20/01/2009

Barack

Sobre Barack Obama já ouvi, já ouvimos afinal, quase tudo o que é possível ouvir.
Que é um iluminado foi uma das coisas mais divertidas de entre essas.
Há uma muito curiosa também – que ele é negro. Sendo o homem um mulato, ainda não ouvi ninguém chamar-lhe branco. Coisa que seria tão natural dizerem dele como o é, afinal, chamarem-lhe preto ou negro.
Dir-se-á que aos brancos ele se afigura preto. Seja. Nesse caso seria de esperar que aos pretos se afigurasse alvo. É até provável que haja negros que lhe chamem branco, uma vez até que o homem foi criado pelo lado branco da família. Mas se os há, não se ouvem. Estão abafados pelo clamor geral.
E é também curioso que chamar preto a um homem que é metade branco metade preto nestas circunstâncias não seja considerado um rótulo racista, à luz da mentalidade modal dos dias que correm.
Coisas!

14/01/2009

Tolerâncias

A tolerância unívoca é sempre uma manifestação de paternalismo. De superioridade moral do tolerante face ao tolerado, de acordo com os nossos padrões civilizacionais actuais.
Incompatível assim com qualquer tipo de igualdade à luz dos mesmíssimos padrões.

13/01/2009

Reconstituição

Diz a imprensa que vai ter lugar uma reconstituição do desastre da A23, que provocou a morte a dezassete pessoas.
A ser certa a notícia, o que vai ser reconstituído ou parte dele parece poder tirar-se dela. O como ou parte dele também. Já o por quê e o para quê me parecem mistérios insondáveis.
As pensões de reforma

O problema do Estado neste caso das pensões de reforma e em muitos outros é que não tem nem sequer um resto de autoridade moral para limitar cada vez mais os montantes e protelar a aposentação.
Convive, neste preciso campo, demasiado de perto com o roubo de igreja para poder ter cara para limitar ou protelar seja o que fôr.

10/01/2009

Das coisas coetâneas

Dos acontecimentos que marcaram o mundo próximo há cinquenta anos perfeitos ontem, dois mereceram aqui a minha atenção.
De um deles já dei nota este ano.
Do outro, nunca falei demoradamente.
Na madrugada de 9 de Janeiro de 1959 foi varrida do mapa uma aldeia leonesa.
Uma barragem deficientemente construída ruiu, inundando o vale em que se inscrevia e revolvendo o povoado, uns quilómetros a jusante.
Os números dizem que terão morrido 145 dos seus 550 habitantes. Um quarto da população.
Madrugada, escuridão, enxurrada e frio fazem o quadro horrível que riscou do mundo dos vivos tanta gente de uma vez só.
Desde que tive conhecimento de tal ocorrência coeva, que se me criou a vontade de um dia lá ir observar aquelas pedras.
Não foi no meio século. Um dia será.


Mapas topográficos de Espanha do IGN
Neve

O que se passa nas estradas portuguesas quando neva a sério é apenas o espelho da sociedade em que nos tornámos.
Sem ninguém capaz de tomar decisões simples.
Com pouca gente capaz de avaliar os riscos.

08/01/2009

Alterações climáticas

Neste grupo de gente que teoriza sobre aquilo a que chama alterações climáticas – como se o clima fosse uma constante e sendo-o, se visse de repente alterada – e que se entretém a prever as maiores catástrofes, ainda não entrevi argumentos fortes.
Esta coisa do frio baralha-os todos. É estar atento às enormidades que dizem.
Quanto a Portugal, é uma chatice o relatório preliminar do IM reconhecendo que 2008 teve a média das temperaturas mínimas, médias e máximas abaixo da média 1971-2000.

06/01/2009

A antiguidade é um rosto

Hoje, passei a integrar a era dos cartões de plástico. Estou agora completamente plastificado.
A antiguidade que se lê no meu rosto confirmei-a, como se preciso fosse, pela boca da funcionária do IMTT – a sua carta não está informatizada. Ainda é daquelas escritas à mão?
É, sim, minha senhora.
Era.

Como gatos a bofe

Foi a sensação que me transmitiu o atiranço dos entrevistadores a Sócrates.
Tão sofregamente que se espalharam ao comprido.
Chegou a dar a ideia que era mau de mais para ser verdade.