19/04/2011

Eu, o mouro, e o ataque de Asma

O presidente da Síria era minha companhia frequente no tempo em que eu era presença assídua no Campo Pequeno e em outras arenas do país.
Todos nós no sul temos um amigo mais velho que poderia ser um dos tais imaginários sósias de Saddam Hussein.
Tal como o já aqui referido primeiro-ministro da Palestina (da parte da faixa de Gaza) nos surge na cara de uns quantos companheiros de petisco.
Todos eles confirmam a nossa proximidade genética com os povos do Mediterrâneo e do Médio Oriente.
Isso e muito mais faz-me suspirar por (de?) Asma, pelo seu destino. Nestes tempos conturbados dentro e fora das portas de Damasco. À revelia do tal companheiro de tauromaquias. Ou, a bem dizer, do seu sósia damasceno.
Pontaria

Arnesto Volante, o homem que "faz pontaria às lições dos adágios populares numa barraca de feira. Na secreta esperança de se emborrachar com eduardino."

18/04/2011

Tempo brusco

Não sei exactamente a que se refere o Borda d'Água quando anuncia tempo brusco.
Para mim, é a designação adequada a um dia como o de hoje, aqui na zona.
Em que se passou do céu pouco nublado, à neblina, ao céu encoberto, à trovoada e aos aguaceiros fortes.
A noção de que este ano hídrico tem sido especialmente pródigo em dias que tais é naturalmente subjectiva, tão sujeita a erro como pouco apurável.
Mas é a noção que tenho.

17/04/2011

2011

É claro que não há grande razão para associar tiros nos pés à figura do Urtigão.
Ainda assim aqui fica o ano português de 2011, em versão revista e enquadrada.


© Walt Disney Productions, obtida aqui (e adaptada às circunstâncias).

15/04/2011

Dom José Policarpo

Avisadas as palavras que ouço neste momento da sua boca.

14/04/2011

É desta*



E eu aqui a sofrer por lampiões e bracarenses. Pelo Porto nem foi preciso.

* respondendo a mim próprio
Líbia

Agora já acredito que quem decidiu os ataques à Líbia saiba mais do que eu do que por lá se passa.
Portantes...

Algumas apostas:
A mês e pouco de vista - A equipa que eliminar o Porto ganha a Liga Europa (agora é fácil). Não havendo equipa que o consiga...
A pouco mais de meio ano de vista - O número de furacões de grau maior ou igual a 3 no Atlântico vai ser este ano superior ao do ano passado. Considerando os dados da NOAA.
A dez anos de vista - No censo de 2021 (esperando estar cá para confirmar) a população residente vai baixar em relação a 2011.
Dediquemo-nos pois à bola

À tal que foi feita para as televisões e por isso se chamou Telstar.

12/04/2011

Ю́рий Алексе́евич Гага́рин


imagem daqui

Um marco na História.
Que é de uma importância que hoje é menosprezada.
Tiros nos pés


© Walt Disney Productions, obtida aqui.

Na sequência do que aqui opinei há dias, reforço, com os mais recentes sinais, a convicção de que os dois partidos-espelho prosseguem alegremente uma saraivada de tiros nos pés, julgando que alvejam o adversário.
Até que ponto isso terá alguma repercussão nos resultados eleitorais é a velha questão irrespondível.

11/04/2011

Relapsão

A qualidade de uma tradução do inglês pode, hoje em dia, aferir-se apenas pela quantidade de actualmentes e eventualmentes presentes na dita.


in Wikipedia

09/04/2011

Licenciados de quinta categoria

Uma das muitas coisas péssimas que caracteriza bem estes tempos é o desnorte na educação.
Já aqui escrevi sobre os licenciados de segunda.
Trago agora um exemplo “exemplar”. Que não deve ir além da quinta categoria.
No meu tempo, só se conseguia atingir o sétimo ano de praia. Mais do que isso, por muito que fosse, não contava para bingo.
Talvez eu me inscreva neste curso e faça um Erasmo não em Roterdão mas nas Índias Ocidentais.
Duvido que, burro velho que sou, ainda aprenda línguas. Mas sempre molho os pés.
Afastamento

Na minha opinião, há muito que não se percebia um divórcio tão grande entre a realidade e o discurso político.
Nos partidos que governaram, a coisa limita-se à culpa ser dos outros. E as soluções, como se percebe, hão-de vir de fora. A toque de caixa.
Nos outros, é um desfilar de declarações poéticas e utópicas, nas quais no final a dama casa com o cavalo.
É nisto que estamos.
93 anos depois de a tal Alemanha nos ter inflingido uma pesada derrota.


imagem de La Bataille de la Lys
1918 - l'assaut allemand dans les Flandres

08/04/2011

XXX

Trinta anos de reinado.
Há trinta anos, o dia estava soalheiro e quente.
Dois dias depois, chovia a cântaros.

