez que os seus argumentos são demasiado frágeis.
Um dos meus velhos amigos referia a palavra zoogmatismo para designar a influência que um animal pudesse ter sobre outro por via do olhar.
Dizia ele que era fácil para um homem zoogmatizar uma galinha. Tal como algumas serpentes zoogmatizavam as suas presas antes da captura.
Ouve-se dizer já que é preciso agora mexer na lei da paternidade.
Até à data, dada a natureza das coisas, apenas um e um só homem podia ser pai e uma e uma só mulher podia ser mãe de uma criança.
Claro que em alguns casos, nem o pai era o pai nem a mãe era a mãe de facto. Mas a verosimilhança fazia com que assim fosse, a cada pessoa um só pai e uma só mãe.
Enquanto a Natureza continua a insistir em que o ser humano (e mais uns quantos seres) apenas possa advir da conjunção de um macho e de uma fêmea, ainda que, desde o século XX, possam nunca se ter cruzado, há já quem ache que, já que os pais (o pai, um só) afinal não são os pais e as mães (mãe, como é sabido, há só uma) não são as mães de facto – chamam a essas e esses as e os biológicos – não faz mal nenhum que uma pessoa tenha dois (por que não sete?) pais e duas (ainda que haja só uma) mães? Ou mesmo três mães e dois pais, numa generosa full-hand de cinco dedos (ou serão cem?), why not?
Retomo aqui, a propósito e inspirado no mui censurado Prof. Paulo Otero, o zoogmatismo do meu amigo.
Se zoogmatizar pode ser sinónimo de olhar, por que não ir também “modernamente” mais longe e adoptar essa palavra para designar o animal que olha, que vela por?
Por uma criança.
É ou não verdade que os animais têm dado provas de protecção e de cuidado que muitos pais não dão?
Assim sendo, que diferença faz que um cão seja mãe de uma criança ou uma cadela seja um trio de pais de outra? Não vejo que haja que discriminar nem em espécie, nem em género nem em número.
Há por aí muitos defensores acérrimos – com argumentos que eles acham razoáveis – só do que lhes interessa.
Que cada um defenda o que lhe interessa parece-me bem.
Agora que pretenda ser razoável, racional e até universal (no sentido de aberto a todas as variantes e possibilidades) na defesa dos seus interesses é que já me parece estupidez pura e dura.
Quase sempre decididos os que o fazem a proibir os argumentos e as manifestações de interesses contrários aos seus.
O que de resto faz sentido. Uma vez que os seus argumentos são demasiado frágeis.
Incompetência
Recordo-me, nestes últimos anos, de 2001 para cá, pelo menos de três (com este) casos similares de pessoas desaparecidas com os respectivos automóveis que apareceram mortas, ao que tudo indica vítimas de acidente.
Em relação a este último caso, da desgraçada miúda de Lamego, ocorre-me esta dúvida:
Gastou-se tempo e dinheiro com barcos e mergulhadores e mais sei lá o quê e só com recurso ao rappel, a crer nas notícias, é que se descobriu o carro, este tempo todo depois? Mesmo havendo a suspeita de que se tratava de um caso semelhante aos outros mencionados?
Não há em tudo isto, como no caso de Graça Oliva e de José d’Orey uma entranhada incompetência?
Parece-me bem que há.
Se não houvesse, é que seria de espantar.
Recordo-me, nestes últimos anos, de 2001 para cá, pelo menos de três (com este) casos similares de pessoas desaparecidas com os respectivos automóveis que apareceram mortas, ao que tudo indica vítimas de acidente.
Em relação a este último caso, da desgraçada miúda de Lamego, ocorre-me esta dúvida:
Gastou-se tempo e dinheiro com barcos e mergulhadores e mais sei lá o quê e só com recurso ao rappel, a crer nas notícias, é que se descobriu o carro, este tempo todo depois? Mesmo havendo a suspeita de que se tratava de um caso semelhante aos outros mencionados?
Não há em tudo isto, como no caso de Graça Oliva e de José d’Orey uma entranhada incompetência?
Parece-me bem que há.
Se não houvesse, é que seria de espantar.
07/06/2010
06/06/2010
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