14/11/2012
13/11/2012
12/11/2012
As assim não tão grandes questões universais
A propósito da correria do dia, à qual é dificílimo escapar e que provoca a tradicional erisipela, interroga-se o indígena que não conhece a língua alemã muito menos as particularidades dos seus nomes – por que raio a maior parte das vezes me soa Mér-que-le?
Mas isto tem algum interesse?
A propósito da correria do dia, à qual é dificílimo escapar e que provoca a tradicional erisipela, interroga-se o indígena que não conhece a língua alemã muito menos as particularidades dos seus nomes – por que raio a maior parte das vezes me soa Mér-que-le?
Mas isto tem algum interesse?
11/11/2012
10/11/2012
09/11/2012
Exmº Senhor
José António de Azevedo Pereira:
Talvez um destes dias desça ao nível da comunicação que me enviou e lhe responda, linha a linha.
Serei portanto sucinto.
Calculo que o senhor não tenha grande responsabilidade na escolha do caminho que nos trouxe ao abismo. É um funcionário.
Porém, um pouco mais de pudor seria bom quando se dirige aos que contribuem, a incentivá-los, segundo o senhor diz.
Não recebo incentivos de ninguém. Muito menos de quem, na qualidade de funcionário, representa um Estado desgovernado e sem princípios.
José António de Azevedo Pereira:
Talvez um destes dias desça ao nível da comunicação que me enviou e lhe responda, linha a linha.
Serei portanto sucinto.
Calculo que o senhor não tenha grande responsabilidade na escolha do caminho que nos trouxe ao abismo. É um funcionário.
Porém, um pouco mais de pudor seria bom quando se dirige aos que contribuem, a incentivá-los, segundo o senhor diz.
Não recebo incentivos de ninguém. Muito menos de quem, na qualidade de funcionário, representa um Estado desgovernado e sem princípios.
08/11/2012
07/11/2012
Resultados
1 – O rústico receio do desconhecido que evitou que ganhasse 20% de juros no overnight permanece. Decerto impossibilitará apostas futuras em que o caso se afigure dinheiro em caixa.
2 – O erro gralhento, de desatenção, escreveu 268 em vez de 272 nos votos que atribuía a Obama e escreveu 90 em vez de 86 nos votos a decidir. Os estados a azul no mapa totalizavam 272 votos, a mancha estava certa, a legenda não.
3 – Falhar os resultados em dois estados quando não se palpita sobre nove não é grande espingarda.
Sucede que dos nove sobre os quais não palpitei apenas dois constavam das variadas listas que consultei sobre swing states.
E, palpitando sobre onze dos que surgiram nessas listas, falhei os tais dois.
1 – O rústico receio do desconhecido que evitou que ganhasse 20% de juros no overnight permanece. Decerto impossibilitará apostas futuras em que o caso se afigure dinheiro em caixa.
2 – O erro gralhento, de desatenção, escreveu 268 em vez de 272 nos votos que atribuía a Obama e escreveu 90 em vez de 86 nos votos a decidir. Os estados a azul no mapa totalizavam 272 votos, a mancha estava certa, a legenda não.
3 – Falhar os resultados em dois estados quando não se palpita sobre nove não é grande espingarda.
Sucede que dos nove sobre os quais não palpitei apenas dois constavam das variadas listas que consultei sobre swing states.
E, palpitando sobre onze dos que surgiram nessas listas, falhei os tais dois.
06/11/2012
Favas contáveis II
A minha aposta tem, para lá da fé, uma base pseudo-verificável. A qual é esta distribuição de mandatos no colégio eleitoral.
Nos casos em que o vencedor não leva todos os votos (Maine e Nebraska), assumi a totalidade dos grandes eleitores de acordo com o vencedor, por simplificação.
A minha aposta tem, para lá da fé, uma base pseudo-verificável. A qual é esta distribuição de mandatos no colégio eleitoral.
Nos casos em que o vencedor não leva todos os votos (Maine e Nebraska), assumi a totalidade dos grandes eleitores de acordo com o vencedor, por simplificação.
Favas contáveis
A Paddy Power aceitava parece que ainda hoje apostas de 1/4 em Obama.
O estado actual é, porém, outro – 1/6 alinhado com muitas outras.
Nesta altura, as coisas estão, segundo o Oddschecker neste pé. O melhor que se consegue é 1/5. Estou quase capaz de apostar dinheiro no homem. O quase que falta é superar aquele rústico receio do desconhecido. Não a fé no resultado.

quadro da Oddschecker cerca das 14:30
A Paddy Power aceitava parece que ainda hoje apostas de 1/4 em Obama.
O estado actual é, porém, outro – 1/6 alinhado com muitas outras.
Nesta altura, as coisas estão, segundo o Oddschecker neste pé. O melhor que se consegue é 1/5. Estou quase capaz de apostar dinheiro no homem. O quase que falta é superar aquele rústico receio do desconhecido. Não a fé no resultado.

quadro da Oddschecker cerca das 14:30
05/11/2012
Demagogia demográfica
Que o mundo não pode manter por muito mais tempo taxas de crescimento populacional da ordem das que actualmente tem, sem que ocorra uma catástrofe que faça cair a população num intervalo mais ou menos curto parece coisa pacífica.
Significa isto que para evitar a catástrofe é preciso reduzir essas taxas. Talvez até para números negativos.
Em Portugal, os censos dizem que há uma estabilização da população à volta dos 10,5 milhões nos últimos dez anos.
Estamos portanto a fazer um trabalho meritório para impedir a sobrepopulação.
Ouvir gente a apelar ao aumento da taxa de natalidade é para mim um absurdo.
Apelam a tal em nome da subsistência do sistema de pensões e do combate ao envelhecimento da população.
Tomam a árvore e esquecem a floresta.
Esquecem que a população envelhecida é apenas um episódio na vida do país. Passará com o tempo.
Que o mundo não pode manter por muito mais tempo taxas de crescimento populacional da ordem das que actualmente tem, sem que ocorra uma catástrofe que faça cair a população num intervalo mais ou menos curto parece coisa pacífica.
Significa isto que para evitar a catástrofe é preciso reduzir essas taxas. Talvez até para números negativos.
Em Portugal, os censos dizem que há uma estabilização da população à volta dos 10,5 milhões nos últimos dez anos.
Estamos portanto a fazer um trabalho meritório para impedir a sobrepopulação.
Ouvir gente a apelar ao aumento da taxa de natalidade é para mim um absurdo.
Apelam a tal em nome da subsistência do sistema de pensões e do combate ao envelhecimento da população.
Tomam a árvore e esquecem a floresta.
Esquecem que a população envelhecida é apenas um episódio na vida do país. Passará com o tempo.
02/11/2012
Um rato
Não merece ser nomeado porque é um rato. Apenas isso.
Um rato que certa vez sacou deste blogue uma fotografia, numa fase em que ainda não tinha insistido na marca d’água e a publicou sem mais. Não dizia que era dele mas também não dizia de onde a tinha tirado.
O pior não foi isso. Foi a falta de vergonha que teve quando em resposta ao meu protesto foi a correr escrever um “foto d’aqui” e me enviou uma mensagem dizendo que não percebia o meu protesto porque a foto estava identificada. Um réptil, já não um rato.
Li hoje na galhofa um artigo do bicho escrito há dias e a perorar contra quem se apropria de conteúdos na net.
É preciso reptar bem e depressa.
Não merece ser nomeado porque é um rato. Apenas isso.
Um rato que certa vez sacou deste blogue uma fotografia, numa fase em que ainda não tinha insistido na marca d’água e a publicou sem mais. Não dizia que era dele mas também não dizia de onde a tinha tirado.
O pior não foi isso. Foi a falta de vergonha que teve quando em resposta ao meu protesto foi a correr escrever um “foto d’aqui” e me enviou uma mensagem dizendo que não percebia o meu protesto porque a foto estava identificada. Um réptil, já não um rato.
Li hoje na galhofa um artigo do bicho escrito há dias e a perorar contra quem se apropria de conteúdos na net.
É preciso reptar bem e depressa.
29/10/2012
Uma espécie de véu
A primeira manifestação da série de duas ocorreu ontem.
Ao olhar para as cartas de previsão da NOAA para a precipitação decorrente do furacão Sandy, estranhei que o máximo fosse pouco menos de 10 polegadas para 5 dias.
Arredondando, 10 polegadas seriam cerca de 25 mm de chuva. Nada de especial.
Como é bom de ver falhei um zero à direita.
A segunda ocorreu hoje. Ciente de que havia que acertar o relógio do carro, deparei-me com 11:58 no relógio do carro e 7:20 no de pulso.
Já estava a alterar o do carro para 7:20 quando percebi que o do carro é que estava certo, ainda que com o desfasamento de fuso por corrigir.
É esta espécie de véu mental que me assusta. Não sendo este o primeiro caso com as horas.
A primeira manifestação da série de duas ocorreu ontem.
Ao olhar para as cartas de previsão da NOAA para a precipitação decorrente do furacão Sandy, estranhei que o máximo fosse pouco menos de 10 polegadas para 5 dias.
Arredondando, 10 polegadas seriam cerca de 25 mm de chuva. Nada de especial.
Como é bom de ver falhei um zero à direita.
A segunda ocorreu hoje. Ciente de que havia que acertar o relógio do carro, deparei-me com 11:58 no relógio do carro e 7:20 no de pulso.
Já estava a alterar o do carro para 7:20 quando percebi que o do carro é que estava certo, ainda que com o desfasamento de fuso por corrigir.
É esta espécie de véu mental que me assusta. Não sendo este o primeiro caso com as horas.
27/10/2012
Perguntas que se fazem
O emblema que o Primeiro-Ministro trazia na lapela representaria uma caixa de correio ou uma caixa de esmolas?

