15/06/2022
14/06/2022
Pensar com a cabeça
[...] Nós temos que pensar para além das emoções, a política às vezes é assim, tem esta parte desagradável, não nos permite só pensar com o coração, é preciso também pensar com a cabeça. [...]
(António Costa há pouco na Haia aos microfones da RTP3).
Epifania do PM banhada pelo emocionalismo coitadinhista politicamente correcto.
[...] Nós temos que pensar para além das emoções, a política às vezes é assim, tem esta parte desagradável, não nos permite só pensar com o coração, é preciso também pensar com a cabeça. [...]
(António Costa há pouco na Haia aos microfones da RTP3).
Epifania do PM banhada pelo emocionalismo coitadinhista politicamente correcto.
13/06/2022
12/06/2022
11/06/2022
Um país pobre
Faz pouco sentido culpar o actual governo pela crise que já se instalou e está para durar. Mais uma.
De facto, o que concorre para a instalação da crise é a inelutável pobreza do país, sempre exposto às intempéries, e a borrasca que a guerra trouxe no seu bojo. Sem mencionar o estrago que a pandemia provocou.
O que pode ser criticado nesta governação e de um modo geral nos governos do PS é a manutenção da ilusão de prosperidade em que têm insistido, ao contrário do que sucedeu nos tempos de Passos Coelho.
Se a um político também se pede que não seja pessimista, é fundamental que haja realismo e noção da escassez de recursos com que Portugal se defronta. Não se podem prometer mares de rosas a quem é pobre. E o país é pobre. É preciso governá-lo atentando nisso e não viajando em ilusões.
Faz pouco sentido culpar o actual governo pela crise que já se instalou e está para durar. Mais uma.
De facto, o que concorre para a instalação da crise é a inelutável pobreza do país, sempre exposto às intempéries, e a borrasca que a guerra trouxe no seu bojo. Sem mencionar o estrago que a pandemia provocou.
O que pode ser criticado nesta governação e de um modo geral nos governos do PS é a manutenção da ilusão de prosperidade em que têm insistido, ao contrário do que sucedeu nos tempos de Passos Coelho.
Se a um político também se pede que não seja pessimista, é fundamental que haja realismo e noção da escassez de recursos com que Portugal se defronta. Não se podem prometer mares de rosas a quem é pobre. E o país é pobre. É preciso governá-lo atentando nisso e não viajando em ilusões.
10/06/2022
06/06/2022
05/06/2022
03/06/2022
Memória
Com a idade, percebi que não ficamos sózinhos apenas quando desaparecem os que nos acompanharam. Também ficamos sózinhos quando todos os outros ainda vivos já se esqueceram.
Com a idade, percebi que não ficamos sózinhos apenas quando desaparecem os que nos acompanharam. Também ficamos sózinhos quando todos os outros ainda vivos já se esqueceram.
02/06/2022
Do ar
Em tempos, uma mulher creio que londrina, dava conta do conforto que sentia, durante a blitz, ao ouvir o som dos Spitfire sobre a sua cabeça (our boys).
Em outra ocasião, apreciei um conjunto de britânicos que se deliciavam com o ronco do motor Rolls-Royce Merlin que trabalhava sobre um espeque.
A guerra deixou-lhes isso.
Hoje, ao ver uma vez mais na televisão as estrelas da aviação britânica do tempo da II Guerra, lembrei-me de tal.
E lembrei-me também de algo do pólo contrário, de um indivíduo que, por estes dias passados, construía as suas memórias negativas identificando pelo olfacto o tipo de mísseis que lhe caíam perto.
Do ar vêm estas memórias. Dos outros.
Em tempos, uma mulher creio que londrina, dava conta do conforto que sentia, durante a blitz, ao ouvir o som dos Spitfire sobre a sua cabeça (our boys).
Em outra ocasião, apreciei um conjunto de britânicos que se deliciavam com o ronco do motor Rolls-Royce Merlin que trabalhava sobre um espeque.
