10/04/2012

Maternidade Dr. Alfredo da Costa



Sendo eu um alentejano nascido em Lisboa nas instalações da Maternidade Dr. Alfredo da Costa, partilho com os meus conterrâneos de São Sebastião da Pedreira, essa freguesia de incontáveis fregueses nascentes, a indignação provocada pelas notícias do fecho de tal instituição.
A indignação é minha e deles, nossa, e não deve ser justificada nem sobre ela se discorrer, porque pelos valores não há conversa.
Se conversa houvesse, creio bem que, do outro lado e neste caso em particular, só se ouviriam asneiras e decorrências de erros. Ainda que alheios a quem se justificasse.
Estamos num país há muito desgovernado.

09/04/2012

Estádios

Há uma fase na vida em que se troca a geometria descritiva pela geometria analítica.
Uma repetição da fase em que se deixam os livros com bonecos e se passa a livros com texto.

08/04/2012

Todos os nomes*


da Mapoteca do Centro de Estudos Geográficos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
(clicando, abre o original)


* Recorrendo a Saramago.
Garvão, 2008

05/04/2012

Pitons


imagem daqui

Nos sonhos jogo quase sempre à defesa.
Depois de duas fífias minhas bem capazes de comprometer o resultado, vi cá de longe um dos meus companheiros marcar um belíssimo golo num remate acrobático, com o corpo paralelo ao chão.
Foi depois de um dos deles ter lançado a bola contra um meu colega da defesa na esperança de obter um canto, que a bola ao sair pela linha final sem tocar no dito, se encontrou nas minhas mãos.
O João e o Carlos diziam-me para ter cuidado com a força com que interpretava o pontapé de baliza na direcção do móvel dos livros.
Eu, que na realidade via um tapete verde de relva artificial e uma marcação a cal desenhando um ângulo recto, lancei a bola com a mão com um spin contrário ao movimento que a fez parar quase de seguida junto ao dito ângulo e calculei a força do pontapé como quem afere o alongamento da mola para o lançamento de uma bola de flippers. Saiu frouxo.
De imediato e em face disso, teve lugar um conciliábulo sobre a impossibilidade de circular num tapete relvado com sapatos de ténis.
Mas é claro – dizia eu – toda a gente sabe que tens que ter uns pitons.
Acrescentava o Carlos muito peremptório – Sim! As botas de futebol, quando sem pitons, também escorregam.
Mas para isso é que os pitons servem – chovia eu no molhado.
A minha Mãe ouvindo a conversa, assentia e ao mesmo tempo avisava: Ai de vocês que venham com pitons aqui para os mosaicos da cozinha!
Portugal, 2012

02/04/2012

Malvinas

Aos 30 anos do começo da última guerra, o ambiente parece bem mais tenso do que há cinco.
Soa que o poderio naval britânico se esfumou ao fim de uns séculos de hegemonia e de quase um século de secundariedade.

01/04/2012

Asnos

A quantidade de disparates e asneiras que o programinha Exame Informática na SIC N me trouxe aos ouvidos em escassos dez minutos ou menos do que isso, foi assustadora.
Desde taxarem Júlio Machado Vaz de psicólogo a afirmarem que uma certa impressora pode imprimir conteúdos personalizados, houve de quase tudo.
Raciocínio zero, ignorância sem limites.
Mentiras de 1 de Abril

Já lá vão uns anos (e começo a habituar-me à ideia de que os anos aqui ou agora passam muito depressa) que persigo uma memória colectiva apagada. Tenho-o feito com várias. Com algum sucesso.
Hoje, já não se dá grande importância às patranhas abrileiras. É raro ler-se ou ouvir-se uma que cause impacto. E, no entanto, é hoje tão ou mais fácil propagar um absurdo do que o era há umas décadas.
A de que me recordo que mais impacto terá tido foi a invenção de uma nuvem de pirilampos que faria, salvo o erro, um trajecto nordeste-sudoeste sobre o território continental nessa mesma noite. Aqui se pode ler um resumo e os nomes dos inventores.
Até ao post aqui indicado não havia na net nada que a referisse.
Ora o que me interessa ainda mais é saber se na preparação do terreno para que tal nova pegasse de estaca (e pegou) esteve ou não o facto real de ter passado meses antes uma praga de gafanhotos pelo sul do território. Pelo menos pelo sul, onde me cruzei com ela.
Um destes dias, se apurar as datas em que tal praga verde voou sobre as culturas algarvias e alentejanas, farei uma breve narração desse cruzamento.
Essa é de facto uma história de que se perdeu a memória.


