O carnaval chinêsNão posso dizer que o Carnaval me apanhou este ano
outra vez desprevenido.
As bombinhas de carnaval com que a polícia houve entretenga alertaram-me para os perigos da época.
Há pouco, imerso nos densamente povoados corredores de um bazar chinês (eu gostava de saber qual é a palavra ocidental que traduz do chinês este conceito), o segundo toque foi quando me detive nos bruxuleantes chapéus cónicos de aba larga e nas mui douradas coroas reais, perladas e rubicadas.
Já não me espantei depois de ver a sorte de nassas e de ardilosos apetrechos, misturada com um mundo de disfarces que a montra, olhada de dentro, me proporcionou.
Ao sair, qualquer coisa se soltou cá das gavetas e das coroas que antes vira, divisei os contornos da minha.
A minha coroa.
Um objecto sobre o qual eu tenho a plebeia certeza de que, para além do uso real a que o consagrei, há muitos e muitos anos, teve uma outra função antes de ser abandonado num canto da garagem da casa da vila. De onde o reergui para os mais altos significados e honras.
Não sei ainda hoje qual foi essa função. Coisa de rústico mal informado, de terratenente displicente, de sonhador com os pés no alqueve.
Ou não.
Talvez a sua função nada tivesse a ver com a vida montanheira.
Alguém me dá uma pista? Sem me pregar uma partida de carnaval?

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a
pistola do Bafo-de-Onça está aqui na gaveta de honra da secretária – a de cima à direita.