24/02/2012

Contador



Falhei por dois dias no cálculo que fiz em Setembro passado e que confirmei em Dezembro – seria a 26 de Fevereiro que o contador passaria o quarto de milhão de visitas. Vai ser hoje.
Um destes dias é o conta-quilómetros do carro que por lá passa. E, como as coisas correm, vai sempre este andar atrás daquele.

22/02/2012

Riscos

Ouvi, com particular atenção, esta madrugada na CNN o relato dos acontecimentos em Homs feito por Marie Colvin.
Falou da morte de uma criança de tenra idade e do facto da enfermeira que a recebeu na clínica improvisada ser a própria avó.
Em fundo, ouviam-se estrondos.
Das muitas coisas que me passaram pela cabeça ao ouvi-la, nenhuma delas se referia ao facto de poder estar a ouvi-la pela última vez.

21/02/2012

O Velho Mar



Nem eu vejo relação com o conto de Hemingway nem o título se refere à mesma coisa, é só parecido.
Na recorrência do salvamento dos restos da biblioteca, aparecem amiúde in-fólios os mais variados, que pelo seu peso e dimensão, alguém decide deixar ficar para trás.
Hoje eram estes exemplares de uma colecção dedicada ao mar.
Porém, a minha argumentação em seu favor era desmentida pelo conteúdo, uma mistura de lista telefónica, anúncios classificados e não, transcrições do diário do governo e, muito mas muito esporadicamente, um artigo sobre o mar.
Ainda não sei se cedi ou não.
Sei sim que na caixa do carro já figuravam dois maples verdes a ocupar o prometido espaço.

20/02/2012

Fascínio

Ainda na senda das justificações e da procura de causas para o efeito, pergunto-me a que texto de LP poderia eu recorrer e lá encontrar razões de vulto para o meu fascínio por esta foto, por este trecho de rua, por estas formas.
Há ali qualquer coisa entranhada e, ao mesmo tempo, visível pois se trata de uma foto que lança sobre o meu olhar a fascinação.
A resposta para o que é e como o faz, a não ser procurada na loucura dos dias correntes em que a razão se esgotou nos canos competentes, peço-a eu aos deuses em que não acredito.


Fotografia do Google Street View

18/02/2012

Oriente



A partir de hoje, pela razão de que se contam nesta data 84 anos certos desde a última vez em que o Sábado Gordo, em ano bissexto, com ela coincidiu, ou seja só as agendas de há 84 anos são reutilizáveis no corrente ano, este blogue vai passar a ter, à semelhança dos outros sítios que por aí há, as suas coordenadas geográficas (WGS 84) inscritas ali na badana. Com uma aproximação à décima milésima de grau, que é mais do que o suficiente para ser avistado antes de com ele se embater.
Contará com uma versão nacional e outra internacional das ditas, portanto para uso interno e externo. Porque lhe pertence ter duas.
As justificações, creio, estão ao nível do melhor que se ouve por São Bento (de Cima e de Baixo, actual e pretérito, esquerdo e direito). E aqui tomo como mero exemplo a alínea c do nº 4.2 do Anexo II da Resolução da A.R. nº26/91 de 23 de Agosto.
Coitadinhas das crianças!
Disse.
E fiz.

13/02/2012

SIC N

Descobriram hoje, no informativo do Mário Crespo na SIC N, duas coisas:
Que o ministro Schäuble se desloca numa cadeira de rodas.
Que no Terreiro do Paço não cabem 300 000 pessoas.
É obra!
A das 300 000 pessoas teve que ser com recurso a um especialista.

12/02/2012

Sons da vida

Não sou apreciador de criadores mas das criações que nos legam.
A pessoa por detrás da obra interessa-me pouco, talvez na medida em que as pessoas não inscritas no meu círculo me interessam pouco ou nada.
Dito isto, não me lembro de ter experimentado algo próximo do vago sentimento de nostalgia que experimentei ontem à noite quando ouvi falar da morte de Whitney Houston.
Não era por ela, era por mim. Era por me lembrar da parte da minha banda sonora que ela fez soar.
Nunca me tinha passado pela cabeça que ela fosse mais nova do que eu. Até hoje de madrugada. Ou, como disse atrás, até ontem à noite.

