22/11/2007
Scolari
Relembro, depois de ter visto e ouvido ontem o treinador da selecção portuguesa de futebol, a sua atitude desvairada ao longo do jogo contra a Sérvia.
Antes, muito antes, do caso do quase murro.
O que é que se passa com o homem?
Relembro, depois de ter visto e ouvido ontem o treinador da selecção portuguesa de futebol, a sua atitude desvairada ao longo do jogo contra a Sérvia.
Antes, muito antes, do caso do quase murro.
O que é que se passa com o homem?
21/11/2007
Um post já antigo

À procura nos cadernos de capa preta do rascunho da imagem acima e das recordações que à sua memória descritiva estão associadas, tropecei num post escrito umas páginas adiante.
Já nesse tempo, as três e muito da manhã eram uma hora sem comboios.
Nessa noite de 16 de Fevereiro de 1998 – na qual a temperatura parece ter sido amêndoa*, de acordo com os registos que pude consultar, dado que o post a isso não faz referência – aproximando-me das linhas e julgando-me sózinho na ecúmena, ouvi um berro.
Foi no rastreio que fiz a seguir, que vi o que parecia ser um saci-pererê.
Pois o homem era negro e só tinha uma perna.
Apoiado em duas muletas, tocava guitarra em pé.
Quando eu passei perto dele, começou a cantar em coro com uma ave que, ali perto numa árvore altaneira, tinha já por costume fazê-lo naquelas madrugadas. Havia talvez meses que ouvia cantar a ave (era para escrever a árvore) sempre que atravessava a linha.
Mais adiante e para me trazer de volta ao realismo, afastado do cantor, esperando por um comboio improvável, estava um casal em amena conversação.
Nunca mais vi tal personagem, posso dizê-lo agora.
*ver a nota de rodapé deste post

À procura nos cadernos de capa preta do rascunho da imagem acima e das recordações que à sua memória descritiva estão associadas, tropecei num post escrito umas páginas adiante.
Já nesse tempo, as três e muito da manhã eram uma hora sem comboios.
Nessa noite de 16 de Fevereiro de 1998 – na qual a temperatura parece ter sido amêndoa*, de acordo com os registos que pude consultar, dado que o post a isso não faz referência – aproximando-me das linhas e julgando-me sózinho na ecúmena, ouvi um berro.
Foi no rastreio que fiz a seguir, que vi o que parecia ser um saci-pererê.
Pois o homem era negro e só tinha uma perna.
Apoiado em duas muletas, tocava guitarra em pé.
Quando eu passei perto dele, começou a cantar em coro com uma ave que, ali perto numa árvore altaneira, tinha já por costume fazê-lo naquelas madrugadas. Havia talvez meses que ouvia cantar a ave (era para escrever a árvore) sempre que atravessava a linha.
Mais adiante e para me trazer de volta ao realismo, afastado do cantor, esperando por um comboio improvável, estava um casal em amena conversação.
Nunca mais vi tal personagem, posso dizê-lo agora.
*ver a nota de rodapé deste post
20/11/2007
Explicar
Outra coisa que é impossível explicar às massas é o que é um automóvel e como se conduz.
Sabemos isso sempre nestes dias de primeiras águas e nos outros todos do ano.
A boçalidade em estado puro.
Outra coisa que é impossível explicar às massas é o que é um automóvel e como se conduz.
Sabemos isso sempre nestes dias de primeiras águas e nos outros todos do ano.
A boçalidade em estado puro.
19/11/2007
16/11/2007
Capri à beira da E.N. 10
Há qualquer coisa que me persegue e perseguirá neste quadro de Pousão.
Já o referi aqui algumas vezes.
Um destes dias, andando numa romagem pelos arredores de Setúbal, dei com este recanto.
Não foram só as figueiras-da-Índia que me evocaram Pousão. Parece não haver mais nada de comum, no entanto...
Há qualquer coisa que me persegue e perseguirá neste quadro de Pousão.
Já o referi aqui algumas vezes.
Um destes dias, andando numa romagem pelos arredores de Setúbal, dei com este recanto.
Não foram só as figueiras-da-Índia que me evocaram Pousão. Parece não haver mais nada de comum, no entanto...
15/11/2007
A temperatura amêndoa*
Se me perguntarem, direi que a noite de ontem foi a primeira do ano (os anos começam depois da cortiça, toda a gente sabe) em que senti algum frio.
Já na de anteontem, eu e os companheiros gozávamos do ar tépido da meia-noite, em plena cidade de Lisboa.
Esse facto fez suscitar memórias. Que é curta, a da maioria. Que até omite o facto de haver verões de São Martinho.
À minha, veio por exemplo a da noite de 12 para 13 de Novembro de 1994. Quando em plena várzea do Sado (e se ela é fria) petiscávamos ao ar livre e à luz do petromax até quase de madrugada.
