08/03/2013

Ângulo de ataque



Há-de haver uma teoria que se debruce única e exclusivamente sobre o gesto capital nas fêmeas da espécie, Ivone.
Porque as fêmeas da espécie, ao contrário dos machos, usam a rotação da cabeça sobre o eixo dos zz e sobre o eixo dos xx (o eixo dos xx rodado em z dá o eixo dos yy – e não sei se esta observação não é mais do que geométrica) na sua dança nupcial.
Em função do ângulo β e da variação de α para α1 e da linha descrita pelo cocuruto neste movimento, há-de descobrir-se, Ivone, a intenção que precede o movimento.
Já a reacção causada nos machos da espécie por tal desenho fica por estudar, Ivone.

07/03/2013

Google street view

Os moços atravessaram-me o monte e eu não dei por nada.


Fotografia do Google Street View

06/03/2013

O século XXI da América Latina

Chávez encarnou o século XXI na América Latina. Apesar de Raúl Castro, apesar de Lula da Silva, apesar de Evo Morales.
Dividir-se-ão as opiniões – um demo-comunista, um demo-fascista, um caudilho, um demagogo, um populista.
Qualquer dos epítetos, e o mundo precisa de etiquetas, lhe pode assentar.
Sobra o resto – saber se o povo o aprovou e se o povo melhorou de condição sob a sua liderança.
Se o aprovou – parece que a resposta está nos plebiscitos, desde o momento em que foram considerados não fraudulentos.
Se melhorou de condição – só o próprio povo o poderia ter dito. Para além dos números, pela sua vontade, que é, palpitamo-lo, mais feita de emoções do que de convicções. Assim sendo...
Sobre o homem, escrevi o que escrevi há quatro anos e meio e não retiro uma letra.

05/03/2013

Sentencioso

Há um conjunto de pessoas que se caracteriza por exercer, de forma assaz sentenciosa, uma actividade pouco consequente – a de querer estabelecer preços para os bens alheios.
Integro hoje esse conjunto. E não sei se será uma vez sem exemplo.
Não sou de opinião que uma casa de apostas aceite pagar, na altura em que escrevo estas linhas, apenas 5000 para 1 no caso de Mario Balotelli vir a ser o próximo Papa. Acho pouco. Muito pouco.

04/03/2013

Memória do dia


imagem da RTP

Não serve de lição para que haja racionalidade onde ela é precisa.
Nem para que não se procure onde ela não existe.
Tal lição ou tais lições são como malhar em ferro frio.
Racionalidade

As declarações que Sá Fernandes, o advogado da família do desaparecido Rui Pedro, prestou hoje aos jornalistas são um excelente material para reflexão.
Um excelente material para se perceber a lógica que preside ao argumentário e às decisões no que se pretende chamar justiça.
Tudo perfeitamente compatível com o esperado.

02/03/2013

A pior época de sempre

Confirmou-se hoje.
Nunca na história dos campeonatos nacionais de futebol o Sporting teve uma época como esta.
Ainda que daqui até ao final ganhasse todos os jogos ficaria abaixo do seu pior – as épocas de 66/67 e 68/69.
As contas fizeram-se medindo o aproveitamento em 100% para cada vitória, 50% para cada empate, 0% para cada derrota e estabelecendo um coeficiente de dificuldade em função do número de jogos disputados.
Mani festem-se

Que Portugal não tem recursos para albergar a sua população com um padrão de vida que se assemelhe ao dos países mais evoluídos é, para não dizer uma certeza, uma sensação com uma longa história.
Tão longa que remonta à estabilização das fronteiras e ao povoamento.
Desde sempre, pode assim dizer-se, nos debatemos com essa condição – a de povo maior do que as fronteiras que conhece.
Toda a gente conhece a História – fomos buscar os recursos que não tínhamos a outras paragens.
A viagem terminou há umas décadas.
Desde então engendraram-se estratagemas para que outros pagassem o nosso nível de vida.
A inércia da História deu uma ajuda empurrando-nos para uma união europeia.
Estamos numa fase, das muitas por que já passámos, em que os recursos não permitem vida à grande.
Graças à estupidez da classe política que nos conduziu nas últimas décadas malbaratámos em apitos e flautas o que devíamos ter empregado para produzir.
Estes que nos governam hoje, bons ou maus que sejam, são dos que menos culpa têm do que se passou nesse entretanto. Parece que perceberam o problema. Parece também que não têm grande capacidade para lidar com ele. Não vejo ninguém capaz entre mim e o horizonte.
Mani festem-se. Estarão a bradar contra as vossas escolhas, na maior parte dos casos.

