20/05/2016

Inseguro era o Estádio Nacional

Um simples, ao que parece encartado e carimbado, clama na televisão que o Estádio Nacional está agora muito mais seguro.
Que raio de milagre aconteceu desde que o mesmo simples clamava o contrário?

19/05/2016

Mistérios com máquinas

Há coisas que só se explicam pela alteração de certos mecanismos cerebrais dos quais ainda estamos longe de ter um satisfatório conhecimento.
No domínio das máquinas, milhentas vezes procedamos de uma determinada forma e um dia, lá acontece, borramos a opa.
Em se tratando de máquinas fotográficas, tenho dois, apenas dois, episódios de filme mal colocado sem que de tal me tenha apercebido.
Tirei as fotos, fiz andar o carreto e nunca me dei conta da falta de resistência da alavanca.
Das duas vezes que tal sucedeu, desperdicei oportunidades únicas.
Uma, de registar os estragos de um fenómeno meteorológico raríssimo lá para as minhas bandas.
Outra, depois de ter andado a saltar muros lisboetas, de ter conseguido uma panorâmica geral de um terreno onde seria suposto desenvolver um projecto. Coisas de estudante.
Neste último, deparei-me com uma figura singular. Depois de transpôr o muro e de ter registado o maior número de enquadramentos possível, de forma a ter pontos de referência para comparar com o levantamento em planta, avistei o homem.
Estava na outra ponta do terreno, escondido pelo mato, sentado de encontro a uma parede, ao lado do que parecia ser uma abertura de acesso à estrutura em abóbada que transmite à estacaria os esforços das paredes pombalinas – não seria o caso da estacaria neste local, dado o terreno de fundação. Uma espécie de catacumbas, em todo o caso.
Estava em tronco nu e lia um jornal. Estava em casa com toda a certeza. Hesitei. Fotografo o homem ou não? Acabei por fazê-lo. Acho que ele nem se deu conta. Pareceu ignorar-me o tempo todo.
Esse rolo ficou virgem, claro está.
Dois ou três dias depois, voltei ao local. Um polícia de giro que não descolava de uma certa esquina não me permitiu o à-vontade suficiente para trepar o muro. Fiz umas fotos do lado de fora e depois apontei a máquina às cegas por cima do muro, com a devida preocupação de obter os enquadramentos mínimos requeridos.
Quando finalmente peguei nas fotos, devo ter escolhido de imediato as que me interessavam para tirar alinhamentos. As outras foram vistas em diagonal com toda a certeza.
É que agora, na fase em que estou de digitalizar memórias, apareceram-me as benditas fotos. Numa delas, o homem está sentado a ler o jornal. Encostado à parede.

15/05/2016

Rendimento

O rendimento do Sporting esta época ficou acima da média mas uns furos abaixo do melhor atingido.


comparação ponderada de rendimentos desde 1934-35
a vermelho os anos que foi campeão
(clicar para ampliar)



corrigido a 16 de Maio
E.N. 389, 2007

11/05/2016

A cervejaria literária (III)

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... uma estrela mochilã...
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06/05/2016

Boaty McBoatface

Ou como um fait-divers mostra à saciedade como, para os democratas, a dita democracia só é boa quando dá resultados dentro dos cânones.

05/05/2016

Razão

A cada dia que passa mais se percebe que a luta política deste século é entre a racionalidade e a irracionalidade.
E com irracionais não se discute.

27/04/2016

Politicamente correcta

Politicamente correcta e, por isso mesmo, desfasada da realidade dos factos é esta decisão de inculpar a polícia e os serviços de socorro pelo esmagamento dos adeptos do Liverpool em Sheffield a 15 de Abril de 1989.
A polícia de facto não deve ter actuado como deveria.
Deveria ter usado a força para impedir os adeptos de forçarem a entrada e assim se suicidarem ao mesmo tempo que esmagavam os que já estavam dentro.
O facto de o não ter feito quererá talvez dizer que encarou a mole como humana e não como um conjunto de animais irracionais.
Morreu gente sem culpa nenhuma, esmagada pela turba incendiada.
Morreu gente sem culpa nenhuma por nada ter na cabeça e por isso se comportar como um animal.
Assim é claro que a culpa foi da polícia.
Senhora do Almortão, 2013

23/04/2016

Overtech

E vá-se lá mexer no baú das memórias gravadas em zero e uns.
Salta de lá uma imensidão de coisas a que não sei já dar cor nem cheiro.

