11/12/2012

Memorandum

Para responder a mim próprio.



Entre Júlias, passará um livro que me parece apropriado ler por estes dias. Esperando que seja um episódio cómico entre tragédias, Ivone.
Eu abomino em geral as biografias. Talvez com a mesma intensidade com que excluo as pessoas das fotografias, coisa de que já fui acusado formalmente. Por isso nunca te fotografei.
E esta em particular, diz-me o preconceito, deve ser particularmente ruidosa de ler. Só vou à procura do temor milenar que me disseram estar lá depositado um pouco para além da manobra publicitária.

Não se trata de um livro hermético. Bem pelo contrário. É suficiente na clareza a descrever uma atitude.
Sem gastar dinheiro, lendo esta entrevista de 1998, tinha ficado a saber o mesmo. E o que fiquei a saber, interessa-me nada.
Admitamos que tal como no processo racional a maioria das mentes é incapaz de ver e assim verificar a veracidade de uma afirmação dentro de uma dada convenção, também para a maioria das mentes se encontra vedado o acesso a caminhos ditos de iniciação.
Admitindo tal, e aqui refém ou parceiro do jogo racional, afirmo a impossibilidade de argumentar racionalmente a partir de conceitos ou de formas que não se podem reduzir à razão. É um acto falhado. Como o de querer impôr a fé por argumentos.
Vistas as coisas, lido o livro, ao contrário do que eu supunha, por mero preconceito e por ter dado atenção ao que não devia, nada nele confirma as notícias que em 1999 se escreveram sobre o homem.
Horas perdidas - disse o grilo.

10/12/2012

Falta um

Ao Sporting só falta um jogador assim.
Descontando o árbitro, vê-se toda a equipa do Benfica de roda dele, à excepção do guarda-redes.
Eu de memória diria que eram para aí uns sete. Não. São mesmo dez.


imagem de tv caçada na página da Bola

08/12/2012

A lógica das redacções

A lógica que, regra geral, preside às afirmações das redacções pode ser reduzida à sua forma canónica assim:
a=b => 3=5
(com a e b à vontade do freguês)
É isto aceite de boa mente por uma falange significativa do público? Assim parece, dado que o mesmo tipo de construções lógicas se ouvem e lêem um pouco por todo o lado.
É isto usado no discurso político? É. Basta seguir um debate parlamentar.
Basta atentar na verborreia de noventa em cada cem dos nossos representantes. Hoje, por hoje ser, ainda dou o benefício a dez.
Tem isto consequências na nossa vida em sociedade? Tem.
Nem é preciso ir buscar o exemplo académico da ex-futura A26. E averiguar quanto é que nos custou e custará uma auto-estrada para a Senhora da Asneira.
Não é preciso dar muitos passos nem ler ou ouvir muita coisa. Basta apenas não ter ainda enlouquecido.

07/12/2012

A letra J

Depois do I, Ivone, passa-se ao J.
Vamos então fazer a revisão da matéria. Passou-se pelo A, pelo C, pelo G, pelo I, pelo J, pelo L, pelo M, pelo O, pelo T. Mas isso (embora aqui vá ordenado) foi no tempo das séries malucas, tal como as matrículas de automóvel.
Agora, segue-se a ordem alfabética. E depois do I, Ivone, passa-se ao J.
Mas não te assustes, estamos apenas no plano literário e figurativo.
É que hoje foi-me apresentado o rosto de uma escritora. Chama-se Júlia, escreve em castelhano e descobri que tenho nas estantes um dos livros dela, cujo removi para a mesa de cabeceira, esperando dar-lhe uso daqui a uns dias.
A outra Júlia eram umas pernas prantadas numa capa do livro de Vargas que ainda não terminei.
Entre Júlias, passará um livro que me parece apropriado ler por estes dias. Esperando que seja um episódio cómico entre tragédias, Ivone.
Eu abomino em geral as biografias. Talvez com a mesma intensidade com que excluo as pessoas das fotografias, coisa de que já fui acusado formalmente. Por isso nunca te fotografei.
E esta em particular, diz-me o preconceito, deve ser particularmente ruidosa de ler. Só vou à procura do temor milenar que me disseram estar lá depositado um pouco para além da manobra publicitária.
A ver vamos. Voltarei ao I, Ivone.

