Pára-quedistas II
Mantendo-me nesta presunção de que sou seguido, monitorizado e me encontro prestes a defrontar-me com o
sinistro agente galego, resta-me deixar aqui as pistas para que os meus amigos me possam vingar no caso do desenlace ser fatal.
Desde 12 de Outubro, em que surgiu ameaçador, levantando o véu sobre o local onde pretenderia levar a cabo a sua acção (túnel das Fontaínhas, em Setúbal), aconteceu o seguinte:
Do Brasil, a 20 deste mês, com a maior ausência entre contactos até agora, por certo devida ao meu alerta nestas páginas, faz uma ameaça digna de Joker:
-
filme Disney de inundação
No dia seguinte, já em Portugal, referencia-me historicamente ao volante de um
-
sado carro portugues
Reparem na sequência: Setúbal, inundação, Sado. Creio tratar-se de algum tipo de código que decerto escaparia à equipa de Turing.
E logo no outro dia, de volta ao Brasil não me dá um conselho, mas um concelho:
-
concelho ultramarino
Se pudesse escolher, escolheria o de Mocimboa da Praia.
Mas fico-me nas covas, não é um concelho nem um conselho, é uma ameaça: Dou-te um
conselho,
Ultramarino!...
E lá está, Setúbal outra vez. Se isto não é um sinal, então não sei o que é.
Porque no mesmo dia, diz:
-
postais antigos setubal
E um dia depois, repete-se e de novo em maiúsculas:
-
SALSAPARRILHA
O que significa que salsaparrilha ou é algum tipo de senha, ou o vil disfarce de que pretende fazer uso, como já receava lá atrás.
Ainda nessa data, um enigmático:
-
rapaz de olhos azul en braganca
Estávamos no rescaldo do disparate que todos sabem. E reparem num pequeno pormenor, enganou-se no
en e não pôs cedilha, traindo assim a influência castelhana.
Dois dias depois, segue a mesma linha, já claramente identificado com o disparate da revista americana:
-
rapaz semi nu fotos
Ou quem sabe querendo abrir outras frentes. Sai-lhe o tiro pela culatra.
E a 26, dia a seguir, talvez uma nova ameaça à Joker:
-
imagens de sismos
A 28, mostra conhecer bem os meus interesses mais uma vez:
-
história das pontes
Ficamos sem saber quais, é certo. Se são de hidrogénio, se de fim-de-semana. Mas acerta na mouche.
E a 29, com uma precisão cirúrgica. Não gosto nada desta expressão, mas já está, paciência:
-
escaparates en los campos eliseos de paris
Se se derem ao trabalho de repetir a experiência, verão que esta página é a única em língua portuguesa que aguenta o embate. O estranho da coisa é que ele está então no Perú.
No mesmo dia, extraordinariamente, usa o Sapo:
-
fornalhas velhas
Não acredito que seja uma ameaça de cremação, mas sim uma referência toponímica. Sabe que eu conheço, que já lá entrei nos cafés e mais do que isso, deve estar a par da célebre excursão das cabeças de borrego.
E logo depois, a 30, que é hoje, uma barragem. Primeiro, pede-me uma
-
resenha ford
da minha história ao volante. Sabe então do Escort e dos outros que me passaram pelas mãos: as Transit, o Cortina, os Fiestas, etc. Fique à espera, sentado.
Depois, vulgariza-me:
-
Zé Povinho
Não se sabe como, volta ao Brasil e Procurou? Zoom, achou. Outra vez, eu não digo?
-
salsaparrilha
agora em minúsculas, para disfarçar.
Ainda no Brasil, retoma o mote revisteiro:
-
amadora mulheres nuas
Talvez uma ameaça de tortura diferente. É possível. Quase me alicia para a boca do lobo.
Termina com isto:
-
jantes porto
Ok, já não volto ao Porto sem me certificar que os parafusos das rodas estão bem apertados.
Mas será o porto de Setúbal?
Se eu não voltar aqui, já sabem o que têm a fazer.