pormenor de fotografia de Julien Warnand para a EPA encontrada no site da RTP
O emblema que o Primeiro-Ministro trazia na lapela representaria uma caixa de correio ou uma caixa de esmolas?

pormenor de fotografia de Julien Warnand para a EPA encontrada no site da RTP
25/10/2012
23/10/2012
A quem cabe a culpa?
A história remonta ao dia em que os homens criaram a culpa. Causa-efeito. Acção-dano. Culpa. Culpado.
Desse dia em diante nunca mais deixou de ser procurado o culpado. Foi identificado, nomeado, incensado e adorado, temido e excomungado, louvado e decapitado.
E continuou a ser procurado. Até hoje.
Ao ouvir a história do julgamento dos peritos que não previram o sismo de Áquila coada pelo jornalismo, pode em primeiro lugar parecer absurdo que tal julgamento tenha tido lugar, muito mais que tenha havido condenações.
É um episódio no limiar da loucura. Da loucura que se tornou normal. É que tanto pode ser um fruto dessa loucura como um acto são que visou condenar determinado tipo de actuação. Digo actuação e não omissão.
Só navegando boas braças no meio do caudal noticioso, evitando o lixo que ele transporta a grande velocidade, se pode ter uma pálida ideia do que é que esteve em causa.
Lendo duas ou três notícias, ouvindo vinte ou trinta noticiários, não se percebe nada.
Apenas que o culpado continuará a ser procurado. Encontrado alguém a quem sirva a opa, será amado e odiado, premiado e queimado.
E a demanda continuará.
a propósito: Voltou a haver aumento de actividade no banco de Josephine, à semelhança do que ocorreu em Junho. Era disso que se tratava ontem.
A história remonta ao dia em que os homens criaram a culpa. Causa-efeito. Acção-dano. Culpa. Culpado.
Desse dia em diante nunca mais deixou de ser procurado o culpado. Foi identificado, nomeado, incensado e adorado, temido e excomungado, louvado e decapitado.
E continuou a ser procurado. Até hoje.
Ao ouvir a história do julgamento dos peritos que não previram o sismo de Áquila coada pelo jornalismo, pode em primeiro lugar parecer absurdo que tal julgamento tenha tido lugar, muito mais que tenha havido condenações.
É um episódio no limiar da loucura. Da loucura que se tornou normal. É que tanto pode ser um fruto dessa loucura como um acto são que visou condenar determinado tipo de actuação. Digo actuação e não omissão.
Só navegando boas braças no meio do caudal noticioso, evitando o lixo que ele transporta a grande velocidade, se pode ter uma pálida ideia do que é que esteve em causa.
Lendo duas ou três notícias, ouvindo vinte ou trinta noticiários, não se percebe nada.
Apenas que o culpado continuará a ser procurado. Encontrado alguém a quem sirva a opa, será amado e odiado, premiado e queimado.
E a demanda continuará.
a propósito: Voltou a haver aumento de actividade no banco de Josephine, à semelhança do que ocorreu em Junho. Era disso que se tratava ontem.
22/10/2012
Folha de Excel, sismos, E.U.A. e China

Clicando, ver-se-á um filme com seis segundos
Acho que é mais ou menos isto.
Agora que toda a gente tem na boca a folha de Excel, fazendo duvidar que a grande parte saiba o que é e para que serve.
Por mim, para ser folha e a ter na boca, prefiro a folha de alface.
O som de fundo suponho ser da CNN. Mas não garanto.