05/12/2012

Aposta

Antes que o Benfica faça um resultado que atice ou arrefeça a esperança dos lampiões, noto que ganhar 62,5% de juros em 5 meses me parece muito razoável.
Aposto que sim.


fonte: oddschecker

04/12/2012

Regressão

Regressão? Não se trata disso. Regressão é suposto ser a evolução para um estádio passado.
Do que se trata é de uma evolução negativa. Para um ponto em que nunca tinha estado.
Nunca deixei de considerar que não há nada mais inútil do que uma opinião.
Até uma certa idade fui consequente. Não as dava. Por serem inúteis e por achar ainda que o processo de formação de uma opinião é uma sucessão de erros.
Com a idade, deixei-me levar por impulsos. Opino.
É o juízo que falece. Aos poucos.

02/12/2012

Um acaso às pintinhas

Pousou em azuis indefiníveis.
Deixou rasto de oficina.
Luzes de chão em jardins de praia.
Moveu-se para norte, seguindo a estrela.
E logo, logo, logo ali, resolveu o teorema de Fermat
Da forma simples de que ele falava.

SG, inéditos, 2007

30/11/2012

A validação da História

A validação da História, na medida em que é comummente aceite, é uma coisa que me dá que fazer.
Os factos a passarem a opiniões, por mais despidas de subjectividade emocional, interesseira ou de paralaxe que sejam, dão-me esse trabalho todo.
Inútil.
Os obituários pessoais, intransmissíveis, nulos e sem efeito

Estou convencido – embora não tenha nenhum tipo de informação que apoie tal a não ser a de que o erro está em todo o lado - de que a grande maioria das pessoas constrói com erros a lista dos óbitos dos seus conhecidos, sejam eles dos que se cruzaram com elas na vida, sejam meras figuras que se tornaram notadas.
Com menos conversa, teria dito que matamos na nossa cabeça gente que está viva e de boa saúde.
No meu caso, quase sempre se verifica que só desmancho esses enganos quando é tarde de mais. A pessoa foi-se efectivamente. Deixa portanto de ser engano no dia em que dou por ele.

29/11/2012

Sempre a Geometria (analítica)

Se há coisa que ilustra o meu estado de espírito é a falta de paciência para chegar a expressões que definam filigranas.
Desafio que outrora era muito do meu agrado.

27/11/2012

Dos mistérios que se conhecem como tal



No dia 24 de Janeiro de 2005, atestam para meu governo as datas apostas, sete-títulos-sete indicam que me inclinava a escrever sobre o que se pode ver e nada escrevi.
Foi decerto um alinhavo para dias vindouros, um não-te-esqueças.
Para além de alguns títulos serem confusos e me soarem mal, de nada me recordo.
O que será uma fórmula arbitrária? Uma fórmula em que entra uma variável arbitrária?
A previsão dos analistas soa mal, está mal construído como título se se pretende falar das previsões que fazem os videntes vestidos de analistas mas já se aceita se se trata de prever o que vão fazer e dizer os analistas. Mas não é grande coisa como título.
E do todo se retira que há muito mais subjectividade do que objectividade subentendida na série.
O conteúdo nunca existiu. Os títulos não me agradam, embora não diga que não os venha a utilizar.
O mistério maior é ter alinhado tanta coisa num só dia. Porque não é costume.

25/11/2012

22/11/2012

Clarabóia

Vistas que estão as coisas, percorrido que está o livro de Saramago, conclui-se que não responde aos quesitos que enunciei – uma obra que retrate a vida dentro de um prédio de rendimento ao longo de 50 anos, em Lisboa ou arredores.
Nessa história haveria de haver muitos pontos de interacção entre vizinhos mas nenhum deles decisivo.
Já no livro de Saramago, que no fundo conta seis histórias sem grande ligação, os poucos pontos em que essa ligação existe são decisivos.
E abarca um período curto.