A guerra deixou-lhes isso.
Hoje, ao ver uma vez mais na televisão as estrelas da aviação britânica do tempo da II Guerra, lembrei-me de tal.
E lembrei-me também de algo do pólo contrário, de um indivíduo que, por estes dias passados, construía as suas memórias negativas identificando pelo olfacto o tipo de mísseis que lhe caíam perto.
Do ar vêm estas memórias. Dos outros.
31/05/2022
24/05/2022
21/05/2022
Nivelar por baixo
“[...] Os alunos ficam menos preparados e os pais, sobretudo os mais escolarizados, sentem que têm de compensar. Então, estudam com os filhos, ajudam-nos a fazer os trabalhos e pagam-lhes explicações. Isso é perigoso porque vai reproduzir em série as desigualdades sociais, já que nem todas as famílias têm possibilidades e conhecimentos para o fazer [...]” – lê-se na Revista do Expresso esta semana. São palavras de uma professora universitária.
Infere-se daqui que para esta senhora o que não é perigoso é nivelar por baixo.
E pode o incauto suspeitar ainda que o acesso privilegiado ao conhecimento vir a determinar desigualdade social ser coisa nova, nunca vista.
“[...] Os alunos ficam menos preparados e os pais, sobretudo os mais escolarizados, sentem que têm de compensar. Então, estudam com os filhos, ajudam-nos a fazer os trabalhos e pagam-lhes explicações. Isso é perigoso porque vai reproduzir em série as desigualdades sociais, já que nem todas as famílias têm possibilidades e conhecimentos para o fazer [...]” – lê-se na Revista do Expresso esta semana. São palavras de uma professora universitária.
Infere-se daqui que para esta senhora o que não é perigoso é nivelar por baixo.
E pode o incauto suspeitar ainda que o acesso privilegiado ao conhecimento vir a determinar desigualdade social ser coisa nova, nunca vista.
20/05/2022
19/05/2022
O crepúsculo do Sr. Quitério (II)
O crepúsculo do Sr. Quitério
Já lhe chamaram tanto nome, que eu hoje resolvi chamar-lhe assim. Nada a ver com nenhum Quitério presente, passado ou futuro, juro.
Já lhe deram tanta profissão, que eu hoje resolvi dar-lhe a de empregado bancário. Nada a ver com nenhum empregado bancário passado, presente ou futuro. Não jurei? Pois juro.
Ora bem, vem isto a propósito do Sr. Quitério estar a perder a sua influência.
E porquê?
Ora porque o Sr. Quitério foi, aos olhos de muitos, o dono da opinião mais abalizada cá do burgo.
Muitos limitavam-se a repetir o que ele dizia. Outros espreitavam os artigos que o viam ler nos jornais. Os mais íntimos prendiam-no em cavaqueiras de café nas quais procuravam obter os mais diversos pareceres.
Não sei se alguma vez o Sr. Quitério se deu conta do valor que tinha para os demais. Mas o caso é que já não o vejo tão rodeado de companheiros, a beber a sua bica, já não ouço papaguearem-lhe (papagaiarem-lhe é mais bonito) as ideias, nem vejo espreitarem-lhe o jornal.
A coisa parece-me explicada. Com tantos comentadores de borla, já não é preciso de vez em quando pagar um cafèzinho, basta ligar a rádio ou a televisão. Ainda por cima, os assuntos são mais variados do que seria capaz de abranger o bom Sr. Quitério em dia de inspiração.
Quem está à rasca sou eu que, para distinguir os papagaios, já não me basta ouvir o Sr. Quitério.
(Publicado neste blogue (Blogspot) em 19 de Novembro de 2003)
Encontrei hoje o Sr. Quitério, algo alquebrado, já reformado, mas ainda não aposentado da sua mesa de café.
