23/09/2010

Abaixo de cão

É a única frase que me ocorre quando os vejo argumentar ou explicar o que pretendem para o futuro do país.

20/09/2010

Serena idade

Dois homens, os melhores amigos um do outro, num carro sonolento pelas estradas saloias.
O que conduz é do Sporting. O que vai no lugar do navegador é do Benfica. Têm mais de cinquenta anos e são amigos desde o pontapé na bola, na rua.
O benfiquista, que gostaria em tempos de ter sido retratado à sombra da Esfinge a ouvir o relato do Benfica, pede para ouvir música, ainda muito antes de o jogo começar.
O amigo não lhe fez a vontade e viajaram afinal ao som do relato.
Estranhando guerras de outros tempos, o sportinguista que só ouvia relatos da bola nas velhas quartas-feiras europeias, ao volante, diz que não acredita que o Sporting ganhe, logo após as primeiras sequências relatadas.
O benfiquista duvidava da equipa da Luz e do respectivo treinador.
Quando se despediram – até pr’à semana – o resultado estava já em 2-0.
Acho – tenho a certeza, como se lá tivesse estado - que nem um nem outro deram bem por isso.
Trucidado

Acabei de ver Bernardino Soares ser trucidado por Ângelo Correia, no frente-a-frente da SIC N.
Vários pontos anexos:
Sou, como já aqui disse, anti-PCP primário.
Não sou do PSD, nunca o fui.
Considero que Ângelo Correia está intelectualmente uns pontos acima de Bernardino Soares.
Lamento que a certo passo aquele, depois de ter atirado este ao tapete, tenha tido a aparente tentação de o humilhar.
Lamento que tudo isto, ou quase tudo isto, tenha sido à volta da revolução cubana.
Demografia

Alguns quadros comparativos entre o concelho de Lisboa e a média nacional.
Ainda a propósito do "Lisboa tem mulheres a mais!" que ouvi há dias.


(clicar para ampliar)

17/09/2010

HM


pictogramas de Shigeo Fukuda para a Expo 98

Singularidades de uma cidade:
Chamada a minha atenção por alguém que, por mero acaso profissional muito fora da sua área de trabalho, se dedicou há alguns anos aos números do INE, fiquei a par desta coisa que a mim agora me admirou mas que muitíssima gente está farta de saber – Lisboa tem mulheres a mais.
Em 2009, o número de mulheres por cada 100 homens apresentava este quadro nacional.
Lisboa é de facto um dos concelhos onde a desproporção é maior.
Voltarei a isto com mais quadros.


(clicar para ampliar)

15/09/2010

Lá de cima

Via-se esta imagem há duas horas atrás.
Bela e tormentosa.


imagem do IM

14/09/2010

Portela + 1



A crer nos mentideros, para a selecção de futebol irá o Portela mais um.
Perdão, não é o Portela, é aqueloutro. Ou não.

12/09/2010

A literatura dos acasos



Estarmos aqui é ou uma sucessão de acasos extraordinária ou uma inevitabilidade.
Ou qualquer outra coisa que entremeie entre uma e outra.
E já escrevi duas (com esta três) linhas sem dizer coisa alguma.

A introdução que vou fazer mostra o fruto de um acaso.
Um amigo que volta de terras de Vera Cruz com um livro interessante que julga ser do meu agrado e mo deixa, depois de o ter lido.
Um amigo (que o é, sinto-o como tal, embora o não conheça e eu não seja nada de amigos virtuais) que me pede que diga publicamente qual o livro que estou a ler.
O resto explica-se pelo Google. O autor do livro que encontra o seu nome citado por mim.
E que tem a amabilidade de me enviar um mail.

Teve mais. Teve a gentileza de me dar conta da sua próxima viagem a Portugal, onde terá participação em diversas actividades culturais e divulgará, naturalmente, o seu livro.
Eu gostei.

Vai cá estar na última quinzena deste mês de Setembro.
Amoreiras-Gare, 2008

10/09/2010

Impossibilidade

É, a juntar ao que aqui anteriormente disse, aquilo a que se convencionou chamar justiça não dar diariamente clara mostra da qualidade intelectual da esmagadora maioria dos seus integrantes.