O sismo de ontem às 19:46

No âmbito das curiosidades que venho mencionando nos últimos posts, é forçoso mencionar o sismómetro embebível.
A qualidade de embebível remeto-a para futura e aturada explicação.
O sismómetro em si é a óbvia conjugação da localização deste prédio onde me encontro, do tipo de terreno em que está implantado, da sua estrutura, da altura a que estou da cota de soleira, da cadeira onde me sento e da minha própria sensibilidade.
arrancos e arrancos, alturas em que se nota uma maior frequência, depois há aqueles que não enganam – é um sismo que os aparelhos registaram.
Ontem, pelas 19:46, tomei nota de um abanão desse tipo.
Só hoje verifiquei qua constava da lista do IPMA. Diz que ocorreu às 19:44. O relógio está certo. Do Gorringe aqui, as ondas terão levado cerca de dois minutos.

01/03/2013

Sonoplastia

Não faço a menor ideia se se trata de um fenómeno raro ou de coisa corriqueira a que nunca tinha prestado atenção.
Ocorreu-me que seria uma manifestação tão estranha quanto o eram as figuras dos passantes na rua projectadas no tecto do quarto em determinadas condições de luz e sombra.
Trata-se do trinado melodioso de um pássaro que jorra de uma pequena garrafa de plástico, com tampa igualmente de plástico, onde deitei gasosa. No caso era mesmo 7up.
Não é coisa de um momento. Ouvi-o ontem pouco depois de a ter enchido e ouvi-o hoje pela manhã. Sem lhe haver tocado.

28/02/2013

Sobrevoo

Hoje, cerca das 7:20, quem teve o privilégio de ver as evoluções de uma nuvem de estorninhos (seriam estorninhos?) sobre o quartel de bombeiros da Encarnação, ficou decerto encantado.

26/02/2013

Sopas depois d’almoço

A ASAE, cuja tem nos últimos tempos mostrado um certo low-profile, veio pela voz do inspector-geral afirmar que, depois das notícias postas a correr sobre a troca de carne de vaca e de porco, nas mixórdias, por carne de cavalo, tinha redobrado a vigilância.
Hoje soubemos que tinha aberto cinco processos-crime nesse âmbito.
Assim é fácil. Depois de almoço a sopa sabe bem a alguns, é certo.

25/02/2013

Conceitos

Ando aqui a criar conceitos.
O conceito de cartão de pontos para este blogue.
O conceito de bebida oficial para este blogue.
O conceito de época oficial deste blogue.
O conceito de posts gourmet para este blogue.
O conceito de sítio de charme para este blogue.
O conceito de criar conceitos neste blogue.
A seguir mando chamar aqueles senhores das batas brancas e da camisa do abracinho:


imagem no eBay

23/02/2013

Esborratando pontos

Notícias do manicómio

O barulho hoje é sobre uma lei que aparentemente foi publicada em desacordo com o texto aprovado.
Pretende-se que num texto mal parido a falta de um artigo definido (de em vez de + a) é ela a causa da indefinição de que se fala.
Já nem perco tempo com as interpretações da Lei 46/2005. Tem quase oito anos.
O que me incomoda hoje é que, a ser verdade que a lei está mal transcrita, me restam duas hipóteses:
a)ou ainda estamos no tempo das secretárias-dactilógrafas e assim sendo uma gralha destas é perfeitamente admissível;
b)ou não estamos já nesse tempo e a lei é escrita na sua versão final uma vez e só uma vez num processador de texto e em seguida esse ficheiro é multiplicado e distribuído para os diversos fins.
Sendo a primeira, um grande ponto de exclamação.
Sendo a segunda, houve alguma aldrabice algures. Aldrabice cujo alcance não se alcança muito bem.
Não sendo nenhuma das acima é o caso em que a notícia está errada.