11/02/2012

Terreiro do Paço



Eu não sei se foi dito que estavam 300 000 pessoas em simultâneo no Terreiro do Paço.
Mas se foi, quem tal disse deveria ter chumbado logo na 1ª classe.
Os mortos seriam em número incalculável.
Eu não sei se tal foi dito mas fico com a ideia, ao ouvir as notícias, de que há muita gente convencida disso.
Aprecio

Aprecio, neste tempo de excessos pseudo-humanistas, a atitude de um comunista que não dá importância à família.
Poderia ser um nazi. A atitude está de acordo com os princípios. E é isso que eu aprecio.
Não tenho pachorra para os que não sequer percebem as implicações do que defendem.

09/02/2012

Alemanha

A Alemanha, no dealbar do século XXI, viu-se na expectativa de concretizar parte do sonho hitleriano, governar a Europa.
Está a dar sinais de deslumbramento com tal expectativa.
Tal deslumbramento pode levá-la a ir de novo com estrondo ao chão.

07/02/2012

Disse muito bem

Aquilo a que chamou pieguice - “ai os meninos coitadinhos” - chamo eu nacional-coitadinhismo, coisa que é uma das que torna mole a espinha de um povo.
Disse muito bem. E ao ouvi-lo, constatando como o fiz há muito que o senhor está por razões a que o mérito é alheio, a anos-luz da presciência e clarividência socráticas, concluo que tem por isso mesmo muito mais responsabilidades.
Espero não estar a ser complacente consigo, senhor primeiro-ministro.
Com pieguices é que não estou decerto.
Nuvens

E não consigo encontrar fotografias das magníficas nuvens lenticulares que se formaram no domingo, à hora de almoço, aqui pelas bandas da foz do Tejo.

Nota: Não consegui eu, mas conseguiu o Santos Passos que está mais atento. Era exactamente isto. Obrigado, Santos Passos.

04/02/2012

Arnesto

Não sei como ele consegue ditar um diário há cinco anos, quase sem falhar um dia.
Meta

As capas de Cândido Costa Pinto que apreciava espreitando dos bolsos e arrumadas nas estantes do meu Pai, ocupadas umas, muito significativamente, e outros, à vez, com exemplares da Vampiro e da Argonauta, exerceram desde cedo um fascínio adormecido sobre os meus sentidos.
Quando me dispus a lê-los, aos livros, já as colecções tinham recebido tremendos rombos e as capas passado a ter menor interesse.
Fui ainda assim descobrindo, espalhados por caixotes e estantes alentejanas, um exemplar ou outro, deixado nas férias ou nos fins-de-semana ou mesmo degredado na planície.
Quando passei no início do século quase um ano sem televisão nem computador na casa onde dormia, fui erguendo e desmontando pilhas deles na cabeceira.
Em meados da década passada, resolvi tentar completar três das colecções que havia herdado – estas duas mais a Miniatura.
Hoje consegui completar a Vampiro, adquirindo dois dos números mais recentes.
À atenção daqueles tipos que sabem quantos parafusos tem a Torre Eiffel e quantos portugueses possuem completa a Colecção Vampiro, digo-lhes assim e agora que somem um.



Dos muitos que já li há um que me ficou particularmente no goto.
Anders Bodelsen, “Um número à escolha” (1968), Col. Vampiro – 307, Livros do Brasil
com a devida vénia aos autores das capas e a quem as publicou em sites de leilões, alfarrabistas, etc.

