26/05/2015
25/05/2015
22/05/2015
21/05/2015
18/05/2015
17/05/2015
15/05/2015
Fim de ciclo
Pendurado que está este blogue (tem lá todas as fotografias, todos os desenhos, todos os gráficos) no Blogger da Globo e tendo esta anunciado o termo do alojamento, pouco mais resta do que arrumar e esperar que toque.
Não me estou a ver a passar doze anos de imagens deste alojamento para outro, a alterar doze anos de posts ilustrados.
Como se trata de uma imposição (ainda que mais do que esperada), é provável que a minha vontade me faça prosseguir usando outras opções. Embora com um blogue cheio de imagens em falta, janelas cegas para recordações destes doze anos quase completados.
É um fim de ciclo, pelo menos.
Pendurado que está este blogue (tem lá todas as fotografias, todos os desenhos, todos os gráficos) no Blogger da Globo e tendo esta anunciado o termo do alojamento, pouco mais resta do que arrumar e esperar que toque.
Não me estou a ver a passar doze anos de imagens deste alojamento para outro, a alterar doze anos de posts ilustrados.
Como se trata de uma imposição (ainda que mais do que esperada), é provável que a minha vontade me faça prosseguir usando outras opções. Embora com um blogue cheio de imagens em falta, janelas cegas para recordações destes doze anos quase completados.
É um fim de ciclo, pelo menos.
14/05/2015
13/05/2015
12/05/2015
11/05/2015
Dos outros
Há uma vila onde pertenço.
Ainda que tenha frequentado pouco nos últimos anos os carreiros que lá conduzem.
Ainda que me tenha detido pouco tempo de cada vez.
O que faz com que tenham envelhecido longe de mim os sorrisos dos amigos e conhecidos.
O que faz com que hajam cada vez mais caras que não identifico, nomes que não me soam.
E que a cada ano, a vila entre muros comporte cada vez mais daqueles de quem guardo boas recordações.
Não sei se consigo voltar ao meu lugar.
Há uma vila onde pertenço.
Ainda que tenha frequentado pouco nos últimos anos os carreiros que lá conduzem.
Ainda que me tenha detido pouco tempo de cada vez.
O que faz com que tenham envelhecido longe de mim os sorrisos dos amigos e conhecidos.
O que faz com que hajam cada vez mais caras que não identifico, nomes que não me soam.
E que a cada ano, a vila entre muros comporte cada vez mais daqueles de quem guardo boas recordações.
Não sei se consigo voltar ao meu lugar.
08/05/2015
À primeira vista

Este livro desagrada-me como objecto. Não sei se esse desagrado veio de o ter visto primeiro ao vivo ou em fotografia.
Desagrada-me como objecto e foi justamente isso que me impeliu a comprá-lo. Há pouco menos de um ano.
Onde é que anda o livro do Camus que me desagradou à primeira vista? – ocorreu-me um destes dias. Já li umas dez páginas. Não sei se com grande reserva mental por causa da forma (o que li de Camus até agora agradou-me), o certo é que essas páginas foram más de gramar.
Parece-me que o mal-estar que o objecto transmite vai para além de enfadar na leitura. Essa é a parte preocupante.