Nota: no destacar das preposições o Expresso fez asneira logo no segundo destaque. É já vulgar por aquelas bandas.

22/02/2013

Juízo de intenções

No mundo de doidos em que se precipitou a humanidade com a massificação da informação e da desinformação, temos agora oportunidade de assistir aos comentários que suscita um juízo de intenções.
Não é uma oportunidade única nem a não perder. Mas é uma oportunidade de apreciar o grau que atinge certa loucura. No caso a da chamada justiça, das paixões e da sua mediação pela imprensa.
Aqui, como em muitos outros casos, estamos na Caverna. Só percebemos as sombras. Mas isso parece ser ainda mais rico.


fotografia de Siphiwe Sibeko para a Reuters via NY Daily News

21/02/2013

Carne de cavalo

Não me refiro à aldrabice que é vender cavalo por vaca. Ou gato por lebre.
Refiro-me à repetida ideia de que a carne de cavalo é uma espécie de produto nocivo. Ou que não há sequer memória de alguém ter comido tal carne.
Ideia que transpareceu primeiro dos noticiários das cadeias internacionais e agora das portuguesas.
Não sou perito em hábitos alimentares. Não faço ideia se se come muita, pouca ou nenhuma carne de cavalo nas ilhas britânicas. O que sei é que conheço desde sempre um talho que vende carne de cavalo – até tem cavalos pintados nos vidros – e parto por isso do princípio de que se ele se aguenta há cinquenta anos a vender carne de cavalo é porque há quem compre.
E se há quem compre, deve haver quem coma.
Episódios de carne de cavalo (e de burro) por vaca são mais ou menos cíclicos. Ter uma marca de renome associada a tal burla também não é surpresa.
Crimes perfeitos há-os em toda a parte. São os de que ninguém dá conta.
Estes são apenas imperfeitos e já muito vistos.

16/02/2013

Vulgo

O discurso vulgar, patente nas manifestações que se repetem pelo país, está hoje tão desviado da realidade como na turbulência de 75.
Exige-se tudo quando nada há para distribuir.
Já não há ou já quase não há futuros para empenhar agora.
Um governo descomandado como este ainda consegue contrastar pela positiva com a loucura reivindicativa das oposições que transparece no discurso vulgar.
Não vai ser fácil dizer ao povo que os tempos que se seguem serão ainda piores. Nunca é, quando não há esperança. Com um governo descomandado ainda mais difícil se torna.


do sítio da CGTP
O homem e a obra

Começo por uma contradição – talvez por eu não ser um humanista considere que a obra de um homem merece avaliação independentemente daquele, da sua personalidade.
A contradição está, talvez aparentemente, no facto de que uma opinião é algo que depende da personalidade e ao mesmo tempo obra de quem a dita.
Somos humanos, feitos de contradições e dados a navegar em águas poéticas em que a razão pouco conta.
Dito isto, pertenço nitidamente ao grupo dos que dispensam o conhecimento do autor para apreciar uma obra. Se a obra me impressionar, positiva ou negativamente, não será o carácter do autor que me fará mudar essa impressão.
Da mesma forma, conhecendo eu alguém da forma que se diz conhecerem-se as pessoas, não será por essa pessoa fabricar algo encantador ou repugnante que passarei a tê-la em consideração diferente da que tinha até então.
Acho que estou tão longe das pessoas que misturam uma e outra coisa como estou dos crentes.

15/02/2013

Exmº Senhor
José António de Azevedo Pereira:


Não contava voltar tão cedo a responder-lhe em carta aberta a e-mails.
Faço-o porque se substanciam as suspeitas sobre a observação fiscal a que estamos todos sujeitos.
Digo-lhe já que não sou contra o pagamento de impostos – embora a palavra imposto seja demasiado explícita.
Sou sim contra o esmiframento dos contribuintes para que o regabofe continue.
Abstenho-me de nomear sete ou quinhentos e vinte exemplos de gestão perdulária por parte do Estado do qual o senhor é funcionário. Toda a gente os conhece hoje. Aqui há uns anos parece que poucos se davam ao trabalho de observar com atenção os desmandos da gestão da coisa pública.
Digo mais. Estou disposto a exigir factura nas casas de banho pagas, aos arrumadores de automóveis, aos cauteleiros, se ainda existirem, e em toda a sorte de transacção que pareça escapar às malhas do fisco.
Só exijo para tal o seguinte:
Que em cada factura, tal como faz por exemplo a EDP para a contribuição audiovisual (em anexo), venha discriminada a importância que pago em função da estupidez dos actuais e anteriores governantes e da roubalheira que a estupidez dos actuais e anteriores governantes possibilitou.
Assim, terei todo o gosto em exibir aos fiscais do fisco (parece-me isto redundante mas não é) as ditas facturas conquanto o faça com o dedo espetado nas alíneas acima indicadas.

Com os melhores cumprimentos



Um contribuinte para o Estado que o senhor representa

13/02/2013

Falha

Mais uma vez, o sistema falha.
Os espanhóis dizem que ocorreu às 17:22 um sismo com magnitude de 3,5 Richter a sudoeste de Paredes.
A geofísica, cá, moita!
Nem um pio, a página encrencada. É muita incompetência!
adenda às 17:45: a geofísica do IPMA ainda não regista o sismo, a página abriu finalmente. Parece que furei a LUSA e os jornais.
adenda às 17:55: o IGN de Espanha corrigiu o grau para 3,2.
Demagogia

Não me recordo de ter ouvido um discurso tão demagógico de Barack Obama como o que estou a ouvir neste momento.
É o mais vale rico e saudável do que pobre e doente elevado à enésima potência.
Até agora a única coisa que contrariou este espírito foi a ideia de pôr mais patrulhas na fronteira com o México.

12/02/2013

f(t)*

Em função do tempo... em função do tempo há pouca coisa que o não seja. Não me consigo lembrar agora de alguma. Seja o tempo lá o que fôr.

O facto é que os moços têm aparentemente evoluído, de teste para teste. De pai para filho na grande liderança.
Ninguém sabe a que levará tal sucessão.


Magnitudes e localizações estimadas pelo USGS


* se até existe um blogue assim designado
Teias

Parece-me que ao Grande Irmão lhe escapou a ideia das redes sociais.
Que formatam e normalizam muito mais do que servem aos rebeldes sem e com causa.

11/02/2013

Tudo o que é saudade

Falta um lustro para um século e o tempo foi tão pouco!

07/02/2013

Tremores

Deve ser da velhice, Ivone.
Mas com actuações assim escuso de ir a Espanha.
Eu escrevi Espanha???
Americanização

Tropeçamos cada vez mais no absurdo. No absurdo que se destina a ser lido ou ouvido por mentes americanizadas, para as quais o recurso ao manual de instruções é decisivo para o dia a dia.
Este é apenas um exemplo entre muitos:


Página 35 do catálogo Fast Galp de 2012

06/02/2013

Tremores

A quanto me sairá cada tremor se me instalar quatro dias nesta hospedaria?




Desde o dia 5 de Dezembro passado , em cerca de dois meses, observaram-se até agora:

126 sismos num raio de 1 km
330 sismos num raio entre 1 e 2 km
414 sismos num raio entre 2 e 3 km
349 sismos num raio entre 3 e 4 km
139 sismos num raio entre 4 e 5 km
74 sismos num raio entre 5 e 6 km
44 sismos num raio entre 6 e 7 km
16 sismos num raio entre 7 e 8 km
7 sismos num raio entre 8 e 9 km
4 sismos num raio entre 9 e 10 km
5 sismos num raio entre 10 e 11 km
2 sismos num raio entre 12 e 13 km
1 sismo num raio entre 15 e 16 km
1 sismo num raio entre 16 e 17 km
1 sismo num raio entre 17 e 18 km


Cheio de vontade de lá ir fazer a conta.
adenda: destes 1513 sismos, 121 foram sentidos

