02/02/2008

I & Mr. Teal

Acontece por vezes concorrer nas compras no supermercado aqui ao lado com Mr. Teal e seu chapéu.
Parece que os anos não passaram por ele.




Fotografia do actor Ivor Dean obtida em http://www.televisionheaven.co.uk/saint.htm

01/02/2008

O Regicídio

Sou republicano e considero o assassínio uma arma legítima em algumas circunstâncias, no actual estádio da evolução.
Sobre o Regicídio, depois de ter lido hoje muitas coisas com que concordo absolutamente, escritas pelos simpatizantes monárquicos e pelos que o condenaram, apenas registo que a actual situação, à excepção do Presidente da República, optou por um silêncio laudatório do assassinato político.
Um destes dias, criaturas capazes como são as da situação, virão decerto condenar toda e qualquer violência.
A cruz de Quintos


fotografia de João Espinho

Em tempos, encontrei esta foto no blogue do João Espinho – a Praça da República em Beja – e a sensação que me causou está lá hoje descrita, por gentileza dele que me chamou a integrar uma série de convidados semanais que escolhe e fala sobre uma das fotos que ele lá publicou.
Sem lisonja, acho a foto excepcional.
O facto de me ter suscitado memórias é apenas um complemento à submissão que ela me causa.
Socorro-me uma vez mais do meu velho SG, para acrescentar o que quer que seja ao que fica dito.

Sitiando a madrugada

Gastos os passos
Em tardes puídas de um inverno são.
Resta um pensamento enlutado
E uma estola de arminho pelada
Para desta janela te recordar viva.
Ainda ponho o jornal sobre o prato
E tu já não me fazes irritar.
Ah, levei o gato para casa de minha tia!
Vejo os pratos que empilho os dias todos
De semanas que prorrogam este lar
E desfaleço.
Volto a caminhar no mar de que tenho os mapas
E rotas há que só de noite me atrevo a percorrer,
Temor de azul que me fascina
Pelos perigos que se diriam simulados.
Chego ao porto.
Ancorado no velho sofá,
Preparo o tempo para um reveillon sempre adiado,
O sempre o mesmo smoking esfarrapado
Como as cordas das orquestras que se ouvem
Em sons de samba e bossa-nova.
Que aqui chegam ténues, os anos a passar (é meia-noite)
Sobre a tua campa.


1984

SG, "Dizeres do Sul", 1993

31/01/2008

Santo Antão do Tojal, 2006

O lixo

Deixámos entrar o lixo, deixámos que se reproduzisse.
Agora mandamos a cavalaria patrulhar as ruas.
E é isto.
Já não falta muito para estourar a panela.

29/01/2008

Amoreiras-Gare, 2008

Ora aí está

A minha ideia de Correia de Campos era a que aqui exprimi.
Um dos poucos com cabeça num governo acéfalo.
Não admira, pois, que saia.

Da ministra da Cultura, recordo apenas a sua figura, de capacete de protecção algo montagueano embora verde na cabeça e algures num descampado de Foz Coa, decerto receando que o céu lhe caísse em cima da cabeça. Que outra coisa não poderia ser.


imagem da RTP


post adendado e alindado com ilustração às 16:17

28/01/2008

A zona dos ribeirinhos

Quem é que pagámos*, quanto é que custou e para que é que serviu aquela apresentação musicada da frente ribeirinha de Lisboa, à qual uma empolgada jornalista chamou margem sul do Tejo?


* não é erro nem gralha, é mesmo preconceito.
** onde se ouve que "...será uma cidade mais vibrante, mais agradável!"
Os baleados da noite

Até agora, a sensação com que se fica a propósito da onda de mortes no Porto e destas duas últimas de Rio de Mouro é que não se perdeu nada.
Porém, isso só por si não justifica a impunidade com que estas coisas se vão repetindo. Com toda a gente a assobiar para o lado.
Nem isto começou com os casos do Porto nem se vê uma única medida eficaz para pôr na ordem o lúmpen.
Correcção de um erro

Disse aqui que os mapas que a Optimus e o Expresso oferecem há anos eram da responsabilidade - a julgar pelo verso dos ditos - do Guia Turístico do Norte, até 2005. E de 2006 em diante da Forways e que todos continham um erro de implantação da A2 na zona de Messejana.
Errei numa coisa e esse erro deve-se a ter presumido que o mapa de 2007 era igual aos de 2006 e 2008, por não o ter encontrado.
Não é. É da autoria da Turinta e está correcto na zona de Messejana.
O que torna ainda mais bizarro que o erro, depois de finalmente corrigido em 2007, regresse em 2008.
De qualquer forma penitencio-me pela precipitação e peço desculpa por isso.
E.N. 263, 2008