07/04/2011

Já buberam a pipa*



Em todo o lado se ouve, já sem ser em surdina, que seria preciso mandar uns quantos ao mar.
Ou que seria necessário reinventar o Dente d’Ouro.
Um dos meus velhos amigos que há mais de uma década advoga uma cavalgada com reiunas fica agora sem palavras ao ouvir as propostas dos que até aqui se mantinham calmos.
Em 75, havia uma facção que queria exterminar outra. Hoje há uma quase unanimidade.
A questão nem é com os tristes cabeças de cartaz. É com os tais salteadores do pinhal da Azambuja.
Com esses na feira, não seria necessária grande bebedeira para os nossos sócios verem a pipa chegar ao fim.
Disse.

*Referência a uma entrada onde há meia dúzia de anos se falava da malga e do Estado.

06/04/2011

Aromas primaveris

Hoje o aroma matinal era uma mistura de estarreja e mitrena.
Fenómeno que ocorre um a dois dias por ano.
O contraste com o ar perto dos correios era fragrante. Cheirava ali a barcelona.

05/04/2011

Entre INTOL e TASIL*

Surpreende-me o empenho dos franceses e o seu para já sucesso parcial no resgate do que resta do Airbus que se despenhou no Atlântico em 1 de Junho de 2009.
Não foi tarefa fácil.
Nos tempos vertiginosos e sem rumo que ora correm, é ainda mais notável que o tenham conseguido.


fotografia do Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la sécurité de l'aviation civile (BEA)
*INTOL foi o último ponto de navegação confirmadamente ultrapassado pelo avião. TASIL foi o ponto de navegação para o qual já não houve estimativa de passagem.
Bonita imagem


imagem de satélite do site do IM, às 8:00 de 5 de Abril

04/04/2011

Notícias da bola

Desde Setembro, da 6ª jornada, que se sabia que o Porto seria campeão nacional de futebol.
O que escrevi aqui em Novembro é o que me ocorre agora. Nem menos um ponto nem mais uma linha.

02/04/2011

Era capaz de ser verdade

Nunca me dediquei muito à psicologia de massas nem à génese da trapaça.
O pouco que atentei nisso levou-me a concluir o mesmo que toda a gente: que uma boa trapaça carece de uma boa manobra de diversão ou de bom trabalho de preparação do terreno.
A preparação estava mais do que bem feita, estava em curso há décadas, a apurar em lume brando.
Foi o que me ocorreu quando ouvi num canal de televisão que a Estradas de Portugal S.A.* ia pagar uns milhares de euros para ver borradas as trincheiras da CRIL.
Que era capaz de ser verdade.

* o facto de a Estradas de Portugal ser uma sociedade anónima detida integralmente pelo Estado é eloquente.

01/04/2011

30/03/2011

Bordalo

Depois de Rafael Bordalo Pinheiro ter desenhado a Porca, não foi preciso acrescentar um ponto.
Aqui chegados, mais de um século depois, e dado que o porco é agora considerado um animal com elevado índice intelectual enquanto o boi, ou por desconhecimento meu ou por desinteresse científico, está por catalogar, sugeria a suprema iconoclastia de trocar os porcos por bois*, boys em inglês técnico, e colocar em fundo um palácio, qualquer que ele seja, embora pela denominação que ostenta me incline para um que há ali em Coina, perto da E.N. 10-3.
É que entre cupidez e estupidez, vejo que a segunda é muito mais responsável pelo estado a que chegámos do que a primeira.
E continuará a sê-lo, enquanto estiver mal calibrada a avaliação dos intelectos.
Não faltam os boys que são tomados por seres pensantes.