04/02/2013

O dia da Juíza final

É preciso dizer-se que a Juíza é de carne e osso e que pertence àquele lote absolutamente irrevogável de mulheres que, não sendo capas de revista, atrai o elemento masculino de forma (era aqui que eu deveria ter posto absolutamente irrevogável)...
É preciso dizer-se que no tempo em que isto poderia ter tido algum sentido, o número do telefone da cidade de Lisboa pelo qual me comunicava com a acima mencionada ainda tinha cinco dígitos cinco.
É preciso dizer-se que muitos anos depois protagonizámos um entremez balnear muito a gosto de todos os circunstantes menos uma.
É preciso dizer-se que há cerca de uma década me lembrei (lembrar é eufemismo e burrice) da acima referida ao deparar com um anúncio de vara cível algures num jornal de sala de espera, portanto da antevéspera (como se ser da antevéspera fosse decisivo para o caso).
É preciso dizer-se que em virtude do referido anúncio (virtude é eufemismo e palermice) arrisquei alguns olhares conspícuos para placas de sinalização em pleno Palácio da Justiça (arriscar não é figura de estilo porque a ameaça era real, como se diz ou deve dizer ou eu acho que se deve dizer nestas alturas).
Ora bem, dito isto, urge relembrar os autos, digo os factos:

(continua, nos termos da Lei)

03/02/2013

Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 17


Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real

30/01/2013

Serpentinas

Ao contrário (ou talvez não) do que escrevi aqui há uma remessa de anos, este ano embati no Carnaval ao ver serpentinas à venda num hipermercado.
Tiro e queda! Arrematei um rolo delas para memória futura.
O tiro foi da preciosa bisnaga que ainda funciona.



A queda é para a...

29/01/2013

António Costa

A seguir-se António Costa na chefia do governo, teremos alguém com esperteza e capacidade política. Mas intelectualmente fraco.
O histórico das suas prestações é elucidativo.

27/01/2013

Obrigado, Jaime Neves!

O agradecimento é feito por quem não cultiva heróis, não encontra explicações para a História nem razões para atribuir mérito a cada um pelas qualidades que tem.

26/01/2013

A perfeição ferroviária

Quando aqui há dias dei alguma forma e nenhum conteúdo à imaginação de Roberto Bolaño estava longe de imaginar que, pouco tempo decorrido, uma reportagem da RTP me daria forte inspiração para construir uma trama que desse corpo a tal título.
A história do GISAF e a ideia que preside ao funcionamento de tal gabinete é uma hipótese de peça literária de altíssimo potencial.

Azimute certo


gráfico sobre trecho dos Google Maps

25/01/2013

Ruas com Dias



E passaram quatro anos.
Há um ano havia 230 dias com cromos na caderneta. Hoje há 276.
Com grande ajuda de um correspondente nortenho.
A ver se no próximo ano apenas ficam a faltar as que não existem ou delas não tenho conhecimento.
Alfarelos

Para um relatório preliminar, o documento já entregue sobre o acidente em Alfarelos é bastante esclarecedor.
Mostra que existiu uma anomalia que foi comum às duas composições e que é aí que têm que ser feitas as investigações sequentes.
Apenas noto uma falha: a ausência de referência à ocorrência ou não de casos semelhantes de derrapagens a seguir ao sinal 1960A num período anterior ao acidente.
Esta ausência faz presumir que não há notícias de tal. Mas era aconselhável que ficasse dito.

23/01/2013

Jornalismo

Quando disse que o jornalismo hoje é uma espécie de glossário de anedotas do tempo em que andei na escola primária não estava a exagerar.
Todos os dias, a quase todas as horas, se ouvem e lêem as coisas mais extraordinárias.
Com o choque de comboios do domingo passado, o facto de se referirem (bem) ao local como Granja do Ulmeiro, não evita que se diga que um acidente ferroviário na Estação do Rossio não é um acidente na Praça Dom João da Câmara ou na Rua 1º de Dezembro. É um acidente na Estação do Rossio.
E tratava-se aqui de um acidente na Estação de Alfarelos que é uma das mais famosas e importantes do país.
Ainda que Alfarelos, a terra, diste mais da estação do que a referida povoação.
Isto é apenas uma exigência digamos mesquinha – a de introduzir uma certa hierarquia nos topónimos.
O que já faz parte do tal glossário é a quantidade de vezes que se ouviu conjugar o verbo abalrar (suponho que seja assim que se escreve) e o tempo em que diversas formas do verbo em causa apareceram escritas na pantalha.