Do que se passou desde a última vez em que cavaqueámos, só uma pista: o facto de ele me haver perguntado se eu lhe atribuía aquela qualificação que agora dão aos simples que gozam de muitos "gostos" de outros igualmente simples nas redes sociais. Não me deixou responder. Disse: “Credo! Se me dão tal apodo, deixo de ir ao café!”
O crepúsculo do Sr. Quitério
Já lhe chamaram tanto nome, que eu hoje resolvi chamar-lhe assim. Nada a ver com nenhum Quitério presente, passado ou futuro, juro.
Já lhe deram tanta profissão, que eu hoje resolvi dar-lhe a de empregado bancário. Nada a ver com nenhum empregado bancário passado, presente ou futuro. Não jurei? Pois juro.
Ora bem, vem isto a propósito do Sr. Quitério estar a perder a sua influência.
E porquê?
Ora porque o Sr. Quitério foi, aos olhos de muitos, o dono da opinião mais abalizada cá do burgo.
Muitos limitavam-se a repetir o que ele dizia. Outros espreitavam os artigos que o viam ler nos jornais. Os mais íntimos prendiam-no em cavaqueiras de café nas quais procuravam obter os mais diversos pareceres.
Não sei se alguma vez o Sr. Quitério se deu conta do valor que tinha para os demais. Mas o caso é que já não o vejo tão rodeado de companheiros, a beber a sua bica, já não ouço papaguearem-lhe (papagaiarem-lhe é mais bonito) as ideias, nem vejo espreitarem-lhe o jornal.
A coisa parece-me explicada. Com tantos comentadores de borla, já não é preciso de vez em quando pagar um cafèzinho, basta ligar a rádio ou a televisão. Ainda por cima, os assuntos são mais variados do que seria capaz de abranger o bom Sr. Quitério em dia de inspiração.
Quem está à rasca sou eu que, para distinguir os papagaios, já não me basta ouvir o Sr. Quitério.
(Publicado neste blogue (Blogspot) em 19 de Novembro de 2003)
Encontrei hoje o Sr. Quitério, algo alquebrado, já reformado, mas ainda não aposentado da sua mesa de café.
Do que se passou desde a última vez em que cavaqueámos, só uma pista: o facto de ele me haver perguntado se eu lhe atribuía aquela qualificação que agora dão aos simples que gozam de muitos "gostos" de outros igualmente simples nas redes sociais. Não me deixou responder. Disse: “Credo! Se me dão tal apodo, deixo de ir ao café!”
18/05/2022
16/05/2022
12/05/2022
Mais uma descoberta da pólvora
Vi há tempos um cartoon* que explicava a extraordinária novidade da combinação de energia solar e eólica que pode ser usada para secar roupa.
Na altura, achei piada ao dito desenho.
Mais tarde, ao ler isto e aquilo percebi que para algumas pessoas se trata mesmo de uma novidade, bem alinhada com os preceitos energéticos politicamente correctos.
*Não mostro aqui o cartoon embora deixe a ligação porque o autor pede entre 5 e 20 £ para publicação em blogues.
Vi há tempos um cartoon* que explicava a extraordinária novidade da combinação de energia solar e eólica que pode ser usada para secar roupa.
Na altura, achei piada ao dito desenho.
Mais tarde, ao ler isto e aquilo percebi que para algumas pessoas se trata mesmo de uma novidade, bem alinhada com os preceitos energéticos politicamente correctos.
*Não mostro aqui o cartoon embora deixe a ligação porque o autor pede entre 5 e 20 £ para publicação em blogues.
11/05/2022
04/05/2022
30/04/2022
Dignidade
A verdade é que não sabemos como era em outros tempos.
Embora haja a ideia de que quando os EUA e a URSS trocavam prisioneiros se tratava principalmente de gente ligada à espionagem.
A crer nas últimas notícias, agora os EUA e a Rússia trocam bêbedos e traficantes.
A verdade é que não sabemos como era em outros tempos.
