07/02/2013

Tremores

Deve ser da velhice, Ivone.
Mas com actuações assim escuso de ir a Espanha.
Eu escrevi Espanha???
Americanização

Tropeçamos cada vez mais no absurdo. No absurdo que se destina a ser lido ou ouvido por mentes americanizadas, para as quais o recurso ao manual de instruções é decisivo para o dia a dia.
Este é apenas um exemplo entre muitos:


Página 35 do catálogo Fast Galp de 2012

06/02/2013

Tremores

A quanto me sairá cada tremor se me instalar quatro dias nesta hospedaria?




Desde o dia 5 de Dezembro passado , em cerca de dois meses, observaram-se até agora:

126 sismos num raio de 1 km
330 sismos num raio entre 1 e 2 km
414 sismos num raio entre 2 e 3 km
349 sismos num raio entre 3 e 4 km
139 sismos num raio entre 4 e 5 km
74 sismos num raio entre 5 e 6 km
44 sismos num raio entre 6 e 7 km
16 sismos num raio entre 7 e 8 km
7 sismos num raio entre 8 e 9 km
4 sismos num raio entre 9 e 10 km
5 sismos num raio entre 10 e 11 km
2 sismos num raio entre 12 e 13 km
1 sismo num raio entre 15 e 16 km
1 sismo num raio entre 16 e 17 km
1 sismo num raio entre 17 e 18 km


Cheio de vontade de lá ir fazer a conta.
adenda: destes 1513 sismos, 121 foram sentidos

04/02/2013

O dia da Juíza final

É preciso dizer-se que a Juíza é de carne e osso e que pertence àquele lote absolutamente irrevogável de mulheres que, não sendo capas de revista, atrai o elemento masculino de forma (era aqui que eu deveria ter posto absolutamente irrevogável)...
É preciso dizer-se que no tempo em que isto poderia ter tido algum sentido, o número do telefone da cidade de Lisboa pelo qual me comunicava com a acima mencionada ainda tinha cinco dígitos cinco.
É preciso dizer-se que muitos anos depois protagonizámos um entremez balnear muito a gosto de todos os circunstantes menos uma.
É preciso dizer-se que há cerca de uma década me lembrei (lembrar é eufemismo e burrice) da acima referida ao deparar com um anúncio de vara cível algures num jornal de sala de espera, portanto da antevéspera (como se ser da antevéspera fosse decisivo para o caso).
É preciso dizer-se que em virtude do referido anúncio (virtude é eufemismo e palermice) arrisquei alguns olhares conspícuos para placas de sinalização em pleno Palácio da Justiça (arriscar não é figura de estilo porque a ameaça era real, como se diz ou deve dizer ou eu acho que se deve dizer nestas alturas).
Ora bem, dito isto, urge relembrar os autos, digo os factos:

(continua, nos termos da Lei)

03/02/2013

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 17


Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real

30/01/2013

Serpentinas

Ao contrário (ou talvez não) do que escrevi aqui há uma remessa de anos, este ano embati no Carnaval ao ver serpentinas à venda num hipermercado.
Tiro e queda! Arrematei um rolo delas para memória futura.
O tiro foi da preciosa bisnaga que ainda funciona.



A queda é para a...

29/01/2013

António Costa

A seguir-se António Costa na chefia do governo, teremos alguém com esperteza e capacidade política. Mas intelectualmente fraco.
O histórico das suas prestações é elucidativo.

27/01/2013

Obrigado, Jaime Neves!

O agradecimento é feito por quem não cultiva heróis, não encontra explicações para a História nem razões para atribuir mérito a cada um pelas qualidades que tem.

26/01/2013

A perfeição ferroviária

Quando aqui há dias dei alguma forma e nenhum conteúdo à imaginação de Roberto Bolaño estava longe de imaginar que, pouco tempo decorrido, uma reportagem da RTP me daria forte inspiração para construir uma trama que desse corpo a tal título.
A história do GISAF e a ideia que preside ao funcionamento de tal gabinete é uma hipótese de peça literária de altíssimo potencial.

