A esbelta glutona, o Tour às avessas, os mauros e o palácio das portas de plástico
Ela era uma espécie de Ivete, imensa e magra.
Disputava o trono com Ercília, mais nova.
O palácio ficava ali na Fontes, mais ou menos onde era o Monte Carlo.
Tinha uma
loggia fechada por portas transparentes de plástico.
Foi isto no dia em que rebentou o caso do Tour, em que vimos claramente visto o Peugeot azul e amarelo acelerar contra a corrente e em que eu quis de imediato ver as imagens do helicóptero que se distinguia logo acima. Uma carnificina, foi o que pensei ao ver o carro desaparecer na curva já com muitos outros no seu encalço.
Voltaram. O carro azul e amarelo chiava pela descida. Ia ser apanhado.
Entretanto, na Fontes, talvez antes de L’Étoile, um bando de levantinos em triciclos de mercadorias, forçava o caminho para se opôr à passagem da caravana.
Decidi mandar fechar a
loggia. Ao julgar perceber num dos polícias o reconhecimento da ameaça que aqueles constituíam. Talvez uma bomba.
Deixei o meu subalterno a comandar as operações na porta d’armas e voltei para junto de Ivete, que se consumia de expectativas.
De uma janela lateral, observava as operações na praça. A polícia parecia ter reposto a ordem e ter a coisa controlada. Já não se ouviam as vozes finas das crianças transportadas nas caixas de carga dos triciclos.
O homem que me era familiar, de cadeira de rodas, dava-me recomendações e conselhos jurídicos. Eu explicava às visitas que ele ainda conduzia o seu Mercedes 180, apesar da quase invalidez e da idade muito avançada.
Depois de fazer mais uma ronda com os olhos pelo salão, pedi-lhe escusa.
Encalhei na secretária do porteiro, que estava a impedir a escadaria do vestíbulo. Ainda pensei passar por baixo dela, quando verifiquei que era praticável a passagem entre o vão e a dita.
Lá estava o meu subalterno a conferenciar com um amigo. A rua em paz.
Disse-lhe que faltava um painel de plástico transparente no arco do topo norte, porque o estava a ver ali na sala vestibular, a fingir de expositor de livros.
Ele disse-me que reparasse bem. O arco estava fechado. O plástico transparente é que estava imaculado. Não se dava por ele.
Posto que assim era, dei as ordens finais para fechar as portas.
Recolhemos ao salão.
O homem dos conselhos tinha saído pela garagem, na certa usando o elevador. Deixara em cima de uma mesa um folheto amarelo dobrado com um papel incluso.
Nesse papel, escrevera um nome. Em maiúsculas.