Embora haja a ideia de que quando os EUA e a URSS trocavam prisioneiros se tratava principalmente de gente ligada à espionagem.
A crer nas últimas notícias, agora os EUA e a Rússia trocam bêbedos e traficantes.
28/04/2022
Razão (estranhamente estou com o Costa)
Há coisas que são tão do domínio da razão e do objectivo, que é penoso ouvir opinar sobre elas.
Uma delas é a consequência inflacionária do aumento dos salários. 1+1=2.
Para quem duvida da matemática e tem idade para ter vivido os tempos de inflação galopante pós-74, é bom que se lembre de que os salários iam perdendo sucessivamente poder de compra à medida que eram aumentados nominalmente.
A lógica reivindicativa era absolutamente contrária à realidade. Continua a ser hoje.
A senhora dos sindicatos acha absolutamente que não. Que o aumento dos salários não se reflecte na inflação. É matemática alternativa.
Há coisas que são tão do domínio da razão e do objectivo, que é penoso ouvir opinar sobre elas.
Uma delas é a consequência inflacionária do aumento dos salários. 1+1=2.
Para quem duvida da matemática e tem idade para ter vivido os tempos de inflação galopante pós-74, é bom que se lembre de que os salários iam perdendo sucessivamente poder de compra à medida que eram aumentados nominalmente.
A lógica reivindicativa era absolutamente contrária à realidade. Continua a ser hoje.
A senhora dos sindicatos acha absolutamente que não. Que o aumento dos salários não se reflecte na inflação. É matemática alternativa.
Guterres e Quieve
Guterres referiu-se a Quieve como uma cidade com grande importância para ucranianos e também para russos. O que eu tomo como uma afirmação acertada.
Já em termos políticos, ditos politicamente correctos, me parece um tiro no porta-aviões.
Nem sempre o que é acertado se deve dizer, quando as circunstâncias assim o ditam.
Guterres referiu-se a Quieve como uma cidade com grande importância para ucranianos e também para russos. O que eu tomo como uma afirmação acertada.
Já em termos políticos, ditos politicamente correctos, me parece um tiro no porta-aviões.
Nem sempre o que é acertado se deve dizer, quando as circunstâncias assim o ditam.
27/04/2022
25/04/2022
DGS
Voltando à vaca fria e atentando numa série de relatórios de monitorização das linhas vermelhas para a COVID-19 facultados pela DGS na sua página, verifico uma vez mais o nível de indigência intelectual patente na sistematização de tais relatórios.
Nada ali parece depender de rotinas informáticas, uns relatórios estão disponíveis em pdf outros não, sem que a razão percebida seja outra de que a do erro humano, a um nível muito básico.
Voltando à vaca fria e atentando numa série de relatórios de monitorização das linhas vermelhas para a COVID-19 facultados pela DGS na sua página, verifico uma vez mais o nível de indigência intelectual patente na sistematização de tais relatórios.
Nada ali parece depender de rotinas informáticas, uns relatórios estão disponíveis em pdf outros não, sem que a razão percebida seja outra de que a do erro humano, a um nível muito básico.
24/04/2022
Macron
Reeleito que será o Sr. Macron como Presidente da República Francesa, percebe-se que se enganou infantilmente e em muito quando disse que a força não servia para grande coisa.
Quanto mais se enganará a respeito de outros assuntos?
Reeleito que será o Sr. Macron como Presidente da República Francesa, percebe-se que se enganou infantilmente e em muito quando disse que a força não servia para grande coisa.
Quanto mais se enganará a respeito de outros assuntos?
22/04/2022
17/04/2022
O ponto de não-retorno
Que conhecimentos seriam necessários, por exemplo fazendo a comparação com as falíveis previsões meteorológicas de curto prazo, para se ter uma ideia da distância a que está, já ultrapassado ou não, o ponto de não-retorno em direcção a um conflito nuclear global?
Global, do ponto de vista dos alvos, naturalmente.
