22/10/2013
21/10/2013
Entrevistas
A entrevista a José Sócrates que o Expresso publicou só contém elementos que reforçam a minha apreciação do homem: intelectualmente muito fraco, com tendência para declinar autores e propenso a epifanias.
A entrevista de Maria Luís Albuquerque à SIC revela dela uma inconsciência social grave ao referir-se aos seus rendimentos e padrão de vida. Não tenho dado atenção à senhora ao ponto de dela ter uma imagem da sua capacidade. Apenas noto que ou não percebeu como vive a maioria dos portugueses ou acha que se pode comparar com essa maioria.
Sócrates passou, deixou estragos e espera-se que não volte.
Maria Luís Albuquerque faz parte de um governo cujos membros têm que perceber que têm que ter uma imagem de quase santidade para que o país acolha de boa mente a necessária revolução que é necessário fazer.
Não há dúvidas quanto ao caminho pedregoso que teremos pela frente. Só os simples, muito simples, clamarão por relva macia.
Não há dúvidas que guiar um povo por tal caminho pouco viável é tarefa para gente sem queixumes. Nem rabos de palha.
A entrevista a José Sócrates que o Expresso publicou só contém elementos que reforçam a minha apreciação do homem: intelectualmente muito fraco, com tendência para declinar autores e propenso a epifanias.
A entrevista de Maria Luís Albuquerque à SIC revela dela uma inconsciência social grave ao referir-se aos seus rendimentos e padrão de vida. Não tenho dado atenção à senhora ao ponto de dela ter uma imagem da sua capacidade. Apenas noto que ou não percebeu como vive a maioria dos portugueses ou acha que se pode comparar com essa maioria.
Sócrates passou, deixou estragos e espera-se que não volte.
Maria Luís Albuquerque faz parte de um governo cujos membros têm que perceber que têm que ter uma imagem de quase santidade para que o país acolha de boa mente a necessária revolução que é necessário fazer.
Não há dúvidas quanto ao caminho pedregoso que teremos pela frente. Só os simples, muito simples, clamarão por relva macia.
Não há dúvidas que guiar um povo por tal caminho pouco viável é tarefa para gente sem queixumes. Nem rabos de palha.
20/10/2013
Um outro tempo
Os homens já escreveram sobre quase tudo o que importa. E o quase refere-se, em negativo, à insignificância que resta – os fenómenos que nunca antes se apresentaram como desafio, como prova. A história que contarei está pois farta de ser contada.
Os urbanos, a partir do momento em que as cidades proliferaram, não tiveram dificuldade em esquecer as regras que é necessário seguir para não lutar contra a corrente dos caprichos da Natureza.
No campo, não esquecendo tal, procurava-se domesticar o ambiente. Tendo talvez a ideia que tal domesticação era incerta.
Vem isto como introdução de uma pequena história que ouvi as vezes suficientes para a saber contar sem lhe acrescentar ou retirar muitos pontos:
Os urbanos actuais, a que podemos chamar burgueses, e que herdaram de sucessivas gerações a ignorância das regras da Natureza, quando confrontados com um período longo de paz e de prosperidade, como é o caso agora, já não só ignoram tais regras como as negam.
Acham-se no direito de querer sempre mais e melhor. Um retrocesso é para eles coisa inconcebível e atentatória de um direito que se pretende divino a não andar para trás.
Há muito que se alhearam do jogo em que se perde e se ganha. Foi-lhes assegurada uma condição de vida em derivada monótona e positiva por aqueles, e são muitos, que perdem e que ganham consoante a monção.
Não conseguem já ver para lá da cortina que têm à frente dos olhos.
Os homens já escreveram sobre quase tudo o que importa. E o quase refere-se, em negativo, à insignificância que resta – os fenómenos que nunca antes se apresentaram como desafio, como prova. A história que contarei está pois farta de ser contada.
Os urbanos, a partir do momento em que as cidades proliferaram, não tiveram dificuldade em esquecer as regras que é necessário seguir para não lutar contra a corrente dos caprichos da Natureza.
No campo, não esquecendo tal, procurava-se domesticar o ambiente. Tendo talvez a ideia que tal domesticação era incerta.
Vem isto como introdução de uma pequena história que ouvi as vezes suficientes para a saber contar sem lhe acrescentar ou retirar muitos pontos:
O homem passava amiúde à porta do rapaz que se fazia encontrado a fim de que aquele lhe atirasse do cimo da montada uma ou mais moedas.O valor desta história, igual a tantas outras, está no facto de o velhinho quase nonagenário ter bem presente a lição que aprendeu quando dava os primeiros passos da maturidade – ouvir os que mais devem saber e desconfiar da Natureza.
Tornaram-se com o tempo cúmplices daquele jogo. E de certo modo próximos.
Quando o rapaz, já regressado das sortes, caminhava com dois taipais, cada um em seu braço, a fim de dar início à empreita do adobe para a casa, foi surpreendido pelo velho que o desaconselhou – não comeces já que o tempo ainda não está seguro e ainda te leva as paredes numa chuvada.
O rapaz, determinado mas afinal atento ao que o velho lhe dizia, matutou e esperou. Dias depois veio uma carga d’água que provavelmente lhe teria atirado por terra parte do trabalho.
Os urbanos actuais, a que podemos chamar burgueses, e que herdaram de sucessivas gerações a ignorância das regras da Natureza, quando confrontados com um período longo de paz e de prosperidade, como é o caso agora, já não só ignoram tais regras como as negam.
Acham-se no direito de querer sempre mais e melhor. Um retrocesso é para eles coisa inconcebível e atentatória de um direito que se pretende divino a não andar para trás.
Há muito que se alhearam do jogo em que se perde e se ganha. Foi-lhes assegurada uma condição de vida em derivada monótona e positiva por aqueles, e são muitos, que perdem e que ganham consoante a monção.
Não conseguem já ver para lá da cortina que têm à frente dos olhos.
19/10/2013
Falsas memórias
Depois de me haver surpreendido com o efeito degenerescente que um aparelho de GPS pode exercer sobre o meu até então apurado sentido de orientação, surpreendo-me agora com outro efeito sobre o meu cérebro exercido pela observação de vistas do Google Street.
Já são duas surpresas em pouco tempo para um tipo que não está já em idade de se surpreender.
O facto é que a contemplação das vistas de rua e de estrada de locais que desconhecia gerou falsas memórias fotográficas reais. E, chegado aos sítios, esbateu em muito o deslumbramento que novas e interessantes vistas normalmente desencadeiam.