21/11/2012

Transformadas

As transformadas de algumas linhas notáveis do globo e da rota decisiva apresentam este aspecto:



A função que as transformou anda por aqui à solta.
Portugal, 2007

20/11/2012

Acabou o prazo

Para quem enveredou por um caminho escuso, pouco sujeito a encontros decisivos que não sejam finais, estando assim menos sujeito a influências humanas do que os que percorrem ruas apinhadas, e vai contemplando o que lhe aparece dos lados e à frente, ao longe e ao perto, o facto de constatar, nas estâncias povoadas do caminho, que outros pelos mesmos ou por diversos caminhos chegaram às mesmas conclusões é um banho de humildade que previne contra a pesporrência das ideias geniais ou apenas originais.
Banho que, numa escala mais comezinha, toma quem quer escrever sobre a descoberta do ponto P, onde as condições são as ideais – as condições ideais de toda a teoria com princípios – e descobre que já acabou o prazo.
É que outros, muitos outros, já o descobriram anteriormente.

19/11/2012

A Dona Iva e a sua polícia

A suspeita estava bem estribada - um dia inteirinho sem usar o cartão de débito ou o telefone móvel. Fora isso que conduzira à minha detenção.
Caso sonial de há meia-dúzia de anos que me preparou para a hipótese de ser detido numa das voltas da vida por não ter o meu número de contribuinte associado a facturas, como pagador e pagante da Dona Iva.
O último mail do senhor Pereira não o diz mas avisa-me.
IM

Acompanho diariamente a página do Instituto de Meteorologia há muitos anos. Desde a altura em que tomou forma.
O trabalho que ali transparece é meritório.
Há, no entanto, alguns reparos a fazer. Aparentemente, ao fim-de-semana a página funciona mais ou menos em piloto automático. Nota-se que em muitos casos, e este de sexta-feira passada no Algarve é um exemplo, ao fim-de-semana não há notas sobre o que sucede.
A respeito do caso de sexta-feira, e quando sobre o qual ainda não existe nenhum tipo de nota informativa, ouviu-se que só depois de uma deslocação ao local se poderia afirmar se se tratou de um tornado ou não.
A acreditarmos na veracidade de todas as imagens que se viram, existiu de facto um fenómeno semelhante a uma tromba d’água, embora mais difuso, bem visível da costa.
Pelos relatos e pelas imagens recolhidas pelas televisões, verificou-se em terra um fenómeno meteorológico que gerou rajadas de grande intensidade numa zona bem delimitada.
Se se tratou do mesmo fenómeno e se teve ou não as características que deve ter um tornado parece-me coisa que uma análise no local não vai agora esclarecer. Será apenas para lhe conhecerem o rasto?


imagem de autor não identificado passada na RTP
Costa ocidental portuguesa, 2012

18/11/2012

Geometria

A Geometria entra pelos olhos dentro. Não tem forma de ser apreendida por textos.
Quando deixa de entrar, não adianta mudar de óculos.
Ou uma aparente contradição com este anterior parágrafo.
Por texto lá escrito, entenda-se um conjunto de designações e proposições em linguagem matemática.

17/11/2012

Sintomas

Com um avanço de uma cabeça em relação a mim, a senhora assenhoreou-se da montra da farmácia.
Não chovia nem pingava mas a senhora usava a sombrinha (chapéus de chuva de mulheres são sempre sombrinhas) com eficácia. Escondia de mim o placard das farmácias de serviço.
Quando me resolvi a pedir que me deixasse também ver o placard, revelou o seu rosto cheio de interrogações, por detrás da calote azulada.
No fundo, o que ela queria era que o placard lhe dissesse onde ficavam as farmácias cuja morada estava bem explícita. Talvez ficasse mais meia hora à espera que o placard lhe ensinasse o caminho. Ou que eu...
Precisa decerto da medicação. Para amanhã. Disse-me que queria saber onde ficavam as que estão de serviço amanhã.

16/11/2012

A máquina do pensamento perpétuo

O que de facto me ocupa é o envólucro da máquina do pensamento perpétuo. Vejo-a pintada de escarlate.