Este livro desagrada-me como objecto. Não sei se esse desagrado veio de o ter visto primeiro ao vivo ou em fotografia.
Desagrada-me como objecto e foi justamente isso que me impeliu a comprá-lo. Há pouco menos de um ano.
Onde é que anda o livro do Camus que me desagradou à primeira vista? – ocorreu-me um destes dias. Já li umas dez páginas. Não sei se com grande reserva mental por causa da forma (o que li de Camus até agora agradou-me), o certo é que essas páginas foram más de gramar.
Parece-me que o mal-estar que o objecto transmite vai para além de enfadar na leitura. Essa é a parte preocupante.
07/05/2015
06/05/2015
04/05/2015
Os simples
A simples, jornalista que será decerto, vê os carros a avançar.
Eles avançam ali mesmo ao lado dela, seguindo um trilho que ela pode ver não levará directamente à ponte. E de imediato diz que a ponte foi reaberta.
Eles não sabem onde estão, não percebem o que vêem – isto lhes basta para reportarem e terem as suas qualificações.
A simples, jornalista que será decerto, vê os carros a avançar.
Eles avançam ali mesmo ao lado dela, seguindo um trilho que ela pode ver não levará directamente à ponte. E de imediato diz que a ponte foi reaberta.
Eles não sabem onde estão, não percebem o que vêem – isto lhes basta para reportarem e terem as suas qualificações.
Os simples
Vamos ver quanto tempo é que o imigrante que matou cinco pessoas vai ficar sem conduzir.
Ou como o que faz mesmo muito mal é fumar os cigarros alheios.
Vamos ver quanto tempo é que o imigrante que matou cinco pessoas vai ficar sem conduzir.
Ou como o que faz mesmo muito mal é fumar os cigarros alheios.
03/05/2015
Jingle
Coisas que ficam no ouvido:
“I hope that Manny realizes that this may be the hardest or the toughest fight that he will wage [...]"
*aos 12:07 deste documentário
Adenda às 6:00: e lá perdeu.
Coisas que ficam no ouvido:
“I hope that Manny realizes that this may be the hardest or the toughest fight that he will wage [...]"
*aos 12:07 deste documentário
Adenda às 6:00: e lá perdeu.
02/05/2015
30/04/2015
29/04/2015
Semântica
Estava um tipo com ar sério, em qualquer programa de televisão, a dizer-se licenciado em gestão desportiva ou gestão do desporto, algo assim.
Ocorreu-me que pouca coisa há de mais incompatível do que gestão e desporto, se tomarmos as acepções de cada uma que ditam ser a gestão o acto de gerir, de governar, de orientar e o desporto o acto do lazer, da dispersão, do à-vontade. Negócio versus ócio.
É claro que a evolução semântica já se encarregou de enfiar na palavra desporto um bolo tal de coisas, de significados que é natural que até haja necessidade de gerir a própria palavra.
Um destes dias dizia a um amigo meu, planeador de cenários, que não fazia planos de viagem justamente porque sabia que não os cumpriria. Não planeio, não giro o meu desporto.
Estava um tipo com ar sério, em qualquer programa de televisão, a dizer-se licenciado em gestão desportiva ou gestão do desporto, algo assim.
Ocorreu-me que pouca coisa há de mais incompatível do que gestão e desporto, se tomarmos as acepções de cada uma que ditam ser a gestão o acto de gerir, de governar, de orientar e o desporto o acto do lazer, da dispersão, do à-vontade. Negócio versus ócio.
É claro que a evolução semântica já se encarregou de enfiar na palavra desporto um bolo tal de coisas, de significados que é natural que até haja necessidade de gerir a própria palavra.
Um destes dias dizia a um amigo meu, planeador de cenários, que não fazia planos de viagem justamente porque sabia que não os cumpriria. Não planeio, não giro o meu desporto.
26/04/2015
25/04/2015
23/04/2015
21/04/2015
16/04/2015
15/04/2015
14/04/2015
13/04/2015
12/04/2015
11/04/2015
10/04/2015
07/04/2015
05/04/2015
01/04/2015
31/03/2015
29/03/2015
28/03/2015
Porquê?
Regra geral, são os irracionais que mais procuram as razões onde elas são inatingíveis. Coisa que parece natural.
E natural também parece que quando as razões são alcançáveis e é possível estabelecer uma relação causa-efeito, esses mesmos irracionais tenham enorme dificuldade em seguir o curso desse estabelecimento.
E natural será que o jornalismo, irracional que é quase sempre, insista em dar voz aos que procuram razões inatingíveis e desprezam as razões comezinhas.
A idade dos porquês de cada um dita o resto.
Regra geral, são os irracionais que mais procuram as razões onde elas são inatingíveis. Coisa que parece natural.
E natural também parece que quando as razões são alcançáveis e é possível estabelecer uma relação causa-efeito, esses mesmos irracionais tenham enorme dificuldade em seguir o curso desse estabelecimento.
E natural será que o jornalismo, irracional que é quase sempre, insista em dar voz aos que procuram razões inatingíveis e desprezam as razões comezinhas.
A idade dos porquês de cada um dita o resto.
26/03/2015
25/03/2015
24/03/2015
23/03/2015
Ebola
Um ano depois do surto. Dez mil mortos. Vinte e cinco mil casos.

Gráfico a partir de dados da OMS.
Um ano depois do surto. Dez mil mortos. Vinte e cinco mil casos.