* Haverá uma palavra em inglês técnico que signifique bezerro?
Não vejo necessidade de trocar a porca por uma vaca.

29/03/2011

Sismo


com base em mapa e dados do IM

Há aqui qualquer coisa trocada ou uma impensável coincidência.
Às 14:45 no meu relógio senti um ligeiro estremeção. Que se repetiu às 15:02.
Verifiquei que às 14:45 TMG (15:45 de Lisboa) tinha havido um sismo no local assinalado.
Como não é a primeira nem a segunda vez que detecto sismos que são considerados oficialmente “não sentidos” julgo que se trata do mesmíssimo fenómeno e há um erro algures.
Se não é, é uma coincidência muito bizarra.

28/03/2011

As grandes questões universais - episódio q+18

Qual será a percentagem de votos a partir da qual a generalidade dos jornalistas considera que um partido ou uma coligação de partidos obtém maioria absoluta no parlamento?

27/03/2011

Passos Coelho

Não gostei de ouvir que vai mais depressa aumentar os impostos sobre o consumo de que cortar em pensões já degradadas.
Não gostei porque não vejo a inevitabilidade de ter que escolher entre uma coisa e outra.
É claro que aumentar os impostos sobre o consumo representa uma incidência que vai muito para além das pessoas com pensões degradadas. Toca a todos.
Não gostei porque tal afirmação revela um desconhecimento da relação entre aumentos de impostos sobre o consumo e degradação de pensões.
Resumindo, a haver de facto uma inevitabilidade de ter que escolher entre uma coisa e outra, seria necessário pesar bem a diferença, no bolso dos afectados, entre cortar uma determinada percentagem nas pensões e aumentar as taxas do IVA numa outra percentagem a determinar.
Portanto, não é coisa que se diga assim ligeiramente. Até porque não faz muito sentido.
Em resumo, não gostei.
A somar a isto, há a medida simbólica.
Suspender a avaliação dos professores é a primeira medida de um proto-governo, em coligação alargada. A tal dita medida simbólica.
Não posso dizer que é disparatada porque a minha opinião sobre o assunto vai mais ou menos de acordo com ela.
É é tomada a destempo. E, claro, com prazo de validade semelhante ao da maioria das grandes medidas simbólicas.
Não é grande augúrio.

26/03/2011

Oxford - Cambridge

Desde que me lembro sou um oxfordista. Pela exacta razão de que se é por uns e não por outros.
E não me recordo de ter visto Oxford ter dado uma abada tão grande a Cambridge como hoje.
Nem deu para ver quantos comprimentos foram.
Pelo menos uma coisa a animar-me.


imagem da BBC
A moeda única


verso incluído a posteriori

25/03/2011

A moeda única

A moeda única (da sorte) foi (é; será) a primeira moeda que o Tio Patinhas ganhou na vida.
Venderam-me, em tempo, esta como se fosse a tal.
Como se a a moeda única (a primeira moeda que o Tio Patinhas ganhou na vida) pudesse ter a sua efígie no anverso.


roubei a moeda aqui, que não encontrei a minha

23/03/2011

Censo

Noto que o algoritmo do Censo de 2011 assume que um progenitor do sexo feminino só pode ser mãe e um do sexo masculino só pode ser pai.
Temo que este algoritmo e quem o construiu sejam alvo de um processo judicial.
Noto ainda que o acesso é lentinho. A tal questão do subdimensionamento.
Estou informado

O mesmo ministro das Finanças acaba de nos dizer que lá de fora nos informam de que não podemos continuar a viver acima das nossas posses.
Descobriu-se, pois, a pólvora. Hélas!
Pangloss abandonou a cena.

22/03/2011

Entre baites e bitaites

Ouvi hoje o ministro das Finanças dizer que, caso o governo se encontrar demissionário, acompanhará naturalmente a demissão.
Esta rotunda lapalissada, a mim que sou pouco dado a subtilezas diplomáticas cheira-me a mais qualquer coisa.
Mas também pode não querer dizer pescoço. Só que o homem se trocou todo, mais uma vez.

21/03/2011

Senso

Foi o censo de 2001 que me informou de que eu já não contava.
Com base nessa informação, agi em conformidade fazendo acertar a realidade com o censo e com o senso.

Deste censo de 2011 rasguei a folha e fiquei com a parte que realmente interessa.