(clicar para ampliar)
Depois de me haver surpreendido com o efeito degenerescente que um aparelho de GPS pode exercer sobre o meu até então apurado sentido de orientação, surpreendo-me agora com outro efeito sobre o meu cérebro exercido pela observação de vistas do Google Street.
Já são duas surpresas em pouco tempo para um tipo que não está já em idade de se surpreender.
O facto é que a contemplação das vistas de rua e de estrada de locais que desconhecia gerou falsas memórias fotográficas reais. E, chegado aos sítios, esbateu em muito o deslumbramento que novas e interessantes vistas normalmente desencadeiam.

(clicar para ampliar)
18/10/2013
Livros de merda
Gostei de ler alguns livros de merda. Cheios de erros ortográficos, fartos de erros de sintaxe, com uma lógica argumentativa ao nível de um cretino.
Gostei de os ler como quem (calculo que assim seja) gosta de teatro de revista. Uma coisa primária, sem expectativas para além do menor (chamem-lhe mínimo admissível).
Gostei de facto de ler alguns livros de merda. Ainda que se encontrassem pontuados de asneiras e disparates factuais – fosse o caso de Dom Afonso Henriques ser filho de Nuno Álvares Pereira fosse o caso de o grande terramoto de Lisboa ter ocorrido no Algarve trinta e três anos antes de 1755 (ninguém cá estava para ver). Isto para citar alguns erros que não encontrei, tendo encontrado outros de igual calibre.
Gostei até bastante de ler alguns livros de merda. Os que, no meio dos erros gramaticais, dos erros de discorrimento, dos erros factuais e dos erros de discernimento que aqui não exemplifiquei, mostram uma decoração argumentativa que se assemelha, pictoricamente, à dos carrosséis de feira dos anos 60.
Isso – que é sua leitura - é bom para um fim de tarde num dia de Verão, no momento em que a mudança da brisa produz os seus efeitos.
Gostei de ler alguns livros de merda. Cheios de erros ortográficos, fartos de erros de sintaxe, com uma lógica argumentativa ao nível de um cretino.
Gostei de os ler como quem (calculo que assim seja) gosta de teatro de revista. Uma coisa primária, sem expectativas para além do menor (chamem-lhe mínimo admissível).
Gostei de facto de ler alguns livros de merda. Ainda que se encontrassem pontuados de asneiras e disparates factuais – fosse o caso de Dom Afonso Henriques ser filho de Nuno Álvares Pereira fosse o caso de o grande terramoto de Lisboa ter ocorrido no Algarve trinta e três anos antes de 1755 (ninguém cá estava para ver). Isto para citar alguns erros que não encontrei, tendo encontrado outros de igual calibre.
Gostei até bastante de ler alguns livros de merda. Os que, no meio dos erros gramaticais, dos erros de discorrimento, dos erros factuais e dos erros de discernimento que aqui não exemplifiquei, mostram uma decoração argumentativa que se assemelha, pictoricamente, à dos carrosséis de feira dos anos 60.
Isso – que é sua leitura - é bom para um fim de tarde num dia de Verão, no momento em que a mudança da brisa produz os seus efeitos.
16/10/2013
Bacanais
No final da década de 70, a crer nos ouvidos, havia bacanais por toda a parte.
Pois eu, pela parte que me tocou, posso dizer que os que frequentei tiveram a emoção e a luxúria de um pacato chá das cinco. Ou de uma demonstração tupperware aviltada pela presença de machos inquietos. Algo do género.
Ora ainda hoje ouço por vezes menções a tais festins. Ao teste de “estavas lá?” obtenho invariavelmente um “não, mas contaram-me”.
Não digo que não tenha havido tais festas. Acho estranho é não haver testemunhos na primeira pessoa. Ainda que fique bem omitir certas passagens do currículo.
No final da década de 70, a crer nos ouvidos, havia bacanais por toda a parte.
Pois eu, pela parte que me tocou, posso dizer que os que frequentei tiveram a emoção e a luxúria de um pacato chá das cinco. Ou de uma demonstração tupperware aviltada pela presença de machos inquietos. Algo do género.
Ora ainda hoje ouço por vezes menções a tais festins. Ao teste de “estavas lá?” obtenho invariavelmente um “não, mas contaram-me”.
Não digo que não tenha havido tais festas. Acho estranho é não haver testemunhos na primeira pessoa. Ainda que fique bem omitir certas passagens do currículo.
15/10/2013
Teoria das previsões
Merece leitura atenta um resumo da teoria apresentada pelos vencedores do Nobel da Economia.
A questão do comportamento dos mercados é um dos mistérios que decorre do mistério do comportamento humano e dos actos de Deus (secas, aluviões, pestes, etc.).
Se alguém se aventura nessa senda com hipóteses que merecem um Nobel, há-de haver nesse resumo qualquer coisa que se aproveite.
Confesso que vou lê-lo com a reserva mental que aplico a todos os modelos que fazem previsões, se é disso realmente que se trata.

(clicar para aceder ao documento justificativo e descritivo do prémio)
Merece leitura atenta um resumo da teoria apresentada pelos vencedores do Nobel da Economia.
A questão do comportamento dos mercados é um dos mistérios que decorre do mistério do comportamento humano e dos actos de Deus (secas, aluviões, pestes, etc.).
Se alguém se aventura nessa senda com hipóteses que merecem um Nobel, há-de haver nesse resumo qualquer coisa que se aproveite.
Confesso que vou lê-lo com a reserva mental que aplico a todos os modelos que fazem previsões, se é disso realmente que se trata.

(clicar para aceder ao documento justificativo e descritivo do prémio)
14/10/2013
Jornalismo
A primeira vez que ouvi e vi a notícia sobre o mais recente atropelo na Índia, a voz off dizia que tudo tinha tido origem no colapso de uma ponte. Todavia, as imagens mostravam gente a atropelar-se numa ponte erecta, sem danos visíveis.
A diferença desta vez é que corrigiram mais tarde o erro. Afinal tinha sido o boato de que a ponte iria cair que levou ao pânico.
É muito frequente que os textos lidos não acompanhem as imagens, dando a ideia de que quem escreveu o texto se limitou a traduzir dos textos das agências sem espírito crítico, sem ter visto as imagens ou, caso para me inclino, sem as ter compreendido.
E é muito raro que seja feita a correcção.
A primeira vez que ouvi e vi a notícia sobre o mais recente atropelo na Índia, a voz off dizia que tudo tinha tido origem no colapso de uma ponte. Todavia, as imagens mostravam gente a atropelar-se numa ponte erecta, sem danos visíveis.
A diferença desta vez é que corrigiram mais tarde o erro. Afinal tinha sido o boato de que a ponte iria cair que levou ao pânico.
É muito frequente que os textos lidos não acompanhem as imagens, dando a ideia de que quem escreveu o texto se limitou a traduzir dos textos das agências sem espírito crítico, sem ter visto as imagens ou, caso para me inclino, sem as ter compreendido.
E é muito raro que seja feita a correcção.
13/10/2013
Retrato-robot