02/02/2012

REN

Começo a ponderar pôr em causa a disposição de postes no meu chão e sobre ele das linhas de transporte de energia, sem disso obter qualquer tipo de benefício. Nalguns casos sem qualquer aviso ou pedido de autorização.
Suponho que haverá muita gente na mesma ponderação.
Notícias do manicómio (III)

Quem vendeu ao Zé, bradou bem alto que vendeu ao Zé e não ao António.
Não lhe passou pela cabeça que o Zé amanhã vendesse ao António.
Ou, melhor dizendo, acha que tem domínio sobre algo que alheou.
Ou é uma forma primária de fazer dos outros parvos ou é uma incapacidade gritante de somar dois com dois. Ambas dizem da capacidade de quem profere tal enormidade.
A história vai-se repetindo, com outras personagens.
Notícias do manicómio (II)

A ser verdade o que é noticiado, um dos acusados de ter causado cegueira a pacientes em Santa Maria, terá alegado que:
Não haveria na altura manual de procedimentos e que o mesmo só foi criado dias depois.
Ora, a ser isto verdade, tal significa que entende que só com a existência de um manual de procedimentos se julga capaz de desempenhar tarefas.
A ser verdade, repito.

01/02/2012

Notícias do manicómio

Aqui, desde há uns meses, que toda a gente sabe que a Ti’Maria não vai ao mercado.
Só deve lá voltar para o ano que vem, se a família achar bem.
Ainda hoje a Ti’Maria foi ao mercado.

31/01/2012

O problema da Justiça

O magno problema da justiça (daquilo a que se costuma chamar tal) é ter as artérias entupidas por massa encefálica falida.
É ouvi-los. A dizerem mal de si próprios e de quem os apoiar.

29/01/2012

Castro Verde, 2000

Céu estrelado

Não deixa de ser curioso que se indique como exemplo de céu estrelado uma zona de uma grande albufeira, onde inevitavelmente a humidade relativa é superior à da maior parte do território que está longe do mar e de fontes de luz.

26/01/2012

Civis

Pois por mim, a eliminar feriados civis, caso isso tivesse algum tipo de relevância, seria o 25 de Abril e o 10 de Junho.
O Dia de Portugal tanto poderia ser a 25 de Julho (de 1139), 5 de Outubro (de 1143) ou 1 de Dezembro (de 1640).
Lerei com atenção a fundamentação da escolha.

25/01/2012

Ruas com Dias



Passam três anos sobre a ideia parva.
De parva vai a espigadota, com 230 dias já com cromos na caderneta. Um dos quais é número da bola.
E 102 levantadas, à espera de serem fotografadas.
Haja gasóleo. E Gasolim…
Intelecto

Posso dizer hoje, com a margem de erro e de disparate que estas apreciações encerram, que o meu auge intelectual ocorreu algures entre os 13 e os 24 anos.
O auge da percepção, da capacidade de identificar, de raciocinar e de congeminar.
Está a coisa ao que parece dentro das balizas mais ou menos aceites.
Tal como qualquer outro parâmetro que se possa medir e comparar.
Até aqui, nada de novo.
O que me parece anormal é a degradação que experimento. Já nem sequer se trata de achar inextricáveis algoritmos que congeminei há décadas, trata-se de olhar e não ver, de não saber para onde estou virado, se para norte se para sul, leste ou oeste, se um som corriqueiro corresponde a esta ou aquela causa.
Com a idade pode ganhar-se sabedoria, coleccionar referências e referenciais.
Mas torna-se cada vez mais difícil tratar o armazenado. Não por ser muito, mas porque as manobras são cada vez mais difíceis.
Pelo menos para mim. Mesmo não me tendo dado conta de ter sofrido alguma catástrofe cerebral.

24/01/2012

PR

Pior a emenda do que o soneto.
O Presidente da República desfaz a sua base de apoio. É quase cada cavadela cada minhoca.
Se chegar ao fim do mandato, lá perco eu uma aposta feita há meia dúzia de anos.
Paixão antiga



Revendo as magníficas imagens das câmaras de trânsito na Finlândia.

23/01/2012

Muito raro

A CNN exulta com o Ano do Dragão de água. Muito raro, diz o repórter.
Tão raro como todos os outros anos, dir-lhe-ia alguém que tivesse um mínimo de neurónios a trabalhar.