14/11/2012

Oficial

Julgo estar em condições de ver reconhecida a minha vasta experiência em ascensores e transladores. Em sonhos.
Em sonhos, especializei-me em quase todos os tipos de ascensores e transladores existentes e em muitos dos tipos que ainda não existem.
Recordo-me até de ter pronunciado, perante vasto auditório, uma concisa apreciação das diversas formas de conceber os nós de ligação entre trajectos verticais e horizontais nos casos das máquinas mistas que tanto elevam e descem como deslocam à esquerda e à direita. Quase sempre em modelos de edifícios monumentais saídos dos primórdios da Escola de Chicago e aparentados com o megatério de Filipe Lobo.
Toda essa experiência, todo esse conhecimento são mais do que suficientes para que me reconheçam a categoria profissional de oficial de 3ª classe de concepção e operação de ascensores e transladores.

A talhe de faca, sempre digo que pois à minha frente no talho estava um homem que não queria um bife. Nem um antibife, feito de antiprotões e positrões.
O que ele queria e bem o explicou era que o magarefe lhe descrevesse o bife que estaria dois palmos à direita da ponta direita da peça talhada. De quem vê do lado de cá do balcão, explicou bem.
Para meu espanto, o magarefe descreveu com grande detalhe o bife que haveria de ter sido cortado da peça de vaca que ali faltava.
O homem, depois de empreender a meia-volta, passou por mim com um de ar contentamento pós-prandial patente no ricto.
E querem o quê?

13/11/2012

Cheiro a fim

O cheiro a fim desprende-se do orçamento para a segurança interna.
Alguma coisa eles percebem.

12/11/2012

Receptador

Pedro, aquela do receptador foi obra!
As assim não tão grandes questões universais

A propósito da correria do dia, à qual é dificílimo escapar e que provoca a tradicional erisipela, interroga-se o indígena que não conhece a língua alemã muito menos as particularidades dos seus nomes – por que raio a maior parte das vezes me soa Mér-que-le?
Mas isto tem algum interesse?

11/11/2012

Antevisão

Posto que seja improvável que o Ferrari vá de burro, antevê-se que o burro irá de Ferrari.

09/11/2012

Exmº Senhor
José António de Azevedo Pereira:


Talvez um destes dias desça ao nível da comunicação que me enviou e lhe responda, linha a linha.
Serei portanto sucinto.
Calculo que o senhor não tenha grande responsabilidade na escolha do caminho que nos trouxe ao abismo. É um funcionário.
Porém, um pouco mais de pudor seria bom quando se dirige aos que contribuem, a incentivá-los, segundo o senhor diz.
Não recebo incentivos de ninguém. Muito menos de quem, na qualidade de funcionário, representa um Estado desgovernado e sem princípios.

08/11/2012

Argamassando

Argamassando a cópia de disparates que a CNN emite quer como facto quer como opinião, pode legitimamente concluir-se que a eleição de Obama se ficou a dever às alterações climáticas.

07/11/2012

Resultados

1 – O rústico receio do desconhecido que evitou que ganhasse 20% de juros no overnight permanece. Decerto impossibilitará apostas futuras em que o caso se afigure dinheiro em caixa.
2 – O erro gralhento, de desatenção, escreveu 268 em vez de 272 nos votos que atribuía a Obama e escreveu 90 em vez de 86 nos votos a decidir. Os estados a azul no mapa totalizavam 272 votos, a mancha estava certa, a legenda não.
3 – Falhar os resultados em dois estados quando não se palpita sobre nove não é grande espingarda.

Sucede que dos nove sobre os quais não palpitei apenas dois constavam das variadas listas que consultei sobre swing states.
E, palpitando sobre onze dos que surgiram nessas listas, falhei os tais dois.

06/11/2012

Favas contáveis II

A minha aposta tem, para lá da fé, uma base pseudo-verificável. A qual é esta distribuição de mandatos no colégio eleitoral.
Nos casos em que o vencedor não leva todos os votos (Maine e Nebraska), assumi a totalidade dos grandes eleitores de acordo com o vencedor, por simplificação.