12/04/2016

Repito

Se o tempo já não é o que era e há muito que ouvimos tal ladaínha, quando é que o tempo era o que era?

11/04/2016

A cervejaria literária

A cervejaria figura nos mapas mentais da zona. É ponto de referência a indicar a quem navega de ouvido.
E, depois de mais de uma dúzia de anos a viver na zona e de já andar nas vizinhanças quando ela abriu as portas, descobri finalmente um potencial literário na cervejaria da esquina.
Venho de me (em)beber em fatos e gravatas de três em três meses, em dialectos incompreensíveis, em contas que não se acertam entre os comensais e o prestável empregado de camisa branca.
Dir-se-á que todas as cervejarias e congéneres têm qualidade literária. Discordo.
Ele há sítios que têm apenas qualidade pictórica, porque lá dentro nada se passa,
Lembro-me de um recinto assim no Estoril em que num vasto armazém presidido por um cornudo troféu taurino, apenas residiam duas mesas e respectivas oito cadeiras, enquanto enquadravam, atrás do balcão, a pouco pomposa estalajadeira, duas compridas e nuas prateleiras para consumo da casa, uma máquina de café, a citada cabeça de toiro e dois ou três pares de bandarilhas.

10/04/2016

08/04/2016

07/04/2016

Cangalhas

O Ti Manel desatava um arame que fechava uma grande armação de ferro e dizia para o outro:
- Estas cangalhas pesam parece-me que é dezoito quilos.
João haveria de se aperceber que ele iria dizer esta frase até ao fim da vida, sempre com o ar de quem não sabia muito bem qual era o peso.


SG, inéditos
Portugal, 1998

05/04/2016

Notícias

Vem aí mais uma onda de salivação ao pronunciarem off-shore.
Não é pois claro que é criminoso todo aquele que ousa ter bens no estrangeiro?