20/03/2011

Cirenaica

Isto é apenas uma sensação. Não passa disso.
Mas é uma sensação que me diz que quem decidiu os ataques à Líbia sabe pouco mais do que eu do que lá se passa, pouco mais do que dizem as cadeias internacionais de televisão.
Kadhafi está a pagar agora pelos pecados antigos. É o que me parece.


imagens da AFP (colhida aqui) e da televisão líbia, via BBC

19/03/2011

A minha vila

A minha vila tem abraços à porta e, como o tempo é inexorável, cada vez mais dos meus lá dentro.

17/03/2011

Bola

Será que é desta que vai haver um jogo europeu entre duas equipas portuguesas?
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença terceira

Não digas piadas, não ofereças prendas a amigos cujas passagens recentes desconheces.

16/03/2011

Era pós-socrática

Não tenho nada contra o cidadão José Sócrates. Não é pessoa com a qual alguma vez me tenha cruzado, que me lembre.
Admiro-lhe até a determinação, a obstinação.
Tenho sim contra o facto de ocupar o cargo de primeiro-ministro. Acho deplorável que alguém que dá provas intelectuais do calibre das que ele dá, como por exemplo, de entre muitos, uma já aqui mencionada, seja o primeiro responsável pela governação de Portugal.
Perdemos todos com isso. E ao escrever todos, incluo naturalmente o Partido Socialista.
Não sei o que nos reserva o futuro e tenho consciência de que o seu efémero antecessor era de um calibre idêntico.
Apesar de me parecer que Passos Coelho está intelectualmente muitos furos acima de ambos, noto que o problema com que nos debatemos excede o cargo.
Por isso ilibo em parte o actual primeiro-ministro.
Em parte, porque o problema é de regime. Da quantidade de inúteis instalados que gerou. Da quantidade de recursos que desperdiçou. Entre muitas outras coisas.
Em parte dessa parte o condeno, porque também ele faz parte do regime. Tal como, até ver, faz Passos Coelho. E muita da fancaria de que este se faz acompanhar.
Não faço ideia de quando começará a era pós-socrática. Nem do que acontecerá ao mundo exterior entretanto.
A única coisa que sei é que partiremos em grande desvantagem para o próximo desafio.

14/03/2011

Carroceiros

Um carroceiro que atira pedras para uma auto-estrada não é um carroceiro, é um homicida em potência.
Mesmo que ele não saiba disso.
Afectos

Talvez uma taful chancelerina em plástico, à escala 1:16, não ficasse mal de todo na mesinha de cabeceira.
Esqueçamos pois o Cristo-Rei.

13/03/2011

Energia atómica

O caso corrente pode dar trunfos novos aos defensores da produção de energia em centrais nucleares. Quanto à sua efectiva segurança, não haja no fim danos de monta.
O que é duvidoso é que haja propaganda suficiente para tais argumentos.

12/03/2011

Fundações

E dou comigo a cogitar se apoios móveis em fundações anti-sísmicas não terão, face ao tsunami e aos esforços laterais por este introduzidos, sido um factor negativo.
Um descontentamento descontente*

O descontentamento tem tendência a agregar-se.
Descontentamentos com matérias tão diversas como o mau feitio da mulher, a fraca qualidade do vinho, o preço dos cigarros, os buracos da estrada, a falta de chuva convergem na taberna.
Descontentamentos outros convergem na baderna.
Sendo eu um perigoso relativista, apesar de não gostar nem de badernas nem de berros, tenho lá as minhas badernas afilhadas e os meus berros protegidos.



Se acaso eu fosse participar** na baderna de hoje por duas razões seria: para pedir aos capazes que não virem as costas ao país e para pedir a todos que deixem de exigir e que metam mãos à obra. Como estes pedidos não são uma coisa lá muito baderneira logo não vou.
Nestes dois pedidos está implícito o chuto no cu dos bois que olham para o palácio, a prisão dos salteadores do pinhal da Azambuja e o mandado para casa, para que dêem afinal de comer às galinhas, aos mentecaptos que capitaneiam o rebanho que somos. Coisas que a mim me parecem ao nível de um “sejamos realistas, exijamos o impossível!”, e por isso, em contradição com o parágrafo anterior, algo baderneiras.
Contradição por contradição, verifico que, afinal de contas, a minha geração é a que está montada no cavalinho do poder.
Não me orgulho dos seus representantes.