Sem mesa

Favas contáveis

A Paddy Power aceitava parece que ainda hoje apostas de 1/4 em Obama.
O estado actual é, porém, outro – 1/6 alinhado com muitas outras.
Nesta altura, as coisas estão, segundo o Oddschecker neste pé. O melhor que se consegue é 1/5. Estou quase capaz de apostar dinheiro no homem. O quase que falta é superar aquele rústico receio do desconhecido. Não a fé no resultado.


quadro da Oddschecker cerca das 14:30

05/11/2012

Demagogia demográfica

Que o mundo não pode manter por muito mais tempo taxas de crescimento populacional da ordem das que actualmente tem, sem que ocorra uma catástrofe que faça cair a população num intervalo mais ou menos curto parece coisa pacífica.
Significa isto que para evitar a catástrofe é preciso reduzir essas taxas. Talvez até para números negativos.
Em Portugal, os censos dizem que há uma estabilização da população à volta dos 10,5 milhões nos últimos dez anos.
Estamos portanto a fazer um trabalho meritório para impedir a sobrepopulação.
Ouvir gente a apelar ao aumento da taxa de natalidade é para mim um absurdo.
Apelam a tal em nome da subsistência do sistema de pensões e do combate ao envelhecimento da população.
Tomam a árvore e esquecem a floresta.
Esquecem que a população envelhecida é apenas um episódio na vida do país. Passará com o tempo.

02/11/2012

Um rato

Não merece ser nomeado porque é um rato. Apenas isso.
Um rato que certa vez sacou deste blogue uma fotografia, numa fase em que ainda não tinha insistido na marca d’água e a publicou sem mais. Não dizia que era dele mas também não dizia de onde a tinha tirado.
O pior não foi isso. Foi a falta de vergonha que teve quando em resposta ao meu protesto foi a correr escrever um “foto d’aqui” e me enviou uma mensagem dizendo que não percebia o meu protesto porque a foto estava identificada. Um réptil, já não um rato.
Li hoje na galhofa um artigo do bicho escrito há dias e a perorar contra quem se apropria de conteúdos na net.
É preciso reptar bem e depressa.
E aqui se passou um quinto

30/10/2012

Afundou

Diz (a CNN) que a Bolsa de Nova Iorque tem um metro de água.

29/10/2012

Uma espécie de véu

A primeira manifestação da série de duas ocorreu ontem.
Ao olhar para as cartas de previsão da NOAA para a precipitação decorrente do furacão Sandy, estranhei que o máximo fosse pouco menos de 10 polegadas para 5 dias.
Arredondando, 10 polegadas seriam cerca de 25 mm de chuva. Nada de especial.
Como é bom de ver falhei um zero à direita.
A segunda ocorreu hoje. Ciente de que havia que acertar o relógio do carro, deparei-me com 11:58 no relógio do carro e 7:20 no de pulso.
Já estava a alterar o do carro para 7:20 quando percebi que o do carro é que estava certo, ainda que com o desfasamento de fuso por corrigir.
É esta espécie de véu mental que me assusta. Não sendo este o primeiro caso com as horas.

28/10/2012

Dos signos (signo s+2)


clicar para ampliar

Para memória futura, a dois dias de vista.

27/10/2012

Perguntas que se fazem

O emblema que o Primeiro-Ministro trazia na lapela representaria uma caixa de correio ou uma caixa de esmolas?


pormenor de fotografia de Julien Warnand para a EPA encontrada no site da RTP

23/10/2012

A quem cabe a culpa?

A história remonta ao dia em que os homens criaram a culpa. Causa-efeito. Acção-dano. Culpa. Culpado.
Desse dia em diante nunca mais deixou de ser procurado o culpado. Foi identificado, nomeado, incensado e adorado, temido e excomungado, louvado e decapitado.
E continuou a ser procurado. Até hoje.
Ao ouvir a história do julgamento dos peritos que não previram o sismo de Áquila coada pelo jornalismo, pode em primeiro lugar parecer absurdo que tal julgamento tenha tido lugar, muito mais que tenha havido condenações.
É um episódio no limiar da loucura. Da loucura que se tornou normal. É que tanto pode ser um fruto dessa loucura como um acto são que visou condenar determinado tipo de actuação. Digo actuação e não omissão.
Só navegando boas braças no meio do caudal noticioso, evitando o lixo que ele transporta a grande velocidade, se pode ter uma pálida ideia do que é que esteve em causa.
Lendo duas ou três notícias, ouvindo vinte ou trinta noticiários, não se percebe nada.
Apenas que o culpado continuará a ser procurado. Encontrado alguém a quem sirva a opa, será amado e odiado, premiado e queimado.
E a demanda continuará.