Azimute certo


gráfico sobre trecho dos Google Maps

25/01/2013

Ruas com Dias



E passaram quatro anos.
Há um ano havia 230 dias com cromos na caderneta. Hoje há 276.
Com grande ajuda de um correspondente nortenho.
A ver se no próximo ano apenas ficam a faltar as que não existem ou delas não tenho conhecimento.
Alfarelos

Para um relatório preliminar, o documento já entregue sobre o acidente em Alfarelos é bastante esclarecedor.
Mostra que existiu uma anomalia que foi comum às duas composições e que é aí que têm que ser feitas as investigações sequentes.
Apenas noto uma falha: a ausência de referência à ocorrência ou não de casos semelhantes de derrapagens a seguir ao sinal 1960A num período anterior ao acidente.
Esta ausência faz presumir que não há notícias de tal. Mas era aconselhável que ficasse dito.

23/01/2013

Jornalismo

Quando disse que o jornalismo hoje é uma espécie de glossário de anedotas do tempo em que andei na escola primária não estava a exagerar.
Todos os dias, a quase todas as horas, se ouvem e lêem as coisas mais extraordinárias.
Com o choque de comboios do domingo passado, o facto de se referirem (bem) ao local como Granja do Ulmeiro, não evita que se diga que um acidente ferroviário na Estação do Rossio não é um acidente na Praça Dom João da Câmara ou na Rua 1º de Dezembro. É um acidente na Estação do Rossio.
E tratava-se aqui de um acidente na Estação de Alfarelos que é uma das mais famosas e importantes do país.
Ainda que Alfarelos, a terra, diste mais da estação do que a referida povoação.
Isto é apenas uma exigência digamos mesquinha – a de introduzir uma certa hierarquia nos topónimos.
O que já faz parte do tal glossário é a quantidade de vezes que se ouviu conjugar o verbo abalrar (suponho que seja assim que se escreve) e o tempo em que diversas formas do verbo em causa apareceram escritas na pantalha.

22/01/2013

Falhados

Estes tipos são uns falhados.
Será que não se envergonham dos seus discursos passados? De fazerem sistematicamente o que antes renegavam?
Ou fazem isto porque consideram que o povo é demasiado amorfo para se dar conta do chorrilho e que este é o método certo? Se assim é, receio que se enganem. E se enganem muito. Coisa que se verifica exaustivamente no caso contrário.
Já quase não consigo ouvi-los nem falar sobre eles. Sejam do governo sejam da oposição, que ainda me parece mais triste.

21/01/2013

Vertigem

A vertigem e o risco.
A vertigem costuma ser deliciosa quando o risco é ele também amorável. Uma forma de embelezar com lugares comuns o óbvio.
Existe um risco em nomear aqui a Dama de copas. Quanto mais não seja pelo terceiro selo. E por toda a informação que nele consta.
Às vezes penso que o terceiro selo já foi lido e googlado e que o olhar atrevido e demolidor da carta em causa é disso revelador.
Outras não. Como hoje.

19/01/2013

Jornalismo

Um repórter, face à imagem de uma árvore cortada cerce pelo vento, afirma que se pode ver que a dita árvore não tem raiz.
Não há ensino que possa acudir a tais mentes.

15/01/2013

13/01/2013

E

E depois há as fêmeas.
As fêmeas, na minha taxonomia, dividem-se em aflitivas, serenas e pessoas.
As aflitivas são as do fim-de-semana bem passado. Mais do que isso é castigo sem crime.
As serenas, não digo sereias, são as que duram uma vida. Ou mais do que uma, em enfiteuse.
As essenciais, focos de atenção, de tudo cernes. As únicas que contam.
Depois, há as pessoas que em nada diferem de homens, velhas e crianças.
Pouco me importa que aceites ou não a minha classificação, Ivone. A questão é se és A que conta. Ou não.