09/09/2010

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 10

Contrapartidas

Não estou informado sobre os pormenores das contrapartidas em negócios do Estado.
Todavia, a crer nas notícias que leio e ouço aqui e ali, fico convencido de que a coisa funcionaria mais ou menos de acordo com a velha máxima, ainda que adaptada:
Só te compro uma linguiça se me comprares um porco.
Deve haver aqui qualquer equívoco. Meu, na certa.

08/09/2010

Não alteres, não


da RTP

Ainda mais estranha é a afirmação quando é frequente nestes interlúdios apontarem o significado ou significados da palavra cuja grafia não se aplica, quando ela existe.

07/09/2010

Abuso de crianças

A mim, deixam-me mal disposto os anúncios e as campanhas com crianças a papaguear a mensagem que é preciso passar.
Talvez que quando atinjam a idade do juízo, ou lá o que isso é, considerem que quem as haveria de proteger, não as protegeu do ridículo.
Dizer o óbvio

O desempenho de uma selecção nacional de futebol depende da qualidade dos jogadores e da qualidade do treinador.
Não se vai a lado nenhum com jogadores fracos ou com um treinador incompetente.
O ciclo de ocaso e esplendor aplica-se às selecções de futebol como a tudo na vida.
As grandes questões universais - episódios q+11 a q+17 (para fazer sete)

Nesta votação que decorre para eleger as sete maravilhas naturais de Portugal, ocorre-me, para além de saber o que é natural ou não e de tudo me parecer assim uma tradução para o mauzinho de uma ideia comercial, o seguinte:

11) Quem vota no Portinho da Arrábida está a votar no Parque Natural da Arrábida?
12) Quem vota no Parque Natural da Arrábida está a votar no Portinho da Arrábida?
13) Quem vota no Pontal da Carrapateira está a votar no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina?
14) Quem vota no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina está a votar no Pontal da Carrapateira?
15) Quem vota na Ponta de Sagres está a votar no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina?
16) Quem vota no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina está a votar na Ponta de Sagres?
17 e mesmo para fazer sete – que é mais um pedido) Alguém me faculta o contacto de uma pessoa racional a organizar coisas afins em Portugal?

As questões pares parecem-me respondidas pela teoria dos conjuntos – se se considera um conjunto, consideram-se todos e cada um dos seus elementos.

06/09/2010

Os espiões de Santos Silva

O ministro da Defesa é um homem com cabeça.
Pode discordar-se dele as vezes que calhar, estar em campos opostos, que isso não faz dele nem de ninguém mais incapaz.
Li a resposta que deu ao I e achando que é de uma explicitação desnecessária, não me parece que ponha em causa seja o que fôr.
Se os serviços de informações militares não recolhem informação em todos os locais onde há forças portuguesas, é estranho que o não façam.
E se o fazem...
Não li na entrevista nada que se parecesse com uma lista de nomes.
Fico sempre com a ideia de que quem bate, não sabe bem ao que vem.

05/09/2010

Anti-PCP primário

Sou um anti-PCP primário.
Poderia pôr-me aqui a dar razões a eito para tal. Passaria por deixar de ser uma coisa primária, institiva, fruto da exposição ao meio num dado intervalo de tempo.
Sou, naturalmente, incapaz de entrar numa festa do Avante.


Cartaz do PCP colado na parede da casa de família, em 1974 – Espólio Campos Vilhena – trecho de foto de MSG.
Sentido plástico


imagem na SIC N

03/09/2010

É preciso matar o cão

Para se fazer passar pelo dono.
Único cálculo que me ocorre sobre o assunto do dia

Partamos do princípio de que o acórdão de que se fala tem de facto duas mil páginas.
Pelas minhas subjectivas contas, atenta a minha velocidade média de pronunciação, obtida pela média dos quocientes entre o número de palavras guardadas em ficheiros de som e a duração dos ditos ficheiros e a média do número de palavras por página A4 de uma série arbitrariamente escolhida de ficheiros de texto, com diversos tipos e tamanhos de letra, cheguei a um valor arredondado de cento e vinte horas.
A ver o tamanho do meu erro.

Diz que hoje há bola.