* Desculpai, Luiz Vaz!
** por isso aqui figura um autocolante da “Minha Campanha”.

11/03/2011

Energia

Este quadro refere-se a uma estimativa de energia libertada por sismos de magnitude igual ou superior a 8.
Só se referindo a esses, despreza com erro considerável a energia libertada por sismos de menor grau.
Ainda assim, dá uma ideia do que parecem ser dois picos de actividade - o das décadas de 50/60 e o que se inicia em 2004 e no qual estamos.

10/03/2011

Nos sapatos do fotógrafo enquanto jovem (cena 7)


Lisboa, Rua de Barros Queirós

09/03/2011

Profecias


Acácio Sinistro Salgado escreve em desacordo com uma grafia diacrónica

07/03/2011

Um quarto de século, de cabo a cabo


sobre carta do Instituto Hidrográfico

06/03/2011

Caracol


21:00 de 6 Mar. 2011
(combinação de carta sinóptica de previsão e imagem de satélite das páginas do IM)
Turner ou uma visão de Mombaim



Aqui a ver umas imagens na BBC de um fogo num dos bairros miseráveis de Mombaim quando, numa delas, me pareceu ver o pincel de Turner. Ou de outro que com ele pudesse ser confundido.
O resto foi uma utilização do ACD FotoCanvas, que é o programa a que há muito me afiz.
E, claro, a grande questão continua no ar.

05/03/2011

Espólio (31)


espólio Campos Vilhena, foto de MSS

Por estradas da ilha da Madeira, em 1951.

04/03/2011

Entre-os-Rios


Fotografia da JAE em capa de livreto (seta minha).

Não há muitos qualificativos para descrever um caso em que morreram cinquenta e nove pessoas, de mais de metade das quais provavelmente nunca mais se verá o corpo.
Já foi sobre o assunto e as suas causas dita muita coisa.
Direi que tudo se resumiu à nossa incúria nacional que só a espaços é contrariada. Foi-o curiosamente, no caso das pontes, durante muitos anos.
Direi que para tudo contribuiu a nossa desorganização nacional que só de vez em quando é posta na ordem. Desorganização que levou ao ponto de se ter agora lá duas pontes em vez de uma. Como se os mortos fossem ressarcidos por tal.
Direi ainda que para o desfecho não vejo que se possa esquecer o desmembramento então recente da J.A.E. e as consequências que tal desmembramento (foi de facto uma extinção) acarretou.

Nessa noite de domingo, já estava em modo rádio para acalentar o sono quando a notícia saiu do aparelho como uma mera informação de trânsito.
Levantei-me da cama e fui ver o que diziam as televisões – a SIC N era muito recente, tinha menos de dois meses – e lá tive uma noção do que tinha sucedido.
E com essa noção, uma estranha sensação me percorreu. Coisa pessoal e intransmissível.

Jorge Coelho, goste-se ou não da personagem, ache-se o que se achar sobre a sua capacidade, era provavelmente o menos responsável pelo que aconteceu. Mas era o que estava na altura em funções. Fez o que devia.
Da cópia de asneiras que se disse então, começando por aqueles que sabiam que a ponte ia cair, não vale a pena falar.

Único mapa que conheci que mostrava a ausência da ponte:


© Guia Turístico do Norte, 2002

01/03/2011

Doutores

Já aqui escrevi sobre os licenciados de segunda, de terceira e de quarta classe.
Toda a gente sabe que há ene cursos em que a exigência intelectual dos discentes está abaixo da média de qualquer paragem de autocarro em dia de chuva.
Donde, não espanta que uma licenciatura em qualquer bizarria não conduza a nada. A emprego algum, a utilidade alguma.
Faz-se em certa escola um curso que para nada serve. Admitem-se alunos incapazes de juntar duas ideias. E depois espera-se que haja emprego para todos.
No mundo de doidos em que vivemos ainda há cursos que propiciam trabalho adequado a todos os que os concluem.
Não formam é imbecis.

27/02/2011

Treze anos depois

Aquilo a que alguns insistem em chamar justiça não pode, não consegue, passar uma semana sem nos dar a ideia de que não há uma única célula pensante em grande parte do organismo que lhe dá corpo.
Será possível que ainda toque mais fundo?