imagem adaptada a partir de uma encontrada aqui

30/03/2012

Ribeiro e Castro

Se não fosse por ele, não haveria muito quem se desse conta de que a hierarquia dos feriados existe.
Disse ele que o 1º de Dezembro era o mais alto.
Sobre isso, pronunciei-me aqui. Em parte, dou-lhe razão. Há a questão do 5 de Outubro de 1143 e do 25 de Julho de 1139.
Os meus cumprimentos ao deputado por se ter negado a ser ovelha de um rebanho.

27/03/2012

Poupem lá a moça


imagem encontrada aqui

A vida é assim. Sem que eu tenha posto os olhos em cima da moça ou lhe tenha sentido o cheiro [pondo isto naquele referencial em que ambos teríamos idades compatíveis e destinos cruzáveis], há um qualquer deslumbre do qual dei nota há tempo suficiente para não parecer estar agora na moda.
Tenho lido os habituais comentários em jornais que são apenas pouco mais estúpidos e carniceiros do que as notícias das cadeias internacionais, onde há sempre bons e maus.
Ela é agora uma espécie de bruxa má aos olhos da turba.
Se não bastasse o deslumbre que vem de longe, o olhar da turba seria suficiente para me deter na apreciação.
Ataque de Asma. Com a devida vénia ao meu velho conhecido do Campo Pequeno e outras praças do país.

26/03/2012

Tremores que se não sentem

Estamos portanto com algum aumento de actividade sísmica ao longo do litoral sul.
Máquinas de sonho

Uma das coisas que me chateia em certas máquinas de sonho que trocam notas é fazerem como antigamente nas mercearias: em vez de notas de vinte (escudos) darem envelopes, como quem antes dava rebuçados por tostões.

24/03/2012

Passos Coelho

Em política, podemos todos ter a nossa noção de justiça e de conveniência. O que não significa que todos as tenhamos.
Em Portugal, para a minha geração que é a que acabou de virar o meio-século, há um grupo, a que pertenço, que se encarregou de fazer frente ao desvario revolucionário que, pelo pouco que durou, não deixou de indicar o caminho que faríamos seguindo a trilha.
Fi-lo, nessa época, tendo em conta a minha noção de justiça e de conveniência. Cujas, embora podendo ser incompatíveis, não o eram naquela época do Verão Quente.
O que, depois de dobrado esse cabo, nos restou, é obra nossa. Não a podemos renegar. Todos os que participámos nessa luta temos culpas no cartório.
Se não me arrependo de ter empreendido tal luta, ainda juvenil, vejo hoje que as coisas tal como andaram, andaram em desgoverno e a contento de uma minoria de aproveitadores, na sua grande parte chicos-espertos da politiquice, pouco dotados de intelecto.
O falecido Ernâni Lopes classificou-os bem, num dos seus últimos discursos. Mais empolgado do que habitualmente estaria em tais circunstâncias.
Alguns outros o fizeram mais ou menos veementemente.
Do que não restam dúvidas é que andámos como aqui disse, às voltas no Pinhal da Azambuja, capitaneados por um grupo de mentecaptos e à mercê dos salteadores.
E é justamente por isso e por considerar que PS, PSD e CDS são verso, anverso e bordo da mesma moeda e que as outras moedas são tudo o que ajudei a enxotar há quase 40 anos, que a única coisa que me preocupa hoje deveras é a capacidade intelectual de um primeiro-ministro.
Disse aqui, há cerca de quatro anos, o que achava de Passos Coelho.
Como disse e reafirmo que José Sócrates é pouco mais do que uma nulidade intelectual (Jorge Coelho disse, numa recidiva na “Quadratura do Círculo” que Sócrates era um indivíduo inteligentíssimo), a mudança de primeiro-ministro foi finalmente, na minha opinião, para melhor.
No beco em que estamos, não é a opção política, aliás pouco diversa como disse, que faz grande diferença.
Estamos a ser governados em grande parte por controlo remoto. Já o tinha dito em 2004, há sete anos e meio e mantenho-o.
Mas importa que ao leme, nas decisões que ainda podemos tomar, esteja alguém capaz.
Naquela época a escolha era entre o mau linha (mau’) e o mau duas linhas (mau’’).
Hoje, a confirmar o receio de uma caterva de comentadores e interessados na coisa quando se percebeu que ele poderia estar onde está hoje, temos pelo menos à frente do governo um homem inteligente.
Mais pastéis de nata menos pastéis de Belém.
Mais ou menos acordo de opinião política.
E sabendo que há o inevitável lastro de carregadores de pianos pouco ilustrados a compôr a fotografia.
Gostei de o ver, à hora de almoço, explicar o óbvio às massas laranja. E à mesa do congresso.