Veio também um certo natal dos anos 70, acho que o de 74. Em que nos sentávamos nos poiais do café, noite a dentro, gozando a mornice, falando de tempo de terramotos e tabaqueando a coisa.
Diz que há um aquecimento global.
Se me perguntarem, direi que no meu tempo de reparar nestas coisas, dou pelo escurecimento. Pode ser ilusório, pois que os dados que conheço parecem dizer que não é muito perceptível, mas é uma sensação que experimento.
Quanto ao aquecimento, não dou por ele.
Nos registos que compilei a partir da base de dados do INAG, também não dei por nada que pudesse ter algum tipo de significado.
Haverá quem tenha outros dados.
*A temperatura amêndoa é ( toda a gente sabe) a que se pode medir (ou a que mede um homem muito bem acompanhado) na maior parte (em uma que seja) das noites de verão ali onde a E.N. 241-1 entronca na E.N. 244. Há lá um sinal que demonstra isso mesmo.
Se me perguntarem, direi que a noite de ontem foi a primeira do ano (os anos começam depois da cortiça, toda a gente sabe) em que senti algum frio.
Já na de anteontem, eu e os companheiros gozávamos do ar tépido da meia-noite, em plena cidade de Lisboa.
Esse facto fez suscitar memórias. Que é curta, a da maioria. Que até omite o facto de haver verões de São Martinho.
À minha, veio por exemplo a da noite de 12 para 13 de Novembro de 1994. Quando em plena várzea do Sado (e se ela é fria) petiscávamos ao ar livre e à luz do petromax até quase de madrugada.
Veio também um certo natal dos anos 70, acho que o de 74. Em que nos sentávamos nos poiais do café, noite a dentro, gozando a mornice, falando de tempo de terramotos e tabaqueando a coisa.
Diz que há um aquecimento global.
Se me perguntarem, direi que no meu tempo de reparar nestas coisas, dou pelo escurecimento. Pode ser ilusório, pois que os dados que conheço parecem dizer que não é muito perceptível, mas é uma sensação que experimento.
Quanto ao aquecimento, não dou por ele.
Nos registos que compilei a partir da base de dados do INAG, também não dei por nada que pudesse ter algum tipo de significado.
Haverá quem tenha outros dados.
*A temperatura amêndoa é ( toda a gente sabe) a que se pode medir (ou a que mede um homem muito bem acompanhado) na maior parte (em uma que seja) das noites de verão ali onde a E.N. 241-1 entronca na E.N. 244. Há lá um sinal que demonstra isso mesmo.
14/11/2007
O debate público
Ainda estou à espera de ouvir o que pensa da localização do aeroporto o contínuo escolhido do Ministério determinado.
Esta coisa de as entidades e das empresas públicas se porem em bicos de pés a dar palpites sobre assuntos deste calibre, passando por cima e atropelando quem deve pronunciar-se, é o que me faz esperar. Ouvir o contínuo. Será porventura mais sensato.
E faz-me lembrar mais. Faz-me lembrar o chorrilho de asneiras que antecedeu e seguiu aquela frase “vamos pôr as gravuras a voar”.
Um tal quadro que foi bem patente na altura da decisão de Foz Coa – estávamos no final do cavaquisimo - e que agora volta a desenhar-se, apenas mostra uma coisa – falta de autoridade, desierarquização. Desgoverno.
Nada que me surpreenda, afinal.
Mostra, por outro lado, que vigora a versão televisiva e educada dos berros das regateiras que chamavam a atenção do burgo para o que lhes parecia mal. Vigora e obtém resultados.
Ainda estou à espera de ouvir o que pensa da localização do aeroporto o contínuo escolhido do Ministério determinado.
Esta coisa de as entidades e das empresas públicas se porem em bicos de pés a dar palpites sobre assuntos deste calibre, passando por cima e atropelando quem deve pronunciar-se, é o que me faz esperar. Ouvir o contínuo. Será porventura mais sensato.
E faz-me lembrar mais. Faz-me lembrar o chorrilho de asneiras que antecedeu e seguiu aquela frase “vamos pôr as gravuras a voar”.
Um tal quadro que foi bem patente na altura da decisão de Foz Coa – estávamos no final do cavaquisimo - e que agora volta a desenhar-se, apenas mostra uma coisa – falta de autoridade, desierarquização. Desgoverno.
Nada que me surpreenda, afinal.
Mostra, por outro lado, que vigora a versão televisiva e educada dos berros das regateiras que chamavam a atenção do burgo para o que lhes parecia mal. Vigora e obtém resultados.
13/11/2007
Isto dos acidentes
O homem chamou-me como sempre da montra, entre a carrinha cinzenta e o carrão preto. Ambos naturalmente metalizados.