Adenda ainda a tempo (cerca das 17:40): O volume de papel que surgia na tribuna, a ser o acórdão, é compatível com a ordem de grandeza anunciada – à volta de duas mil páginas.
Pelo tempo que aparentemente demorou a leitura, não deverão ter sido lidas muito mais do que cem páginas, constituindo súmula.

02/09/2010

Esbanjamento

Ele há ene parábolas sobre o investimento interno e impulsos à economia.
Colou-se-me esta por me ter sido transmitida em muito tenra idade:
Dois amigos, produtores de vinho, resolveram ir à feira com uma barrica cheia meio por meio com o vinho de cada um, vender a copo a mistura. A dez tostões o copo de três.
Estando a feira sem grande movimento, um deles disse ao outro: visto que o vinho é dos dois, e que metade portanto me pertence, toma lá cinco tostões que eu vou beber um copo, que estou cheio de sede.
Não tardou muito que o sócio pronunciasse iguais palavras, devolvesse os cinco tostões à procedência e refrescasse as goelas.
Não tendo o negócio corrido nada bem, acabaram por dar por eles (ou não dar de todo) de barrica vazia e sem mais uma cheta do que tinham à partida.

Como disse, esta parábola nunca me esqueceu. A prova aqui está.

Do muito que se supõe ser esbanjamento, despesa estúpida, gordura despesista, o que lhe quiserem chamar e já chamam, retenho aqui hoje três exemplos menores que todavia espelham bem a atitude do Estado:
Aqui no prédio onde resido, há cerca de cinco anos que um dos meus vizinhos recebe quase com frequência quinzenal na sua caixa de correio, tendo o cuidado de a colocar em local bem visível para devolução, uma carta das Finanças destinada a um certo Fulano que aqui não reside e cujo nome se pode confundir com dez mil outros. Ainda nos serviços ninguém se apercebeu da inutilidade e da burrice que é mandarem para a caixa de correio do meu vizinho tal coisa recorrentemente. Isto não custa dinheiro.
A Câmara Municipal de Sintra, para a qual contribuo como munícipe, resolveu através dos seus SMAS enviar duas vezes para cada contador de água um boletim A3 em papel acetinado onde, para além do tarifário em vigor, constam uma série de informações de preços praticados pelos laboratórios de análises à dita água, bem como de outros serviços que em nada relevam para o consumidor comum. Fê-lo com fotografias a cores e tabelas igualmente coloridas. Isto não custa dinheiro.
O serviço público denominado “Saúde 24” ofereceu uma quantidade indeterminada de bonés vermelhos com a inscrição “Saúde 24 – 808 24 24 24 – O número que o liga à saúde” na última Volta a Portugal em Bicicleta.
Poder-se-á dizer que é de toda a utilidade divulgar este número, de cujo acesso podem depender decisões de vida ou de morte. Não sei se assim é, mas dou esse desconto.
Só me pergunto se não há formas mais eficazes e difusoras de mostrar este número. E se não custam muito menos dinheiro.

Adenda ainda a tempo - A senhora Ministra da Saúde disse em tempos que a Linha Saúde 24 era uma parceria público-privado, como agora é moda dizer-se.
No site da dita linha, a custo se percebe que há por ali uma sociedade anónima. Presumo assim que a parte da despesa é toda suportada pelo sector privado. E que os bonés nada custaram ao contribuinte.

31/08/2010

Canção do Verão

No ano passado deixei aqui nota sobre o fado que me perseguiu estivalmente.
Lembrando-me dos anos em que elegia a canção do Verão.
Este ano, bombardeado que fui, em conjunto com todo os que ouvem televisão, por certa melodia, acabei por permitir que ela ficasse com esse título.
Dizia há dias que a canção até se ouvia bem mas que o massacre era insuportável.
Quem me ouvia, concordou comigo.


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'Tá de chuva


a partir dos dados de radar do IM

30/08/2010

Riantrê

Isto da riantrê é como os furacões. Uns anos ouve-se muito, outros não.
O ano passado foi farto. Este ano, tal como 2008, muito parco. A maioria conseguiu dizer rentrée sem grandes hesitações.
Mas agorinha mesmo, na RTP, lá veio.
Que saudades eu tinha!