10/01/2013

86 anos

A crer no que aparece escrito, a primeira exibição de Metropolis foi há exactos 86 anos.
Não estamos hoje em tempo de visões deste tipo.


imagem recolhida aqui
Livros

Ou como me tenho resignado às probabilidades.

Lisboa, 2009

08/01/2013

A vulgarização do conhecimento

O conhecimento vulgarizou-se muito.
Melhor dizendo, o que se vulgarizou muito foi o acesso ao conhecimento.
A parte crítica, a percepção do que é e do que não é possível a cada momento, a capacidade de abstracção, a compreensão enfim, não está ao alcance de qualquer um. É que essa não se vende, não se empresta, não se dá. Não se aprende.
Ouvir, como ouvi hoje, da boca de um dito reputado astrofísico que a descoberta de novos planetas tem como objectivo, entre outros, a averiguação da vida por aí espalhada, não me surpreende. Entristece-me. Entristece-me que as pessoas que conseguem formações em campos complexos do conhecimento tenham as vistas tão curtas que achem que a vida só pode existir nos exactos moldes em que a conhecemos. A designação vida é o menos, aqui.
O mais é esta lacuna filosofal tremenda.

05/01/2013

O jogo

Posso situar a cena no tempo – foi em final de Agosto de 1991 ou de 1992. Posso situá-la no espaço – eu estava de costas para o fantasma da gloriosa oliveira milenar que tanta sombra me deu em miúdo e apontava os olhos à porta de peões da garagem, onde não se divisava a porta traseira esquerda de carro algum, enquandrando a senhora na parede do poço.
O trauma, que provavelmente me fez guardar esta recordação tão vividamente, esteve no facto de pela primeira vez estarmos dessintonizados numa conversa.
Se eu fizer um esforço de memória sou levado a constatar uma de duas coisas: os meus esforços de memória são em vão; as pessoas com quem hoje falo estão muitas vezes mais propensas ao alheamento numa conversa que elas próprias iniciaram do que estavam há vinte ou mais anos, ponhamos o traço por alturas deste episódio.
E com isto quero reforçar a ideia de que a nossa sintonia era boa não a atribuindo a uma alheada concordância da parte dela, coisa que seria de resto facilmente detectável.
Quando falávamos de alcagoitas não falávamos de bolas-de-berlim e quer estívessemos nos pontos mais opostos de uma discussão quer em posições coincidentes, mantínhamos essa organização mental que nos é (era) natural. Em suma, nunca argamassávamos argumentos.
Ora o que nos tinha trazido para a sombra já só existente na memória, muitas camadas de cal abaixo da superfície da parede, da gloriosa oliveira milenar tinha sido o facto de ser mais fácil entabular uma conversa na rua (ainda que murada do quintal) do que dentro de casa onde trepidavam, encostados às duas esquinas do largo, dois altifalantes que iam debitando o melhor da música de feira daquele início dos anos 90. Dentro de casa não se aguentava o som.
Estávamos a planear uma fuga quando a conversa aconteceu, vinda sabe-se lá de onde, talvez de ela ter o livro em seu poder e estar a lê-lo por aqueles dias.
O certo é que passada a primeira volta de argumentos, ela me disse que não tinha achado boa a minha descrição do livro e que o livro era bastante mais interessante do que eu lhe tinha dado a supôr, quando lho quis emprestar.
A partir daí entrámos em dessintonia, eu a falar-lhe de um livro, ela de outro. No fim, achámos curioso que tivéssemos ideias tão diferentes sobre um objecto e fugimos dali até à hora em que a música também ela mudava de sítio.
Andei à procura dele nas estantes e nada. Acho que ela não se lembrará de tal discussão.
Como é que aquelas duas pessoas existentes em 1991 ou 1992 puderam ler um livro em que os jogos de Conway eram o prato forte e divergir?

04/01/2013

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença décima segunda

O mundo não é a preto e branco.
É a zeros e uns.