Clicando, ver-se-á um filme com seis segundos
Acho que é mais ou menos isto.
Agora que toda a gente tem na boca a folha de Excel, fazendo duvidar que a grande parte saiba o que é e para que serve.
Por mim, para ser folha e a ter na boca, prefiro a folha de alface.
O som de fundo suponho ser da CNN. Mas não garanto.
21/10/2012
20/10/2012
19/10/2012
17/10/2012
Messiânica interrogação
À messiânica interrogação de John Stewart “Are we the people we were waiting for?” 1 respondeu não Obama mas Durão Barroso quase dois anos depois: “Yes, but…” 2
Fazendo eu esta algo abusiva associação, o yes faz-me tremer. Não que eu não pense que em regra, com o tempo, as mentes evoluem.
É essa a tendência. O que sucede é que, episodicamente, a curva desmente a tendência.
Vivemos na cultura ocidental talvez desde há cerca de vinte anos um tempo de loucura e de retardamento que é visível desde as mais pequenas às mais subidas questões.
Afirmações absurdas, erradas, ilógicas, destituídas de sentido são tragadas a toda a hora sem rejeição.
Sendo que tal interrogação messiânica é afinal, em cada geração, uma afirmação, um truísmo, no cômputo geral das coisas é suposto que diga respeito a uma gente que provoque a catástrofe e a consequente redenção.
Talvez a catástrofe seja desencadeada por uma geração muito próxima. Que espero mais racional, o que não será difícil.
Tremo é de pensar que a redenção viria da gente de hoje.
1 (2:17 - 2:21)
2 (3:22 – 3:49)
À messiânica interrogação de John Stewart “Are we the people we were waiting for?” 1 respondeu não Obama mas Durão Barroso quase dois anos depois: “Yes, but…” 2
Fazendo eu esta algo abusiva associação, o yes faz-me tremer. Não que eu não pense que em regra, com o tempo, as mentes evoluem.
É essa a tendência. O que sucede é que, episodicamente, a curva desmente a tendência.
Vivemos na cultura ocidental talvez desde há cerca de vinte anos um tempo de loucura e de retardamento que é visível desde as mais pequenas às mais subidas questões.
Afirmações absurdas, erradas, ilógicas, destituídas de sentido são tragadas a toda a hora sem rejeição.
Sendo que tal interrogação messiânica é afinal, em cada geração, uma afirmação, um truísmo, no cômputo geral das coisas é suposto que diga respeito a uma gente que provoque a catástrofe e a consequente redenção.
Talvez a catástrofe seja desencadeada por uma geração muito próxima. Que espero mais racional, o que não será difícil.
Tremo é de pensar que a redenção viria da gente de hoje.
1 (2:17 - 2:21)
2 (3:22 – 3:49)
16/10/2012
15/10/2012
O clio jornal
O título em epígrafe remete para uma anedota brejeira.
Acabei de ouvir Francisco Assis dizer que nunca proferiu as afirmações que lhe foram atribuídas em relação ao modelo Clio da Renault.
Significa isso, acreditando na palavra do homem, que a história, sob a égide de tal deusa, foi mal contada.
Significa isso, acreditando na palavra do homem, que quem nos jornais, na rádio ou na televisão, apregoou que ele fizera umas afirmações de menosprezo para com tal modelo da Renault andou a emprenhar de ouvido, coisa que se pede a um jornalista que não faça, se é que ainda existem umas dezenas de indívíduos dignos dessa classificação.
Se não acreditarmos no que ele disse, então...

Por afinidade, fui durante quase três anos condutor de um Clio, dos primeiros vendidos em Portugal. À excepção de um atribulado episódio com o sistema de travagem, o carro não me desiludiu. Nunca me senti menos digno por ser cavaleiro de tal cavalgadura.
Nunca a minha dignidade, em funções ou em lazer, se mediu por hábitos ou por cavalgaduras.
O título em epígrafe remete para uma anedota brejeira.
Acabei de ouvir Francisco Assis dizer que nunca proferiu as afirmações que lhe foram atribuídas em relação ao modelo Clio da Renault.
Significa isso, acreditando na palavra do homem, que a história, sob a égide de tal deusa, foi mal contada.
Significa isso, acreditando na palavra do homem, que quem nos jornais, na rádio ou na televisão, apregoou que ele fizera umas afirmações de menosprezo para com tal modelo da Renault andou a emprenhar de ouvido, coisa que se pede a um jornalista que não faça, se é que ainda existem umas dezenas de indívíduos dignos dessa classificação.
Se não acreditarmos no que ele disse, então...

Por afinidade, fui durante quase três anos condutor de um Clio, dos primeiros vendidos em Portugal. À excepção de um atribulado episódio com o sistema de travagem, o carro não me desiludiu. Nunca me senti menos digno por ser cavaleiro de tal cavalgadura.
Nunca a minha dignidade, em funções ou em lazer, se mediu por hábitos ou por cavalgaduras.
12/10/2012
Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 16

Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real

Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real
11/10/2012
A lesão do homem ilustrado

Percebe-se pelo desenho (do) no joelho esquerdo.
Capa de Cândido Costa Pinto em site dedicado à Colecção Argonauta.