fotografia de Leon Neal para a AFP
To be or not to be – that clever to understand what are errors in a calculation.
Esta é a questão que se deve considerar quando se publicam os retratos inventados de alguém, com vista a que esse alguém seja reconhecido.
Ocorre-me isto quando surge mais uma torrente de notícias sobre a desaparecida Madeleine McCann, acompanhadas de um novo mas já velho retrato-robot do que alguém pretende seja a imagem da miúda actualmente. Se ainda estiver entre os vivos.
Aqui nem sequer há cálculo, qualquer ciência. É pura e dura arte divinatória. Alguém se entreteve a imaginar o aspecto da miúda, com base nos seus traços conhecidos e na fisionomia dos pais. Apesar de tudo, uma coisa provavelmente mais próxima do que a imagem de Jesus Cristo.
Ora a questão é se, sendo o fito o de encontrar viva, caso ainda o esteja, a miúda, é procedente emitir tal retrato de forma acrítica, para que os simples pensem que aquele é, de facto, o aspecto actual dela.
Ou se seria preferível não o fazer, dada a baixíssima probabilidade de tal retrato ter alguma parecença com a almejada realidade.

fotografia de Leon Neal para a AFP
To be or not to be – that clever to understand what are errors in a calculation.
Esta é a questão que se deve considerar quando se publicam os retratos inventados de alguém, com vista a que esse alguém seja reconhecido.
Ocorre-me isto quando surge mais uma torrente de notícias sobre a desaparecida Madeleine McCann, acompanhadas de um novo mas já velho retrato-robot do que alguém pretende seja a imagem da miúda actualmente. Se ainda estiver entre os vivos.
Aqui nem sequer há cálculo, qualquer ciência. É pura e dura arte divinatória. Alguém se entreteve a imaginar o aspecto da miúda, com base nos seus traços conhecidos e na fisionomia dos pais. Apesar de tudo, uma coisa provavelmente mais próxima do que a imagem de Jesus Cristo.
Ora a questão é se, sendo o fito o de encontrar viva, caso ainda o esteja, a miúda, é procedente emitir tal retrato de forma acrítica, para que os simples pensem que aquele é, de facto, o aspecto actual dela.
Ou se seria preferível não o fazer, dada a baixíssima probabilidade de tal retrato ter alguma parecença com a almejada realidade.
12/10/2013
10/10/2013
Uma preguiça
Há uma preguiça mental vária que me impede de sistematizar a informação recolhida sobre o caso da crise sísmica ao largo de Castellón de la Plana e a sua relação com a injecção de gás num depósito natural nas proximidades dos focos sísmicos.
Uma preguiça mental vária que me impede. Até de ser mais claro nestas linhas.
Há uma preguiça mental vária que me impede de sistematizar a informação recolhida sobre o caso da crise sísmica ao largo de Castellón de la Plana e a sua relação com a injecção de gás num depósito natural nas proximidades dos focos sísmicos.
Uma preguiça mental vária que me impede. Até de ser mais claro nestas linhas.
08/10/2013
Explicar
Se é de falta de explicação que se trata, que Passos Coelho explique, que mostre a razão pela qual se atreve a cortar nas pensões enquanto mantém Rui Machete no governo.
Aquela coisa de dar o exemplo, da autoridade moral, já não se usa?
Se não se usa, acautele-se. Um destes dias será chamado à pedra.
Se é de falta de explicação que se trata, que Passos Coelho explique, que mostre a razão pela qual se atreve a cortar nas pensões enquanto mantém Rui Machete no governo.
Aquela coisa de dar o exemplo, da autoridade moral, já não se usa?
Se não se usa, acautele-se. Um destes dias será chamado à pedra.
07/10/2013
Manuais de instruções
Nas divisões do mundo, uma há que é inelutável: o mundo divide-se entre os que escrevem manuais de instruções e os que os usam. Grosso modo.
Ora de entre os diversos manuais de instruções que se podem considerar, uns há que mostram uma evolução que talvez reflicta muito bem a evolução que o mundo sofreu desde que surgiram – as bulas de medicamentos.
Estive há pouco a saborear o texto da bula da vacina Influvac 2013-2014 (... se você ou o seu filho são alérgicos...). Pareceu-me destinada (... se você ou o seu filho estiverem a tomar...) a um indivíduo que estava hoje (... se você ou o seu filho têm uma resposta imunitária fraca...) à minha frente num balcão de clínica. Foi difícil, muito difícil, à funcionária explicar-lhe que o horário era das tantas às tantas e que, dentro desse horário, poderia ir a qualquer hora e que o tempo previsto para a espera era no máximo de meia hora.
O mundo não está mais estúpido. Há é mais estúpidos a julgarem-se doutores. Ou similares.
Nas divisões do mundo, uma há que é inelutável: o mundo divide-se entre os que escrevem manuais de instruções e os que os usam. Grosso modo.
Ora de entre os diversos manuais de instruções que se podem considerar, uns há que mostram uma evolução que talvez reflicta muito bem a evolução que o mundo sofreu desde que surgiram – as bulas de medicamentos.
Estive há pouco a saborear o texto da bula da vacina Influvac 2013-2014 (... se você ou o seu filho são alérgicos...). Pareceu-me destinada (... se você ou o seu filho estiverem a tomar...) a um indivíduo que estava hoje (... se você ou o seu filho têm uma resposta imunitária fraca...) à minha frente num balcão de clínica. Foi difícil, muito difícil, à funcionária explicar-lhe que o horário era das tantas às tantas e que, dentro desse horário, poderia ir a qualquer hora e que o tempo previsto para a espera era no máximo de meia hora.
O mundo não está mais estúpido. Há é mais estúpidos a julgarem-se doutores. Ou similares.
06/10/2013
05/10/2013
Aqui há Gato!*
Num tempo em que a profusão de comentários, de likes e de estrelas é esmagadora e a um indivíduo que se propôs não fazer recomendações de restaurantes, a esse indivíduo seria de esperar que escrevesse moita.
Pois não, aqui digo que há Gato na Lousã.
Não me recordo de anteriormente alguma vez me ter restaurado em tal povoado. Talvez um café, isso sim.
E ontem, justamente quando depois de ter passado por invernos, primaveras e verões sem chuva (que este ano como está demonstrado o Outono foi eliminado do calendário), justamente quando desabou uma magnífica carga d’água, acolhi-me no Gato.
Foi bom, barato. Fiquei bem servido.
* longe de mim querer plagiar ou sequer competir com o mestre Quitério
Num tempo em que a profusão de comentários, de likes e de estrelas é esmagadora e a um indivíduo que se propôs não fazer recomendações de restaurantes, a esse indivíduo seria de esperar que escrevesse moita.
Pois não, aqui digo que há Gato na Lousã.
Não me recordo de anteriormente alguma vez me ter restaurado em tal povoado. Talvez um café, isso sim.
E ontem, justamente quando depois de ter passado por invernos, primaveras e verões sem chuva (que este ano como está demonstrado o Outono foi eliminado do calendário), justamente quando desabou uma magnífica carga d’água, acolhi-me no Gato.
Foi bom, barato. Fiquei bem servido.
* longe de mim querer plagiar ou sequer competir com o mestre Quitério
04/10/2013
03/10/2013
Loucura
Só uma loucura generalizada nos órgãos dos dois principais partidos políticos justifica a acesa troca de argumentos entre os integrantes de um e de outro lado.
Não conseguem entender o que é pacífico entre os observadores distanciados – um e outro são duas faces da mesma moeda. E igualmente responsáveis pelo estado a que chegámos.
Já agora: qual será a posição do PS face à Constituição e aos condicionamentos dela decorrentes quando chegar de novo ao poder?
Só uma loucura generalizada nos órgãos dos dois principais partidos políticos justifica a acesa troca de argumentos entre os integrantes de um e de outro lado.
Não conseguem entender o que é pacífico entre os observadores distanciados – um e outro são duas faces da mesma moeda. E igualmente responsáveis pelo estado a que chegámos.
Já agora: qual será a posição do PS face à Constituição e aos condicionamentos dela decorrentes quando chegar de novo ao poder?
01/10/2013
Estradas imagináveis (do plano de 45) - vol. 21

Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.

Nota: a toponímia das estradas imagináveis é porém real.
30/09/2013
29/09/2013
Alavancar (X)
Ess’agora! O que não falta são grupos coesos que desatam à berlaitada!
Se puseres uma porrada de malta, uma porrada é uma maneira de dizer que os autocarros são para aí de cinquenta e dois lugares, uma porrada de malta que nunca se tenha visto se calhar vão mais felizes todos juntos no autocarro que esse tal teu grupo coeso. Porrada é disfemismo, ‘tá claro!
Ok. Não vale a pena irmos por aí.
Pois não.
O que te digo é que, com a devida ensaboadela papagueiam tudo o que se quiser. Que nunca houve verões assim, invernos assim, calores assim, chuvas assim. Que foi fora-de-jogo e que foi penalti e que o outro é maricas e que a outra é...
Mas isso foi assim pelos séculos dos séculos. Descobriste a pólvora, pá!
Talvez. Mas nunca se espalhou tão bem aquilo que se quer como hoje.
E o que não se quer.
Ah, isso é marginal. O grosso do rebanho obedece ao capataz e ao cão que o guarda.
Capataz? Não será antes pastor?
Ai o c... Bebe mas é mais uma mine e concentra-te nisto – se o nosso problema de método não estivesse na alavanca, não haveria tanta gente a conjungar o verbo alavancar, soando a arrancar, carregar e outros esforçados verbos. É o mau uso da alavanca que o explica.
Agora é que deste uma p’rà caixa.
Manel! A abaladiça: mais duas mines e um pacote de alcagoitas.
Ess’agora! O que não falta são grupos coesos que desatam à berlaitada!
Se puseres uma porrada de malta, uma porrada é uma maneira de dizer que os autocarros são para aí de cinquenta e dois lugares, uma porrada de malta que nunca se tenha visto se calhar vão mais felizes todos juntos no autocarro que esse tal teu grupo coeso. Porrada é disfemismo, ‘tá claro!
Ok. Não vale a pena irmos por aí.
Pois não.
O que te digo é que, com a devida ensaboadela papagueiam tudo o que se quiser. Que nunca houve verões assim, invernos assim, calores assim, chuvas assim. Que foi fora-de-jogo e que foi penalti e que o outro é maricas e que a outra é...
Mas isso foi assim pelos séculos dos séculos. Descobriste a pólvora, pá!
Talvez. Mas nunca se espalhou tão bem aquilo que se quer como hoje.
E o que não se quer.
Ah, isso é marginal. O grosso do rebanho obedece ao capataz e ao cão que o guarda.
Capataz? Não será antes pastor?
Ai o c... Bebe mas é mais uma mine e concentra-te nisto – se o nosso problema de método não estivesse na alavanca, não haveria tanta gente a conjungar o verbo alavancar, soando a arrancar, carregar e outros esforçados verbos. É o mau uso da alavanca que o explica.
Agora é que deste uma p’rà caixa.
Manel! A abaladiça: mais duas mines e um pacote de alcagoitas.
28/09/2013
Rotundos autarcas*
A classe dos autarcas não escapa ao retrato do país – uns quantos bons e capazes, uns quantos assim-assim e uma imensa maioria de medíocres e maus.
Autarcas actuais e passados, bem entendido.
Essa imensa maioria de medíocres e maus deixou obra. Que para essa maioria de eleitores que os foram mantendo no cargo terá sido boa obra.
Que interessam as dívidas que se contraíram e que não se conseguem pagar, as porcarias que se fizeram e que para nada servem e que em alguns casos não se conseguem conservar em bom estado (como se interessasse ter porcaria em bom estado...)? Não interessam nada.
Dessa imensa maioria de eleitores começaram a dissidir uns quantos afinal indignados com o esbanjamento que agora lhes esmifra os bolsos.
Este post é para homenagear os que de há muito foram apontando os ridículos mimetismos e as extravagâncias dessa classe.
Com mais (como neste caso) ou menos humor.

nó rodoviário em Mafra - imagem dos Bing Maps.
*expressão que me tendo ocorrido, tive o cuidado de verificar já ter sido cunhada por outros.
A classe dos autarcas não escapa ao retrato do país – uns quantos bons e capazes, uns quantos assim-assim e uma imensa maioria de medíocres e maus.
Autarcas actuais e passados, bem entendido.
Essa imensa maioria de medíocres e maus deixou obra. Que para essa maioria de eleitores que os foram mantendo no cargo terá sido boa obra.
Que interessam as dívidas que se contraíram e que não se conseguem pagar, as porcarias que se fizeram e que para nada servem e que em alguns casos não se conseguem conservar em bom estado (como se interessasse ter porcaria em bom estado...)? Não interessam nada.
Dessa imensa maioria de eleitores começaram a dissidir uns quantos afinal indignados com o esbanjamento que agora lhes esmifra os bolsos.
Este post é para homenagear os que de há muito foram apontando os ridículos mimetismos e as extravagâncias dessa classe.
Com mais (como neste caso) ou menos humor.

