É pelas artérias que se faz a circulação*
Olhando para o estado geral da obra da auto-estrada Sines – Beja percebe-se há tempo que esta ou está parada ou avança sem progresso mensurável.
Sabe isto quem por ali passa.
Nos documentos que consultei, antes de escrever estas linhas, não consegui confirmar
a afirmação do ministro da Economia de que o governo é alheio ao caso.
Alheio no sentido formal, contratual, creio entender. Obviamente não o é em termos práticos.
Quanto mais não seja, caso se trate de uma concessão em que o concessionário tem a obrigação de efectuar os trabalhos dentro de um prazo determinado, de denunciar o contrato de concessão (os documentos mencionam o ano de 2012 para a entrada ao serviço).
Sabemos porém todos que no fim quem paga a conta são sempre os mesmos. Nós, os contribuintes. E que, destes, quem mais paga são aqueles a quem o fisco mais vai buscar em percentagem dos seus haveres. Atente-se aos impostos directos e indirectos.
Estará o país em condições de se dar ao luxo de deixar a construção de uma auto-estrada em meio, atirando para o lixo, à medida que o tempo passa, uma parte considerável do trabalho já realizado?
Se não está, o governo pensa que sim, que está. Ao dizer que é alheio à questão.
É claro que há a hipótese de se ter chegado à conclusão de que a auto-estrada é um investimento inútil e ruinoso (“obras que apenas geram despesa”) e que parando agora ainda se minimiza o prejuízo.
Nesse caso, o país esteve em condições de atirar ao lixo o nosso dinheiro em investimentos deste calibre. No fim pagaremos todos, haja ou não falência da concessionária.
E estará o país em condições de se dar ao luxo de ter auto-estradas construídas e ao serviço que servem muito menos gente do que deveriam servir, com o consequente ganho para a economia e o seu propósito de construção justificado, por estarem taxadas de forma a espantar os potenciais utilizadores?
Se não está o país em tais condições e se o número de utilizadores delas desviados é significativo, tornando-as em investimentos inúteis, logo em dinheiro jogado à rua, não estaremos ainda a tempo de corrigir o erro?
*
arterial ou oxigenadora