Percebe-se pelo desenho (do) no joelho esquerdo.
Capa de Cândido Costa Pinto em site dedicado à Colecção Argonauta.
10/10/2012
09/10/2012
Cercados
A probabilidade de sair disto com a razão intacta vai minguando dia a dia.
Começa a ser difícil passar um dia sem que se não ouça ou leia um argumentário de loucos ou de retardados. Coisa que acaba por fazer o seu caminho obtendo aqui e acolá reacções mais ou menos epidérmicas que acabam por bater na parede e chegar aos nossos ouvidos, bater no espelho e chegar aos nossos olhos.
Uns desligam a televisão, a rádio, desistem dos jornais e só lêem certos escribas e só ouvem certos íntimos; outros arriscam a viagem e saem moídos no fim do caminho.
Ainda me incluo nos segundos para não ficar limitado a certas fontes.
Mas lá que o caminho é cada vez mais tortuoso, isso é.
E que, como num jogo de espelhos aqui copiosamente referido, as massas se reconhecem, se identificam ou se projectam na asneira é também certo.
Posso estar velho, pode ser que me encaminhe para o Restelo, embora as casas na zona sejam caras, ainda assim tenho a ideia de que a facilidade com que o erro se propaga, fruto da velocidade e abundância dos meios de comunicação e da ausência de espírito crítico, está a servir de catalisador à supremacia dos burros, talvez como nunca.
A probabilidade de sair disto com a razão intacta vai minguando dia a dia.
Começa a ser difícil passar um dia sem que se não ouça ou leia um argumentário de loucos ou de retardados. Coisa que acaba por fazer o seu caminho obtendo aqui e acolá reacções mais ou menos epidérmicas que acabam por bater na parede e chegar aos nossos ouvidos, bater no espelho e chegar aos nossos olhos.
Uns desligam a televisão, a rádio, desistem dos jornais e só lêem certos escribas e só ouvem certos íntimos; outros arriscam a viagem e saem moídos no fim do caminho.
Ainda me incluo nos segundos para não ficar limitado a certas fontes.
Mas lá que o caminho é cada vez mais tortuoso, isso é.
E que, como num jogo de espelhos aqui copiosamente referido, as massas se reconhecem, se identificam ou se projectam na asneira é também certo.
Posso estar velho, pode ser que me encaminhe para o Restelo, embora as casas na zona sejam caras, ainda assim tenho a ideia de que a facilidade com que o erro se propaga, fruto da velocidade e abundância dos meios de comunicação e da ausência de espírito crítico, está a servir de catalisador à supremacia dos burros, talvez como nunca.
06/10/2012
Pelotão
Na minha vida outra que a de lobo solitário, existiram e existem dois pelotões.
Não houve guerra senão a das dificuldades do quotidiano que toda a gente conhece.
Fosse como fosse, o facto de os pelotões se terem formado à pedrada, aos chutos na bola contra balizas da mesma pedra com que afugentávamos os forasteiros, a cavar para os berlindes, a subir às árvores e a disparar pistolas de plástico, cimentou até hoje a unidade, ainda que com as inevitáveis deserções.
Os dois pelotões operavam e operam em zonas distintas, um é rústico outro é urbano, e tinham e têm outras diferenças que o tempo foi apagando nuns casos e acentuando noutros.
Sendando eu solitariamente a maior parte do tempo que se contou nos últimos anos, consegui ainda assim manter-me na ordem unida sempre que necessário e instante.
A primeira baixa veio com o cair da folha.
Na minha vida outra que a de lobo solitário, existiram e existem dois pelotões.
Não houve guerra senão a das dificuldades do quotidiano que toda a gente conhece.
Fosse como fosse, o facto de os pelotões se terem formado à pedrada, aos chutos na bola contra balizas da mesma pedra com que afugentávamos os forasteiros, a cavar para os berlindes, a subir às árvores e a disparar pistolas de plástico, cimentou até hoje a unidade, ainda que com as inevitáveis deserções.
Os dois pelotões operavam e operam em zonas distintas, um é rústico outro é urbano, e tinham e têm outras diferenças que o tempo foi apagando nuns casos e acentuando noutros.
Sendando eu solitariamente a maior parte do tempo que se contou nos últimos anos, consegui ainda assim manter-me na ordem unida sempre que necessário e instante.
A primeira baixa veio com o cair da folha.
02/10/2012
01/10/2012
30/09/2012
Abriram os olhos
Algum iluminado viu o óbvio – que as auto-estradas que já estão ao serviço devem mesmo servir, sob pena de serem um investimento inútil, dinheiro jogado à rua.
Que se veja o óbvio nos dias que correm já é caso para notícia.
Algum iluminado viu o óbvio – que as auto-estradas que já estão ao serviço devem mesmo servir, sob pena de serem um investimento inútil, dinheiro jogado à rua.
Que se veja o óbvio nos dias que correm já é caso para notícia.
Mate em três lances
Pode um tipo que observa uma partida de xadrez aperceber-se de que quem joga com as brancas tem a possibilidade de obter xeque-mate em três lances se mover o cavalo que lhe resta para E8.
Pode esse tipo, se o jogador com brancas optar por F1-F4, considerar uma burrice tal lance e ainda considerar que o jogador é fraco.
Afirmando tal, alto e bom som, caber-lhe-ia mostrar – se a isso fosse desafiado - o caminho que o levou a essa consideração, incluindo a demonstração de que movendo o cavalo para E8, quaisquer que fossem os lances subsequentes do adversário, obteria o jogador mate em três ou menos lances.
Quando alguém qualifica outrem de ignorante ou incapaz cabe-lhe demonstrar que assim é, quando óbvio não se torna que assim seja. É inutil demonstrar que o preto não é branco, que dois não são três.
Ora se um tipo desata a chamar ignorantes – como fez um tal António Borges estes dias – a um grupo de pessoas sem que seja óbvia a razão por que o faz, passa ele imediatamente a ser a imagem espelhada dos seus putativos alvos enquanto não demonstrar a sua afirmação.
É um episódio assim ao nível de umas afirmações benfiquistas de há tempos.
Só que, ao contrário dos dirigentes do Benfica, parece que o poder opinativo de tal pessoa tem repercussão nas nossas vidas.
Pode um tipo que observa uma partida de xadrez aperceber-se de que quem joga com as brancas tem a possibilidade de obter xeque-mate em três lances se mover o cavalo que lhe resta para E8.
Pode esse tipo, se o jogador com brancas optar por F1-F4, considerar uma burrice tal lance e ainda considerar que o jogador é fraco.
Afirmando tal, alto e bom som, caber-lhe-ia mostrar – se a isso fosse desafiado - o caminho que o levou a essa consideração, incluindo a demonstração de que movendo o cavalo para E8, quaisquer que fossem os lances subsequentes do adversário, obteria o jogador mate em três ou menos lances.
Quando alguém qualifica outrem de ignorante ou incapaz cabe-lhe demonstrar que assim é, quando óbvio não se torna que assim seja. É inutil demonstrar que o preto não é branco, que dois não são três.
Ora se um tipo desata a chamar ignorantes – como fez um tal António Borges estes dias – a um grupo de pessoas sem que seja óbvia a razão por que o faz, passa ele imediatamente a ser a imagem espelhada dos seus putativos alvos enquanto não demonstrar a sua afirmação.
É um episódio assim ao nível de umas afirmações benfiquistas de há tempos.
Só que, ao contrário dos dirigentes do Benfica, parece que o poder opinativo de tal pessoa tem repercussão nas nossas vidas.
29/09/2012
Um milhão
Não sei quais foram os palpites para o número de pessoas contidas no Terreiro do Paço esta tarde.
Dá-me ideia, sem ter ouvido palpite algum, que desde que foi preciso um especialista para esclarecer que não cabem 300.000 pessoas no Terreiro do Paço (sem haver mortos) que os palpites deixaram de ser tão estapafúrdios.
Eu contei um milhão. Não palpitei.
Mas como foi dos altos do Pragal, e as pessoas pareciam dali menores que formigas, não odemira que eu contasse tal número.
Não sei quais foram os palpites para o número de pessoas contidas no Terreiro do Paço esta tarde.
Dá-me ideia, sem ter ouvido palpite algum, que desde que foi preciso um especialista para esclarecer que não cabem 300.000 pessoas no Terreiro do Paço (sem haver mortos) que os palpites deixaram de ser tão estapafúrdios.
Eu contei um milhão. Não palpitei.
Mas como foi dos altos do Pragal, e as pessoas pareciam dali menores que formigas, não odemira que eu contasse tal número.
26/09/2012
Geront...
O homem chega e diz:
As hipóteses são duas – ou eu estou a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico e me ocorre que em vez de estar a fazer isso deveria estar a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico; ou eu estou a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico e me ocorre que não me posso esquecer de apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico.
Qual delas a pior? A imperativa ou a sugestiva?
Pergunto eu: e isso faz alguma diferença?
Agora não me lembro se havia de facto um homem. Fará diferença?
O homem chega e diz:
As hipóteses são duas – ou eu estou a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico e me ocorre que em vez de estar a fazer isso deveria estar a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico; ou eu estou a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico e me ocorre que não me posso esquecer de apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico.
Qual delas a pior? A imperativa ou a sugestiva?
Pergunto eu: e isso faz alguma diferença?
Agora não me lembro se havia de facto um homem. Fará diferença?
Repito
Ao ouvir Rajoy, o homem que caiu do céu e não se magoou muito, a arguir o caso de Gibraltar contra o Reino Unido na Assembleia Geral da ONU, só posso repetir o que aqui disse há uma série de anos – é aproveitar a brecha. Não o fazer é crime de lesa-Pátria.
O facto é que espero tanto destes que agora nos governam como de todos os outros que os antecederam. Isto é – nada.
Ao ouvir Rajoy, o homem que caiu do céu e não se magoou muito, a arguir o caso de Gibraltar contra o Reino Unido na Assembleia Geral da ONU, só posso repetir o que aqui disse há uma série de anos – é aproveitar a brecha. Não o fazer é crime de lesa-Pátria.
O facto é que espero tanto destes que agora nos governam como de todos os outros que os antecederam. Isto é – nada.
25/09/2012
E, no entanto, ela move-se
Lá para as alturas da Corte Malhão, terra de terramotos lendários.
Mais uns adobes ao chão.
Lá para as alturas da Corte Malhão, terra de terramotos lendários.
Mais uns adobes ao chão.
24/09/2012
23/09/2012
Italia

Dizia a camisola do ciclista em epígrafe.
Calculei que estivesse no meio dos campeonatos do Mundo, disputados esta semana.
Mas não estava assim tão longe de casa.