03/01/2013

Estátua de Febre a arder

Nem sei se a palavra Febre em José Afonso se referia à deusa ou ao estado da estátua. Ou, o mais provável, que se tratasse de uma ambiguidade bem escolhida.
Ora eu que vinha aqui disposto a fechar as contas do ano transacto, classificando-o, depois de tudo revisto e aprovado, como um zero à esquerda, um ano em que, para a generalidade da ecúmena, nada aconteceu, vi-me forçado a protelar tal incumbência que os novos códigos dizem ser de exigir a todos os que têm a mania de opinar ( e nada há mais inútil do que uma opinião, salvo duas opiniões ou mais ) por causa do falhanço ou do acerto de tal Deusa.
Não cheguei a perceber se ela estava e está do lado da febre ou dos febris. Ou, o mais provável, que se mantenha numa ambiguidade bem escolhida, dos dois lados.
Umas 60 horas de improdução – mais menos menos coisa – foi quanto me rendeu a prenda que me ofereceram no final do ano passado. As primeiras 57 horas de 2013 mais umas 3 de 2012.
Foi todo o tempo de estar sem poder ler um livro, falar com alguém, ver televisão, etc.
Os meus votos de bom ano vão acompanhados desta foto do sítio da Agoda que se refere a um certo hotel em Bali.
Um chamam-no Febri’s outros Febris. Estou longe de considerar que uma das estátuas da fonte é de Febre, a deitar água. Mesmo assim...
Foram 60 horas e deram este lindo resultado – lembro-me de ter finalizado assim um relatório na Faculdade e de, ao contrário do que eu esperava, ter sido bem aceite tal desabafo.

31/12/2012

Pessoalmente*

Não tem isto nada a ver com a tropa fandanga que nos comandou e comanda – raras excepções assinaladas – e as consequências dos seus actos.
Só tem a ver comigo.
Sou incapaz de prosseguir a série de alusões ao futuro que tenho feito aqui ano a ano. Ainda que, impulsivamente, tenha construído o quadro.



Não apenas por ter sido particularmente certeiro no agoiro para 2012.
Diz-se assim, com propriedade, tornar descontínua a série. Porque há o desejo de a retomar mais à frente, se ainda fôr a tempo.

*Com a acepção que lhe dá o visconde da Apúlia aos 1:51 deste filme.

29/12/2012

Senhora dos Cabos

Esta noite deste-me uma tareia moralista.
Uma tareia com textura de peixe cozido. Não deixou marcas mas tinha espinhas.
Fomos ainda ao terraço ver o mundo. Instruídos e invectivados pelo homem da posse.
Convenci-te a regressar no meu BMW 700. O SL estava cá, estacionado onde apenas experimentámos os bancos.
Não dizias a frase que eu esperava porque não querias trair a tua própria confiança.
Foi uma espécie de enfim, tu sabes que envolveu aquela esquina mal definida.
Até hoje. De manhã.

26/12/2012

Mitos

Há mitos e mitos. Uns interessantes e inverificáveis, outros parvos e cuja falsidade é facilmente verificável.
Ouvi por estes dias a já mítica asserção de que há agora menos filas de trânsito em épocas de ponta porque os condutores sabem finalmente fasear as suas deslocações ao longo do dia.
Sendo que a própria frase é já uma má formulação. O que será fasear uma deslocação? Fazê-la por fases? Não é a isto que se refere quem papagueia esta frase. Pretende referir-se a uma espécie de acordo entre os condutores, partes tu às oito, abalo eu às dez. Vale a pena perder tempo a qualificar esta noção? Não vale.
Há ainda a ideia afirmada que é por via das muitas informações de trânsito que as pessoas fogem às filas.
Se há verdade nessa afirmação – um bloqueio de uma estrada ouvido na rádio leva com grande probabilidade os condutores a mudarem de percurso, também é preciso avaliar o impacto que tem nesses mesmos condutores ouvir que a estrada tal está desimpedida, circulando o tráfego com grande fluidez. Se houver muita gente a quem tal estrada sirva, não se irá acumular lá esse tráfego dirigido pelo ouvido?
É uma ciência cheia de falhas e com pouco ou nenhum estudo feito.
Mas uma frase destas há-de fazer bem a alguma coisa. Caso contrário não seria dita. Ou seria?