29/08/2010

No vinte e nove, vale por nove


Espólio Campos Vilhena - Foto de MSG (já aqui publicada)

Esta foto fez hoje 54 anos.
Praia da Zambujeira, em que num dia 29 de Agosto da década seguinte, um autocarro desgovernado na descida para a praia, fez diversas vítimas.
Um destes dias, trarei esse episódio aqui.
Solos

Tremo sempre que ouço alguém do governo falar em justiça.
No caso, foi a ministra do Ambiente que dizia não ser justo que terrenos particulares sejam valorizados por investimento público. O mesmo é dizer ter estrada mais perto, rede eléctrica, água e esgoto. Ou qualquer outra coisa que faça valorizar o mesmo.
Não faço ideia de como pretende a senhora regular tal coisa, para além do IMI que já leva em conta uma série destes pressupostos.
Esqueceu-se também a senhora de mencionar os casos contrários. Em que uma intervenção do Estado, limita sem lugar a indemnização o uso do solo. Muitas das vezes de forma perfeitamente arbitrária, como é o caso de grande número de PDM e planos quejandos, serventias de rede eléctrica, etc., etc..
Será que nesses casos já é justo?

28/08/2010

Jornalismo

Acabei de ser informado, pelo jornal da SIC, que foi hoje inaugurado o primeiro troço da E.N. 351.
A percentagem de notícias em que o jornalista não faz menor ideia do que está a falar é cada vez maior.
Dicionário dos sonhos - entrada primeira

27/08/2010

Formação profissional

Numa reportagem ouvida em fundo alguém dizia que iam formar formadores num bairro de Setúbal.
Isto assim dito é exemplar da forma predominante de encarar a formação profissional nos tempos que correm em que não há lugar para mestres (numa qualquer arte) e seus aprendizes.
Há apenas formadores de formadores. Uma forma de formar formadores em formação.
A parte seguinte da reportagem, no mesmo local, era sobre consumo de cerveja.
Não ouvi a expressão Novas Oportunidades.

26/08/2010

Ao pau com os ursos



Retiro o que disse.
Caso de estudo

Este episódio dos mineiros bloqueados num fundo de mina pode ser um cadinho de imensa sabedoria sobre o Homem.
Tem havido casos sem conta de mineiros bloqueados. Mas este tem condições para ser muito à parte.

25/08/2010

Vista curta e anos-luz

Vista curta e ano-luz são coisas que pela sua definição, subjectiva num caso e objectiva noutro, implicam ainda assim ordens de grandeza muito diversas.
Custa ouvir repetir a mesma estapafúrdia lengalenga a propósito de toda e qualquer descoberta astronómica relevante – a possibilidade de existir vida extraterrestre igualinha à que aqui há.
Quando a vista é curta um centímetro torna-se um ano-luz.

24/08/2010

22/08/2010

Rolha

Os moços da RTP descobriram o que é a “rolha” (a peça ainda não está online, mas trata de quem leva a bebida para o restaurante).
Um destes dias ainda descobrem a pólvora.
Portugal, 2009

21/08/2010

Dar ares

Pertenço ao grupo dos que acham que Julia Gillard faz lembrar alguém.


imagem do site do Partido Trabalhista australiano

20/08/2010

The Few

É uma ignomínia não me lembrar da palavra dita pela mulher que ouvia passar os Spitfires.
Disse então à repórter de televisão que “só os que passaram por isto, é que sabem o conforto que este som inconfundível nos dava ao ouvi-lo”.
Da palavra que aqui traduzi por conforto. Poderia ser agasalho, sensação de protecção, ânimo, orgulho, uma soma de tudo isso, qualquer coisa que aquela mulher queria que os outros soubessem que tinha sentido ao ouvi-los.
Passam hoje setenta anos sobre o célebre discurso de Churchill.
Ao pau com os ursos



É a segunda vez em menos de um ano que escrevo isto.

18/08/2010

Áreas

Diz o senhor Ministro da Administração Interna que ardeu mais do que nuns anos e muito menos do que em outros.
A sério?

17/08/2010

Semântica

A coisa é relativamente recente.
Hoje, ouviu-se duas vezes a propósito do acidente aéreo na Colômbia insular e de um incêndio algures.
Que teriam sido causados por relâmpagos.
O trovão que os parta mais a evolução semântica.