Dizia a camisola do ciclista em epígrafe.
Calculei que estivesse no meio dos campeonatos do Mundo, disputados esta semana.
Mas não estava assim tão longe de casa.
Maria Vinagre
Refere o jornalista na RTP que há uma família que se instalou no Alentejo que serviu (ou poderia ter servido) de inspiração ao telefilme que mais logo será exibido.
Entra um trecho de reportagem e a família está instalada em Maria Vinagre. Até o homem diz que já lhes nasceu um filho algarvio.
Esta gente a quem pagamos para nos informar é surda, cega e desorientada.
Refere o jornalista na RTP que há uma família que se instalou no Alentejo que serviu (ou poderia ter servido) de inspiração ao telefilme que mais logo será exibido.
Entra um trecho de reportagem e a família está instalada em Maria Vinagre. Até o homem diz que já lhes nasceu um filho algarvio.
Esta gente a quem pagamos para nos informar é surda, cega e desorientada.
22/09/2012
Rever em baixa
Já aqui disse o que pensava sobre a expressão em epígrafe e sobre toda a indumentária mental da faixa que tais dizeres utiliza.
Ora a triste expressão aplica-se, ainda assim, ao sentimento que me assola: a idade mental da internet tem que ser mais baixa do que aqui foi dito.
E, tal como o povo não se transfigura ao volante, antes se espelha, também aqui observamos a imagem virtual da mole.
Já aqui disse o que pensava sobre a expressão em epígrafe e sobre toda a indumentária mental da faixa que tais dizeres utiliza.
Ora a triste expressão aplica-se, ainda assim, ao sentimento que me assola: a idade mental da internet tem que ser mais baixa do que aqui foi dito.
E, tal como o povo não se transfigura ao volante, antes se espelha, também aqui observamos a imagem virtual da mole.
21/09/2012
Diário íntimo
Ainda não percebi se o facto de o meu médico, a quem consulto há meia dúzia de anos, se referir à medicina como uma ciência na infância da arte se deve a ter ele percebido, ainda que eu não o tivesse dito expressamente, que eu partilho da mesma crença ou se é tal fruto do acaso.
Isto da infância da arte é uma noção sem sentido. Tomando uma semi-recta qualquer e um ponto qualquer sobre ela, este está sempre mais perto da origem do que do infinito.
Trata-se afinal e apenas de julgar que o fim dos tempos não está para um destes dias.
Ainda não percebi se o facto de o meu médico, a quem consulto há meia dúzia de anos, se referir à medicina como uma ciência na infância da arte se deve a ter ele percebido, ainda que eu não o tivesse dito expressamente, que eu partilho da mesma crença ou se é tal fruto do acaso.
Isto da infância da arte é uma noção sem sentido. Tomando uma semi-recta qualquer e um ponto qualquer sobre ela, este está sempre mais perto da origem do que do infinito.
Trata-se afinal e apenas de julgar que o fim dos tempos não está para um destes dias.
19/09/2012
Atão mas...
Quando há cerca de um ano afirmei aqui que faltava política ainda não tinha ouvido da missa a metade.
Ontem, um secretário de Estado soltou um “atão mas...” referido aos empresários que se queixavam do valor da TSU e que agora dizem ser uma asneira o bailado que com ela se fez.
Este “atão mas...” é qualquer coisa que não pode deixar sair quem pretende ser político.
Um aprendiz de política deve saber encontrar o q.b. de distanciamento em relação ao argumentário dos interesses. E não se pode admirar com as incongruências das posições (se é que foram os mesmos que disseram uma e outra coisa) muito menos julgar o plano dos argumentos enquadrável num eixo de abcissas e outro de ordenadas.
Falta política. Como se via há um ano.
Como se vê bem agora.
Não é só a corda que nos prende ao poço de Saint-Exupéry nem a pesada herança dos anos de desvario, é algo mais. Que falta.
Quando há cerca de um ano afirmei aqui que faltava política ainda não tinha ouvido da missa a metade.
Ontem, um secretário de Estado soltou um “atão mas...” referido aos empresários que se queixavam do valor da TSU e que agora dizem ser uma asneira o bailado que com ela se fez.
Este “atão mas...” é qualquer coisa que não pode deixar sair quem pretende ser político.
Um aprendiz de política deve saber encontrar o q.b. de distanciamento em relação ao argumentário dos interesses. E não se pode admirar com as incongruências das posições (se é que foram os mesmos que disseram uma e outra coisa) muito menos julgar o plano dos argumentos enquadrável num eixo de abcissas e outro de ordenadas.
Falta política. Como se via há um ano.
Como se vê bem agora.
Não é só a corda que nos prende ao poço de Saint-Exupéry nem a pesada herança dos anos de desvario, é algo mais. Que falta.
17/09/2012
Treino
A haver por estes dias alguns colapsos parciais no abastecimento de combustíveis servirão de bom treino para os que não sabem o que são racionamentos.
Ainda andam a clamar por direitos – à imagem dos dois paralíticos – e de repente verão que o balde de plástico é uma grande invenção.
A haver por estes dias alguns colapsos parciais no abastecimento de combustíveis servirão de bom treino para os que não sabem o que são racionamentos.
Ainda andam a clamar por direitos – à imagem dos dois paralíticos – e de repente verão que o balde de plástico é uma grande invenção.
Trânsito
Diz que as alterações ao trânsito no centro de Lisboa se destinam a retirar dali parte do tráfego.
E que até Dezembro estará a coisa à experiência.
Qualquer criança percebe que estrangulando uma artéria o fluxo diminui. Quanto mais estrangularem, menor tráfego terão – é a lógica da batata.
O facto de haver ou não um granel inicial que conduza as pessoas para outros lados é irrelevante. Com o tempo, estabelecer-se-á um novo equilíbrio.
A única coisa que poderá estar a ser sujeita a escrutínio é assim a consequência sobre o trânsito de zonas alternativas. Se existirem dados já colhidos para comparar, em Dezembro se verá.