26/01/2008

A cavalo dado

Eu sei que a cavalo dado não se olha o dente.
Porém, há casos em que o descaso é tal que merece que se contrarie a máxima e se perca um pouco de tempo com a coisa.
Há já uns anos que o Expresso e a Optimus oferecem um mapa de estradas de Portugal.
Reparei há seis anos, no primeiro que obtive, que a A2 estava mal implantada na zona de Messejana. Quando ela na realidade passa a nascente de Messejana, figura no dito mapa como passando a poente da dita vila.
Há pouco abri o dito mapa, na sua versão de 2008, ainda quentinho. O erro persiste. Anos volvidos.
Pergunto-me se um erro destes é filho único ou está multiplicado pelo mapa. Não conheço a rede a um pormenor tal que possa avaliar o mapa em toda a sua extensão.
Um descaso destes é um sinal dos tempos que correm. Em que tudo é feito sem cuidado, à pressa, em cima do joelho.




A autoria dos mapas é, pelas indicações do verso, do Guia Turístico do Norte, até 2005.
De 2006 em diante é da Forways.

24/01/2008

O carnaval chinês

Não posso dizer que o Carnaval me apanhou este ano outra vez desprevenido.
As bombinhas de carnaval com que a polícia houve entretenga alertaram-me para os perigos da época.
Há pouco, imerso nos densamente povoados corredores de um bazar chinês (eu gostava de saber qual é a palavra ocidental que traduz do chinês este conceito), o segundo toque foi quando me detive nos bruxuleantes chapéus cónicos de aba larga e nas mui douradas coroas reais, perladas e rubicadas.
Já não me espantei depois de ver a sorte de nassas e de ardilosos apetrechos, misturada com um mundo de disfarces que a montra, olhada de dentro, me proporcionou.
Ao sair, qualquer coisa se soltou cá das gavetas e das coroas que antes vira, divisei os contornos da minha.
A minha coroa.
Um objecto sobre o qual eu tenho a plebeia certeza de que, para além do uso real a que o consagrei, há muitos e muitos anos, teve uma outra função antes de ser abandonado num canto da garagem da casa da vila. De onde o reergui para os mais altos significados e honras.
Não sei ainda hoje qual foi essa função. Coisa de rústico mal informado, de terratenente displicente, de sonhador com os pés no alqueve.
Ou não.
Talvez a sua função nada tivesse a ver com a vida montanheira.
Alguém me dá uma pista? Sem me pregar uma partida de carnaval?




clique aqui para ver a ficha técnica.
a pistola do Bafo-de-Onça está aqui na gaveta de honra da secretária – a de cima à direita.

21/01/2008

O zénite do gineceu

Ando há algum tempo – o tempo que decorreu desde o ponto de serena idade – a dar comigo a tentar equacionar o deslumbre do gineceu.
No momento seguinte, dou-me conta da quantidade de variáveis a considerar em tal equação e abstenho-me de continuar. Até à próxima recaída.
Aqui e ali, ainda consinto a presença de terceiros nesta perquisição. Sai-me um há certas mulheres que atingem o auge na alta maturidade, outras na mais leda adolescência.
Como se o auge fosse absoluto e não dependesse do ponto de vista do observador.

Poucas coisas há na vida em que eu tenha em menos conta a opinião de terceiros do que esta – a beleza das fêmeas da espécie. Sendo certo que em poucas coisas tenho a conta a opinião alheia e que, ainda nesta, há casos em que... Ou havia. O caso de algum dizer quem tem uma irmã muita... é fulano de tal. Ou todos os outros que proporcionavam meras pistas a seguir.

Tentei, pois, com exclusiva base na minha observação, traçar gráficos de deslumbre para algumas das mais interessantes fêmeas que me foi dado conhecer num intervalo de tempo em que a probabilidade de ter o dito deslumbre atingido o seu zénite – o ponto de inflexão máximo da dita função – era elevadíssima.
O problema acessório que se põe é que o olhar do observador também percorre uma linha. É ele próprio função do tempo.
Ainda não encontrei uma equação descritiva de tal. Mas procuro-a.
Pergunto-me que coisas mais descobrirei, em função disso, no dia em que uma equação se adaptar a tal evolução.