Que conhecimentos seriam necessários, por exemplo fazendo a comparação com as falíveis previsões meteorológicas de curto prazo, para se ter uma ideia da distância a que está, já ultrapassado ou não, o ponto de não-retorno em direcção a um conflito nuclear global?
Global, do ponto de vista dos alvos, naturalmente.
16/04/2022
Jornalismo de “qualidade”
Um rapaz sem noção da História nem da Geografia explica, com recurso a mapas, por que é que a Rússia não quer a Ucrânia na NATO.
Um outro diz que algures havia "um cheiro químico".
Ainda um outro leu uma notícia que soou como a estafada expressão "Quarteto Três Irmãos, Pedro e Paulo". O número que pronunciou ao início e o número que pronunciou a meio, não havendo um no fim, mas respeitantes à mesma grandeza, eram diferentes. Não se deu conta.
Uns apenas papagueiam o que lhes é escrito por pares igualmente qualificados, outros opinam com a clarividência que lhes é própria.
Não raro somos confrontados com o deslumbramento juvenil dos ditos, face à História do Mundo. Epifanias.
Nessas alturas, tendem a explicar-nos com alarde aquilo que acabaram de entender.
Nada disto é novo. Já há quarenta anos, um dos meus tios se divertia a registar num caderninho as calinadas das caras da televisão. Mas hoje está muito pior, há muito mais gente infantil e sem capacidade de raciocínio a ler notícias.
Um rapaz sem noção da História nem da Geografia explica, com recurso a mapas, por que é que a Rússia não quer a Ucrânia na NATO.
Um outro diz que algures havia "um cheiro químico".
Ainda um outro leu uma notícia que soou como a estafada expressão "Quarteto Três Irmãos, Pedro e Paulo". O número que pronunciou ao início e o número que pronunciou a meio, não havendo um no fim, mas respeitantes à mesma grandeza, eram diferentes. Não se deu conta.
Uns apenas papagueiam o que lhes é escrito por pares igualmente qualificados, outros opinam com a clarividência que lhes é própria.
Não raro somos confrontados com o deslumbramento juvenil dos ditos, face à História do Mundo. Epifanias.
Nessas alturas, tendem a explicar-nos com alarde aquilo que acabaram de entender.
Nada disto é novo. Já há quarenta anos, um dos meus tios se divertia a registar num caderninho as calinadas das caras da televisão. Mas hoje está muito pior, há muito mais gente infantil e sem capacidade de raciocínio a ler notícias.
15/04/2022
14/04/2022
Pronúncia e palavras
Custa-me ouvir pretensos especialistas portugueses residentes no estrangeiro que falam com pronúncia e palavras estrangeiras.
Conheço gente capaz que reside há décadas fora de Portugal e fala com um sotaque nitidamente original e usa as palavras correctas do Português sem encalhes.
Se esta gente é especialista, a sua qualidade intelectual é basto duvidosa.
Custa-me ouvir pretensos especialistas portugueses residentes no estrangeiro que falam com pronúncia e palavras estrangeiras.
Conheço gente capaz que reside há décadas fora de Portugal e fala com um sotaque nitidamente original e usa as palavras correctas do Português sem encalhes.
Se esta gente é especialista, a sua qualidade intelectual é basto duvidosa.
13/04/2022
12/04/2022
J. B.
O homem, que tinha notoriamente um perímetro cefálico abaixo da média e me fazia lembrar um velho conhecido igualmente irrequieto, espreitava com desmesurada insistência, a espaços como sezões, os televisores desligados.
Parecia esperar que deles brotasse a informação de que era a sua vez.
Quando o altifalante debitava outros nomes fazia esgares de indignação.
Durou isto tempo infindo. Até que fiquei a saber o seu nome.
A minha vez ainda não tinha chegado.
O homem, que tinha notoriamente um perímetro cefálico abaixo da média e me fazia lembrar um velho conhecido igualmente irrequieto, espreitava com desmesurada insistência, a espaços como sezões, os televisores desligados.