nó rodoviário em Mafra - imagem dos Bing Maps.
*expressão que me tendo ocorrido, tive o cuidado de verificar já ter sido cunhada por outros.
27/09/2013
Alavancar (IX)
A razão do nosso atraso está na alavanca. Ainda não percebeste?
O nosso mal é que o braço potente é sempre menor do que o braço resistente. Acreditamos nas alavancas assim. É assim que as usamos. Como se fossem pinças.
E com isso podemos fazer ene vezes o trabalho necessário para um determinado fim. Desperdiçamos pelo menos ene menos uma vezes esse trabalho necessário. Faz parte da nossa natureza.
E as perguntas a Marcelo e as letras do Tony Carreira dizem-te isso?
Dizem. Ó se dizem. É preciso a gente embrenhar-se bem numas e noutras para ver a luz!
Ena, pá! Na minha terra chamamos a isso lavagem cerebral. Conseguem-se prodígios com a convivência prolongada com as mentes adequadas.
Deixa-te dessas porras. As perguntas a Marcelo e as canções do Carreira são apenas um sintoma. Mas um sintoma evidente que convém ter em conta.
Achas?
Acho. E acho mais: com alguma propaganda não terás dificuldade em obter um grupo coeso que jure a pés juntos que faz menos trabalho accionando um braço menor do que um braço maior numa alavanca.
Grupo coeso? Por quê coeso?
Porque se não fôr, é uma chatice colocá-lo no mesmo autocarro e levá-lo a um estúdio de televisão.
(continua)
A razão do nosso atraso está na alavanca. Ainda não percebeste?
O nosso mal é que o braço potente é sempre menor do que o braço resistente. Acreditamos nas alavancas assim. É assim que as usamos. Como se fossem pinças.
E com isso podemos fazer ene vezes o trabalho necessário para um determinado fim. Desperdiçamos pelo menos ene menos uma vezes esse trabalho necessário. Faz parte da nossa natureza.
E as perguntas a Marcelo e as letras do Tony Carreira dizem-te isso?
Dizem. Ó se dizem. É preciso a gente embrenhar-se bem numas e noutras para ver a luz!
Ena, pá! Na minha terra chamamos a isso lavagem cerebral. Conseguem-se prodígios com a convivência prolongada com as mentes adequadas.
Deixa-te dessas porras. As perguntas a Marcelo e as canções do Carreira são apenas um sintoma. Mas um sintoma evidente que convém ter em conta.
Achas?
Acho. E acho mais: com alguma propaganda não terás dificuldade em obter um grupo coeso que jure a pés juntos que faz menos trabalho accionando um braço menor do que um braço maior numa alavanca.
Grupo coeso? Por quê coeso?
Porque se não fôr, é uma chatice colocá-lo no mesmo autocarro e levá-lo a um estúdio de televisão.
(continua)
25/09/2013
24/09/2013
O espírito simplex ou a falta de método

Não há nada de novo na nossa desorganização, na nossa falta de método.
Quando sentimos na pele o azorrague dá-se uma remexida e a coisa por vezes ainda fica mais desorganizada do que já estava.
Acho que um bom exemplo é, pelo menos nesta faceta, o espírito simplex. Na faceta Simplegis – só o nome assusta.
E, na faceta Simplegis o que é que acontece? Acontece que num mesmo decreto-lei, em artigos diferentes se alteram outros decretos-leis com disposições relativas a assuntos tão diversos como a caça e a emissão de selos postais.
Se isto não é falta de método, não sei o que é falta de método.

