Inaceitável
Inaceitável foi o adjectivo que disseram ter o primeiro-ministro sueco usado para qualificar o conjunto dos atentados de ontem em Estocolmo.
Calculo que o homem não tenha dito tal coisa.
O que ele disse (nesta declaração) que era inaceitável era a falha de segurança – que um homem andasse às voltas em Estocolmo com uma carrada de explosivos às costas.
Mas isso...
adenda cerca das 18:30 de 13 de Dezembro: não sei se o homem não disse mesmo isso, em sueco.
12/12/2010
Mortes legais
As mortes na sociedade actual dividem-se entre mortes legais e mortes ilegais.
Tem sido assim nos últimos anos. Nos últimos dias fomos bem lembrados disso pelos casos do lar da Charneca de Caparica e do desabamento em Almalaguês.
As causas, as responsabilidades, isso pouco importa. O que interessa é a legalidade, a licença, o conforme.
É um mundo em que a doidice é tida como normal. Diria mesmo mais, legal. E certificada.
As mortes na sociedade actual dividem-se entre mortes legais e mortes ilegais.
Tem sido assim nos últimos anos. Nos últimos dias fomos bem lembrados disso pelos casos do lar da Charneca de Caparica e do desabamento em Almalaguês.
As causas, as responsabilidades, isso pouco importa. O que interessa é a legalidade, a licença, o conforme.
É um mundo em que a doidice é tida como normal. Diria mesmo mais, legal. E certificada.
11/12/2010
Aposta
Curto e grosso: aposto que Manuel Alegre fica abaixo dos 20,74%* obtidos nas presidenciais de 2006.
É haver alguém que queira terçar facas e garfos.
*nas minhas contas, tinha 20,72% tal como no STAPE - a fasquia é portanto essa. Mais do que isso pago eu o jantar. Não perco tempo a encontrar o gato.
Curto e grosso: aposto que Manuel Alegre fica abaixo dos 20,74%* obtidos nas presidenciais de 2006.
É haver alguém que queira terçar facas e garfos.
*nas minhas contas, tinha 20,72% tal como no STAPE - a fasquia é portanto essa. Mais do que isso pago eu o jantar. Não perco tempo a encontrar o gato.
10/12/2010
09/12/2010
08/12/2010
07/12/2010
Notas do dia d’ontem
O dia d’ontem foi pródigo em coisas menores que deram à costa em catadupa.
Tivemos o desenterramento do caso Concorde, aparentemente consolidando a ideia há muito propagada de que as circunstâncias pesaram mais do lado do ambiente (a peça perdida na pista) do que do ente (o avião que levava três décadas de bons serviços, sem incidentes de maior).
O que leva a considerações sobre a bizarria da decisão de abate do Concorde, avião sem par na história da aviação comercial.
Um outro avião, qualquer que seja, quando submetido a determinadas condições adversas (não tem que ser uma determinada peça num determinado local da pista de onde levanta) não sofrerá danos que lhe causem o despenho?
Claro que sofre e claro que cai.
Depois, ainda no mesmo ramo, dos aviões, das peças e da bizarria, a queda de pedaços de um Boeing 777 da TAAG sobre Almada faz relembrar o banimento que a companhia sofreu dos céus da Europa, tempos atrás.
Pode não haver descaso gritante na manutenção – aquilo a que chamamos acidentes acontece – mas não deixa de suscitar de imediato essa dúvida preconceituosa.
Depois ainda chegaram os restos da polémica “a César o que é de César” mesmo que isso cause mal-estar geral.
Ou como aqueles que tanto brandem as bandeiras da “discriminação positiva” ficam com as costas à mostra.
Como se discriminar positivamente um sub-conjunto não fosse discriminar negativamente o sub-conjunto complementar.
Depois o caso da agenda.
Todas as estações de televisão descobriram o calendário de 2011 ao mesmo tempo! E fizeram-no com o habitual estrondo de quem descobre a pólvora.
Como se os feriados fixos não tivessem apenas sete dias para cair e os móveis não caíssem sempre no mesmo dia da semana!
Ninguém mencionou o facto, esse sim, notável de a Páscoa ser a 24 de Abril (a Páscoa oscila entre 22 de Março e 25 de Abril – estaremos para o ano quase no limite para o lado estival). Coisa essa que não acontecia desde 1859! Só a Páscoa a 22 de Março que não acontece desde 1818, é mais remota.
Quando era moço de escola, adverso que a ela sempre fui, um terceiro período curto trazia a certeza de um fim vizinho e a ilusão de um ano mais suportável.