Gráfico a partir de dados da OMS.
21/03/2015
Salivação
Logo a seguir ao 25 de Abril, a imprensa salivava com a palavra fascista, o acrónimo PIDE e a expressão sabotagem económica.
Quarenta e um anos depois, saliva com a expressão lista VIP.
Pelo meio, salivou mais recentemente com os estrangeirismos off-shore e swap.
Desde a palavra fascista que, regra geral, não atinge o significado da palavra salivada. Nem percebe o contexto. Limita-se a salivar.
Logo a seguir ao 25 de Abril, a imprensa salivava com a palavra fascista, o acrónimo PIDE e a expressão sabotagem económica.
Quarenta e um anos depois, saliva com a expressão lista VIP.
Pelo meio, salivou mais recentemente com os estrangeirismos off-shore e swap.
Desde a palavra fascista que, regra geral, não atinge o significado da palavra salivada. Nem percebe o contexto. Limita-se a salivar.
20/03/2015
18/03/2015
17/03/2015
Deficit
Nunca se percebeu o que é que os governos depois do 25 de Abril entendiam como meta para as contas nacionais.
Há, por outro lado, relatos quase caricatos se não fossem dramáticos, de antigos responsáveis pelas Finanças que dão a ideia do que se foi passando. É ouvir Medina Carreira quando se refere às desvalorizações e à impressão de moeda. No tempo em que estava na pasta.
Foi tudo um desnorte que se julgou espiado (de espia que segura a tenda) e expiado com a entrada na CEE.
Era possível que, no meio da união, pudéssemos ter umas contas mais ou menos mal amanhadas que a coisa passaria. Haveriam de nos dar o dinheiro que nos faltava.
Ora bem, parece que essa onda passou. E continuamos sem estar sentados em cima de petróleo, de diamantes, de ouro, e longe de contemplarmos mananciais brutais de mantimentos.
Mesmo depois de todos os discursos mais ou menos racionais que foram sendo produzidos com este governo no sentido de acertarmos o fiel da balança, verifica-se que a noção não é a de atingir um superavit ou um equilíbrio orçamental, é antes continuar na senda da dívida, como se isso fosse um fado. Não é um fado. É uma canção pimba.
Nunca se percebeu o que é que os governos depois do 25 de Abril entendiam como meta para as contas nacionais.
Há, por outro lado, relatos quase caricatos se não fossem dramáticos, de antigos responsáveis pelas Finanças que dão a ideia do que se foi passando. É ouvir Medina Carreira quando se refere às desvalorizações e à impressão de moeda. No tempo em que estava na pasta.
Foi tudo um desnorte que se julgou espiado (de espia que segura a tenda) e expiado com a entrada na CEE.
Era possível que, no meio da união, pudéssemos ter umas contas mais ou menos mal amanhadas que a coisa passaria. Haveriam de nos dar o dinheiro que nos faltava.
Ora bem, parece que essa onda passou. E continuamos sem estar sentados em cima de petróleo, de diamantes, de ouro, e longe de contemplarmos mananciais brutais de mantimentos.
Mesmo depois de todos os discursos mais ou menos racionais que foram sendo produzidos com este governo no sentido de acertarmos o fiel da balança, verifica-se que a noção não é a de atingir um superavit ou um equilíbrio orçamental, é antes continuar na senda da dívida, como se isso fosse um fado. Não é um fado. É uma canção pimba.
15/03/2015
Pague-se mais e mais!
É o próprio primeiro-ministro que vem à liça com o desperdício dos dinheiros públicos, na vergonha dos investimentos feitos. Ouvi-o há pouco e o sentido das palavras era esse.
É claro que atribuirá esse desvario aos que o precederam, calculo.
Mas mesmo assim, é esse um sinal apropriado aos que perseveram em pagar os seus impostos?
Não pagar impostos, quando o desvario é tal como ele o pôs, é quase um dever.
É o próprio primeiro-ministro que vem à liça com o desperdício dos dinheiros públicos, na vergonha dos investimentos feitos. Ouvi-o há pouco e o sentido das palavras era esse.
É claro que atribuirá esse desvario aos que o precederam, calculo.
Mas mesmo assim, é esse um sinal apropriado aos que perseveram em pagar os seus impostos?
Não pagar impostos, quando o desvario é tal como ele o pôs, é quase um dever.
14/03/2015
A semântica dos objectos

Os objectos até há dias contidos neste cofre, embora haja a certeza de que a maioria ali apenas ocupava espaço (uma colecção de adaptadores em plástico para botijas de gás de isqueiro?), os outros objectos – e o alto critério que exclui os adaptadores e meio contentor de um termómetro clínico, de onde vem ele? que autoridade o instituiu? – dizia, hão-de ter tido um significado especial para o dono do cofre. Uns, parece que irradiam esse significado, outros estão, estavam ali enterrados num enigma que ninguém decifrará.
É da transformação de significados, desses objectos ou de outros, que me apetecia escrever grandiloquente prosa.
Remetido à prática dos dias sem significado aparente, cataloguei em diversos nas gavetinhas de material de oficina o acima descrito bem como meia caixa de agulhas em prata e um canto de moldura em casquinha. Isto do que me lembro.
Durante uns anos hão-de ser os objectos que estavam no cofre de. No meu dicionário de significados.
Um destes dias, serão os diversos da estante de gavetas oficinais do Manel. Ou nem isso.

Os objectos até há dias contidos neste cofre, embora haja a certeza de que a maioria ali apenas ocupava espaço (uma colecção de adaptadores em plástico para botijas de gás de isqueiro?), os outros objectos – e o alto critério que exclui os adaptadores e meio contentor de um termómetro clínico, de onde vem ele? que autoridade o instituiu? – dizia, hão-de ter tido um significado especial para o dono do cofre. Uns, parece que irradiam esse significado, outros estão, estavam ali enterrados num enigma que ninguém decifrará.
É da transformação de significados, desses objectos ou de outros, que me apetecia escrever grandiloquente prosa.
Remetido à prática dos dias sem significado aparente, cataloguei em diversos nas gavetinhas de material de oficina o acima descrito bem como meia caixa de agulhas em prata e um canto de moldura em casquinha. Isto do que me lembro.
Durante uns anos hão-de ser os objectos que estavam no cofre de. No meu dicionário de significados.
Um destes dias, serão os diversos da estante de gavetas oficinais do Manel. Ou nem isso.
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