08/09/2008

As licenças

Sempre a mesma conversa de cartilha para imbecis.
As licenças da obra onde se deu o acidente em Braga. Afinal estavam em ordem.
O que é que isso contribui ou releva para o apuramento das causas?
A cor da camisa do engenheiro responsável não será também importante?
E o carro em que se deslocavam os operários? Tinha a inspecção em dia?
O tipo que reporta não distingue entre uma plataforma elevatória e uma grua. Chama-lhe portanto grua.
Este jornalismo é tão rasca. Tão rasca.
E.M. 600 de Sintra, 2006

A Senhora da Cola

A última vez que fui à Senhora da Cola na noite de 7 para 8 vai para mais de quinze anos.
O que mais se falava tanto debaixo de telha como no bico do cerro era a Guarda. Que estava além ao cruzamento, à espera da volta.
Não sei como os meus conterrâneos vão hoje à Senhora da Cola. Se a cavalo, se de burro, se de carro de parelha, se a pé.
Mas se vão de carro à mesma e se não se pisgarem pelo lado que a gente sabe, qualquer operação para inglês ver com helicópteros, lagartas e binómios haverá muito para contar. Em euros.

07/09/2008

Qual será?

Qual será a percentagem dos portugueses que se está absolutamente marimbando para os discursos de Ferreira Leite, Jerónimo de Sousa, Sócrates, Louçã, Portas, de todos e de cada um?
Será que algum deles tem essa percentagem mais ou menos avaliada?
C.M. 1038 de Palmela, 2007

Gargalos

E porque aqui há bailes de rua. E porque eles me fazem lembrar.
Um gargalo de cerveja é algo inevitável com a distorção das aparelhagens e a vertigem dos cantores que cantam em estrangeiro.
A felicidade é algo que se capta com f/2.8. Tem o foco a tiro de espingarda e o resto é indispensável moldura.
Fundo como de fundo é a música e os aromas, hoje de pipocas ontem de bifanas.
Que mundo simples!

05/09/2008

Furtar ambulâncias

Já por ocasião de um elemento daquele lixo que a ilha de Sua Majestade costuma exportar ter furtado uma ambulância no Algarve, me interrogava aqui por que carga d’água é que o crime de furtar uma ambulância não é punido com muito mais severidade do que o furto de qualquer outra viatura.
Esta tropa de imbecis ainda não percebeu que uma ambulância pode salvar uma vida. E que a falta dela pode ser uma sentença de morte.
Outro furto que não pode ser encarado como um furto qualquer é o de sinais de perigo, na estrada.
São coisas óbvias ou não são?
O IM e as probabilidades

Há estudos probabilísticos que deveriam ser explicados. Onde é que se vão buscar as variáveis e qual é o algoritmo aplicado.
O IM falhou, é claro. Estas coisas acontecem quando se pretende prever o futuro.
Eu, por exemplo, tenho aqui um algoritmo* que me diz para jogar nos números 12, 13, 29 e 40 neste sorteio dos euromilhões. Ele não me diz bem isso mas do universo de mais de dois milhões de chaves (sem contar com as estrelas) escolheu apenas quatro. Todas elas têm estes números.
Daqui a bocado já vamos saber quem é que falha mais.

* Para aqueles leitores menos familiarizados com a minha bizarria, direi que este algoritmo é mesmo um algoritmo, não escolhe chaves ao acaso. Escolhe aquelas que cumprem determinadas condições. Só essas e todas essas.
Diz-me o grilo falante, e tem toda a razão, que para escolher chaves ao "acaso" também são precisos algoritmos. Isso do acaso é depois outra discussão.
Breaking news

Uma ramona vi eu deter-se no meio da avenida e dela saírem enérgicos os bastões.
Diz que outra já tinha chegado e ido mais para baixo.
O mais curioso é que dos inúmeros circunstantes ninguém parecia saber a razão da “alteração da ordem pública”.
E.N. 375, 2006

O sotaque fatal

Se, como diz um velho amigo também alentejano, há um timbre de voz que denuncia de imediato a estupidez das fêmeas, digo agora eu que é bem provável que certas variantes do sotaque americano amplifiquem essa denúncia.
Coisa de ouvidos portugueses, sem dúvida. Alentejanos e masculinos.

04/09/2008

Comiseração

É com comiseração que se vê esta gente ir a correr mudar leis de que não foram capazes de prever as consequências mais óbvias.
Vão continuar a fazê-lo. Não são capazes de mais.
Restos de colecção (68)


(clicar para consultar)

Coisas com que me confrontava trinta e cinco anos atrás.

02/09/2008

Tadjine crombet bel kefta

Saí de lá como quem sai de um cinema. Logo eu, que muito raramente me sento numa plateia.
Da inauguração da casa, cujo nome e tipos de letra nos reclames me puxaram para. Logo eu que não sou nada de inaugurações.
Comi bem e fui bem atendido, descontada a tremideira do debutante servidor das mesas.
Saí de lá com saudades de feiras universais ou coisas do género. Dos cheiros e dos sons dos stands deste mundo. Quem não pode correr o dito mundo, sonha com Saragoça. No tempo da Expo ou do Pilar, já em Outubro.
Bater na mesma tecla

Hoje e nos dias que hão-de vir.
Rio Sado, 2006

01/09/2008

A qualidade da informação

Uma das muitas coisas que me perturbam no jornalismo é a negligência com os tempos. Aquilo a que vulgarmente os seus profissionais chamam timing.
Ora o timing de uma peça em que alguém diz (já hoje, na SIC N, referindo-se ao furacão em vigor) “quando este chegar ao golfo do México” é um timing falhado. Já há muitas horas que lá está.
E mais falhado é o passo da RTP que leu, ao telejornal, o ditado do Mayor sem fazer o devido desconto.
Fazendo quase das afirmações bombásticas do homem destinadas a afugentar os mais renitentes uma coisa próxima da realidade observada.
É este o jornalismo. Pelos vistos, os seus responsáveis não se envergonham dele.