16/08/2010

Ideia genial para acabar de vez com os incêndios em Portugal



Com os olhos postos no ícone do Comendador Marques de Correia, sinto-me vez por outra inspirado por ele.
Desta feita, qual génio da lâmpada, ou melhor génio do ícone, pois estava a limpar-lhe o pó, a iluminação:
É possível, viável e até fácil acabar com os incêndios em Portugal.
Senão vejamos:
Há um número assinalável de incêndios a começar de noite e de madrugada.
Esses fogos não se devem a outra coisa senão a intervenção humana.
Muitos deles serão ateados por quem é incendiário por natureza. Bêbedo, débil mental, feiticeiro, todas as designações com que a ciência actual brinda aqueles que se sentem atraídos pelo fogo.
Diz-se que em cada ano se detêm não sei quantos reincidentes. Este ano já ouvi falar nuns quantos que foram detidos.
Evitemos então que esta gente incendeie.
Como?
Fácil. É criar junto do mar uma zona de resort, só com materiais incombustíveis ou muito dificilmente ardentes onde nós, os contribuintes, pagaríamos umas férias forçadas e devidamente vigiadas a estas pessoas.
Fácil é ver que havendo todas as condições de conforto nesse local – que nem outra coisa seria admissível à luz dos actuais direitos humanos, nada de guantanameras nem essas coisas – todos os anos haveria gente a candidatar-se a tal vilegiatura, ateando o seu fogozito e agindo algo bizarramente a ver se pegava.
Cedo nós os contribuintes seríamos chamados a contribuir – passe a redundância – para a ampliação do dito resort, calcetando as áreas florestais anexas de onde atempadamente se removeriam as árvores para lugar mais seguro, contrariando assim a máxima interrogativa (de lógica imbatível) de um publicitário do passado recente que punha na voz de um conhecido actor esta pérola “Se elas [as árvores] andassem, como é que tinhas sombra?”.
Ano após ano, garanto-vos, o resort cresceria e o número de incêndios acabaria por entrar em derivada negativa depois de um crescimento exponencial.
Tenderia para zero, é claro.
Com alguma sorte ficaríamos todos de férias à beira-mar, à pala dos contribuintes. Ainda que rotulados de bêbedos, débeis mentais, feiticeiros e outros epítetos com que a a ciência actual qualifica os que se sentem atraídos pelo fogo e o desencadeiam.
Sopram-me aqui que os contribuintes somos todos nós – um disparate, sei-o eu, apesar de o ter escrito ali em cima - e que este raciocínio que eu reputo de brilhante é, afinal, um somatório de asneiras igualzinho ao dos tontinhos idealistas que traçam cenários, fazendo variar uma só variável. Uma falácia.
Vou agora arredar o ícone do Comendador para ir ao dicionário ver o que é uma falácia. Já volto.

12/08/2010

Jornalismo científico

Ou, como é costume, não ter a menor ideia do que se está a dizer.
Enganei-me. Não é ciência científica, é ciência de mercearia.
Menos ainda, são contas de dividir. Uma coisa tão simples como o preço da água.
Na TVI 24, há pouco, uma voz feminina anunciava que o preço de litro e meio de água andava à volta de um euro, se esta fosse engarrafada. Anda pois, para cima ou para baixo, dependendo do sítio onde se compra.
E disse, comparando, que já a mesma quantidade de água da torneira custava menos de 25 cêntimos.
Também é verdade, custa menos de 25 cêntimos.
Só não vejo a que propósito vêm os 25 cêntimos. Também custa menos de 5 euros e também custa menos de 1 cêntimo, já com tudo incluído, mesmo nas localidades onde a água é mais cara, suponho.
Isto para parar no valor facial mais baixo da moeda circulante.
No meu caso, litro e meio de água custa-me cerca de 0,0018 €. Ou menos de 1/5 de cêntimo.
Onde é que ela, a voz feminina, terá ido buscar os 25 cêntimos?
Nos sapatos do fotógrafo enquanto (não tanto) jovem (cena 6)



Alcácer do Sal

11/08/2010

O fogo

O fogo é daqueles assuntos que já não tem assunto.
Passe a tragédia das mortes. Que essa também não é matéria para este tipo de escrutínio.
Ainda assim, gostaria de ouvir os tontinhos com responsabilidades que tanto andaram a dizer que o sistema montado era eficaz, sendo essa a razão pela qual tinha havido menos área ardida nos últimos anos, etc....
Há depois algo mais a que voltarei um destes dias. Para um assunto que já não tem assunto...