Não há nada de novo na nossa desorganização, na nossa falta de método.
Quando sentimos na pele o azorrague dá-se uma remexida e a coisa por vezes ainda fica mais desorganizada do que já estava.
Acho que um bom exemplo é, pelo menos nesta faceta, o espírito simplex. Na faceta Simplegis – só o nome assusta.
E, na faceta Simplegis o que é que acontece? Acontece que num mesmo decreto-lei, em artigos diferentes se alteram outros decretos-leis com disposições relativas a assuntos tão diversos como a caça e a emissão de selos postais.
Se isto não é falta de método, não sei o que é falta de método.
23/09/2013
Curiosidades
Nos últimos dias, e depois de ter aqui mencionado o desastre que é o cadastro rústico, ouvi menções ao assunto em vários programas de televisão.
Nos últimos dias, e depois de ter aqui mencionado o desastre que é o cadastro rústico, ouvi menções ao assunto em vários programas de televisão.
Alavancar (VIII)
Tens razão. Marcelo é a pitonisa, M e mais uns quantos. M será coincidência? – acrescentei já a abardinar a coisa.
Poderias ir ao sumo das questões, perguntando quem irá ganhar o campeonato da 1ª divisão e repetindo aquela: que pergunta faria se só lhe fosse permitida uma pergunta na vida?
Lá vens tu com mais filosofia barata e populismo adjunto.
Vou submeter estas perguntas a escrutínio e observar quais delas passam o crivo. É o teste.
Podias acrescentar uma outra: as perguntas a que o Prof. Marcelo responde são mesmo do público?
Deixa-te de disparates. E mais, isso da 1ª divisão já era. Agora é Liga-qualquer-coisa ou I Liga.
Olha que bom. Faca na liga.
O quê?
Nada, nada. Fala-me da alavanca.
(continua)
Tens razão. Marcelo é a pitonisa, M e mais uns quantos. M será coincidência? – acrescentei já a abardinar a coisa.
Poderias ir ao sumo das questões, perguntando quem irá ganhar o campeonato da 1ª divisão e repetindo aquela: que pergunta faria se só lhe fosse permitida uma pergunta na vida?
Lá vens tu com mais filosofia barata e populismo adjunto.
Vou submeter estas perguntas a escrutínio e observar quais delas passam o crivo. É o teste.
Podias acrescentar uma outra: as perguntas a que o Prof. Marcelo responde são mesmo do público?
Deixa-te de disparates. E mais, isso da 1ª divisão já era. Agora é Liga-qualquer-coisa ou I Liga.
Olha que bom. Faca na liga.
O quê?
Nada, nada. Fala-me da alavanca.
(continua)
22/09/2013
Cátedra
Parece-me que se pode avaliar a potência de um país pela qualidade média dos seus professores universitários.
Quando grossa parte desse corpo se entretém a fazer juízos éticos e estéticos da ciência percebe-se que a potência é fraca. Na proporção inversa à grossura do extracto que tais juízos emite.
Parece-me que se pode avaliar a potência de um país pela qualidade média dos seus professores universitários.
Quando grossa parte desse corpo se entretém a fazer juízos éticos e estéticos da ciência percebe-se que a potência é fraca. Na proporção inversa à grossura do extracto que tais juízos emite.
21/09/2013
Interpretações
Passos Coelho faz interpretações do comportamento dos mercados bolsistas e afins – disse-o ele há pouco ao povo de Alcanena.
Eu, que já revi em baixa a conta em que o tinha, sinto ser confrangedor que um primeiro-ministro faça tais interpretações.
Passos Coelho faz interpretações do comportamento dos mercados bolsistas e afins – disse-o ele há pouco ao povo de Alcanena.
Eu, que já revi em baixa a conta em que o tinha, sinto ser confrangedor que um primeiro-ministro faça tais interpretações.
20/09/2013
Rebanho
É claro que o ensino não tem que ter por objectivo instruir as crianças e prepará-las para darem o seu melhor.
Pode ter por objectivo criar um rebanho facilmente pastoreável.
Ter visto o que me pareceu ser uma aula de inglês no ensino básico a tratar as crianças da faixa etária correspondente àquele ensino como bébés, mostrando uma espécie de robertos com forma de peixe para que o coro cantasse fish; com forma de cão para que o coro cantasse dog; com forma de coelho para que o coro cantasse rabbit parece-me bem para encaminhar um rebanho e muito mal para preparar gente capaz.
imagem de filme da RTP
É claro que o ensino não tem que ter por objectivo instruir as crianças e prepará-las para darem o seu melhor.
Pode ter por objectivo criar um rebanho facilmente pastoreável.
Ter visto o que me pareceu ser uma aula de inglês no ensino básico a tratar as crianças da faixa etária correspondente àquele ensino como bébés, mostrando uma espécie de robertos com forma de peixe para que o coro cantasse fish; com forma de cão para que o coro cantasse dog; com forma de coelho para que o coro cantasse rabbit parece-me bem para encaminhar um rebanho e muito mal para preparar gente capaz.
imagem de filme da RTP
19/09/2013
Cadastrado
mapa do IGEO
Quando olho para este mapa, ocorre-me perguntar:
O mapa está desactualizado?
Não o estando, nos concelhos a branco e nos que “não entraram em regime de cadastro”(?) sabe-se (sabe o Estado) onde estão os sesmos e a quem pertencem as terras?
Sabendo tal o Estado, cobra o respectivo IMI?
Incomodar-me-ia muito saber que os prédios rústicos de quase metade da área do território continental não estão sujeitos a impostos na fase em que a coisa está.
Espero pois que o Estado saiba de quem são as terras e arrecade as colectas respectivas.
mapa do IGEO
Quando olho para este mapa, ocorre-me perguntar:
O mapa está desactualizado?
Não o estando, nos concelhos a branco e nos que “não entraram em regime de cadastro”(?) sabe-se (sabe o Estado) onde estão os sesmos e a quem pertencem as terras?
Sabendo tal o Estado, cobra o respectivo IMI?
Incomodar-me-ia muito saber que os prédios rústicos de quase metade da área do território continental não estão sujeitos a impostos na fase em que a coisa está.
Espero pois que o Estado saiba de quem são as terras e arrecade as colectas respectivas.
18/09/2013
17/09/2013
Aprender
Há ocasiões em que um indivíduo bem colocado pode recolher conhecimentos únicos.
Estar no posto de comando da operação para colocar a prumo o navio Costa Concordia é uma delas. Rara.

imagem da Reuters via the Independent
Há ocasiões em que um indivíduo bem colocado pode recolher conhecimentos únicos.
Estar no posto de comando da operação para colocar a prumo o navio Costa Concordia é uma delas. Rara.

imagem da Reuters via the Independent
15/09/2013
Alavancar (VII)
Quem é o verdadeiro manda-chuva (aquele que decide mesmo se chove ou se faz sol) em Portugal continental?
Porque é que deixaram de existir boletins meteorológicos na SIC com umas meninas que previam o tempo especificamente para Vila Nova da Raínha, Alfarelos ou Conceição de Tavira?
O que é que aconteceu a Dom Sebastião?
Qual vai ser o formato das matrículas de automóvel quando se esgotar o actual 00-AA-00?
Quem vai ser o ministro da Saúde no dia 13 de Setembro de 2027?
Quantas marcas americanas de automóveis conseguirão vender carros em Portugal em 2025?
Quem será o futuro presidente da Região Demarcada da Mulher Norte-Alentejana? Por quanto tempo mais se manterão os actuais limites de tal região?
Li até aqui o rol das perguntas a Marcelo.
Baralhas a pitonisa com o londrino M – disse-lhe. Baralhas, que é como quem diz. Misturas.
E qual é o espanto? – retorquiu.
(continua)
Quem é o verdadeiro manda-chuva (aquele que decide mesmo se chove ou se faz sol) em Portugal continental?
Porque é que deixaram de existir boletins meteorológicos na SIC com umas meninas que previam o tempo especificamente para Vila Nova da Raínha, Alfarelos ou Conceição de Tavira?
O que é que aconteceu a Dom Sebastião?
Qual vai ser o formato das matrículas de automóvel quando se esgotar o actual 00-AA-00?
Quem vai ser o ministro da Saúde no dia 13 de Setembro de 2027?
Quantas marcas americanas de automóveis conseguirão vender carros em Portugal em 2025?
Quem será o futuro presidente da Região Demarcada da Mulher Norte-Alentejana? Por quanto tempo mais se manterão os actuais limites de tal região?
Li até aqui o rol das perguntas a Marcelo.
Baralhas a pitonisa com o londrino M – disse-lhe. Baralhas, que é como quem diz. Misturas.
E qual é o espanto? – retorquiu.
(continua)
13/09/2013
12/09/2013
O mundo na mesma
Mudança no mundo é uma designação de uma ocorrência que não ocorre. O mundo não muda por ocorrências. Ou não muda por ocorrências singulares e precisas.
Isto se considerarmos que uma mudança no mundo é, para além da poesia da designação, algo apreciável. Contradigo-me. Ocorre ou não?
Verifica-se. Verificou-se em tempos que marcaram eras. Não foram propriamente ocorrências precisas e datáveis mas verificou-se. Verificou-se quando hábitos mudaram para grande parte da ecúmena.
A mais recente pode apreciar-se na forma como comunicamos à distância. Da generalizada utilização do telefone agarrado a um cabo e da missiva no final da década de 80 do século passado, passámos em vinte e tal anos (e este intervalo pode ser “apurado”) para um tipo de comunicação muito diferente. O mundo mudou.
Alguma coisa de substancial mudou no mundo a 11 de Setembro de 2001? Não. O mundo terminou para milhares de pessoas. Como termina a cada dia que passa. Nesse dia terminou talvez para mais do que costuma terminar em cada dia.
Talvez tenha havido uma mudança – talvez para a maioria dos ocidentais tenha sido a primeira vez que se deram conta de que existe um conflito entre civilizações. Mas isso não se consegue medir, verificar.
Contradigo-me?