22/01/2013

Falhados

Estes tipos são uns falhados.
Será que não se envergonham dos seus discursos passados? De fazerem sistematicamente o que antes renegavam?
Ou fazem isto porque consideram que o povo é demasiado amorfo para se dar conta do chorrilho e que este é o método certo? Se assim é, receio que se enganem. E se enganem muito. Coisa que se verifica exaustivamente no caso contrário.
Já quase não consigo ouvi-los nem falar sobre eles. Sejam do governo sejam da oposição, que ainda me parece mais triste.

21/01/2013

Vertigem

A vertigem e o risco.
A vertigem costuma ser deliciosa quando o risco é ele também amorável. Uma forma de embelezar com lugares comuns o óbvio.
Existe um risco em nomear aqui a Dama de copas. Quanto mais não seja pelo terceiro selo. E por toda a informação que nele consta.
Às vezes penso que o terceiro selo já foi lido e googlado e que o olhar atrevido e demolidor da carta em causa é disso revelador.
Outras não. Como hoje.

19/01/2013

Jornalismo

Um repórter, face à imagem de uma árvore cortada cerce pelo vento, afirma que se pode ver que a dita árvore não tem raiz.
Não há ensino que possa acudir a tais mentes.

15/01/2013

13/01/2013

E

E depois há as fêmeas.
As fêmeas, na minha taxonomia, dividem-se em aflitivas, serenas e pessoas.
As aflitivas são as do fim-de-semana bem passado. Mais do que isso é castigo sem crime.
As serenas, não digo sereias, são as que duram uma vida. Ou mais do que uma, em enfiteuse.
As essenciais, focos de atenção, de tudo cernes. As únicas que contam.
Depois, há as pessoas que em nada diferem de homens, velhas e crianças.
Pouco me importa que aceites ou não a minha classificação, Ivone. A questão é se és A que conta. Ou não.

10/01/2013

86 anos

A crer no que aparece escrito, a primeira exibição de Metropolis foi há exactos 86 anos.
Não estamos hoje em tempo de visões deste tipo.


imagem recolhida aqui
Livros

Ou como me tenho resignado às probabilidades.

Lisboa, 2009

08/01/2013

A vulgarização do conhecimento

O conhecimento vulgarizou-se muito.
Melhor dizendo, o que se vulgarizou muito foi o acesso ao conhecimento.
A parte crítica, a percepção do que é e do que não é possível a cada momento, a capacidade de abstracção, a compreensão enfim, não está ao alcance de qualquer um. É que essa não se vende, não se empresta, não se dá. Não se aprende.
Ouvir, como ouvi hoje, da boca de um dito reputado astrofísico que a descoberta de novos planetas tem como objectivo, entre outros, a averiguação da vida por aí espalhada, não me surpreende. Entristece-me. Entristece-me que as pessoas que conseguem formações em campos complexos do conhecimento tenham as vistas tão curtas que achem que a vida só pode existir nos exactos moldes em que a conhecemos. A designação vida é o menos, aqui.
O mais é esta lacuna filosofal tremenda.