Parecia esperar que deles brotasse a informação de que era a sua vez.
Quando o altifalante debitava outros nomes fazia esgares de indignação.
Durou isto tempo infindo. Até que fiquei a saber o seu nome.
A minha vez ainda não tinha chegado.
11/04/2022
Tira e põe
O conjunto de contribuintes e o conjunto de consumidores finais não serão exactamente sobreponíveis mas têm uma larga mancha comum.
Quando a política é feita de malabarismos, opera-se um tira e põe entre impostos directos e indirectos.
Paga sempre o mesmo. Mas os responsáveis apregoam as medidas de tira e põe como sendo lanças em África.
É a pobreza que temos.
O conjunto de contribuintes e o conjunto de consumidores finais não serão exactamente sobreponíveis mas têm uma larga mancha comum.
Quando a política é feita de malabarismos, opera-se um tira e põe entre impostos directos e indirectos.
Paga sempre o mesmo. Mas os responsáveis apregoam as medidas de tira e põe como sendo lanças em África.
É a pobreza que temos.
10/04/2022
09/04/2022
07/04/2022
Criptomoeda
D. Pixote caiu hoje da cama. Não o fazia há cerca de sessenta anos.
Fê-lo ao desferir tremendo pontapé ao franchisável.
Tem, é claro, um galo na cabeça.
D. Pixote caiu hoje da cama. Não o fazia há cerca de sessenta anos.
Fê-lo ao desferir tremendo pontapé ao franchisável.
Tem, é claro, um galo na cabeça.
06/04/2022
04/04/2022
03/04/2022
31/03/2022
29/03/2022
27/03/2022
24/03/2022
23/03/2022
Santos Silva
Independentemente de todo o resto, Santos Silva é um homem inteligente, racional.
Na fase da vida em que estou, prefiro sempre a companhia intelectual e o aviso de gente assim. Não me movo por supostas afinidades políticas com gente irracional.
Dizem que vai ser proposto para presidente da AR.
Uma boa escolha.
Independentemente de todo o resto, Santos Silva é um homem inteligente, racional.
Na fase da vida em que estou, prefiro sempre a companhia intelectual e o aviso de gente assim. Não me movo por supostas afinidades políticas com gente irracional.
Dizem que vai ser proposto para presidente da AR.
Uma boa escolha.
Nulos
Então agora que há 32 777 votos nulos, atingindo os 29,97 % dos votos entrados em urna, ninguém se queixa?
Quais serão as diferentes razões para tanta anulação?
Então agora que há 32 777 votos nulos, atingindo os 29,97 % dos votos entrados em urna, ninguém se queixa?
Quais serão as diferentes razões para tanta anulação?
22/03/2022
20/03/2022
Alarme social
Vivo há alguns anos fora do meu tempo. Eu e a geração que me acompanha.
Aquilo que era um estado normal das coisas é hoje um estado de alarme social.
Ouve-se e lê-se esta expressão, consagrada em juridiquês, nas instâncias próprias e na imprensa a propósito de tudo e de nada.
Interrogo-me sobre a validade de tal conjunto de palavras: os simples de hoje ficarão de facto alarmados com todas as ocorrências banais?
Vivo há alguns anos fora do meu tempo. Eu e a geração que me acompanha.
Aquilo que era um estado normal das coisas é hoje um estado de alarme social.
Ouve-se e lê-se esta expressão, consagrada em juridiquês, nas instâncias próprias e na imprensa a propósito de tudo e de nada.
Interrogo-me sobre a validade de tal conjunto de palavras: os simples de hoje ficarão de facto alarmados com todas as ocorrências banais?