a propósito: Voltou a haver aumento de actividade no banco de Josephine, à semelhança do que ocorreu em Junho. Era disso que se tratava ontem.

22/10/2012

Folha de Excel, sismos, E.U.A. e China


Clicando, ver-se-á um filme com seis segundos

Acho que é mais ou menos isto.
Agora que toda a gente tem na boca a folha de Excel, fazendo duvidar que a grande parte saiba o que é e para que serve.
Por mim, para ser folha e a ter na boca, prefiro a folha de alface.
O som de fundo suponho ser da CNN. Mas não garanto.

20/10/2012

Uma brisa de emoções

De repente, apercebo-me de que começo a valorizar os livros dos quais se liberta uma discreta, suavíssima brisa de emoções.

19/10/2012

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença décima primeira

O negociante pretende que todas as partes se sintam satisfeitas com a transacção.
O pedinte pretende que uma parte se sinta satisfeita com a transacção.
E estou a pensar nas relações entre nações.

17/10/2012

Messiânica interrogação

À messiânica interrogação de John Stewart “Are we the people we were waiting for?1 respondeu não Obama mas Durão Barroso quase dois anos depois: “Yes, but…2
Fazendo eu esta algo abusiva associação, o yes faz-me tremer. Não que eu não pense que em regra, com o tempo, as mentes evoluem.
É essa a tendência. O que sucede é que, episodicamente, a curva desmente a tendência.
Vivemos na cultura ocidental talvez desde há cerca de vinte anos um tempo de loucura e de retardamento que é visível desde as mais pequenas às mais subidas questões.
Afirmações absurdas, erradas, ilógicas, destituídas de sentido são tragadas a toda a hora sem rejeição.
Sendo que tal interrogação messiânica é afinal, em cada geração, uma afirmação, um truísmo, no cômputo geral das coisas é suposto que diga respeito a uma gente que provoque a catástrofe e a consequente redenção.
Talvez a catástrofe seja desencadeada por uma geração muito próxima. Que espero mais racional, o que não será difícil.
Tremo é de pensar que a redenção viria da gente de hoje.

1 (2:17 - 2:21)
2 (3:22 – 3:49)

16/10/2012

A rota dos restaurantes recusados

Já há algum tempo que a fixação se instalou: comer em todos aqueles restaurantes em que indeterminadas circunstâncias me levaram a não entrar, ainda que nada houvesse de óbvio a recomendar a rejeição.
Enquanto me lembro de quais são e enquanto existem.

15/10/2012

O clio jornal

O título em epígrafe remete para uma anedota brejeira.
Acabei de ouvir Francisco Assis dizer que nunca proferiu as afirmações que lhe foram atribuídas em relação ao modelo Clio da Renault.
Significa isso, acreditando na palavra do homem, que a história, sob a égide de tal deusa, foi mal contada.
Significa isso, acreditando na palavra do homem, que quem nos jornais, na rádio ou na televisão, apregoou que ele fizera umas afirmações de menosprezo para com tal modelo da Renault andou a emprenhar de ouvido, coisa que se pede a um jornalista que não faça, se é que ainda existem umas dezenas de indívíduos dignos dessa classificação.
Se não acreditarmos no que ele disse, então...



Por afinidade, fui durante quase três anos condutor de um Clio, dos primeiros vendidos em Portugal. À excepção de um atribulado episódio com o sistema de travagem, o carro não me desiludiu. Nunca me senti menos digno por ser cavaleiro de tal cavalgadura.
Nunca a minha dignidade, em funções ou em lazer, se mediu por hábitos ou por cavalgaduras.