Nem sei se ainda há períodos.
Depois ainda os ecos da fixação das taxas do IMI, relembrando que as câmaras têm muitas rotundas e alindamentos para fazer, muita t-shirt para mandar imprimir, muita porcaria e inutilidade em que gastar dinheiro.
O que mais destaquei no meu dia foi ter encontrado a porta da rua com o vidro embaciado do lado de fora.
Não só dando conta do valor da humidade relativa mas também do gradiente térmico entre o vestíbulo e o exterior. Estando naturalmente o exterior muito mais quente do que o vestíbulo.
Caso que nunca tinha presenciado aqui.
E que me levou a relembrar uma afirmação que aqui fiz há tempos – se há coisa que de facto dei conta de ter mudado no tempo foi o regresso nesta segunda metada da década dos dias frios com precipitação, que tinham andado arredados durante muito tempo.
É que vieram de novo este ano para logo a temperatura subir até me embaciar a porta!
O dia d’ontem foi pródigo em coisas menores que deram à costa em catadupa.
Tivemos o desenterramento do caso Concorde, aparentemente consolidando a ideia há muito propagada de que as circunstâncias pesaram mais do lado do ambiente (a peça perdida na pista) do que do ente (o avião que levava três décadas de bons serviços, sem incidentes de maior).
O que leva a considerações sobre a bizarria da decisão de abate do Concorde, avião sem par na história da aviação comercial.
Um outro avião, qualquer que seja, quando submetido a determinadas condições adversas (não tem que ser uma determinada peça num determinado local da pista de onde levanta) não sofrerá danos que lhe causem o despenho?
Claro que sofre e claro que cai.
Depois, ainda no mesmo ramo, dos aviões, das peças e da bizarria, a queda de pedaços de um Boeing 777 da TAAG sobre Almada faz relembrar o banimento que a companhia sofreu dos céus da Europa, tempos atrás.
Pode não haver descaso gritante na manutenção – aquilo a que chamamos acidentes acontece – mas não deixa de suscitar de imediato essa dúvida preconceituosa.
Depois ainda chegaram os restos da polémica “a César o que é de César” mesmo que isso cause mal-estar geral.
Ou como aqueles que tanto brandem as bandeiras da “discriminação positiva” ficam com as costas à mostra.
Como se discriminar positivamente um sub-conjunto não fosse discriminar negativamente o sub-conjunto complementar.
Depois o caso da agenda.
Todas as estações de televisão descobriram o calendário de 2011 ao mesmo tempo! E fizeram-no com o habitual estrondo de quem descobre a pólvora.
Como se os feriados fixos não tivessem apenas sete dias para cair e os móveis não caíssem sempre no mesmo dia da semana!
Ninguém mencionou o facto, esse sim, notável de a Páscoa ser a 24 de Abril (a Páscoa oscila entre 22 de Março e 25 de Abril – estaremos para o ano quase no limite para o lado estival). Coisa essa que não acontecia desde 1859! Só a Páscoa a 22 de Março que não acontece desde 1818, é mais remota.
Quando era moço de escola, adverso que a ela sempre fui, um terceiro período curto trazia a certeza de um fim vizinho e a ilusão de um ano mais suportável.
Nem sei se ainda há períodos.
Depois ainda os ecos da fixação das taxas do IMI, relembrando que as câmaras têm muitas rotundas e alindamentos para fazer, muita t-shirt para mandar imprimir, muita porcaria e inutilidade em que gastar dinheiro.
O que mais destaquei no meu dia foi ter encontrado a porta da rua com o vidro embaciado do lado de fora.
Não só dando conta do valor da humidade relativa mas também do gradiente térmico entre o vestíbulo e o exterior. Estando naturalmente o exterior muito mais quente do que o vestíbulo.
Caso que nunca tinha presenciado aqui.
E que me levou a relembrar uma afirmação que aqui fiz há tempos – se há coisa que de facto dei conta de ter mudado no tempo foi o regresso nesta segunda metada da década dos dias frios com precipitação, que tinham andado arredados durante muito tempo.
É que vieram de novo este ano para logo a temperatura subir até me embaciar a porta!
06/12/2010
Agenda
Calculo que as agendas para 2011 tenham estado hoje à venda pela primeira vez.
O que desmente os meus olhos, pois vi há uns dias um atado delas numa papelaria.
E calculo isto porque em todo o lado se fala dos feriados e dos dias da semana a que vão calhar.
Até descobriram que o Corpo de Deus calha à quinta-feira!!!