21/01/2012

Medida-padrão

Para os padrões americanos, aparentemente, Newt Gingrich é um homem inteligente.
Para os padrões portugueses, filtrados pela imprensa e comentadores afins, José Sócrates também o é.

20/01/2012

Memória

As comparações diacrónicas são sempre mais da emoção do que da razão.
Antigamente, como dizia uma senhora um destes dias à câmara de tv, tínhamos todos 18 anos.
E por isso quando vou à Baixa lisboeta, e cada vez mais espaçadamente o faço, as comparações que congemino enfermam desse erro.
Não ver grande parte das lojas onde comprei isto e aquilo ou apenas mirei a montra.
Não ouvir os pregões dos ardinas ou o roncar mais ou menos alto dos motores de autocarro e os tlintlins dos eléctricos, não sentir o cheiro do fumo das castanhas ou dos fritos das casas de pasto.
De alguma destas coisas ainda há vestígios. O cheiro a mijo, como já aqui referi, voltou em força, depois de ter desaparecido algures entre as décadas de 70 e 80.
Na estação do Rossio está uma escada lançada como sempre a sonhei – alinhada de cima a baixo e não deixando ver o fim.
E isso, sim, intriga-me.
Mas uma coisa é certa – há trinta e tal anos era muito melhor passear na Baixa, porque todos tínhamos 18 anos.

18/01/2012

As comparações

É esperável que, cem anos corridos, se façam comparações entre o Titanic e o Costa Concordia.
Para além das dimensões – este é um tanto maior do que o Titanic – e da grande diferença nas consequências, há um facto ou uma suposição ou ainda um conjunto de suposições que se me deparou. A ser verdade que a rota do navio italiano foi tomada tendo em consideração um aceno aos ilhotas, e o facto de esta suposição, ainda que bizarra por ser de noite, ter sido feita só por si é significativo, fazendo com que o ser verdadeira ou falsa seja menos importante, transponhamos tal decisão para cem anos atrás. A minha ideia é que seria reputada de uma vulgaridade indecente.
Supondo que as suposições estão todas acertadas, está a coisa mais vulgar do que há um século. Parece bater certo.

16/01/2012

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 13



Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real

15/01/2012

66º a estibordo*

Da história do naufrágio do navio italiano uma coisa sai, inelutável – a facilidade e a rapidez com que uma embarcação de tais dimensões se desgraça no mar.
Numa época em que há cópia de navios semelhantes destinados ao mesmo fim – cruzeiros de milhares de pessoas – é uma nota a que se deve dar atenção.


* Mais coisa menos coisa, a inclinação de acordo com as últimas imagens vistas antes de escrever.

Há em vários sítios uma simulação da rota do navio antes do encalhe proveniente das ferramentas de georeferenciação que se usam para a navegação aérea e marítima.
A estar correcta tal simulação ou o navio ia de marcha a ré ou depois de rasgado pelos leixões empreendeu uma viragem de 180º. Viragem essa que deveria ter sido registada nos aparelhos que possibilitaram tal simulação.
Parece mais uma asneira publicada e repetida sem análise.

adenda depois das 22:00: a hipótese da viragem a 180º parece ser a mais apropriada para conciliar os dados de georeferenciação com a posição actual do navio. Não haverá assim asneira mas dados incompletos.

especulação sobre o trajecto final através do obtido no marinetraffic.com sobre GoogleEarth

11/01/2012

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença oitava

O culto é o que tem uma amostra das coisas que lhe permite obter bons resultados.
O sábio é o que viu que esses resultados a nada conduzem.

10/01/2012

Dignidade


imagens da RTP

Aquilo a que se chama o edifício da Justiça, independentemente das salas que o constituem, é habitado por seres cuja capacidade intelectual é permanentemente posta em causa, salvo as honrosas e confirmantes excepções.
A dignidade da Justiça, indepentemente dos indivíduos que habitam o tal edifício, também se deve exibir nas salas que o constituem, no impessoal e no pessoal.
No impessoal, independentemente do valor plástico (gostos não os discuto), parece-me pouco digno que uma sala de audiências contenha arte parietal em que estão representadas de pantanas as balanças ditas da justiça.
No pessoal, parece-me indigno – caso se trate de uma sala de audiências, como tudo indica – que a alguém seja possível deixar-se fotografar como se estivesse à boca de cena, com a tribuna ao fundo.
A estes exemplos, colhidos apenas no Telejornal de hoje (as balanças de pantanas aparecem amiúde desde há uns anos) podem somar-se ene outros.
Temos o retrato.