19/03/2022
18/03/2022
Notícias do manicómio
O infantilismo e a irracionalidade chegam a um ápice quando se entrevêem cursos patrocinados pelo Estado que pretendem ensinar as pessoas a não acreditar em boatos, desinformação, propaganda. Hoje fazem disso um bolo com a importada designação de “fake news”, papagueado pelos habituais:
O infantilismo e a irracionalidade chegam a um ápice quando se entrevêem cursos patrocinados pelo Estado que pretendem ensinar as pessoas a não acreditar em boatos, desinformação, propaganda. Hoje fazem disso um bolo com a importada designação de “fake news”, papagueado pelos habituais:
17/03/2022
O rali
Parecia-me estranho que quisessem abalar para o rali sem terem nem horários de comboios nem mapa dos troços nem horários de passagem nem nada. Iam apenas. Talvez convencidos que juntando-se a outros – Maria vai com as outras – chegavam lá. Isto era tarde e provavelmente já nem sequer haveria comboio para aquela zona de Arganil.
Eu sei que fomos andando a pé e que provavelmente apanhámos um comboio para a Cruz da Pedra ou coisa que o valha. Ou então antes disso fomos para uma espécie de Las Vegas onde os prostíbulos competiam uns com os outros e com as casas de jogo.
Eu desencontrei-me deles ou perdi-me deles e, num dos sítios, uma menina deu-me um cartão que dava direito a uma bebida. Pois foi com esse que entrei, desci umas escadas profundas, e lá no fundo estavam eles, no fundo da sala. Em duas mesas, a discutir e a comer. E a beber.
Eu só quis uma tosta. Não quis bebida, só quis uma tosta. Pois ficámos na conversa. Eu depois achei que era tarde, que já não iam a lado nenhum e que o melhor era ir-me embora.
E eles foram.
Parece que uns já tinham ido e que outros deixaram passar o horário do comboio e foram no outro dia. Eu sei que o meu irmão quando regressou disse que sim, que tinha ido ver o rali, que sim, que tinha tido sorte que o troço passava mesmo junto à estação, o que eu sabia, que tinha visto no mapa, e que depois tinham andado pelo menos seis quilómetros – eu parecia-me que era menos no mapa – para noroeste e depois eu disse: então depois vieram... voltaram para trás e vieram sair aqui...
Ele disse não, depois fomos... andámos para oeste, fomos sair a Coimbra, fomos sair aqui – dizia-me ele e era a Coimbra. E depois? Ah, depois fiquei lá no outro dia o dia inteiro a dormir, nem voltei para casa. Quando eles chegaram, esse dia passei lá. E foi mais ao menos isto. É uma história um bocado estranha.
Parecia-me estranho que quisessem abalar para o rali sem terem nem horários de comboios nem mapa dos troços nem horários de passagem nem nada. Iam apenas. Talvez convencidos que juntando-se a outros – Maria vai com as outras – chegavam lá. Isto era tarde e provavelmente já nem sequer haveria comboio para aquela zona de Arganil.
Eu sei que fomos andando a pé e que provavelmente apanhámos um comboio para a Cruz da Pedra ou coisa que o valha. Ou então antes disso fomos para uma espécie de Las Vegas onde os prostíbulos competiam uns com os outros e com as casas de jogo.
Eu desencontrei-me deles ou perdi-me deles e, num dos sítios, uma menina deu-me um cartão que dava direito a uma bebida. Pois foi com esse que entrei, desci umas escadas profundas, e lá no fundo estavam eles, no fundo da sala. Em duas mesas, a discutir e a comer. E a beber.
Eu só quis uma tosta. Não quis bebida, só quis uma tosta. Pois ficámos na conversa. Eu depois achei que era tarde, que já não iam a lado nenhum e que o melhor era ir-me embora.
E eles foram.
Parece que uns já tinham ido e que outros deixaram passar o horário do comboio e foram no outro dia. Eu sei que o meu irmão quando regressou disse que sim, que tinha ido ver o rali, que sim, que tinha tido sorte que o troço passava mesmo junto à estação, o que eu sabia, que tinha visto no mapa, e que depois tinham andado pelo menos seis quilómetros – eu parecia-me que era menos no mapa – para noroeste e depois eu disse: então depois vieram... voltaram para trás e vieram sair aqui...