21/03/2012

O burro


burro pastando na praça d' Almeida em 2001

Diz que, a haver um sentido nas coisas, é quase certo que uma das suas componentes é a selecção natural. Seja isso o que fôr. Entendida vulgarmente como a resultante dos diferentes graus de adaptação à mudança dos seres em confronto.
Ora corre há alguns anos a notícia da extinção iminente dos burros no território português.
Não faço ideia se, durante o tempo em que a notícia tem vindo a ser repetida, há razão para crer que ela é verdadeira.
Já do ponto de vista do preconceito, ele sugere-me que o burro, apesar da tentativa de o converter em transporte urbano feita por António Costa, parece ser hoje um animal com pouca utilidade e logo com pouca predisposição dos humanos para o alimentarem e cuidarem.
Acresce que, e isto é mero preconceito mais uma vez, se me afigura que haverá igualmente pouca disponibilidade dos humanos para permitir a circulação de burros silvestres nas suas terras, de resto cada vez mais vedadas e logo pouco viáveis.
Deu-me isto (a escrita destas linhas) uma vontade enorme de adoptar um burro.
Ou, pelo menos, de o deixar pastar lá onde passa o barranco.

20/03/2012

Sporting – Benfica


imagem da RTP

Segundo a RTP, os jogos do Sporting não podem ter mais telespectadores do que os do Benfica.
A base para este postulado deve, por certo, encontrar-se no mito dos seis milhões.
Quem de dez tira seis...


P.S. Verifiquei, ao ver os bonecos, que não se tratava afinal de telespectadores, mas de espetadores. Nesse caso, dou o braço a torcer.
Pastéis de nata

É verdade que Passos Coelho disse que os pastéis de Belém não são pastéis de nata? Ou é montagem da TVI?
É que estes detalhes são quase sempre reveladores.
As grandes questões universais - episódio q+21

Por que é que as mulheres de sonho são tão diversas e imperfeitas?

18/03/2012

Emma Suárez


foto daqui

Ainda não há muito dias tinha lido o Santos Passos a dar nota de não ter dado nota de Hedy Lamarr.
Identifiquei-me com a interrogação que lá deixa. Não no caso de Lamarr em particular, mas de algumas outras.
Hoje, quando depois de farto de notícias as mesmas, mudei para aqui e para ali, estabilizei num canal que não me lembro de ter sintonizado anteriormente. Logo eu que não sou nada de experimentalismos em canais de tv e que, a bem dizer, sou mais de ouvir o som em fundo e não ver os bonecos, logo eu, estabilizei como disse, num rosto.
Era este e falava castelhano. E a mesma pergunta me fiz. Onde andava eu que não dei por ela?
Do que depois charavisquei, a moça entretanto já perdeu mais de metade do encanto.

Nota: a última frase é de uma grosseria desmedida e de uma estupidez de alto quilate. Mas está escrita e não há como apagá-la.
Lapas, 2012

17/03/2012

Os emocionistas

Há um numeroso grupo de cidadãos que se perfila no combate PS x PSD como se os dois partidos não fossem faces pouco diferentes da mesma moeda. A que poderíamos acrescentar o CDS como bordo (já se coligou com ambos).
Perfila-se e guerreia. Levando a sério a ilusão da diferença.
É a mesmíssima coisa ouvir um alucinado benfiquista dizer que a bola entrou na baliza do Sporting e a sua contraparte leonina jurar que não, sem que algum deles possa deveras sabê-lo.
Fazem parte da paisagem e não se pode enxotá-los. Mas é cada vez mais como se penetrássemos numa nuvem de mosquitos. Sem repelente.
Mesmo com repelente, só o zumbido e a visão da nuvem fazem comichão.