09/01/2012

Às primeiras cavadelas

Por um mero acaso, de manhãzinha tinha a televisão ligada na TVI24.
Ouvi falar na nova TVI24 mas não percebi o que era.
O que ouvi assim quase de seguida foi que a escala de Richter tinha o limite em 9 e que a uma jovem se tinha partido a corda que lhe segurava o salto sobre o rio Zambezi.
Descontando o facto de esse salto ser notícia já requentada, limitar a escala de Richter a 9 e chamar Zambezi ao que se chama Zambeze, pareceu-me um bom (re)começo.
Vilhena, 2010

08/01/2012

É Domingo

Talvez por ser Domingo ou muito provavelmente por qualquer outra razão ou, mais certamente, pelo conjunto de factores intrabalháveis que constitui a vontade humana, recebi do meu velho LP algo que me surpreendeu.
Surpreendeu-me por ser uma escrita com um certo fio, menos desconjuntada, do que ele usava há cerca de trinta anos quando quase diariamente me trazia folhas A4 escritas em tipo Adler dos inícios do século XX. E, terror dos terrores, aparentar conter uma certa mensagem.



Talvez ampliando com uma clicadela e pondo os tais óculos portugueses e republicanos se veja mais nítido.

Com isto, vinha uma lacónica nota que rezava assim:

Não te prendas com o vermelho e o azul do olho à belenenses. Afinal se é à belenenses deveria ser só azul. Mesmo que com calções brancos. Por falar nisso, onde é que eles andam?
Centra-te antes na questão essencial – nunca te ocorreu que os filtros que a malta usa em cada olho para ver o que ela diz ser a
três dê, são verdes de um lado e encarnados do outro?
Quando descobri esta coisa surpreendente, percebi logo que só os verdadeiros portugueses de 1911 para cá – a bandeira tal como a conhecemos começou a ser hasteada nesse ano – puderam neste século que ora findou ver as coisas verdadeiramente como elas são.
Por isso, peço-te que coloques o texto no teu blogue, à portuguesa republicana. A
três dê.
Caramba, estes três dê fizeram-me lembrar qualquer coisa. Mas não deve ser nada de cuidado. E as balanças também.

05/01/2012

As grandes questões universais - episódios q+19 e q+20

Ainda haverá festas de garagem?
Caso não, em que período de tempo se podem balizar as ditas, no mundo português?

Nota: para alguns, a garagem, depois de desalojado o faruque, tornou-se uma boîte permanente, de férias e fins-de-semana.

04/01/2012

A única coisa certa

Que este ano nos trará, é a continuação do desnorte racional generalizado.
A bússola doida que girará na maioria das cabeças, induzidamente ou não.
Um destes dias, a água para consumo humano será objecto de suspeitas por também ser utilizada no funcionamento das centrais nucleares.
não falta muito.
A campanha dos republicanos a caminho da Casa Branca tem todas as condições para ficar no anedotário dos vindouros, se a tendência para a irracionalidade se inverter no futuro.
Caso contrário, poderá ser um caso de estudo. No sentido do sucesso.

03/01/2012

Eles lá sabem

As linhas com que se cosem.
E as designações que escolhem e o que elas, as designações, trazem à lembrança.


do site do PCP de Ovar

01/01/2012

Retracção

Eu aqui cheio de venturas prospectivas ignorando ainda a já certa retracção de 2012. O ano vai ser mais curto. Em vez dos tradicionais 366 dias do ano bissexto, terá com o corte apenas 356.
Muito mais grave do que o ano samoano de 2011 imputado em um dia apenas.
É que o ano de 2012 acabará a 21 de Dezembro - digo-o àqueles que, como eu há horas atrás, ainda estão a esta hora no limbo da cosmogonia.
Acaba nesse dia e o Mundo com ele.
Esqueceram-se de me avisar com maior antecedência, como têm feito das outras vezes em que o Mundo acabou.