Fred R. Conrad / The New York Times Photo Archives, 1983
Mudança no mundo é uma designação de uma ocorrência que não ocorre. O mundo não muda por ocorrências. Ou não muda por ocorrências singulares e precisas.
Isto se considerarmos que uma mudança no mundo é, para além da poesia da designação, algo apreciável. Contradigo-me. Ocorre ou não?
Verifica-se. Verificou-se em tempos que marcaram eras. Não foram propriamente ocorrências precisas e datáveis mas verificou-se. Verificou-se quando hábitos mudaram para grande parte da ecúmena.
A mais recente pode apreciar-se na forma como comunicamos à distância. Da generalizada utilização do telefone agarrado a um cabo e da missiva no final da década de 80 do século passado, passámos em vinte e tal anos (e este intervalo pode ser “apurado”) para um tipo de comunicação muito diferente. O mundo mudou.
Alguma coisa de substancial mudou no mundo a 11 de Setembro de 2001? Não. O mundo terminou para milhares de pessoas. Como termina a cada dia que passa. Nesse dia terminou talvez para mais do que costuma terminar em cada dia.
Talvez tenha havido uma mudança – talvez para a maioria dos ocidentais tenha sido a primeira vez que se deram conta de que existe um conflito entre civilizações. Mas isso não se consegue medir, verificar.
Contradigo-me?

Fred R. Conrad / The New York Times Photo Archives, 1983
11/09/2013
O pomo da discórdia

imagem daqui
O pomo da discórdia desapareceu. Tanto faz que tenha sido na guerra de Tróia ou quando a massificação e a mediatização deram o salto quântico.
Hoje, em regra, uma disputa gera-se entre os que estão a favor de um bolo argumentativo inconsistente e auto-contraditório cujo significado é inalcançável e os que estão contra um bolo argumentativo inconsistente e auto-contraditório que em muito pouco coincide com o primeiro e cujo significado é igualmente inalcançável.
Por vezes nada separa os contendentes.
Por vezes nada une os concordantes.

imagem daqui
O pomo da discórdia desapareceu. Tanto faz que tenha sido na guerra de Tróia ou quando a massificação e a mediatização deram o salto quântico.
Hoje, em regra, uma disputa gera-se entre os que estão a favor de um bolo argumentativo inconsistente e auto-contraditório cujo significado é inalcançável e os que estão contra um bolo argumentativo inconsistente e auto-contraditório que em muito pouco coincide com o primeiro e cujo significado é igualmente inalcançável.
Por vezes nada separa os contendentes.
Por vezes nada une os concordantes.
09/09/2013
06/09/2013
O assassino
Um Brock descrito há 60 anos por Ray Bradbury e emparelhado por mim com um pouco mais novo Myron Aub de Asimov.
Um Brock descrito há 60 anos por Ray Bradbury e emparelhado por mim com um pouco mais novo Myron Aub de Asimov.
05/09/2013
Dia Nacional do Legislador
É certo que podia ser outro, mas eu hoje estou por hoje – que 5 de Setembro seja o Dia Nacional do Legislador.
É certo que podia ser outro, mas eu hoje estou por hoje – que 5 de Setembro seja o Dia Nacional do Legislador.
04/09/2013
03/09/2013
Fósforos

Altura para afinal repetir o que já há três anos escrevi e que agora há uns quantos que vigorosamente defendem.

Altura para afinal repetir o que já há três anos escrevi e que agora há uns quantos que vigorosamente defendem.
02/09/2013
Alavancar (VI)
Um teste?
Sim. No outro dia apercebi-me de que o homem respondia a perguntas a pedido.
E que seleccionaram uma de vida ou de morte. Se fulano de tal recuperava ou não. Ora isto é colocar Marcelo no lugar de pitonisa, coisa que alguns dizem que ele é, embora aparentemente ainda ninguém tivesse experimentado de forma tão explícita testar-lhe tal qualidade.
Perguntaram-lhe se um tipo sobrevivia ou não? ‘Tás a falar a sério?
‘Tou, pois. Achas que ia brincar com questões de vida ou de morte?
Dei-me conta de que a nossa conversa começava a interessar aos parceiros das mesas vizinhas. Sem que soubesse a que ponto se encontravam já a par da escrita.
(continua)
Um teste?
Sim. No outro dia apercebi-me de que o homem respondia a perguntas a pedido.
E que seleccionaram uma de vida ou de morte. Se fulano de tal recuperava ou não. Ora isto é colocar Marcelo no lugar de pitonisa, coisa que alguns dizem que ele é, embora aparentemente ainda ninguém tivesse experimentado de forma tão explícita testar-lhe tal qualidade.
Perguntaram-lhe se um tipo sobrevivia ou não? ‘Tás a falar a sério?
‘Tou, pois. Achas que ia brincar com questões de vida ou de morte?
Dei-me conta de que a nossa conversa começava a interessar aos parceiros das mesas vizinhas. Sem que soubesse a que ponto se encontravam já a par da escrita.
(continua)
01/09/2013
30/08/2013
29/08/2013
Alavancar (V)
Vamos começar pela letra do Tony Carreira. Apontei-a à mão porque não tinha impressora e só tenho um computador de secretária, nada de portáteis grandes ou pequenos.
E dei-me a esse trabalho também com aquele espírito de quem faz cábulas – para além da utilidade do papelinho na altura do aperto, alguma coisa fica na memória enquanto se escreve. Talvez com isso quisesse suprir algum desejo inconsciente de memorizar a letra, sabe-se lá. O certo é que me interessava conhecer um exemplo do que canta o homem. Porque aí está, não duvides, a essência do povo.
Ainda empinando a mini-castello à frente do nariz, mirava-lhe a expressão empenhada refractada através do vidro.
A lista de perguntas para o Marcelo é um teste. Queres ler?
(continua)
Vamos começar pela letra do Tony Carreira. Apontei-a à mão porque não tinha impressora e só tenho um computador de secretária, nada de portáteis grandes ou pequenos.
E dei-me a esse trabalho também com aquele espírito de quem faz cábulas – para além da utilidade do papelinho na altura do aperto, alguma coisa fica na memória enquanto se escreve. Talvez com isso quisesse suprir algum desejo inconsciente de memorizar a letra, sabe-se lá. O certo é que me interessava conhecer um exemplo do que canta o homem. Porque aí está, não duvides, a essência do povo.
Ainda empinando a mini-castello à frente do nariz, mirava-lhe a expressão empenhada refractada através do vidro.
A lista de perguntas para o Marcelo é um teste. Queres ler?
(continua)
28/08/2013
O rebanho
O rebanho é aqui a parte maioritária da mole que segue os mesmos ensinamentos, que julga da mesma forma, que papagueia com igual fervor as mesmas verdades insofismáveis e os mesmos valores divínicos.
É hoje possível determinar que cartilha é essa a partir das estatísticas de cliques.
E é possível determinar se essa cartilha é a preponderante nas televisões internacionais e é a que informa os programas da maioria dos partidos mais votados nas sociedades ocidentalizadas.
Se se concluir que a cartilha é a mesma, o Grande Irmão está mais do que instalado. Com vinte e cinco anos de atraso sobre a data de Orwell, mais coisa menos coisa, o sonho totalitário do início do século XX está consumado no dirigir das mentes sem recurso à religião.
O rebanho é aqui a parte maioritária da mole que segue os mesmos ensinamentos, que julga da mesma forma, que papagueia com igual fervor as mesmas verdades insofismáveis e os mesmos valores divínicos.
É hoje possível determinar que cartilha é essa a partir das estatísticas de cliques.
E é possível determinar se essa cartilha é a preponderante nas televisões internacionais e é a que informa os programas da maioria dos partidos mais votados nas sociedades ocidentalizadas.
Se se concluir que a cartilha é a mesma, o Grande Irmão está mais do que instalado. Com vinte e cinco anos de atraso sobre a data de Orwell, mais coisa menos coisa, o sonho totalitário do início do século XX está consumado no dirigir das mentes sem recurso à religião.
Falha d’energia
É recorrente a escassez de energia. Raras vezes permite ultrapassar os vinte pés (!) de altitude.