16/03/2012

Má engenharia

Vi, como toda a gente, a escolha do risco máximo no desenho da escapatória de emergência onde embateu o autocarro que transportava as crianças belgas através de um túnel na Suiça.
Colocar uma parede de betão perpendicular ao sentido de marcha é uma asneira grossa. E sem justificação.
Podem perceber de relógios, de chocolates e de depósitos de valores. Quanto a desenhar escapatórias em túneis, há pelo menos um que faria melhor se se dedicasse a embalar tablettes.
Um disparate daqueles num tempo de ai jesus e de excessos preventivos, é obra!


imagem de GenevaLunch

15/03/2012

Voo S4 9743

Não direi que é um alto voo, da categoria dos altos voos. Não é.
É apenas o regresso de uma tradição. Que vem de longe. Como no anúncio.


da página da ANA
A Idade da Imprensa

A Idade da Imprensa que terá começado com Gutenberg finou-se em parte por estes dias.
A desistência de imprimir a Encyclopædia Britannica é um marco na História.

14/03/2012

Fígado compatível

Calculo que, para além do trivial e notório conhecimento do grupo sanguíneo, exista uma bateria de testes a que é sujeito um paciente que aguarda um transplante de fígado e o fígado (ou o indivíduo doador) que há-de receber.
Calculo, de igual modo, que as investigações em biologia do comportamento e da proximidade tenham evoluído para além das conjecturas sobre neurónios-espelho que reproduzem no cérebro de A a configuração emocional de B.
Calculo isto e mais qualquer coisa.
Continuo a considerar, com elevado grau de preconceito, de crença digamos, que dois fígados compatíveis são de grande utilidade a um casal.

12/03/2012

Quadrado



Um quadrado é um quadrado.
Um quadrado é ortodoxo.
Um quadrado, ainda que visto pelo olho humano, não deixa de ser um quadrado. Imperfeito.

10/03/2012

Notícias

De um lado, o inenarrável ministro Relvas.
Do outro, uns quantos jornalistas incapazes de ir ao fundo da questão – o que é que se vai passar exactamente com a remuneração dos funcionários públicos e com a remuneração dos funcionários das empresas do Estado, já que convém sempre distinguir entre filhos e penteados, pois necessário se torna dividir para reinar.
Como se calcula, nunca haverá quem esclareça cabalmente o que se vai fazer a umas e outras.

09/03/2012

Ilustrações

O Google promove, mais do que qualquer outra coisa até aos nossos dias, a serendipidade.
Serendipidade que, em bom português, se poderia bem chamar ceilá, que o étimo seria afinal o mesmo.


Capa do La Domenica del Corriere de 26 de Maio de 1957 obtida aqui

08/03/2012

Poucas certezas

E uma delas é:
Há demasiada gente estúpida em cargos de responsabilidade.
Não se trata de ser de direita ou de esquerda, honesta ou desonesta, trata-se de ser estúpida.

07/03/2012

Um lastro de sítios

Acontece-me carregar pelourinhos às costas.
Balcões de cafés onde bebi.
Rocas imensas nos bolsos para as contemplar de novo.
Haveria de percorrer todos os caminhos que já tracei
Todos os lugares a que me afeiçoei
Todos e todos os dias
Para não me afastar nunca deles.
GOP

Mitt Romney faz-me lembrar o Stan, de Monkey Island.

06/03/2012

Super Quarta-feira

Vigorasse ainda hoje o figurino dos anos 80 e teríamos, muito provavelmente, amanhã uma super Quarta-feira.
Uma Quarta-feira que, tendo rali em Sintra da parte da manhã, seria ainda por cima dita europeia e se prolongaria em escuta desportiva pela tarde e noite fora, até que terminasse o último relato, do jogo em casa mais tardio.
Os mais entusiastas faziam-se logo cedo acompanhar de rádios pela serra acima, proporcionando assim aos demais a actualização competente das notícias do pé ora na tábua ora na bola.
Guardo desses tempos uma remessa de boas recordações.
Em particular de uma manhã na rampa da Pena, abaixo ilustrada, em que Carlos Guilherme cantava ali mesmo “Quando o coração chora de amor”.