E chamou-me com um ar preocupado.
Lá me dirigi ao stand e imediatamente se revelou a urgência dele em recolher o meu parecer, dado que figuro, muito erradamente embora, como entendido na matéria, aos seus olhos.
Lá dobrámos a esquina do supermercado e descemos a rampa da oficina.
Desta vez o carro em questão era um Daewoo Matiz ou equivalente. Claro que era cinzento metalizado.
Estava todo escaqueirado a estibordo.
O homem olhava para os estragos e dizia-me:
Ela diz-me que isto foi defeito do computador. Que ia a andar normalmente em recta quando o carro começou a atravessar-se e a andar de lado.
Bateu mais à frente num que estava parado.
O que é que tu achas? Achas que o computador pode ter causado isto?
Eu estava céptico. Apesar de saber assim em sonhos que quando os computadores querem ou quando por outro lado falham, as surpresas são inúmeras.
Encolhi os ombros e disse-lhe que não fazia ideia. Mas que podia bem ser uma maneira airosa de ela se sair ainda mais airosamente de um acidente tal, visto o carro estar na garantia. E perguntei-lhe que tipo de ela era ela.
Ele não me respondeu.
Estavámos quase silentemente entendidos quanto à causa deste e de todos os outros acidentes com elas do tipo dela ao volante, pensava eu, quando ele me fez um gesto chamando-me para observar a dianteira do carro.
Estava igualmente amachucada.
Encolheu agora ele os ombros e disse-me:
O computador não deve estar mesmo bom. Isto fui eu que bati há bocado quando o fui experimentar.

imagem roubada aqui e amachucada devido ao computador
O homem chamou-me como sempre da montra, entre a carrinha cinzenta e o carrão preto. Ambos naturalmente metalizados.
E chamou-me com um ar preocupado.
Lá me dirigi ao stand e imediatamente se revelou a urgência dele em recolher o meu parecer, dado que figuro, muito erradamente embora, como entendido na matéria, aos seus olhos.
Lá dobrámos a esquina do supermercado e descemos a rampa da oficina.
Desta vez o carro em questão era um Daewoo Matiz ou equivalente. Claro que era cinzento metalizado.
Estava todo escaqueirado a estibordo.
O homem olhava para os estragos e dizia-me:
Ela diz-me que isto foi defeito do computador. Que ia a andar normalmente em recta quando o carro começou a atravessar-se e a andar de lado.
Bateu mais à frente num que estava parado.
O que é que tu achas? Achas que o computador pode ter causado isto?
Eu estava céptico. Apesar de saber assim em sonhos que quando os computadores querem ou quando por outro lado falham, as surpresas são inúmeras.
Encolhi os ombros e disse-lhe que não fazia ideia. Mas que podia bem ser uma maneira airosa de ela se sair ainda mais airosamente de um acidente tal, visto o carro estar na garantia. E perguntei-lhe que tipo de ela era ela.
Ele não me respondeu.
Estavámos quase silentemente entendidos quanto à causa deste e de todos os outros acidentes com elas do tipo dela ao volante, pensava eu, quando ele me fez um gesto chamando-me para observar a dianteira do carro.
Estava igualmente amachucada.
Encolheu agora ele os ombros e disse-me:
O computador não deve estar mesmo bom. Isto fui eu que bati há bocado quando o fui experimentar.

imagem roubada aqui e amachucada devido ao computador
11/11/2007
O herdeiro mínimo
Tornei-me hoje herdeiro de um extinto clube cultural e desportivo dos trabalhadores de um igualmente extinto organismo público.
Uma herança mínima – meia dúzia de livros com cheiro a bafio, destinados ao lixo.
Mas ainda assim uma herança. Livresca. Mais uma.
Se a A.S.A.E. sabe disto...
Tornei-me hoje herdeiro de um extinto clube cultural e desportivo dos trabalhadores de um igualmente extinto organismo público.
Uma herança mínima – meia dúzia de livros com cheiro a bafio, destinados ao lixo.
Mas ainda assim uma herança. Livresca. Mais uma.
Se a A.S.A.E. sabe disto...
Autoridade
A página da Autoridade Nacional de Protecção Civil para os incêndios florestais continua em grande.
Seis cavadelas, seis minhocas. O que é dizer que para seis incêndios constantes, há seis mapas da senhora da Asneira.
No verão, não se passava isto. Os mapas correspondiam aos locais assinalados nos registos.
Não é de facto um bom sinal.
A página da Autoridade Nacional de Protecção Civil para os incêndios florestais continua em grande.
Seis cavadelas, seis minhocas. O que é dizer que para seis incêndios constantes, há seis mapas da senhora da Asneira.
No verão, não se passava isto. Os mapas correspondiam aos locais assinalados nos registos.
Não é de facto um bom sinal.
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