Rob Gonsalves, Bedtime Aviation
É recorrente a escassez de energia. Raras vezes permite ultrapassar os vinte pés (!) de altitude.

Rob Gonsalves, Bedtime Aviation
27/08/2013
26/08/2013
25/08/2013
24/08/2013
Alavancar (IV)
Não. Achei piada ao desenho da alavanca. Fez-me lembrar uma cena que aqui se passou.
E é a alavanca o principal disto tudo – vendo que eu mentia, ao fazer-me desinteressado.
Ah sim?
É. Conheces os rudimentos da mecânica das alavancas?
Demos isso tudo no liceu.
Pois, na escola industrial no meu caso – não fazia eu a mínima ideia de que ele tinha andado na escola técnica.
E atão?
Estava aqui a compôr um artigo para a revista da Câmara. Agora andam todos azafamados a gastar dinheiro nestas coisas, é a fruta da época. Pagam-me para escrever banalidades até às eleições.
Não o fazia vendido à política. Ou à politiquice. Antes pelo contrário. E saiu-me assim: Fazes bem.
Terminei a mini-castello e pedi outra – Manel, não há mais fresca? Não queres beber nada?
Ele disse que queria uma mini. Uma mine. Sentei-me enfim em frente dele.
(continua)
Não. Achei piada ao desenho da alavanca. Fez-me lembrar uma cena que aqui se passou.
E é a alavanca o principal disto tudo – vendo que eu mentia, ao fazer-me desinteressado.
Ah sim?
É. Conheces os rudimentos da mecânica das alavancas?
Demos isso tudo no liceu.
Pois, na escola industrial no meu caso – não fazia eu a mínima ideia de que ele tinha andado na escola técnica.
E atão?
Estava aqui a compôr um artigo para a revista da Câmara. Agora andam todos azafamados a gastar dinheiro nestas coisas, é a fruta da época. Pagam-me para escrever banalidades até às eleições.
Não o fazia vendido à política. Ou à politiquice. Antes pelo contrário. E saiu-me assim: Fazes bem.
Terminei a mini-castello e pedi outra – Manel, não há mais fresca? Não queres beber nada?
Ele disse que queria uma mini. Uma mine. Sentei-me enfim em frente dele.
(continua)
23/08/2013
Bombeiros
Não vou repetir o que aqui já escrevi há nove anos e tal. Nem depois disso episodicamente.
Faço apenas a remissão e lamento este desperdício de vidas que é fruto da desorganização.
Pagamos tão caro a falta de método. Mais, pagamos caro a ignorância de que existem métodos.
Não vou repetir o que aqui já escrevi há nove anos e tal. Nem depois disso episodicamente.
Faço apenas a remissão e lamento este desperdício de vidas que é fruto da desorganização.
Pagamos tão caro a falta de método. Mais, pagamos caro a ignorância de que existem métodos.
22/08/2013
18/08/2013
Da gentileza
(interrompendo o que pretendia ser uma série de posts enviados pela minha gente)
Eu não conheço pessoalmente o João Espinho. Temos umas mines à morte há uns anos e ainda não conseguimos despejá-las pelo gargalo.
Isso não significa que não possa dizer que mantenha com ele uma espécie de cumplicidade e de proximidade. Não se tratando só de sermos ambos alentejanos e sportinguistas (5-1).
Quando me dei conta de que ele fez expressa menção aos dez anos do HGU – ele que anda cá há mais tempo do que eu, que começou em Maio de há dez anos a ver se a coisa funcionava e que depois antes do São João começou por tratar do Polis da capital do Baixo Alentejo e daí para a frente se estabeleceu como um marco de referência da cidade de Beja, sem nenhum favor – não podia deixar de lhe agradecer de pronto a gentileza que teve. Como não posso deixar de lhe relembrar que as mines aquecem, se não as bubermos.
Abraço, João!
NOTA: isto não é uma troca de galhardetes, é muito mais do que isso.
(interrompendo o que pretendia ser uma série de posts enviados pela minha gente)
Eu não conheço pessoalmente o João Espinho. Temos umas mines à morte há uns anos e ainda não conseguimos despejá-las pelo gargalo.
Isso não significa que não possa dizer que mantenha com ele uma espécie de cumplicidade e de proximidade. Não se tratando só de sermos ambos alentejanos e sportinguistas (5-1).
Quando me dei conta de que ele fez expressa menção aos dez anos do HGU – ele que anda cá há mais tempo do que eu, que começou em Maio de há dez anos a ver se a coisa funcionava e que depois antes do São João começou por tratar do Polis da capital do Baixo Alentejo e daí para a frente se estabeleceu como um marco de referência da cidade de Beja, sem nenhum favor – não podia deixar de lhe agradecer de pronto a gentileza que teve. Como não posso deixar de lhe relembrar que as mines aquecem, se não as bubermos.
Abraço, João!
NOTA: isto não é uma troca de galhardetes, é muito mais do que isso.
Subscrever:
Mensagens (Atom)