E.N. 247-3, 2 de Março de 1983

05/03/2012

Palpites à segunda-feira

É o caso. Hoje é segunda-feira e não tenho forma de demonstrar que o palpite está feito há quase cinco meses. Mas está.
E não sei por que carga d’água não o escarrapachei aqui. Ficou na pasta dos assuntos a tratar juntamente com cinco mil outros que me dariam para alimentar este blogue se enveredasse pelo peixe frito de um dia para o outro.
Não faço ideia se acertarei ou não. O caso é que já há este tempo todo que me inclino para que seja o ministro Álvaro o primeiro a passar ao arquivo. Não quer isto dizer que tenha por ele menos prezo do que pelos restantes. Não é o caso. Há figurinhas no governo sem as quais o país passaria sem lhes notar a falta ou talvez até com um certo alívio. Não penso isso do ministro Álvaro. Apesar de.

02/03/2012

Números

Num dia em que um canal de televisão britânico recuperou a notícia de que por aquelas terras um quarto das pessoas tropeça numa simples contagem, por cá dizia-se em grandes parangonas que tinham morrido mais de 3000 pessoas numa semana.
A ser verdade que morreram tantas pessoas numa semana, conviria saber quantas morrem em média no mesmo intervalo.
Há uns tipos que dizem que ao dar uma notícia se deve enquadrá-la com uma opinião.
Pois eu acho que ao dar uma notícia se deve enquadrá-la com a noção das proporções. O que no caso seria dizer que, em média, morrem por semana cerca de 2000 pessoas em Portugal.
A ser verdade que existiu uma semana em que morreram 3000 pessoas, a notícia é que houve um aumento de 50% em relação à média.
Essa é que é notícia. Não é atirar com 3000 e fazer ihhhhhh!
A monte

Dizia-se para aí que o Benfica estava em parte incerta.
Cheio de medo dos galegos?
Como é que uma coisa que se diz tão grande pode andar por aí a monte, sem se dar por isso?

29/02/2012

Da bola

Duas notas:
Pertenço ao grupo dos que palpitam uma vitória em Varsóvia.
Pertenço ao grupo dos que acham que Nani, pela amostra de hoje, é de facto o capitão de equipa.

24/02/2012

Contador



Falhei por dois dias no cálculo que fiz em Setembro passado e que confirmei em Dezembro – seria a 26 de Fevereiro que o contador passaria o quarto de milhão de visitas. Vai ser hoje.
Um destes dias é o conta-quilómetros do carro que por lá passa. E, como as coisas correm, vai sempre este andar atrás daquele.

22/02/2012

Riscos

Ouvi, com particular atenção, esta madrugada na CNN o relato dos acontecimentos em Homs feito por Marie Colvin.
Falou da morte de uma criança de tenra idade e do facto da enfermeira que a recebeu na clínica improvisada ser a própria avó.
Em fundo, ouviam-se estrondos.
Das muitas coisas que me passaram pela cabeça ao ouvi-la, nenhuma delas se referia ao facto de poder estar a ouvi-la pela última vez.

21/02/2012

O Velho Mar



Nem eu vejo relação com o conto de Hemingway nem o título se refere à mesma coisa, é só parecido.
Na recorrência do salvamento dos restos da biblioteca, aparecem amiúde in-fólios os mais variados, que pelo seu peso e dimensão, alguém decide deixar ficar para trás.
Hoje eram estes exemplares de uma colecção dedicada ao mar.
Porém, a minha argumentação em seu favor era desmentida pelo conteúdo, uma mistura de lista telefónica, anúncios classificados e não, transcrições do diário do governo e, muito mas muito esporadicamente, um artigo sobre o mar.
Ainda não sei se cedi ou não.
Sei sim que na caixa do carro já figuravam dois maples verdes a ocupar o prometido espaço.