Não ouvi nada sobre a sexta-feira santa. Mas calculo que também calhe à sexta. E o carnaval à terça.
Triste gente esta que parece que é licenciada.
Para isto.
Calculo que as agendas para 2011 tenham estado hoje à venda pela primeira vez.
O que desmente os meus olhos, pois vi há uns dias um atado delas numa papelaria.
E calculo isto porque em todo o lado se fala dos feriados e dos dias da semana a que vão calhar.
Até descobriram que o Corpo de Deus calha à quinta-feira!!!
Não ouvi nada sobre a sexta-feira santa. Mas calculo que também calhe à sexta. E o carnaval à terça.
Triste gente esta que parece que é licenciada.
Para isto.
05/12/2010
04/12/2010
O sinal D9

Ouvi há pouco o Governador Civil da Guarda dizer que haveria que pensar em tornar obrigatório o uso de correntes nos pneus em determinados locais em determinadas condições.
Pergunto-me se não é possível fazê-lo já, de forma expedita, às autoridades competentes.
Terá sido revogado este decreto regulamentar?

Ou por não haver menção expressa no Código da Estrada a tal obrigação, o sinal regulamentado não se aplica?
Não está atribuída a competência para a sua colocação?
Seja qual fôr a razão, tudo isto tresanda a incompetência.

Ouvi há pouco o Governador Civil da Guarda dizer que haveria que pensar em tornar obrigatório o uso de correntes nos pneus em determinados locais em determinadas condições.
Pergunto-me se não é possível fazê-lo já, de forma expedita, às autoridades competentes.
Terá sido revogado este decreto regulamentar?

Ou por não haver menção expressa no Código da Estrada a tal obrigação, o sinal regulamentado não se aplica?
Não está atribuída a competência para a sua colocação?
Seja qual fôr a razão, tudo isto tresanda a incompetência.
03/12/2010
Não ver para além da cerca
"The definition of life has just expanded," said Ed Weiler, NASA's associate administrator for the Science Mission Directorate at the agency's Headquarters in Washington. "As we pursue our efforts to seek signs of life in the solar system, we have to think more broadly, more diversely and consider life as we do not know it."
O texto de onde foi extraída esta citação é todo ele um reconhecimento da profunda ignorância e cegueira que alastram onde menos deveriam alastrar.
Nada a que não me tenha referido anteriormente (por exemplo, aqui e acolá).
Só que desta vez o disparatado preconceito é assumido com todas as letras.
"The definition of life has just expanded," said Ed Weiler, NASA's associate administrator for the Science Mission Directorate at the agency's Headquarters in Washington. "As we pursue our efforts to seek signs of life in the solar system, we have to think more broadly, more diversely and consider life as we do not know it."
O texto de onde foi extraída esta citação é todo ele um reconhecimento da profunda ignorância e cegueira que alastram onde menos deveriam alastrar.
Nada a que não me tenha referido anteriormente (por exemplo, aqui e acolá).
Só que desta vez o disparatado preconceito é assumido com todas as letras.
02/12/2010
Ter sangue de escravo
Há quem o tenha.
Seja secundário, subalterno em tudo.
Principalmente na obra, nas ideias.
Copiar dos outros sem dizer que o fez. Furtando, sejamos precisos.
Escravos e cobardolas.
Dois exemplos de escravos a reter:
http://www.riomira.com/index.php?option=com_content&view=article&id=2263%3Adescarrilamento-de-1954&catid=8%3Asociedade-&Itemid=1
http://pravdailheu.blogs.sapo.pt/314622.html?view=735230#t735230
Descubra as diferenças.
Nota (cerca das 9:00 de 3 Dez.):
O link de cima leva agora à mesmíssima coisa, com a pequena diferença de que lá aparece (sem link) o endereço do post original.
Sem nome, sem qualquer outra indicação, sem pedido de desculpas.
Como se lá tivesse estado desde o início. Substancia isto ainda mais o que acima disse.
Nota (cerca das 12:30 de 3 Dez.):
O Pravda Ilhéu emendou a mão. E bem.
Há quem o tenha.
Seja secundário, subalterno em tudo.
Principalmente na obra, nas ideias.
Copiar dos outros sem dizer que o fez. Furtando, sejamos precisos.
Escravos e cobardolas.
Dois exemplos de escravos a reter:
http://www.riomira.com/index.php?option=com_content&view=article&id=2263%3Adescarrilamento-de-1954&catid=8%3Asociedade-&Itemid=1
http://pravdailheu.blogs.sapo.pt/314622.html?view=735230#t735230
Descubra as diferenças.