No Marquês e na Avenida haverá menos trânsito, disso não resta a menor dúvida.
Diz que as alterações ao trânsito no centro de Lisboa se destinam a retirar dali parte do tráfego.
E que até Dezembro estará a coisa à experiência.
Qualquer criança percebe que estrangulando uma artéria o fluxo diminui. Quanto mais estrangularem, menor tráfego terão – é a lógica da batata.
O facto de haver ou não um granel inicial que conduza as pessoas para outros lados é irrelevante. Com o tempo, estabelecer-se-á um novo equilíbrio.
A única coisa que poderá estar a ser sujeita a escrutínio é assim a consequência sobre o trânsito de zonas alternativas. Se existirem dados já colhidos para comparar, em Dezembro se verá.
No Marquês e na Avenida haverá menos trânsito, disso não resta a menor dúvida.
16/09/2012
15/09/2012
14/09/2012
Impressionado
Impressionado, surpreendido, espantado, maravilhado, qualquer que seja o adjectivo que escolha, parecerá adequar-se ao meu estado hoje a meio da tarde quando me vi ou no meio de uma cena godardiana ou ao volante atravessando um sonho.
Cada um dos estados a que se refere cada adjectivo é, para mim, uma espécie de primitiva cuja derivada se pode exprimir poeticamente pela mesma função – fico sempre surpreendido quando me surpreendo. E isto não é pleonasmo. Nem é o conde corado de O’Neill.
A pervertura himenente* (da vida) contribuiu mas não foi decisiva para compôr o quadro.
* Se este blogue fosse feminino (o blogue, não o autor) chamar-se-ia assim.
Impressionado, surpreendido, espantado, maravilhado, qualquer que seja o adjectivo que escolha, parecerá adequar-se ao meu estado hoje a meio da tarde quando me vi ou no meio de uma cena godardiana ou ao volante atravessando um sonho.
Cada um dos estados a que se refere cada adjectivo é, para mim, uma espécie de primitiva cuja derivada se pode exprimir poeticamente pela mesma função – fico sempre surpreendido quando me surpreendo. E isto não é pleonasmo. Nem é o conde corado de O’Neill.
A pervertura himenente* (da vida) contribuiu mas não foi decisiva para compôr o quadro.
* Se este blogue fosse feminino (o blogue, não o autor) chamar-se-ia assim.
12/09/2012
Filme
É insuportável um filme onde de um lado há uns histéricos cheios de direitos e de outro uns tristes cheios de razões.
Vê-se claramente visto que, não havendo como não há solução para se sair do poço, tudo apodrecerá longe do sol.
É insuportável um filme onde de um lado há uns histéricos cheios de direitos e de outro uns tristes cheios de razões.
Vê-se claramente visto que, não havendo como não há solução para se sair do poço, tudo apodrecerá longe do sol.
11/09/2012
Os sítios
Os sítios desaparecidos que nos informam a alma, como os diaporamas incluem pessoas. E trazem anexos sons, aromas e episódios.
Pertenço a uma geração que tem provavelmente o discutível privilégio de ter assistido à maior revolução topológica no país. Recorde que até pode manter, como Bob Beamon por alguns anos mais, a julgar pela quantidade de entropia do sistema.
Faz isto com que me depare com bastante frequência com locais que pouco ou nada contêm da memória que deles tinha.
Tropecei hoje num homem que pertence a um desses diaporamas virtuais.
Anos a fio atendeu-me atrás de um balcão que de pedra passou a aço inoxidável e cujo pano de fundo passou das pipas que vertiam mesmo vinho às estantes igualmente inoxidáveis contendo garrafas para consumo exclusivo na casa. Essas mudanças porém não alteraram o essencial, tudo era reconhecível de dia para dia.
É difícil hoje sem a ajuda de um teodolito dizer exactamente onde ficava o balcão, a porta de entrada, a mesa das traseiras com vista para o vale. De um teodolito e de uma carta antiga que mostrasse como era o alinhamento da rua, as suas cotas, etc.
Foi-me hoje difícil perceber que aquele rosto pertencia a tal quadro. Foi à segunda e com reservas.
Quase como se fosse necessário o levantamento topográfico para saber de quem se tratava.
ERRATA: onde se lê diaporamas deverá ler-se dioramas
Os sítios desaparecidos que nos informam a alma, como os diaporamas incluem pessoas. E trazem anexos sons, aromas e episódios.
Pertenço a uma geração que tem provavelmente o discutível privilégio de ter assistido à maior revolução topológica no país. Recorde que até pode manter, como Bob Beamon por alguns anos mais, a julgar pela quantidade de entropia do sistema.
Faz isto com que me depare com bastante frequência com locais que pouco ou nada contêm da memória que deles tinha.
Tropecei hoje num homem que pertence a um desses diaporamas virtuais.
Anos a fio atendeu-me atrás de um balcão que de pedra passou a aço inoxidável e cujo pano de fundo passou das pipas que vertiam mesmo vinho às estantes igualmente inoxidáveis contendo garrafas para consumo exclusivo na casa. Essas mudanças porém não alteraram o essencial, tudo era reconhecível de dia para dia.
É difícil hoje sem a ajuda de um teodolito dizer exactamente onde ficava o balcão, a porta de entrada, a mesa das traseiras com vista para o vale. De um teodolito e de uma carta antiga que mostrasse como era o alinhamento da rua, as suas cotas, etc.
Foi-me hoje difícil perceber que aquele rosto pertencia a tal quadro. Foi à segunda e com reservas.
Quase como se fosse necessário o levantamento topográfico para saber de quem se tratava.
ERRATA: onde se lê diaporamas deverá ler-se dioramas
10/09/2012
Contra viento y madera
É só o que me apetece ouvir por estes dias.
Recuperando velhos, muito velhos hábitos.
É só o que me apetece ouvir por estes dias.
Recuperando velhos, muito velhos hábitos.
08/09/2012
Perguntas que não se podem fazer
Onde foram estas cabeças buscar a ideia peregrina que distribuir um 13º mês pelos doze meses do ano é da preferência dos assalariados?
Do ponto de vista das contas do Estado pagá-lo de uma só vez em Dezembro não seria sempre preferível?