20/02/2012

Fascínio

Ainda na senda das justificações e da procura de causas para o efeito, pergunto-me a que texto de LP poderia eu recorrer e lá encontrar razões de vulto para o meu fascínio por esta foto, por este trecho de rua, por estas formas.
Há ali qualquer coisa entranhada e, ao mesmo tempo, visível pois se trata de uma foto que lança sobre o meu olhar a fascinação.
A resposta para o que é e como o faz, a não ser procurada na loucura dos dias correntes em que a razão se esgotou nos canos competentes, peço-a eu aos deuses em que não acredito.


Fotografia do Google Street View

18/02/2012

Oriente



A partir de hoje, pela razão de que se contam nesta data 84 anos certos desde a última vez em que o Sábado Gordo, em ano bissexto, com ela coincidiu, ou seja só as agendas de há 84 anos são reutilizáveis no corrente ano, este blogue vai passar a ter, à semelhança dos outros sítios que por aí há, as suas coordenadas geográficas (WGS 84) inscritas ali na badana. Com uma aproximação à décima milésima de grau, que é mais do que o suficiente para ser avistado antes de com ele se embater.
Contará com uma versão nacional e outra internacional das ditas, portanto para uso interno e externo. Porque lhe pertence ter duas.
As justificações, creio, estão ao nível do melhor que se ouve por São Bento (de Cima e de Baixo, actual e pretérito, esquerdo e direito). E aqui tomo como mero exemplo a alínea c do nº 4.2 do Anexo II da Resolução da A.R. nº26/91 de 23 de Agosto.
Coitadinhas das crianças!
Disse.
E fiz.

13/02/2012

SIC N

Descobriram hoje, no informativo do Mário Crespo na SIC N, duas coisas:
Que o ministro Schäuble se desloca numa cadeira de rodas.
Que no Terreiro do Paço não cabem 300 000 pessoas.
É obra!
A das 300 000 pessoas teve que ser com recurso a um especialista.

12/02/2012

Sons da vida

Não sou apreciador de criadores mas das criações que nos legam.
A pessoa por detrás da obra interessa-me pouco, talvez na medida em que as pessoas não inscritas no meu círculo me interessam pouco ou nada.
Dito isto, não me lembro de ter experimentado algo próximo do vago sentimento de nostalgia que experimentei ontem à noite quando ouvi falar da morte de Whitney Houston.
Não era por ela, era por mim. Era por me lembrar da parte da minha banda sonora que ela fez soar.
Nunca me tinha passado pela cabeça que ela fosse mais nova do que eu. Até hoje de madrugada. Ou, como disse atrás, até ontem à noite.

11/02/2012

Terreiro do Paço



Eu não sei se foi dito que estavam 300 000 pessoas em simultâneo no Terreiro do Paço.
Mas se foi, quem tal disse deveria ter chumbado logo na 1ª classe.
Os mortos seriam em número incalculável.
Eu não sei se tal foi dito mas fico com a ideia, ao ouvir as notícias, de que há muita gente convencida disso.
Aprecio

Aprecio, neste tempo de excessos pseudo-humanistas, a atitude de um comunista que não dá importância à família.
Poderia ser um nazi. A atitude está de acordo com os princípios. E é isso que eu aprecio.
Não tenho pachorra para os que não sequer percebem as implicações do que defendem.

09/02/2012

Alemanha

A Alemanha, no dealbar do século XXI, viu-se na expectativa de concretizar parte do sonho hitleriano, governar a Europa.
Está a dar sinais de deslumbramento com tal expectativa.
Tal deslumbramento pode levá-la a ir de novo com estrondo ao chão.

07/02/2012

Disse muito bem

Aquilo a que chamou pieguice - “ai os meninos coitadinhos” - chamo eu nacional-coitadinhismo, coisa que é uma das que torna mole a espinha de um povo.
Disse muito bem. E ao ouvi-lo, constatando como o fiz há muito que o senhor está por razões a que o mérito é alheio, a anos-luz da presciência e clarividência socráticas, concluo que tem por isso mesmo muito mais responsabilidades.
Espero não estar a ser complacente consigo, senhor primeiro-ministro.
Com pieguices é que não estou decerto.
Nuvens

E não consigo encontrar fotografias das magníficas nuvens lenticulares que se formaram no domingo, à hora de almoço, aqui pelas bandas da foz do Tejo.

Nota: Não consegui eu, mas conseguiu o Santos Passos que está mais atento. Era exactamente isto. Obrigado, Santos Passos.