26/02/2011

Três em um

Já não sei o que diga sobre o Sporting.
De repente, onde havia três pessoas a trabalhar – Couceiro, Costinha e Paulo Sérgio – há uma só. Aquela que disse que não iria treinar o Sporting. Está a fazê-lo, ainda que interinamente.
Em três dias, comunica à CMVM uma coisa e o seu contrário.
É melhor evitar o assunto, doravante.
Salários

Uma das razões aduzidas para pagarmos copiosos salários aos funcionários superiores das empresas públicas e afins é a de só assim conseguirem elas atrair os melhores quadros.
Como perguntaria o labrego à mulher que pintava os olhos: “Então por que é que não atraem?”
Por que é que há por lá tanta mediocridade encartada?

25/02/2011

Esta rua não existe



Ao contrário de outras.
Ele também há as ruas projectadas. Que do projecto passaram à existência, mas não lograram ser existentes.

24/02/2011

Encenador


imagens da AFP (colhida aqui) e da televisão líbia, via BBC

Há qualquer coisa de verdadeiramente excepcional nos enquadramentos em que Kadhafi fez as suas últimas declarações.
Quer as da porta da camioneta1, de chapéu de chuva aberto, quer as do palácio bombardeado em que aparecia no centro alto.
Quero crer que quer na primeira circunstância por mero acaso, quer na segunda, mais por simbolismo que por encenação, com uma grande dose de improviso cenográfico, tudo resultou de forma a transmitir, pelo menos a mim, uma expressão plástica de fino recorte.

Numa altura em que a imolação de um pobre desonrado parece ter acendido um rastilho ligado a variados barris de pólvora – há quem os diga de petróleo – custa-me mais do que nunca ouvir os que têm explicações para a História e os que sabem exactamente o que vai acontecer a seguir.

Quantos mortos fez uma certa bela disparada em Sarajevo, vai para cem anos?

1 alertado por Luís Bonifácio, verifiquei que era um rotundo disparate chamar camioneta a um carrinho de golfe. A chave encontrei-a aqui.

23/02/2011

O número de eleitor



Foi dito que o número de eleitor deixará de existir.
Que a haver um número necessário à organização dos cadernos eleitorais e assembleias de voto esse número será o actual número de identificação civil (o do B.I. ou do C.C.).
Parece-me uma medida acertada.

Não sou capaz de julgar a necessidade que houve de criar aquele número, a seguir à revolução de 74.
O que se pode dizer é que funcionou bem.
E só quando começou a trapalhada da sua suposta eliminação é que deixou de funcionar. Por alguém ter convencido as pessoas que deixava de ser necessário ou até ter decidido, segundo algumas vozes, inutilizado o cartão de eleitor de pessoas que obtinham o cartão de cidadão.
Portanto, o número de eleitor (com cartão ou sem cartão) funcionou bem até que o eliminaram, na intenção ou no acto.

É claro que o número do B.I. é mais do que suficiente para encaminhar as pessoas para uma assembleia de voto.
É até muito simples criar uma regra expedita facilmente assimilável por toda a gente. E que funcione bem com a ordinária actualização dos cadernos eleitorais, permitindo que a esmagadora maioria dos eleitores não mude de mesa de voto, desde que não mude de residência. Que haja até menos gente a mudar de mesa do que com o sistema actual.
É à espera do que vai sair destas cabeças que estou agora.
Depois do que se passou nos últimos actos eleitorais e do facto de se ter percebido que nem quem tinha responsabilidades percebeu o que de facto aconteceu, não espero grande coisa.
A frase “ficando os cadernos eleitorais de cada assembleia de voto organizados segundo a ordem deste número [de identificação civil]” que aqui se pode ler, também não me inspira confiança alguma.

22/02/2011

Nos antípodas dos sismos de Christchurch, uma vez mais


Mapa do IGN de Espanha, dados do USGS dos EUA

um pouco mais a sul a zona dos epicentros, desta vez.

20/02/2011

À segunda, todos acertam

Amanhã de manhã, é ler os jornais para saber o resultado do Sporting – Benfica.