12/10/2012

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 16



Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real

11/10/2012

A lesão do homem ilustrado



Percebe-se pelo desenho (do) no joelho esquerdo.

Capa de Cândido Costa Pinto em site dedicado à Colecção Argonauta.

09/10/2012

Cercados

A probabilidade de sair disto com a razão intacta vai minguando dia a dia.
Começa a ser difícil passar um dia sem que se não ouça ou leia um argumentário de loucos ou de retardados. Coisa que acaba por fazer o seu caminho obtendo aqui e acolá reacções mais ou menos epidérmicas que acabam por bater na parede e chegar aos nossos ouvidos, bater no espelho e chegar aos nossos olhos.
Uns desligam a televisão, a rádio, desistem dos jornais e só lêem certos escribas e só ouvem certos íntimos; outros arriscam a viagem e saem moídos no fim do caminho.
Ainda me incluo nos segundos para não ficar limitado a certas fontes.
Mas lá que o caminho é cada vez mais tortuoso, isso é.
E que, como num jogo de espelhos aqui copiosamente referido, as massas se reconhecem, se identificam ou se projectam na asneira é também certo.
Posso estar velho, pode ser que me encaminhe para o Restelo, embora as casas na zona sejam caras, ainda assim tenho a ideia de que a facilidade com que o erro se propaga, fruto da velocidade e abundância dos meios de comunicação e da ausência de espírito crítico, está a servir de catalisador à supremacia dos burros, talvez como nunca.

06/10/2012

Pelotão

Na minha vida outra que a de lobo solitário, existiram e existem dois pelotões.
Não houve guerra senão a das dificuldades do quotidiano que toda a gente conhece.
Fosse como fosse, o facto de os pelotões se terem formado à pedrada, aos chutos na bola contra balizas da mesma pedra com que afugentávamos os forasteiros, a cavar para os berlindes, a subir às árvores e a disparar pistolas de plástico, cimentou até hoje a unidade, ainda que com as inevitáveis deserções.
Os dois pelotões operavam e operam em zonas distintas, um é rústico outro é urbano, e tinham e têm outras diferenças que o tempo foi apagando nuns casos e acentuando noutros.
Sendando eu solitariamente a maior parte do tempo que se contou nos últimos anos, consegui ainda assim manter-me na ordem unida sempre que necessário e instante.
A primeira baixa veio com o cair da folha.

01/10/2012

Restos de colecção (77)



E não me lembro de alguma vez em Ourique ter bebido tal preparado. Sequer visto.

30/09/2012

Abriram os olhos

Algum iluminado viu o óbvio – que as auto-estradas que já estão ao serviço devem mesmo servir, sob pena de serem um investimento inútil, dinheiro jogado à rua.
Que se veja o óbvio nos dias que correm já é caso para notícia.
Mate em três lances

Pode um tipo que observa uma partida de xadrez aperceber-se de que quem joga com as brancas tem a possibilidade de obter xeque-mate em três lances se mover o cavalo que lhe resta para E8.
Pode esse tipo, se o jogador com brancas optar por F1-F4, considerar uma burrice tal lance e ainda considerar que o jogador é fraco.
Afirmando tal, alto e bom som, caber-lhe-ia mostrar – se a isso fosse desafiado - o caminho que o levou a essa consideração, incluindo a demonstração de que movendo o cavalo para E8, quaisquer que fossem os lances subsequentes do adversário, obteria o jogador mate em três ou menos lances.
Quando alguém qualifica outrem de ignorante ou incapaz cabe-lhe demonstrar que assim é, quando óbvio não se torna que assim seja. É inutil demonstrar que o preto não é branco, que dois não são três.
Ora se um tipo desata a chamar ignorantes – como fez um tal António Borges estes dias – a um grupo de pessoas sem que seja óbvia a razão por que o faz, passa ele imediatamente a ser a imagem espelhada dos seus putativos alvos enquanto não demonstrar a sua afirmação.
É um episódio assim ao nível de umas afirmações benfiquistas de há tempos.
Só que, ao contrário dos dirigentes do Benfica, parece que o poder opinativo de tal pessoa tem repercussão nas nossas vidas.