08/05/2009

Produção

Diz-se que o verbo ensinar e todos os vocábulos dele derivados foram banidos do léxico escolar.
Pode ser um exagero, pode ser uma metáfora, mas é a ideia que a escola hoje dá de si própria.
Da mesma forma me apercebo que nos debates sobre a situação económica e social do país, sobre a inevitabilidade de continuarmos indefinidamente numa espiral descendente, nunca se ouve, nunca se lê a palavra produção.

06/05/2009

No país do atraso mental

Há algum tempo que me venho a aperceber de que um post aqui publicado sobre a memória colectiva é cruz de queda de pára-quedistas vindos do Google e arredores.
Há esse mesmo tempo que calculava que aquela meia-dúzia de considerações pouco académicas seria literalmente integrada em qualquer trabalho liceal.
Hoje, por via desta exacta busca* - http://www.google.com/search?sourceid=navclient&ie=UTF-8&rlz=1T4ADBR_enPT202PT202&q=partindo+do+princ%c3%adpio+simplificado+que+a+mem%c3%b3ria+colectiva+%c3%a9+o+conjunto+de+factos+e+de+conceitos+que+constam+da+mem%c3%b3ria+da+grande+parte+das+pessoas%2c+quer+por+experi%c3%aancia+quer+por+comunic - que deve ter sido feita por algum professor a quem a coisa pareceu desadequada ou, não tendo sido o caso, por via da utilização a eito de alguma aplicação destinada a detectar tais cópias, tive a certeza disso.
Essa é a parte da coisa que certamente penalizada será.
O que me aborreceu mesmo foi encontrar esta merda. E digo merda (desata aos berros e diz que é das “novas oportunidades”) com todas as letras.

* que não utilizou as aspas, para detectar a transliteração.

05/05/2009

Prós & Contras

Receio sempre que a argumentação infantil destinada às massas reflicta o verdadeiro pensamento dos intervenientes.
Receio sempre que os corporativismos e benfiquismos exsudados se reflictam perigosamente em caso de catástrofe.




Nota muito importante: dois dias antes do programa ir para o ar já eu acordava encalorado estirado na cabine deste veículo à porta dos estúdios da RTP, de onde ele, de resto e ao que consta, não é emitido, gravado. O microcarro atrás do qual estacionei pertencia pois a quem se calcula. É que nunca a tinha visto com esses olhos. De camionista. Nem em sonhos.

A foto do camião era algures daqui e a da bandeira d'acolá
Portugal, 2008

04/05/2009

Ruas com dias

Um agradecimento especial a Fernando Vilela que tem tido a gentileza de contribuir para o preenchimento das Ruas com Dias.
Notícias

Apesar de desde sábado à tarde o caso provável em Portugal constar da página do ECDC, continua a falar-se dele como duma novidade.
O Prof. Marcelo pelos vistos está muitos passos à frente das redacções e das instituições.
As grandes questões universais – episódio q+8

Fosse o vírus da gripe A muito letal, também haveria jornalistas a entrevistar os viajantes acabados de chegar da capital do México?

03/05/2009

Notícias

Deve ter sido uma questão minha.
Mas ouvir da boca do Prof. Marcelo que há um caso confirmado de gripe A em Portugal parece-me insólito.
Talvez a maioria tenha sabido de outra forma.
Coisas que eu não posso ouvir

Alguém a queixar-se, para a televisão, de que já não pode ir ao cabeleireiro, jantar fora e comprar botas giríssimas.

29/04/2009

Propagação

Em 2002, alguém se lembrou de criar uma aplicação onde os europeus da zona do Euro registassem a circulação pelas suas mãos de uma moeda proveniente de um outro país.
Pretendia com isso, ao que me lembro do que constava na página, colher informação útil para o estudo de epidemias.
Não segui a coisa, não faço a menor ideia do interesse que suscitou, que resultados obteve.
Apenas se pode dizer, quaisquer que sejam os resultados a que chegou, é que seria necessária muita correcção para que estes dados ao serem tratados viessem a ter utilidade para o estudo de epidemias.
Disse hoje a Directora-Geral da O.M.S. que esta era a primeira vez que a propagação de uma epidemia se podia seguir em tempo real. É facto que sim.
O que é preciso saber é qual a correcção que o tratamento dos dados deve utilizar para se ter uma ideia o mais aproximada possível do que está a acontecer.
É isso o mais difícil de tudo.
Até de saber que utilização dar a essa informação em futuras ocasiões.

Nota-se uma dificuldade enorme da maioria dos jornalistas em perceber o significado da escala de pandemia da O.M.S..
Diga-se, ao mesmo tempo, que os níveis mais altos da escala (4, 5 e 6) estão separados por critérios um tanto ou quanto absurdos.

28/04/2009

Cegueira

Quando Saramago escreveu o “Ensaio sobre a cegueira”, acrescentou um título mais às obras que a literatura consagrou a pragas.
A minha obra preferida é “O dia das Trífides”, de John Wyndham, inexplicavelmente desaparecida das minhas estantes.
Também ela trata da cegueira.
Sem cegos, há também “Vuzz”, de P.A. Hourey e muitos outros livros interessantes.

A cegueira que ora se vê é a que nos dizimará, no dia em que nos enfrentarmos com algo muito contagioso e muito letal.
É ela que se expressa em todas as suas formas nas medidas ridículas, na propaganda absurda, no comportamento das massas.

27/04/2009

A peste

A única coisa nova na propagação das pestes (usando peste latamente) é que a velocidade aumentou muitas vezes e a notícia também.
O aumento da velocidade é um factor agravante.
A propagação da notícia pode ter um efeito atenuante, conquanto também possa gerar alguns comportamentos perigosos.
Pelo pouco que se sabe – que eu sei - deste surto, não me parece que venha a ser muito mortífero.
Mas vai ser um bom teste para pôr à prova os sistemas sociais.
O ridículo já se instalou em algumas medidas avulsas, incipientes e inconsequentes. Veremos o que segue.


capa da 1ª edição americana de “A Peste” de Camus, in Wikipedia