Ele disse não, depois fomos... andámos para oeste, fomos sair a Coimbra, fomos sair aqui – dizia-me ele e era a Coimbra. E depois? Ah, depois fiquei lá no outro dia o dia inteiro a dormir, nem voltei para casa. Quando eles chegaram, esse dia passei lá. E foi mais ao menos isto. É uma história um bocado estranha.
16/03/2022
Penas
A ser verdade que há gente a furtar contadores de gás (!), torna-se imperativo agravar as penas por tais furtos, pela gravidade das consequências, tal como em tempos aqui referi que furtar uma ambulância deve ter uma pena muito mais grave do que furtar um outro veículo.
É mero bom senso.
A ser verdade que há gente a furtar contadores de gás (!), torna-se imperativo agravar as penas por tais furtos, pela gravidade das consequências, tal como em tempos aqui referi que furtar uma ambulância deve ter uma pena muito mais grave do que furtar um outro veículo.
É mero bom senso.
VUCIF
As televisões dispõem de um plantel de miúdos naturalmente sem experiência de vida e também sem capacidade de raciocínio, que mandam para a linha da frente no intuito de não se calarem durante largos intervalos de tempo, tempo esse em que têm oportunidade de produzir os mais sinceros dislates como o que ouvi há pouco – veículo urbano de combate a incêndios florestais.
As televisões dispõem de um plantel de miúdos naturalmente sem experiência de vida e também sem capacidade de raciocínio, que mandam para a linha da frente no intuito de não se calarem durante largos intervalos de tempo, tempo esse em que têm oportunidade de produzir os mais sinceros dislates como o que ouvi há pouco – veículo urbano de combate a incêndios florestais.
15/03/2022
14/03/2022
Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca
Já lá vai o tempo em que tive alguma razão de queixa do que por lá se passou.
Por ora, só tenho elogios a toda a gente com quem por lá tratei – grandes profissionais.
Relembrando a valsa que uma familiar minha volteou com o patrono do dito, no seu consultório, vidas atrás.
Já lá vai o tempo em que tive alguma razão de queixa do que por lá se passou.
Por ora, só tenho elogios a toda a gente com quem por lá tratei – grandes profissionais.
Relembrando a valsa que uma familiar minha volteou com o patrono do dito, no seu consultório, vidas atrás.
11/03/2022
Pombas da paz
Tenho algum preconceito a propósito das pombas da paz, aquelas pessoas que julgam poder obter a paz através de rogos e de boas palavras.
Quantos casos há na História que sustentem a razoabilidade de tal julgamento?
ilustração de Teetaweepo na Wikipedia
Tenho algum preconceito a propósito das pombas da paz, aquelas pessoas que julgam poder obter a paz através de rogos e de boas palavras.
Quantos casos há na História que sustentem a razoabilidade de tal julgamento?
ilustração de Teetaweepo na Wikipedia
10/03/2022
Turismo
A secretária de Estado do Turismo disse na CNN Portugal que estava a acompanhar(!) diversas situações respeitantes à guerra e que Portugal não tenciona aproveitar-se da situação para tirar proveito económico pelo desvio de eventos das partes em guerra para o território nacional, mas que tinha todas as condições para albergar actividades que não pudessem ter lugar nos locais para onde estavam programadas.
É nisto que dá entrevistar as pessoas "certas" na altura "certa".
A secretária de Estado do Turismo disse na CNN Portugal que estava a acompanhar(!) diversas situações respeitantes à guerra e que Portugal não tenciona aproveitar-se da situação para tirar proveito económico pelo desvio de eventos das partes em guerra para o território nacional, mas que tinha todas as condições para albergar actividades que não pudessem ter lugar nos locais para onde estavam programadas.
É nisto que dá entrevistar as pessoas "certas" na altura "certa".
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