24/12/2012

Restos de colecção (78)

3 números - 5$00.
Verso e lista de prémios do sorteio de Natal da Liga de Cegos João de Deus, em 1965 - aqui.


(clicar para ampliar)

23/12/2012

Janela (Não vejo a Fernanda)

Desta janela
Não vejo Cacela.
Deste patamar
Não vejo o mar.
Desta altura
Não vejo a loucura
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
Deste postigo
Não vejo o umbigo.
Desta abertura
Não vejo a loucura
Deste local
Não vejo o Natal
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.
Deste terraço
Não vejo um abraço
Deste telheiro
Não vejo dinheiro
Desta vidraça
Não vejo uma praça.
Desta bandeira
Não vejo uma eira
(E) desta varanda
Não vejo a Fernanda.


SG, inéditos, 1997

21/12/2012

Equador pessoal* e rumos a laser


*(clicar na imagem para aceder à definição)

19/12/2012

Coisas desagradáveis

Habituado que estava a consultar as efemérides no sítio do Observatório Astronómico de Lisboa, verifiquei hoje que a data e hora do solstício de Inverno não se conseguem saber.
O que aparece agora é uma aplicação do Google, com a habitual confusão de coisas em português e inglês. Tem carradas de palha e não tem o solstício.
De cavalo para burro, on y va.


NOTA MUITO IMPORTANTE: É falso o que aqui escrevi. Alertado que fui para o erro, aqui me penitencio. A informação está disponível onde sempre esteve. Eu é que vou minguando nas faculdades. É no almanaque e não nas efemérides, onde se acede à tal tabela do Google, dispensável, que a informação está e sempre esteve.
Agradeço a chamada de atenção e peço desculpa pelo erro. É a segunda vez em menos de um ano. Da outra, eu próprio dei pelo erro.
Série “coisas que me vêm à cabeça” – coisa primeira

O meu velho amigo Ziffel cantando esta moda enquanto comíamos linguiça assada nos abandonados grelhadores das esplanadas algarvias alta noite, horas nem por isso mortas.
Mesmo que se trate aqui da composição de duas memórias distintas.
Porque ele cantava esta canção antes e depois dos petiscos.
Porque assávamos linguiças nos grelhadores dos restaurantes, para acabar as noites.


postal publicado pela T lá nos Dias que Voam

18/12/2012

Crise - disse a Terra

Desde dia 5 e com maior frequência desde dia 14, sexta-feira passada, que a terra treme num conflito entre os anjos e o inferno, ali perto de Jaén. Uma das muitas crises sísmicas que o ano nos trouxe e que os registos hoje nos revelam por estarem muito mais acessíveis do que no passado.



As marcas representam os epicentros e variam em diâmetro com a magnitude referida à escala de Richter. Dados (actualizados cerca das 21:00) e mapa do IGN de Espanha. (clicar para ampliar)

Estava capaz de apostar que 2013 nos trará um abanão significativo.
Em 2007 não considerei a aposta ganha.
Rigor

Ainda a propósito dos detalhes que desagregam a razão, quando esta se dedica à técnica (ou à ciência propriamente dita), li no Expresso de sábado passado que o laureado com o prémio Pessoa deste ano de 2012 vivia no Alentejo. Numa vila chamada Carrapateira.