10/08/2010

De fora parte



Com atraso em relação à relativa promessa, aqui vai o link para a colecção de cromos roubados ao Google.
Numa altura em que a street view do dito está a ser questionada por cá.
Estamos então numa base de ladrão que rouba a ladrão. Mal comparado.
Quem é alheio a esta recolha pirata é Fernando Vilela, que mandou uma legítima foto de uma placa toponímica que mais uma vez agradeço.
A colecção ainda está em acabamentos. Faltam 100 cromos, arranjar as páginas mensais e dar outro aspecto à página de entrada.
Claro que a ideia é trocar as fotos do Google por fotos legítimas.
Incondicional

Sou um admirador incondicional dos bombeiros.
Esta coisa de morrerem a combater o fogo...


imagem daqui

Heróis facilmente esquecidos como os de 1966 em Sintra, que eram afinal soldados. Os de 1985 em Armamar e 1986 em Águeda, os de 2006 em Famalicão da Serra. E tantos, tantos outros. Que é sempre mais fácil relembrarmos as tragédias colectivas.

09/08/2010

Exemplo dos tempos

Um excelente exemplo das características irracionais dos tempos que correm é a novela telejornalística global à volta das pedras que deram à senhorita Campbell.
Sem qualquer tipo de conteúdo mas susceptível de ser escrutinada no Tribunal da Haia.
Aparentemente para que se faça prova testemunhal algo enviezada de que Charles Taylor conhecia e detinha diamantes em bruto.
Isto leva a algum lado?
Assim como assim, novela por novela, a do C. sempre teve mais piada.
Não há memória

Desta feita, concorro com os saltimbancos das novas e com os arautos da desgraça.
Não tenho memória de ter feito uma leitura tal aqui neste meu escritório de trabalho desde finais de 2002, quando para aqui vim.
A noite quase sem arrefecimento aqui por estas bandas prenunciava já algo assim.
Não fosse eu maçã do Baixo Alentejo e não haveria condições, parafraseando o ilustre Comendador Marques de Correia.

Anomalia

A isto chamo eu anomalia.


gráfico do IM

Em outras estações há variações curiosas.
Espanha, 2010

08/08/2010

Travoada

Primeiro, vi as nuvens.
Cheirou-me a trovoada lá para as minhas bandas.
Fui espreitar e nada. Pouco depois, voltei lá e vi um só raio sobre todo o território continental.
Onde teria caído o bicho?
Estava capaz de apostar que foi na linha Sines – Ferreira. Já depois das Ermidas.

Já passam de duzentas



As ruas "roubadas" ao Google.

07/08/2010

Pérolas (de autor, como agora se diz)

"A ponte Áifel (de Viana do Castelo) deve o nome ao construtor da famosa torre Êifel."
Cito assim de memória um dos comentadores da Volta a Portugal em bicicleta na RTP.
O que conta é a forma como o mesmíssimo nome foi pronunciado de duas maneiras diferentes numa frase curta.
Sem que a intenção fosse mesmo essa.

Uma nota ainda sobre a péssima sinalização e guarnição do percurso este ano.
Desde carros que aparecem a circular entre os ciclistas. Por acaso no mesmo sentido.
Até aos sucessivos enganos de trajecto suscitados aos corredores.

Os comentadores permanecem a anedota do costume, é claro.

06/08/2010

Ruas com dias



Passado pouco tempo de me ter deitado, vai para ano e tal, à tarefa de coleccionar fotografias de placas toponímicas com datas, tropecei nesta página que inventaria os dias de um ano inteiro pelo mundo fora.
Nota-se uma preponderância de países latinos, europeus e americanos.
Com a oferta de Fernando Vilela, aqui há dias, veio à cabeça outra ideia disparatada – fazer uma colecção ecuménica, exceptuando agora as placas em português.
Para já, o único cromo legítimo é o que Fernando Vilela gentilmente entregou para a colecção.
Há depois uns quantos – muitos – sacados ao Google Street View.
Espera-se que cada um deles seja substituído por uma fotografia a sério.
Vai levar tempo.
A colecção deve ficar acessível este fim-de-semana.