19/02/2011

Os simples

Os simples reclamavam que a GNR os não impedira, sequer os prevenira antes de atravessarem um lençol de água.
Uns achavam que por terem tracção às quatro rodas...
Outros reclamavam que os bombeiros não iam ajudá-los depois a tirar os carros, assim que se afogavam.
Diz o meu velho J.d’ que é de facto muito difícil educar um povo...

17/02/2011

Taça UEFA

Nas meias-finais de 2003 as probabilidades de duas equipas portuguesas se defrontarem eram de 1:4 (simplificando as probabilidades a 50% para cada lado em cada eliminatória).
Nunca antes tinham, me parece, ido tão alto. É coisa para se verificar no histórico.
Este ano, a probabilidade não é despicienda.
Mas anda longe do 1:4 dessa época.

adenda ainda a tempo: contas feitas em cima do joelho, anda por 1:7.

16/02/2011

E não a levam presa

Diz que o Tribunal da Relação suspendeu a pena de prisão da mulher que matou duas pessoas no Terreiro do Paço em circunstâncias extraordinárias de condução.
Diz que a mulher é psicóloga.
Diz que argumentou que o carro pareceu ganhar “vida própria” e que não sabia justificar o que aconteceu.
Dizem as fotografias dos jornais que não mostrou a cara pelo menos em certa ocasião.
Diz ainda que antes disso tinha sido o nome escondido do público.
A ser tudo isto verdade, pergunto: será avisado permitir-lhe o exercício de funções profissionais como psicóloga?
De continuar a conduzir, ninguém a impede.

15/02/2011

O velho e a ponte

De repente, como se sabe, a imprensa descobriu a velhice solitária. E as árvores que caem na floresta sem que o fragor se possa dizer que aconteceu, tal como Berkeley conjecturou.
A mim recordou-me agora um caso extremo que me foi contado numa vizinhança com relações sociais muito fortes – as faldas da serra que separa o Alentejo do Algarve.
Talvez tenha sido há vinte anos, mais coisa menos coisa.
Um velho que era de poucas falas e que, aparentemente, errava por corgos e cêrros, deixou de ser visto.
Tempos depois, acabou por ser encontrado pendurado pelos pés numa ponte de corda e tábuas que cedeu ao seu peso quando transpunha um barranco alto em sítio escuso.
As notícias continuam a avolumar o rol de mortos.
Apesar de pessoas que se dedicam a trabalho social nesta área dizerem o óbvio – nada disto é novo.
Mas se os surtos começam na televisão...

13/02/2011

A descoberta das coisas

se sabe que só acontece o que passa na televisão.
Donde não admira que os surtos se devam sempre a ela.
Toda a gente descobre a vida através dela. Ou a morte, no caso dos velhos que morreram sós e de que ninguém ou quase ninguém quis saber.
De um, rapidamente passámos a três.

Em tempos, talvez trinta anos atrás, um dos estigmas que se identificavam com a civilização dita impessoal dos países nórdicos era justamente este – o das pessoas que morriam sem que ninguém desse por isso.
Verificamos assim que estamos com trinta anos de atraso. Exactamente porque, antes da televisão o dizer agora, estes casos não aconteciam.

12/02/2011

11/02/2011

Redes sociais

Hoje em dia uma rede social é qualquer coisa que se passa na internet. Só assim merece o nome. É a semântica e as suas voltas.
Alguma jornalistagem exulta com a vitória das redes sociais no Egipto.
Como é que se poderá dizer que cabe a tal coisa, a tais coisas como tal designadas, um papel decisivo na mobilização das pessoas?
Estamos dentro da platónica caverna.

09/02/2011

Portugal, 2007

A mulher com nome de capital provisória

Conheci-a sempre assim. Pelo nome que partilhava com a capital provisória.
O que mais me espantou – e ainda hoje afinal me espanta – nela e em mim, foi a nossa proximidade gritante e a distância segura bem combinadas.
Atraíamo-nos como ímanes e mantínhamos as distâncias como pólos idênticos, sabendo que o não éramos. Um enigma vulgar entre gente da nossa idade. Adolescentes, afinal.
Dei-me hoje conta, o PCP a que ela então pertencia que o diga (devem ter fichas disso), que não me esqueci dela. Nem hoje nem nunca até tal data.
Não faço ideia – não posso evidentemente fazê-la - se a inversa é verdadeira.
E o seu nome era Isabel.