Há no Alentejo algumas Carrapateiras. Disso não há a menor dúvida. Vilas não conheço, pode isso ser ignorância minha.
O que me faz espécie é que o laureado, Richard Zenith, viva no Alentejo e se faça fotografar na praia da Bordeira que fica logo ali ao pé de uma Carrapateira algarvia, que não é vila mas aldeia. E na praia do Amado que também é logo ali e muito perto da mesma Carrapateira.
Nada me leva a duvidar que o homem viva no Alentejo, como diz o Expresso, e que lhe tenha apetecido ser fotografado na praia da Bordeira, à Carrapateira. E na praia do Amado.
Mas se por um acaso se tratar de um erro situar esta Carrapateira no Alentejo é daqueles erros que arrasam um edifício racional. Na técnica (ou na ciência propriamente dita). No jornalismo, a ser erro, pode sempre ser considerado liberdade poética*. Nunca crassa ignorância. Num jornal dito de referência.
* é alem do Tejo, para quem está em Lisboa.
Santo Amaro de Oeiras, 2012

17/12/2012

O detalhe

Uso o galicismo porque é o que mais convém para explicar a lentidão do raciocínio – o detalhe. O meu Pai, ainda que pertencendo a uma geração afrancesada, diria o gato.
Hoje é comum chamá-lo bug.
E foi um detalhe que, arruinando razões e implicações, me fez perder semanas para pôr em ordem uma insignificante aplicação que trabalha coordenadas esféricas.
O detalhe que afasta as letras das técnicas. Nas técnicas, um pequeno e insignificante (nada disso!) passo em falso deita o edifício por terra. Nas letras há sempre lugar para a poesia.
Nas técnicas, um sinal trocado é traço por cima.
Nas letras, uma perversão das regras pode, ao contrário, ser aplaudida.
O caso aqui é que levei semanas a pôr na ordem a função que andava à solta.
Coisa que em outro tempo faria numa hora. O caso típico em que as faculdades analíticas mostram o seu acentuado declínio.
Era, afinal, um detalhe.

16/12/2012

Notícia com 36 anos

Ainda que o conceito de “mudança de vida” seja uma bizarria poética...


(em clicando, amplia)
do arquivo online do Diário de Lisboa do acervo da Fundação Mário Soares

15/12/2012

Avaria ou o quê?

A cena repete-se. O sismómetro acusa uma série de pequenos abalos desde há dois ou três dias.
Estará avariado?

14/12/2012

RTP

Ouvir na RTP que a NASA explica por que é que o mundo não vai acabar mostra claramente uma de duas coisas: o que é a RTP; o que é o pagode.

11/12/2012

Memorandum

Para responder a mim próprio.



Entre Júlias, passará um livro que me parece apropriado ler por estes dias. Esperando que seja um episódio cómico entre tragédias, Ivone.
Eu abomino em geral as biografias. Talvez com a mesma intensidade com que excluo as pessoas das fotografias, coisa de que já fui acusado formalmente. Por isso nunca te fotografei.
E esta em particular, diz-me o preconceito, deve ser particularmente ruidosa de ler. Só vou à procura do temor milenar que me disseram estar lá depositado um pouco para além da manobra publicitária.

Não se trata de um livro hermético. Bem pelo contrário. É suficiente na clareza a descrever uma atitude.
Sem gastar dinheiro, lendo esta entrevista de 1998, tinha ficado a saber o mesmo. E o que fiquei a saber, interessa-me nada.
Admitamos que tal como no processo racional a maioria das mentes é incapaz de ver e assim verificar a veracidade de uma afirmação dentro de uma dada convenção, também para a maioria das mentes se encontra vedado o acesso a caminhos ditos de iniciação.
Admitindo tal, e aqui refém ou parceiro do jogo racional, afirmo a impossibilidade de argumentar racionalmente a partir de conceitos ou de formas que não se podem reduzir à razão. É um acto falhado. Como o de querer impôr a fé por argumentos.
Vistas as coisas, lido o livro, ao contrário do que eu supunha, por mero preconceito e por ter dado atenção ao que não devia, nada nele confirma as notícias que em 1999 se escreveram sobre o homem.
Horas perdidas - disse o grilo.

10/12/2012

Falta um

Ao Sporting só falta um jogador assim.
Descontando o árbitro, vê-se toda a equipa do Benfica de roda dele, à excepção do guarda-redes.
Eu de memória diria que eram para aí uns sete. Não. São mesmo dez.


imagem de tv caçada na página da Bola