05/01/2013

O jogo

Posso situar a cena no tempo – foi em final de Agosto de 1991 ou de 1992. Posso situá-la no espaço – eu estava de costas para o fantasma da gloriosa oliveira milenar que tanta sombra me deu em miúdo e apontava os olhos à porta de peões da garagem, onde não se divisava a porta traseira esquerda de carro algum, enquandrando a senhora na parede do poço.
O trauma, que provavelmente me fez guardar esta recordação tão vividamente, esteve no facto de pela primeira vez estarmos dessintonizados numa conversa.
Se eu fizer um esforço de memória sou levado a constatar uma de duas coisas: os meus esforços de memória são em vão; as pessoas com quem hoje falo estão muitas vezes mais propensas ao alheamento numa conversa que elas próprias iniciaram do que estavam há vinte ou mais anos, ponhamos o traço por alturas deste episódio.
E com isto quero reforçar a ideia de que a nossa sintonia era boa não a atribuindo a uma alheada concordância da parte dela, coisa que seria de resto facilmente detectável.
Quando falávamos de alcagoitas não falávamos de bolas-de-berlim e quer estívessemos nos pontos mais opostos de uma discussão quer em posições coincidentes, mantínhamos essa organização mental que nos é (era) natural. Em suma, nunca argamassávamos argumentos.
Ora o que nos tinha trazido para a sombra já só existente na memória, muitas camadas de cal abaixo da superfície da parede, da gloriosa oliveira milenar tinha sido o facto de ser mais fácil entabular uma conversa na rua (ainda que murada do quintal) do que dentro de casa onde trepidavam, encostados às duas esquinas do largo, dois altifalantes que iam debitando o melhor da música de feira daquele início dos anos 90. Dentro de casa não se aguentava o som.
Estávamos a planear uma fuga quando a conversa aconteceu, vinda sabe-se lá de onde, talvez de ela ter o livro em seu poder e estar a lê-lo por aqueles dias.
O certo é que passada a primeira volta de argumentos, ela me disse que não tinha achado boa a minha descrição do livro e que o livro era bastante mais interessante do que eu lhe tinha dado a supôr, quando lho quis emprestar.
A partir daí entrámos em dessintonia, eu a falar-lhe de um livro, ela de outro. No fim, achámos curioso que tivéssemos ideias tão diferentes sobre um objecto e fugimos dali até à hora em que a música também ela mudava de sítio.
Andei à procura dele nas estantes e nada. Acho que ela não se lembrará de tal discussão.
Como é que aquelas duas pessoas existentes em 1991 ou 1992 puderam ler um livro em que os jogos de Conway eram o prato forte e divergir?

04/01/2013

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença décima segunda

O mundo não é a preto e branco.
É a zeros e uns.

03/01/2013

Estátua de Febre a arder

Nem sei se a palavra Febre em José Afonso se referia à deusa ou ao estado da estátua. Ou, o mais provável, que se tratasse de uma ambiguidade bem escolhida.
Ora eu que vinha aqui disposto a fechar as contas do ano transacto, classificando-o, depois de tudo revisto e aprovado, como um zero à esquerda, um ano em que, para a generalidade da ecúmena, nada aconteceu, vi-me forçado a protelar tal incumbência que os novos códigos dizem ser de exigir a todos os que têm a mania de opinar ( e nada há mais inútil do que uma opinião, salvo duas opiniões ou mais ) por causa do falhanço ou do acerto de tal Deusa.
Não cheguei a perceber se ela estava e está do lado da febre ou dos febris. Ou, o mais provável, que se mantenha numa ambiguidade bem escolhida, dos dois lados.
Umas 60 horas de improdução – mais menos menos coisa – foi quanto me rendeu a prenda que me ofereceram no final do ano passado. As primeiras 57 horas de 2013 mais umas 3 de 2012.
Foi todo o tempo de estar sem poder ler um livro, falar com alguém, ver televisão, etc.
Os meus votos de bom ano vão acompanhados desta foto do sítio da Agoda que se refere a um certo hotel em Bali.
Um chamam-no Febri’s outros Febris. Estou longe de considerar que uma das estátuas da fonte é de Febre, a deitar água. Mesmo assim...
Foram 60 horas e deram este lindo resultado – lembro-me de ter finalizado assim um relatório na Faculdade e de, ao contrário do que eu esperava, ter sido bem aceite tal desabafo.

31/12/2012

Pessoalmente*

Não tem isto nada a ver com a tropa fandanga que nos comandou e comanda – raras excepções assinaladas – e as consequências dos seus actos.
Só tem a ver comigo.
Sou incapaz de prosseguir a série de alusões ao futuro que tenho feito aqui ano a ano. Ainda que, impulsivamente, tenha construído o quadro.



Não apenas por ter sido particularmente certeiro no agoiro para 2012.
Diz-se assim, com propriedade, tornar descontínua a série. Porque há o desejo de a retomar mais à frente, se ainda fôr a tempo.

*Com a acepção que lhe dá o visconde da Apúlia aos 1:51 deste filme.