Sem carros
Há uns anos, num destes dias sem carros, observei uma mulher que pedalava quase em círculos num entroncamento de estradas onde ainda era possível circular de automóvel.
Fazia-o com um ar alienado, de jornada de luta.
Acho que a elegi como paradigma de duas coisas.
Do meu preconceito, ponto um.
Das pessoas a quem atribuiria de bom grado a faculdade de viverem no seu mundo ideal. Ponto dois.
Ficaria à espera de ver quantos dias suportavam nesse inferno.
Renovo os votos – expressos no editorial deste blogue – de que jamais o mundo seja feito de acordo com os meus desejos. Há neste voto um paradoxo mas paciência.