30/09/2016

Alarmes

Diz que o indivíduo só vê os alarmes dispararem (só se queixa) quando a Parca já brandiu a gadanha.
De que vale isso?

25/09/2016

Crepúsculo

Crepúsculo que morre noite que ri
Espíritos de luz iluminam os céus
Lágrimas de saudade percorrem os olhos meus
Sentindo a frieza duma morada sem ti

Crepúsculo que se rende nesse leito de morte
Acompanhando a dor desse moribundo
O partir d'alguém para um outro mundo
É estrofe perdida dum poeta sem sorte

Crepúsculo choroso volta com amor
Aos lares desfeitos por profunda dor
Afaga-os na tua despedida

Um abraço é como uma ternura
Para esse alguém que nos deixa em profunda amargura
Com a vida que abraçávamos em febril subida


OCCM (in memoriam)

24/09/2016

Interregno

No interregno literário mais longo dos últimos anos (desde que há registos), este foi o livro em que encalhei.
Foram dois meses sem que o terminasse.


imagem da wook
Sines, 2011

09/09/2016

Da Coreia do Norte

Chegam mais ondas de choque.



Onde é que isto parará?

25/08/2016

18/08/2016

Capecit

Pelo perfume das manhãs enevoadas chegou-me notícia de que o perfil que eu tinha deitado se encontra afinal aprumado.
Boa notícia no meio dos espinhos tragáveis. Dos figos da Índia.




17/08/2016

Mato e modas

Ligou-me hoje o homem a quem em Fevereiro do ano passado encarreguei de limpar o mato de parte de uma propriedade.
Deve ter pensado que agora era muito oportuno.
Perdido na tradução

Tenho vindo a aperceber-me da enorme perda de significados que ocorre na segunda tradução dos sonhos.
A primeira tradução, da recordação sonhada para o registo de som, já é naturalmente geradora de perdas consideráveis. E dessas eu tinha consciência.
Do que não tinha era da dificuldade de interpretar a linguagem em estado de sonolência para a reduzir a escrito, no segundo passo.
Tenho encontrado gravações que carecem de um exegeta a meu lado.

16/08/2016

Maria da Fonte

Dá a entender então o primeiro-ministro que o cadastro rústico não avançou a Norte por medo da repetição da Maria da Fonte.
Medo que ele terá decerto partilhado quando desempenhou cargos ministeriais.
Medo que terá decerto partilhado o ministro da Agricultura em anteriores governos, homem que constatou que séculos de História não garantiram o cadastro rústico e que essa constatação só por si é justificativa da inacção.
É isto que temos.
Mas já não é mau que se fale do cadastro rústico e da incontornável discriminação norte-sul.

Foi possível no entanto fazê-lo, sem exemplo, no concelho de Mogadouro.


trecho da Secção I da freguesia de Azinhoso, concelho de Mogadouro, distrito de Bragança
Um dia como o de hoje



Há exactos treze anos, o calor também amainou.
Há exactos treze anos, os incêndios também se foram extinguindo.
Há exactos treze anos, deu-me para isto.
Continuo sem saber se alvejava tão longe no tempo.

14/08/2016

Por Santa Maria e um dia menos, dois anos depois


imagem do Google Street View (manipulada)

Os ajudantes de agrimensor encontraram o Castelo vazio.
Algumas décadas decorridas, afinal.

11/08/2016

Fogo

Tenho muita dificuldade em lidar com gente que nega as evidências.
Sendo que a negação das evidências é um esteio fundamental do que se designa por politicamente correcto.
Ora no que diz respeito aos incêndios, há uma franja considerável de gente que nega a existência do incendiarismo. Nem com capturas em flagrante delito que se diz que ocorreram nem com confissões de delinquentes que se diz que tiveram lugar.
Nem com a constatação de que os fogos surgem de noite, alegando nalguns casos que a notícia do fogo é diferida no tempo em relação ao seu início, o que é óbvio.
O que não é óbvio é que essa dilação no tempo seja de horas. Que um fogo detectado de madrugada tenha tido início num vidro partido que fez de lupa à luz do dia.
Essa gente não sei a que acode. Mas que faz propaganda lá isso faz.

10/08/2016

Uma nota a reter


da página do Cadastro

Fiz aqui já por duas vezes*, pelo menos, referência à insustentável situação do cadastro geométrico da propriedade rústica. Cuja inexistência a Norte (grosso modo) pressupõe a ausência de cobrança de IMI, o que torna este imposto suspeito de discriminação e consequente inconstitucionalidade.
Vem agora o Presidente da República, honra lhe seja, e a propósito da aparente impossibilidade de imputar a propriedade de um terreno a alguém, de forma a responsabilizá-lo pela sua manutenção, referir a tal ausência de cadastro.
Fê-lo hoje, que eu desse por isso, em duas ocasiões distintas.
Aguardemos os desenvolvimentos. Retendo o que foi dito.

