Educação“
Vamos querer até que haja uma aprendizagem efectiva” – pouco importa que esta frase seja retirada do contexto. Vale por si e a menos que houvesse da minha parte uma inversão do seu sentido, tivesse ela sido dita num contexto semelhante ao deste post, está bem patente o que quer dizer.
A frase, para quem esteja mais desatento, foi proferida pela Ministra da Educação a propósito do caso da eliminação das reprovações.
Passo por cima do caso principal por achar que não me merece para já grande atenção.
Atento apenas na frase.
Diz portanto a senhora ministra que vamos querer
até.
A preposição
até diz-nos que a querença ultrapassará as expectativas vulgares.
E quais são essas expectativas? Não sabemos. Apenas que estão abaixo de que haja uma aprendizagem efectiva. Mais simplesmente, que estão abaixo de que se aprenda na escola.
Não ignoro que nem sempre os sistemas educativos estão destinados a dar instrução ao povo.
Talvez sejam mais os casos em que não estão do que os que para isso são montados.
A questão aqui é que esta frase é uma assunção de que o nosso sistema não está virado para uma aprendizagem efectiva. Está virado para qualquer outra coisa.
Na minha opinião, um sistema educativo ou instrutivo deve adequar-se ao modelo social e à realidade. Creio mesmo que qualquer sistema desadequado à realidade...
Na minha valorização das coisas, estou atento ao lugar comum, imemorial e óbvio da cultura em terra produtiva e do abandono das terras inférteis. Ainda que se possa elaborar sobre os limites da infertilidade.
Atentando a tal, julgo que uma sociedade deverá saber identificar os seus melhores em cada campo e aproveitá-los como tal.
Nem toda a gente serve para pensar. Terá algum tipo de interesse para o colectivo e para o indivíduo que com ele se percam tempo e energias a tentá-lo fazer usar a cabeça?
Enquanto isso há, perdida numa aldeia do interior, sem meios, uma criança notável que só não dará um contributo precioso à nossa organização futura se não lhe dermos a hipótese de o fazer.
Essa criança está condenada ao subaproveitamento num sistema que se entretém a nivelar por baixo. Ficará inevitavelmente uns degraus acima dos seus pares mas nunca dará o que poderia dar.
Se é isso que queremos, ter um rebanho controlável e pouco reivindicativo, o caminho não está mal lançado.
Temos que contar é que, rebanho à parte, estamos a perder, a desperdiçar os nossos melhores. Tantos mais desperdiçaremos quantas mais faixas sociais deixarmos ao abandono.
E que para o lugar deles, irão os incapazes com meios. Como podemos verificar já, olhando à nossa volta. Incapazes com
I grande.
Um caminho para baixo. Sempre para baixo.
A menos que esta frase “
Vamos querer até que haja uma aprendizagem efectiva” seja uma espécie de revelação. De apocalipse.
Alguém acredita nisso?
Errata:
claro que até
nesta frase não é preposição, é advérbio.