31/12/2011

E depois, ao fundo, à direita



De facto, as minhas expectativas para o ano que entrará são boas. Ao contrário do pessimismo e do sempremesmismo que antecedeu, na minha cabeça, os últimos anos.
E eles têm correspondido, regra geral, ao que deles espero.
Bom Ano Novo!

28/12/2011

Energia atómica


imagem da CNN

Passaram nove meses e meio sobre o desastre no Japão e, aparentemente, não há razões para suspeitar que a destruição de instalações de produção de energia por desintegração nuclear tenha provocado ou venha a provocar danos consideráveis na saúde das populações circunvizinhas.
E dificilmente se consegue encontrar um quadro mais desfavorável do que o que ali ocorreu.
A imprensa oscila entre a omissão de tal constatação e a afirmação de que o grande risco da energia nuclear é público e notório tal como ali se vê.
O que significa que vê enormes riscos onde, até prova em contrário, se percebe que os mesmos são reduzidos.
E esta ideia, como muitas outras, é pousada como um véu mental por todo o orbe.
Afinal, é preciso acreditar em qualquer coisa.

27/12/2011

Um traço por cima



Das injustiças que, sobranceiramente, me fizeram encolher os ombros ao longo da minha longuíssima carreira discente, recordo hoje uma não sei a que propósito:
Tratava-se de um trabalho de levantamento topográfico de uma zona rústica.
Algures existiam pinheiros agrupados.
Na legenda escrevi pinheiral. Pareceu-me naquele momento mais próprio do que pinhal, para os devidos efeitos.
Na volta do correio, que é como quem diz, quando recebi a classificação do dito, a designação pinheiral estava riscada.
Quando perguntei à assistente (passava-se isto no ensino universitário estatal) que razão havia para tal risco, respondeu-me secamente que tal palavra não existia.
Poderíamos estar aqui, ou eu lá com ela desde então até hoje, a tergiversar sobre a existência das palavras e sobre o conceito de consagração das ditas. Aqui seria um gosto se isto fosse um sítio para dizer e ouvir coisas.
Com ela pareceu-me então inútil, tanto que não argumentei.
Ficou para hoje, que ela não me lê e que eu sei lá por quê, me lembrei disto.

26/12/2011

Factos e figuras do ano

Vamos lá então. Ainda que faltem cinco dias e tal.
A coisa não tem muito que se lhe diga.
No globo, o terramoto e maremoto no Japão e o Coronel Kadhafi são incontestáveis.
Por cá, a final da taça da Europa entre Porto e Braga e o Paulo Futre.
Disse.
Pelos vistos, isto agora é ano sim, ano não.

22/12/2011

O ano em revista

Em estilo de televisão dita tablóide – isto dos formatos tratados pela semântica... – os acontecimentos do ano bem que poderiam ter sido uma mulher despeitada que rouba o gato a outra e uma criança de dois anos que agrediu outra um pouco mais velha.
Ainda estou indeciso entre a facilidade do mercado se surpreender com coisas triviais e a facilidade do mercado não se surpreender com coisas excepcionais.
Onde está mercado leia-se pagode dito evoluído e informado do século XXI, com muitos carimbos de competências certificadas.
Posto isto, resta-me dizer que gosto de ver a Sky News por ser um canal que pretende cobrir tudo e que por vezes consegue chegar onde os outros que aqui posso ver, não chegam. Em directo.
E no directo dispensa-se a intermediação do jornalista. Com a devida calibração de enquadramento.
Já me justifiquei de mais. Mas também me queixo de mais. Burramente.