extracto do discurso de ontem do PM
Nota: Bem sei que já quase respondi a isto.
Onde foram estas cabeças buscar a ideia peregrina que distribuir um 13º mês pelos doze meses do ano é da preferência dos assalariados?
Do ponto de vista das contas do Estado pagá-lo de uma só vez em Dezembro não seria sempre preferível?

extracto do discurso de ontem do PM
Nota: Bem sei que já quase respondi a isto.
07/09/2012
Sangue
Ou como eu me vou repetindo sobre o tema.
Aquela velha (de mais de dez anos) sentença de um dos meus velhos amigos que uma cavalgada com reiunas se torna mais ou menos inevitável à medida que o tempo passa e o despautério grassa nas hordas de mentecaptos e de chicos-espertos que comandam a coisa, vai, à medida que o mesmo tempo passa, caducando.
No entanto, a mim cheira-me a sangue, agora mais que nunca. Não se trata de duas facções em confronto, pois os que não dão um chavo pela situação calculo que sejam em número esmagador, quase à beira das unanimidades do medo. Esta unanimidade não é do medo, é do nojo.
Calculo que haja entre os que nisto ainda mandam noção de tal. E aí sim, um certo medo.
Não vai haver guerra nenhuma mas não aposto meio-tostão furado na sorte de certas cabeças.
Lembram-se de umas certas FP?
Ou como eu me vou repetindo sobre o tema.
Aquela velha (de mais de dez anos) sentença de um dos meus velhos amigos que uma cavalgada com reiunas se torna mais ou menos inevitável à medida que o tempo passa e o despautério grassa nas hordas de mentecaptos e de chicos-espertos que comandam a coisa, vai, à medida que o mesmo tempo passa, caducando.
No entanto, a mim cheira-me a sangue, agora mais que nunca. Não se trata de duas facções em confronto, pois os que não dão um chavo pela situação calculo que sejam em número esmagador, quase à beira das unanimidades do medo. Esta unanimidade não é do medo, é do nojo.
Calculo que haja entre os que nisto ainda mandam noção de tal. E aí sim, um certo medo.
Não vai haver guerra nenhuma mas não aposto meio-tostão furado na sorte de certas cabeças.
Lembram-se de umas certas FP?
06/09/2012
05/09/2012
Circunscrito
Um destes dias, surpreendentemente, ouvi um jornalista discorrer sobre um incêndio de forma acertada. Não merece parabéns, merece sim ser reconhecido como capaz de fazer o trabalho que lhe compete. Se a grande maioria dos outros não o sabe...
Uma das coisas que o homem mostrou foi saber exactamente o sentido da palavra circunscrito, palavra que tendo sido, por desconhecimento profundo de jornalistas e informadores, quase sempre confundida com a palavra extinto, acabou por deixar de ser utilizada tanto no site da ANPC como, por tabela, na maioria das redacções, na certa por decisão de alguém mais esclarecido.
Fez uma série de observações lógicas, fez perguntas relevantes e arredou-se de explorar as sensações primárias. Ele há gente capaz. Está é demasiado escondida no meio dos tristes.
Um destes dias, surpreendentemente, ouvi um jornalista discorrer sobre um incêndio de forma acertada. Não merece parabéns, merece sim ser reconhecido como capaz de fazer o trabalho que lhe compete. Se a grande maioria dos outros não o sabe...
Uma das coisas que o homem mostrou foi saber exactamente o sentido da palavra circunscrito, palavra que tendo sido, por desconhecimento profundo de jornalistas e informadores, quase sempre confundida com a palavra extinto, acabou por deixar de ser utilizada tanto no site da ANPC como, por tabela, na maioria das redacções, na certa por decisão de alguém mais esclarecido.
Fez uma série de observações lógicas, fez perguntas relevantes e arredou-se de explorar as sensações primárias. Ele há gente capaz. Está é demasiado escondida no meio dos tristes.
04/09/2012
03/09/2012
01/09/2012
Procuração harmónica
A literatura está cheia de exemplos. A vida, sendo ou não espelho da literatura (há quem bizarramente, estabeleça a relação reflexa – pondo a literatura a espelhar a vida) não o está menos.
É portanto um caso vulgar.
Diria um velho amigo que ser um homem pai é das coisas mais vulgares do mundo. Porém, com ele, até aquele dia, nunca tinha acontecido.
Continuamos portanto no domínio dos lugares comuns.
O facto é que comigo nunca tinha acontecido. E aconteceu duas vezes, num intervalo curto.
Procuração pode ser o acto de procurar algo ou alguém e pode ser o acto de dar a outrem os poderes que se detêm.
A harmonia pode ser muita coisa. É um conceito demasiado vago e com significados quase diversos para que se possa extrair dele um sumo muito particular. Mas serve aqui vagamente como desígnio artístico e como modulador de frequências.
Da frequência com que se procura que vai sendo multiplicada.
Do encaixe artístico de uma silhueta num vulto. Por procuração.
E Ela assim se multiplica. Nesta e naquela. Cada vez mais frequentemente se procura.
A literatura está cheia de exemplos. A vida, sendo ou não espelho da literatura (há quem bizarramente, estabeleça a relação reflexa – pondo a literatura a espelhar a vida) não o está menos.
É portanto um caso vulgar.
Diria um velho amigo que ser um homem pai é das coisas mais vulgares do mundo. Porém, com ele, até aquele dia, nunca tinha acontecido.
Continuamos portanto no domínio dos lugares comuns.
O facto é que comigo nunca tinha acontecido. E aconteceu duas vezes, num intervalo curto.
Procuração pode ser o acto de procurar algo ou alguém e pode ser o acto de dar a outrem os poderes que se detêm.
A harmonia pode ser muita coisa. É um conceito demasiado vago e com significados quase diversos para que se possa extrair dele um sumo muito particular. Mas serve aqui vagamente como desígnio artístico e como modulador de frequências.
Da frequência com que se procura que vai sendo multiplicada.
Do encaixe artístico de uma silhueta num vulto. Por procuração.
E Ela assim se multiplica. Nesta e naquela. Cada vez mais frequentemente se procura.
31/08/2012
Aquecimento
Não me dirijo a quem recolhe dados e os trata mais ou menos.
Ou a quem os analisa com espírito crítico. Sabendo que um ínfimo troço de uma curva não nos diz absolutamente nada sobre o seu desenvolvimento.
Dirijo-me, inutilmente, às entidades cavalares que nos sintomas concordes vêem e cantam a desgraça que eles anunciam e se calam aos sintomas discordes.
Ora isto de querer descobrir o futuro a partir de uma folha de excel é qualquer coisa que só ocupa almas equídeas.
Ouvir dizer que em Agosto se registou uma temperatura de -1,2ºC * na zona leonesa de Sanabria é uma curiosidade.
Os cavalos, tivesse a coisa sido de 48,8ºC (mais 50ºC), haveriam de vir ameaçar os crentes com volteios litúrgicos do século XVI. Como o sintoma discordou muito da cartilha que aprenderam, calam-se e metem a viola no saco.
Alguma vez os equídeos perceberão que nada sabem do mundo?
Alguma vez os homens perceberão a exacta mesma coisa?

quadro da AEMET de Espanha
* link perecível
Não me dirijo a quem recolhe dados e os trata mais ou menos.
Ou a quem os analisa com espírito crítico. Sabendo que um ínfimo troço de uma curva não nos diz absolutamente nada sobre o seu desenvolvimento.
Dirijo-me, inutilmente, às entidades cavalares que nos sintomas concordes vêem e cantam a desgraça que eles anunciam e se calam aos sintomas discordes.
Ora isto de querer descobrir o futuro a partir de uma folha de excel é qualquer coisa que só ocupa almas equídeas.
Ouvir dizer que em Agosto se registou uma temperatura de -1,2ºC * na zona leonesa de Sanabria é uma curiosidade.
Os cavalos, tivesse a coisa sido de 48,8ºC (mais 50ºC), haveriam de vir ameaçar os crentes com volteios litúrgicos do século XVI. Como o sintoma discordou muito da cartilha que aprenderam, calam-se e metem a viola no saco.
Alguma vez os equídeos perceberão que nada sabem do mundo?
Alguma vez os homens perceberão a exacta mesma coisa?

quadro da AEMET de Espanha
* link perecível
30/08/2012
29/08/2012
Rastos
Tropeçando no mundo de Alice em bólides azuis, avivou-se-me a memória recente:
Estes dias de Perseidas, já dia, pouco distante do ponto em que há um ano avistei o dito bólide, rasgou-se por sobre o volante a fina risca no céu do sul.
Ocorreu-me que os céus estrelados e riscados são agora uma memória.
Dos tempos do décubito dorsal sobre o passeio da ponte, varapaus de marmeleiro, conversas retomadas, grilos e rãs a competirem com o débito do gira-discos a pilhas. Era o início da década de setenta e tudo podia estar escrito nas estrelas.
Sabiamo-lo na altura. Não o sabemos hoje.
Tropeçando no mundo de Alice em bólides azuis, avivou-se-me a memória recente:
Estes dias de Perseidas, já dia, pouco distante do ponto em que há um ano avistei o dito bólide, rasgou-se por sobre o volante a fina risca no céu do sul.
Ocorreu-me que os céus estrelados e riscados são agora uma memória.
Dos tempos do décubito dorsal sobre o passeio da ponte, varapaus de marmeleiro, conversas retomadas, grilos e rãs a competirem com o débito do gira-discos a pilhas. Era o início da década de setenta e tudo podia estar escrito nas estrelas.
Sabiamo-lo na altura. Não o sabemos hoje.
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença décima
É inútil estabelecer axiomas nas ciências.
Obs: A matemática sendo ab initio uma ferramenta, uma complicação da contagem e da aritmética, tornou-se ciência à medida que a sua complexidade mereceu apreciação. Não a incluo nesta sentença.
É inútil estabelecer axiomas nas ciências.
Obs: A matemática sendo ab initio uma ferramenta, uma complicação da contagem e da aritmética, tornou-se ciência à medida que a sua complexidade mereceu apreciação. Não a incluo nesta sentença.
28/08/2012
K G I
Ia no K em 2005, no G em 2008 e vai no I este ano. Mais ou menos pelos mesmos dias.
Parece este ter um menor grau de organização comparativamente ao de 2008. Diferença essa que é notória face ao de 2005.
De qualquer forma, rebentassem os diques, a catástrofe seria de dimensão igual à de 2005 em Nova Orleães.