Nota (cerca das 9:00 de 3 Dez.):
O link de cima leva agora à mesmíssima coisa, com a pequena diferença de que lá aparece (sem link) o endereço do post original.
Sem nome, sem qualquer outra indicação, sem pedido de desculpas.
Como se lá tivesse estado desde o início. Substancia isto ainda mais o que acima disse.
Nota (cerca das 12:30 de 3 Dez.):
O Pravda Ilhéu emendou a mão. E bem.
01/12/2010
O sótão dos links
Um sótão, uma cave, um celeiro são, toda a gente o sabe, antecâmaras da morte de objectos.
Alguns têm a sorte de escapar à destruição lenta quando uma paixão esquecida se reacende ou um prosaico comprador de velharias passa à porta. Os outros seguem o seu destino insondável para além da morte do proprietário.
Tenho uma multitude de objectos nessas condições.
E também os tenho, como toda a gente, nos discos do computador.
Dei-me há uns tempos conta que, tal como a traça, o caruncho, a formiga branca, a água, os ratos e outros que tais dão conta dos objectos que espalhei por várias moradas também o defeito electrónico corrompe os que aqui vou depositando e esquecendo.
Na tentativa de reorganizar os links a que recorro com mais frequência, alarguei o campo das manobras e detive-me numa pasta que contém links antigos.
Muitos deles estavam corrompidos desde a febre que assolou o disco que se finou faz para aí um ano.
Não custa nada ver-me livre deles. Não levam já a lado nenhum.
Um sótão, uma cave, um celeiro são, toda a gente o sabe, antecâmaras da morte de objectos.
Alguns têm a sorte de escapar à destruição lenta quando uma paixão esquecida se reacende ou um prosaico comprador de velharias passa à porta. Os outros seguem o seu destino insondável para além da morte do proprietário.
Tenho uma multitude de objectos nessas condições.
E também os tenho, como toda a gente, nos discos do computador.
Dei-me há uns tempos conta que, tal como a traça, o caruncho, a formiga branca, a água, os ratos e outros que tais dão conta dos objectos que espalhei por várias moradas também o defeito electrónico corrompe os que aqui vou depositando e esquecendo.
Na tentativa de reorganizar os links a que recorro com mais frequência, alarguei o campo das manobras e detive-me numa pasta que contém links antigos.
Muitos deles estavam corrompidos desde a febre que assolou o disco que se finou faz para aí um ano.
Não custa nada ver-me livre deles. Não levam já a lado nenhum.
30/11/2010
29/11/2010
Queixinhas ou como já não sou capaz de guardar um segredo
Sem receio de quebrar confidências, ocorre-me, sei lá por quê, que a queixa que ainda hoje elejo como a principal foi a de alguém que me dizia que os seus próprios pais se davam demasiado bem.
Fê-lo pelo menos duas vezes, com um intervalo de cerca de vinte anos.
A razão de queixa seria a de que a atenção que a pessoa julgava que merecia dos pais era afinal concentrada um no outro.
Ainda que tenha tido todo o respeito e todos os cuidados de higiene, alimentação, educação e instrução num grau muito acima da mediania.
Sem receio de quebrar confidências, ocorre-me, sei lá por quê, que a queixa que ainda hoje elejo como a principal foi a de alguém que me dizia que os seus próprios pais se davam demasiado bem.
Fê-lo pelo menos duas vezes, com um intervalo de cerca de vinte anos.
A razão de queixa seria a de que a atenção que a pessoa julgava que merecia dos pais era afinal concentrada um no outro.
Ainda que tenha tido todo o respeito e todos os cuidados de higiene, alimentação, educação e instrução num grau muito acima da mediania.
28/11/2010
Paralelo 38
Entrementes, também sobre o paralelo 38 norte, mas em local muitíssimo mais pacífico...

imagem do Google Earth
Nota: lá pela infância, lembro-me de ouvir amiúde falar num afamado restaurante com o exacto nome de "Paralelo 38". Dou-me conta de que não seria sobre o dito. Nem sequer perto.
O que me leva a pensar que se referia mais à linha coreana e menos à proximidade geográfica.
Entrementes, também sobre o paralelo 38 norte, mas em local muitíssimo mais pacífico...

imagem do Google Earth
Nota: lá pela infância, lembro-me de ouvir amiúde falar num afamado restaurante com o exacto nome de "Paralelo 38". Dou-me conta de que não seria sobre o dito. Nem sequer perto.
O que me leva a pensar que se referia mais à linha coreana e menos à proximidade geográfica.
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