21/12/2011

Negar as evidências

Um tipo que nega ter acontecido algo a que não poderia ter assistido e do qual só tomou conhecimento por relatos de terceiros, vivos ou mortos, pode ser incriminado.
Um tipo que nega ter acontecido algo a que assistiu, é deixado em paz.
Num mundo de doidos, as coisas passam-se assim. Criminalizando afirmações descabidas ou não.
Ainda vai preso o Zé Pardal por desdizer o Manel Pardelha no caso da camisola nº2. Ou vice-versa. Ou, o mais certo, ambos.
E que 1+1≠2? Alguém se atreve?

19/12/2011

A transferência dos sonhos

Sucedeu então que me dei conta retroactivamente da legitimidade do gesto.
Do gesto que eu entendera proibido.
As lolitas acabam invariavelmente por envelhecer, salvo as que alcançam a imortalidade.
Rejuvenescem, por vezes, nos sonhos dos homens que as deixaram passar.

18/12/2011

Serviço público - o número da bola

Tal como ameaçado, a coisa está consumada.



E não se exclui a possibilidade de haver mais números da bola. Da bola de cá-de-chumbo, como diziam os eruditos.

17/12/2011

Pensões de reforma

A parte inevitável no cálculo das futuras pensões de reforma é a redução do coeficiente a aplicar sobre o valor da contribuição global do pensionista enquanto activo. Serão mais baixas, ponto.
Lançar um tecto sobre as pensões já é mera politiquice.
E os argumentos para tal aduzidos são de uma escancarada indigência mental.

16/12/2011

A torre do Aleixo

Com a primeira demolição com explosivos de uma das torres do bairro do Aleixo, vai mais do que um edifício devoluto. Vai a ideia já morta de armazenar o operariado em megatérios. Não a ideia materialista e prática de o fazer junto das fábricas, por economia de esforço. Mas a ideia romântica assente naquilo a que uns quantos chamam de ciência social, de que a forma adequada de armazenar os efectivos e potenciais moradores de bairros de lata era em torres destas.
Pseudociência e modismo. O porque sim, porque é o que a vanguarda artística decidiu propôr ou prepôr.
E assim cai.
À força de bombas.
E outra ideia poética travestida de científica se levanta. Se levantará.

adenda cerca das 10:00:

A RTP diz que há um condicionamento numa área de 8 km (aos 2:50 deste trecho noticioso).
O que será uma área de 8 km?
E onde é que foram buscar os 8 km?

15/12/2011

O Natal dos hospitais

Há quarenta anos atrás, a dúvida surgiu-me - a quem se destinaria o Natal dos hospitais?
Depois de ter permanecido trinta e três dias em clausura, grande parte deles naquela letargia que dispensa companhia e focos de atenção, deparou-se-me tal ocorrência pouco tempo depois da alta.
Talvez a uns quantos miúdos numa fase mais saudável da doença. Desde que estivessem no hospital aprazado e com paciência para estarem sentados umas tantas horas.
Mas tudo aquilo me parecia descabido. Ainda hoje me parece.
Melhor dizendo, é um programa de televisão que faz lembrar aos sãos os que estão presos a uma cama.
Talvez por isso tenha afinal algum mérito.

12/12/2011

Inconstitucionalissimamente

Ora aí está!
Uma vez em que esta bizarra palavra, que vem ad hoc das charadas, se afigura necessária para ilustrar o modo de pensar dos que julgam que considerar um limite para um deficit como palavra da Constituição tem algum tipo de relevância para a vida nos anos que temos pela frente. Ou para quaisquer outros, sendo que a ideia se refere aos que temos de imediato pela frente.
E é isto que esta gente anda a discutir!
Inconstitucionalissimamente e rematadissimamente...
Uma espécie de boletim

Há quem compre estações meteorológicas (é um dos meus sonhos de consumo) e quem se dedique voluntariamente a recolher dados de forma sistemática.
Dados esses assim recolhidos que informaram durante décadas os boletins oficiais.
E há quem faça coisas destas, com um método muito pouco científico, mais poético do que prosaico como conviria à precisão:


(clicar para ler, ende querendo)