imagens da NOAA (clicar para ampliar)
Ia no K em 2005, no G em 2008 e vai no I este ano. Mais ou menos pelos mesmos dias.
Parece este ter um menor grau de organização comparativamente ao de 2008. Diferença essa que é notória face ao de 2005.
De qualquer forma, rebentassem os diques, a catástrofe seria de dimensão igual à de 2005 em Nova Orleães.

imagens da NOAA (clicar para ampliar)
27/08/2012
O tempo passa e a caravana ladra
Lembrei-me hoje de um post do Besugo na sua Gravidade Intermédia (entretanto suspensa das leis que determinam a queda dos graves) o qual subscrevi há cerca de um ano.
Lembrei-me hoje e espero não me lembrar muitas mais vezes este ano. Embora uma nefasta suspeita se tenha instalado – o homem que vê muito mais do que eu ao olhar para onze tipos aos pontapés na bola, que eu não consigo avaliar e acertar como ele, teria publicado algo de semelhante este ano se não tivesse suspendido os intermédios graves no éter.
Lembrei-me hoje de um post do Besugo na sua Gravidade Intermédia (entretanto suspensa das leis que determinam a queda dos graves) o qual subscrevi há cerca de um ano.
Lembrei-me hoje e espero não me lembrar muitas mais vezes este ano. Embora uma nefasta suspeita se tenha instalado – o homem que vê muito mais do que eu ao olhar para onze tipos aos pontapés na bola, que eu não consigo avaliar e acertar como ele, teria publicado algo de semelhante este ano se não tivesse suspendido os intermédios graves no éter.
Serviço público
A tropa fandanga que se encarrega das notícias na RTP não rouba só imagens na net. Hoje repetiu, quase letra a letra, as dores de alma que ontem emitiu sob a forma de rotundo disparate que só se entende por má-fé ou estupidez retinta. Casos em que chamar a tal serviço público é apenas uma piada.
Depois da dita repetição surgiu mais uma pérola: uma das igrejas de Olivença está em território espanhol. O caso aqui é ainda mais grave: num país que não reconhece a soberania espanhola sobre territórios ocupados, numa televisão pública ser isto dito revela que ou alguém foi propinado pelos interesses de Castela, Aragão e limítrofes ou está uns degraus abaixo de cão. É a mesma conclusão que tirei acima mas com maior gravidade no efeito, logo nos epítetos. Ou é cupidez ou estupidez.
Nada nos serve.
A tropa fandanga que se encarrega das notícias na RTP não rouba só imagens na net. Hoje repetiu, quase letra a letra, as dores de alma que ontem emitiu sob a forma de rotundo disparate que só se entende por má-fé ou estupidez retinta. Casos em que chamar a tal serviço público é apenas uma piada.
Depois da dita repetição surgiu mais uma pérola: uma das igrejas de Olivença está em território espanhol. O caso aqui é ainda mais grave: num país que não reconhece a soberania espanhola sobre territórios ocupados, numa televisão pública ser isto dito revela que ou alguém foi propinado pelos interesses de Castela, Aragão e limítrofes ou está uns degraus abaixo de cão. É a mesma conclusão que tirei acima mas com maior gravidade no efeito, logo nos epítetos. Ou é cupidez ou estupidez.
Nada nos serve.
26/08/2012
Estudo
Há um tipo – hoje cruzei-me com ele – que se dá ao trabalho de mandar estudar o Relvas. Temo que incorra num grave equívoco – é que o Relvas com ou sem estudos é o Relvas. A vida é assim e não me consta que o dito Relvas tenha exibido o canudo para que o tratassem com a dignidade referente ao grau que obteve. O facto de não me constar não quer dizer nada mas dá a ideia da minha situação no caso. A qual é de absoluto distanciamento.
Dito isto, e a propósito de estudos – eu que sou um péssimo exemplo na matéria não me demito de dar nota dos disparates que ouço e vejo, pagos com o dinheiro de todos – fiquei ontem encantado com o início do telejornal da RTP.
É que quando se falou da própria RTP, o jornalista mencionou as receitas previstas para o ano que vem – 145 milhões de euros da taxa do audio-visual a somar a 60 milhões de euros de publicidade. Rematou que nem um cêntimo sai do orçamento do Estado.
Disse, agravadamente e em seguida, que a verificarem-se as previsões orçamentais da casa, o próximo ano fechará com um balanço positivo (disse lucro, o homem) de 25 milhões de euros, visto que a despesa prevista é de apenas 180 milhões de euros e que a receita, somando as parcelas acima mencionadas é de 205 milhões de euros.
Pergunta então um tipo sem estudos carimbados e certificados se o facto da taxa do audio-visual não estar orçamentada (não faço ideia se está ou não, nem isso me interessa) tem alguma importância se quem paga é o mesmo. É a tal questão muito discutida nestes dias se o pagode paga por multibanco, por cheque, por transferência bancária ou em numerário.
Questão que só uma sociedade dominada pela loucura ou pelo atraso mental pode discutir honestamente.
Ora isto é o suposto serviço público. E se o serviço público é este somatório de disparates...
Veja-se o Telejornal de 25 de Agosto de 2012 – parte I (entre os 8:00 e os 10:00 minutos da emissão, mais coisa menos coisa)
Há um tipo – hoje cruzei-me com ele – que se dá ao trabalho de mandar estudar o Relvas. Temo que incorra num grave equívoco – é que o Relvas com ou sem estudos é o Relvas. A vida é assim e não me consta que o dito Relvas tenha exibido o canudo para que o tratassem com a dignidade referente ao grau que obteve. O facto de não me constar não quer dizer nada mas dá a ideia da minha situação no caso. A qual é de absoluto distanciamento.
Dito isto, e a propósito de estudos – eu que sou um péssimo exemplo na matéria não me demito de dar nota dos disparates que ouço e vejo, pagos com o dinheiro de todos – fiquei ontem encantado com o início do telejornal da RTP.
É que quando se falou da própria RTP, o jornalista mencionou as receitas previstas para o ano que vem – 145 milhões de euros da taxa do audio-visual a somar a 60 milhões de euros de publicidade. Rematou que nem um cêntimo sai do orçamento do Estado.
Disse, agravadamente e em seguida, que a verificarem-se as previsões orçamentais da casa, o próximo ano fechará com um balanço positivo (disse lucro, o homem) de 25 milhões de euros, visto que a despesa prevista é de apenas 180 milhões de euros e que a receita, somando as parcelas acima mencionadas é de 205 milhões de euros.
Pergunta então um tipo sem estudos carimbados e certificados se o facto da taxa do audio-visual não estar orçamentada (não faço ideia se está ou não, nem isso me interessa) tem alguma importância se quem paga é o mesmo. É a tal questão muito discutida nestes dias se o pagode paga por multibanco, por cheque, por transferência bancária ou em numerário.
Questão que só uma sociedade dominada pela loucura ou pelo atraso mental pode discutir honestamente.
Ora isto é o suposto serviço público. E se o serviço público é este somatório de disparates...
Veja-se o Telejornal de 25 de Agosto de 2012 – parte I (entre os 8:00 e os 10:00 minutos da emissão, mais coisa menos coisa)
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