05/08/2010

Escol

Faz amanhã 44 anos que uma vasta equipa dirigida por estes homens entregou ao serviço do país uma notável obra de engenharia.
Fê-lo com seis meses de... avanço em relação ao prazo previsto.


in Magazine da Morrison-Knudsen Company, Inc., Novembro de 1964
(em clicando, verão ampliado e legendado)

04/08/2010

Rien se perd, rien ne se crée, tout se transforme

Talvez se trate de uma questão de conforto espititual.
Vi hoje uma apresentação na Casa Branca de um gráfico em tarte que traduziria a frase “Where did the oil go?



A ferramenta que gerou este gráfico é referida na comunicação respectiva.
Deve tratar-se de uma questão de conforto espiritual, como disse.
Mesmo como arma de arremesso jurídica, suponho o seu valor pouco maior do que nulo.
Que tipo de ciência será esta?

03/08/2010

Impossibilidade

É alguém do aparelho daquilo a que se chama a justiça dizer alguma coisa que faça sentido.
Não se pode pois estranhar a quantidade de dislates com que temos sido brindados nestes últimos dias.
Haverá por ali escondido alguém que saiba alinhar duas ideias? E que me desdiga.

02/08/2010

Alcácer do Sal, 2010

Educação

Vamos querer até que haja uma aprendizagem efectiva” – pouco importa que esta frase seja retirada do contexto. Vale por si e a menos que houvesse da minha parte uma inversão do seu sentido, tivesse ela sido dita num contexto semelhante ao deste post, está bem patente o que quer dizer.
A frase, para quem esteja mais desatento, foi proferida pela Ministra da Educação a propósito do caso da eliminação das reprovações.
Passo por cima do caso principal por achar que não me merece para já grande atenção.
Atento apenas na frase.
Diz portanto a senhora ministra que vamos querer até.
A preposição até diz-nos que a querença ultrapassará as expectativas vulgares.
E quais são essas expectativas? Não sabemos. Apenas que estão abaixo de que haja uma aprendizagem efectiva. Mais simplesmente, que estão abaixo de que se aprenda na escola.
Não ignoro que nem sempre os sistemas educativos estão destinados a dar instrução ao povo.
Talvez sejam mais os casos em que não estão do que os que para isso são montados.
A questão aqui é que esta frase é uma assunção de que o nosso sistema não está virado para uma aprendizagem efectiva. Está virado para qualquer outra coisa.

Na minha opinião, um sistema educativo ou instrutivo deve adequar-se ao modelo social e à realidade. Creio mesmo que qualquer sistema desadequado à realidade...
Na minha valorização das coisas, estou atento ao lugar comum, imemorial e óbvio da cultura em terra produtiva e do abandono das terras inférteis. Ainda que se possa elaborar sobre os limites da infertilidade.
Atentando a tal, julgo que uma sociedade deverá saber identificar os seus melhores em cada campo e aproveitá-los como tal.
Nem toda a gente serve para pensar. Terá algum tipo de interesse para o colectivo e para o indivíduo que com ele se percam tempo e energias a tentá-lo fazer usar a cabeça?
Enquanto isso há, perdida numa aldeia do interior, sem meios, uma criança notável que só não dará um contributo precioso à nossa organização futura se não lhe dermos a hipótese de o fazer.
Essa criança está condenada ao subaproveitamento num sistema que se entretém a nivelar por baixo. Ficará inevitavelmente uns degraus acima dos seus pares mas nunca dará o que poderia dar.
Se é isso que queremos, ter um rebanho controlável e pouco reivindicativo, o caminho não está mal lançado.
Temos que contar é que, rebanho à parte, estamos a perder, a desperdiçar os nossos melhores. Tantos mais desperdiçaremos quantas mais faixas sociais deixarmos ao abandono.
E que para o lugar deles, irão os incapazes com meios. Como podemos verificar já, olhando à nossa volta. Incapazes com I grande.
Um caminho para baixo. Sempre para baixo.

A menos que esta frase “Vamos querer até que haja uma aprendizagem efectiva” seja uma espécie de revelação. De apocalipse.
Alguém acredita nisso?

Errata: claro que até nesta frase não é preposição, é advérbio.