*(1 e 2)
O desgoverno

Um responsável do governo dizia ontem que quanto aos incendiários (presumo que já condenados e entretanto libertados), a GNR se encarregaria de os vigiar.
Se foi com espírito de quem conta uma anedota, calculo que ninguém se tenha rido.

09/08/2016

Arriba


imagem da SIC

Das coisinhas piores que há é a perquisição dos jornalistas a todos aqueles que eles pretendem estar a desafiar o que eles acham que deve ser ou o que é politicamente correcto.
Voltaram agora aos sopés das arribas para puxar as orelhas dos que por ali estão à sombra ou ao sol.
Não lhes ocorre que muitíssimo mais perigoso do que um mês inteiro em baixo de uma falésia é a viagem de carro até ao Algarve. Para os que viajam do Norte, do Centro e mesmo do Sul.
É claro que não lhes ocorre.

08/08/2016

No país do atraso mental

Nestes verões a sério, desde que há ene cadeias de televisão e facilidade de recolha de imagens, o país arde. E arde muito.
O que, no entanto, mais se torna difícil de suportar é o chorrilho de disparates que responsáveis e populares debitam nestes dias.
Continua a haver quem queira ladrilhar a floresta.
No país do atraso mental

A Autoridade Tributária e Aduaneira envia um reembolso de IRS respeitante a um contribuinte falecido, para o cabeça-de-casal da herança.
Só que o respectico cheque vem em nome do contribuinte falecido.
Não há gente racional em lado nenhum.

07/08/2016

O blogger repórter



Incêndio entre Olelas e Almargem do Bispo.

06/08/2016

A Ponte

E já lá vão cinquenta anos.
E uma distância ainda maior no que respeita a competência.


in Magazine da Morrison-Knudsen Company, Inc., Novembro de 1964
Ligeireza

Ainda sobre o erro de percurso da Volta na etapa de ontem, estranhei a ligeireza com que o assunto foi abordado pela organização e pelo seu director, dizendo que inclusive contava com a presença do público para demarcar o percurso.
Não cortar os acessos laterais ao percurso da volta e permitir o erro no percurso é naturalmente lançar os ciclistas e a caravana numa estrada aberta ao trânsito. Não ter havido um acidente de proporções alarmantes foi uma sorte. Que a ligeireza com que o assunto foi tratado dá a entender que não se percebeu.
Se não se percebeu, não se perceberá.

05/08/2016

Volta

Na Volta a Portugal, mais uns pés pelas mãos.
Ou o contrário.
Pode uma organização destas ter a sua complexidade. O que não pode é permitir erros de percurso, deixando em aberto opções nas encruzilhadas.
Ainda que a sinalização lá esteja. Esta é também tão miúda que pouco releva.
Quanto ao arrazoado que diz que os ciclistas têm obrigação de conhecer o percurso, uma boa gargalhada.

31/07/2016

Para memória futura

Julho de 2016 foi o mês em que não logrei acabar de ler um único livro.
Isto desde que há registos.
Aos cientificadores do comportamento humano estou disponível para fornecer quaisquer dados (ir)relevantes para análise.

30/07/2016

Para melhor

Para melhor a narração da Volta a Portugal em bicicleta.
Bastou trocar o eloquente João Pedro Mendonça pelo frugal Pedro Martins.
Também este falha mas não persiste no erro e não despende opiniões vãs e despropositadas.
Um exemplo que, mantendo-se, o que é duvidoso, deveria ser seguido nas televisões em geral.

28/07/2016

É só a inevitável estupidez?

É só a inevitável estupidez que leva a Sumol a anunciar o Sumol de maçã como uma novidade? Como se tal nunca tivesse existido?
Ou há qualquer coisa mais que nos escapa?

19/07/2016

Auto-suicídio

Um excelente jornalista informa que o tipo que executou o massacre de Nice, acabou por morrer cometendo uma espécie de auto-suicídio.
Isto citando de memória o que ouvi ainda agora num canal de televisão.

18/07/2016

Cera

Gastar cera com tão ruins defuntos...
Era o que eu não deveria fazer e abster-me de comentar o desempenho dos comentadores de ciclismo da RTP. Coisa que já fiz aqui e provavelmente voltarei a fazer.
É que são tão maus.
E são maus precisamente quando se põem a querer ensinar seja o que fôr. E são muito maus quando se propõem raciocinar seja em que linha fôr.
Remetessem-se eles a palrar sobre a etapa, sobre os ciclistas, talvez a coisa fosse suportável.
De cada vez que exorbitam são uma lástima.
E chegam ao desplante de criticar a vox populi. Eles é que sabem. O povo deveria estar calado.
São pagos pelo erário público.
A RTP não arranja melhor ou não tem lá quem veja que aqueles senhores são péssimos?
Portugal, 2011

14/07/2016

Sociedade

Se é legítima a discussão sobre se as famílias de crianças mentalmente deficientes, com um grau de incapacidade que as torna improdutivas, devem ou não ter apoios do Estado, já é completamente destituída de sentido a discussão sobre se essas mesmas crianças devem ou não ser instruídas com recurso aos meios do Estado.