27/03/2016

Locais de sonho

Estaremos porventura longe de entender os mecanismos do cérebro.
A tal história da máquina que pretende entender a si própria.
Entre eles, os dos sonhos talvez sejam os que mais especulação geraram e geram.
Nos meus, o que mais me encanta e perturba são os tais locais que são bem conhecidos nos sonhos e inexistentes na realidade.
Suponho que a maioria das pessoas tem os seus.
Locais que visitamos durante algumas épocas, que abandonamos ou a que voltamos anos mais tarde, encontrando tudo quase na mesma.
Preparo-me para executar uma monografia topográfica desses locais. Da praia quase inacessível na foz de um rio que se avista de um denso pinhal sobre uma ravina à outra que tem mar dos dois lados e onde a maré sobe a olhos vistos quando me aventuro mais além.
Da encruzilhada entre pinheiros onde sempre chego de uma estrada de pó e onde sempre viro à direita para mais poeiredo.
Do restaurante com cheiros de estufa que fica numa outra encruzilhada talvez no meio de um outro pinhal. Com meio telhado, como se visto em corte.
Do pelourinho de gaiola no meio da praça que comunica por túnel com a sala contígua à da loiça chinesa e à grade na entrada na casa que deixa adivinhar subterrâneos em níveis sucessivos.
Da outra casa que paira sobre uma abrupta colina às passagens mais ou menos apertadas que conduzem a um alçapão no monte.
Ainda no monte, há a estrada de trás, a que passa por uma espécie de pequeno cemitério sem mortos, com jazigos de mármore e lajes no chão, cheirando a mofo, onde invariavelmente encontro o meu caseiro na lide.
Há o mosteiro na estrada para o monte do meu tio, derruído, mas com notáveis arcarias no interior.
Há o entroncamento ferroviário em local verdejante. Onde comboios passam devagar. A estação ferroviária de grandes dimensões no barranco e que se distingue por estar implantada perpendicularmente à linha.
Ainda o monte com uma confusão de casas de vizinhos perto da muralha. Espécie de enclave de gente estranha nas minhas terras. O vale cavado que leva a uma espécie de porta no montado. Porta imaginária, invisível.
A casa com pátio interior que também lá fica.
A outra, cuja magnífica porta só descobri na hora da partida. E em cujo sótão sei que nunca estive. E era importante que lá tivesse estado.
A garagem em rampa, com o Volskwagen azul estacionado, brilhante nos cromados. A escada em caracol da traseiras.
O laboratório de paredes exteriores amarelas e sombreadores de betão que tanto destoa da casa.
O restaurante ao pé da ribeira onde muito raramente vou.
O outro, que afinal é uma cervejaria enorme, embora pareça de fora uma tasca insignificante.
O balneário lá de casa, cheio de instalações diversas. E com um chão de mosaicos de cimento com escorredores. Amplíssimo, no meio de uma espécie de armazém. E a casa no sótão, como se fosse uma casa na árvore.
O café com iguais mosaicos de cimento e aspecto de mercado. Sempre cheio de gente e que suspeito se situa no Bairro Alto, ali para os lados do Conservatório.
Os edifícios magníficos que hão de estar ali para os lados da rua dos Condes, onde, para um dos quais, se entra por uma extensa galeria subterrânea, para aceder a uma espécie de repartição pública.
O enorme armazém de víveres que fica junto ao porto, sob uma loggia modernista, ao fundo da qual se passa ao cais.
A discoteca vermelha para onde se entra por um sistema de escorregamento e se sai de elevador.
E a outra, com níveis sucessivos de pistas e portas estanques.
A estação de comboios, mais outra, em que existe também um sistema de escorregamento e passagens que se só se transpõem com contorcionismos.
O túnel ferroviário onde apenas circulam máquinas a vapor e que, lá para o meio tem uma espécie de clareira talhada na rocha, iluminada e ventilada no topo e onde uma casa se inscreve numa das paredes.
A estrada de montanha que já referi aqui e da qual encontrei curiosas coincidências entre o meu rascunho topográfico e uma imagem de um anúncio.
Os nichos de tele-transporte nos túneis de metro da Rotunda.

Não os maço mais. Isto é afinal mais um rascunho para memória futura.

23/03/2016

Democracia e liberdade

Segundo alguns entendidos, os ataques terroristas não são contra a civilização ocidental e os infiéis de Alá ou conduzidos por um ódio indirigível. São contra a democracia e a liberdade.
Isto mesmo quando sejam perpetrados onde não cabem democracias nem amplas liberdades, calculo.

11/03/2016

Mais do jornalismo sem ponta por onde se lhe pegue

Uma sumidade jornalística escreveu no DN que Raymond Tomlinson, recentemente falecido aos 74 anos, foi o criador do símbolo "arroba" (@) para usar na internet.
Conseguiu aquela figura o feito de criar um símbolo mesmo antes de haver nascido.
Consegue esta tropa fandanga que decerto será certificada e carimbada o prodígio de escrever diariamente sobre o que não conhece.

09/03/2016

Dignidade de Estado

Haverá quem ache digno o cerimonial (no caso, a ausência deste) de troca de cadeiras entre Presidente eleito e Presidente cessante, pela frente do presidente da Assembleia da República?


imagem da RTP
Profecia falhada

Falhada a segunda profecia de Sinistro Salgado aqui promulgada há exactamente cinco anos.

07/03/2016

Gin (recorrência)

Balbuciadas vezes
Anoitece
Onde te espero.
Aqui
Numa varanda de tê-zero
Ou além
Em areias sem ninguém.
Tabaqueadas vezes
Escurece
Ao som da telefonia
Perto de mim.
Ciciadas vezes
Acontece
Beberes o meu gin.

SG, inéditos, 1995

28/02/2016

Fio da navalha

No fio da navalha sempre a imperfeição entre lembro-me tão bem e já foi há tanto tempo.
Que pode ainda inundar de humores o que quer que seja.
Abençoado seja aquele que ontem fez sessenta anos.

26/02/2016

Oráculos

Para que se cumpra o que mal sussurrou o oráculo há que ir a Beja comprar um Mitsubishi.