07/01/2011

Percentagens



A título de curiosidade, o número de votos recolhidos e as respectivas percentagens pelos presidentes reeleitos:




1980 Ramalho Eanes 3262520 56,44%
1991 Mário Soares 3459521 70,35%
2001 Jorge Sampaio 2401015 55,55%


dados da CNE*

* embora o número de votos apenas conflitue com os dados do antigo STAPE, a fórmula de cálculo das percentagens, diversa de organismo para organismo, dá valores diferentes aqui e acolá.

06/01/2011

Duas notas com ano e meio

[...] Sobre isso já disse o que disse, mas cabe ainda acrescentar que, sendo leitor do Expresso desde 1973, apreciei devidamente a arrogância publicitária do BPP na Revista do dito ao longo dos anos (alguém já terá enumerado os colaboradores voluntários de tal publicidade?).
Fiquei, talvez por não ser parte do público-alvo da coisa, quase desde o primeiro momento, com a devida erisipela ao ler as notas à margem dos textos dos convidados. [...]

aqui, em 9 de Junho de 2009

Finalmente, alguém se lembrou da lista dos que fizeram propaganda ao BPP.

Alguém dizer agora, como disse Manuel Alegre, que não sabia para que serviria o texto que escreveu, não abona nada em seu favor.
Tal como não abonava a seu favor então e agora, a declaração de Cavaco Silva que tinha (tem) perdido muito dinheiro com as suas aplicações financeiras.

Diz o Presidente da República que está a perder muito dinheiro com as aplicações das suas poupanças. [...]
aqui, em 3 de Junho de 2009

04/01/2011

A burra de Wim Wenders

Tenho uma certa predilecção pelos filmes de Wim Wenders, é certo.
Não contava, porém, ver-me a braços com uma burra teimosa pertencente a um dos meus velhos amigos, figurando esta – que não eu - num filme do dito.
Tanto andava por ali, cavalgando-a em pêlo, apenas com uma corda a jeito de rédea, como via do alto a sombra de alguém sobre o caminho, a puxá-la.
A sombra, apenas. A que se acrescentava a da sirga muito para além das mãos da sombra.
No final, havia um almocreve escondido, com carroça e tudo, dentro de um retábulo.
O meu amigo foi lá acordá-lo, de má catadura.
De Wim Wenders, nem o rasto.

03/01/2011

Acordo ortográfico

Pertenço ao número dos que consideram indiferente a adopção ou não adopção do acordo ortográfico. Só por si.
Já as razões geralmente invocadas para a sua celebração sempre me pareceram equivalentes a grosseiros disparates.
Não me recordo de uma única que fizesse algum sentido.
Mas a escrita assim ou assado não é relevante para mim. Vou continuar a escrever como me parece, demorando o meu tempo a adaptar-me, tal como demorei com a última norma que, entre outras coisas eliminou o acento grave em alguns advérbios de modo. Que foi a de que mais dei conta.
Não vejo razão para alguém se agarrar a uma ortografia em particular a não ser à que lhe é ensinada em tenra idade.
Para congelarmos a ortografia, qual seria o critério para a congelarmos com a norma de ontem e não com a de anteontem, do século passado ou de há quinhentos anos?
A RTP entretanto, para falar do assunto, apresenta este quadro:


imagem da RTP
Castro Marim, 1988

31/12/2010

Nós fora, quatro

Do ano

O ano fechará daqui a pouco por estas paragens e a minha “previsão” de 22 de Fevereiro passado terá sido “aprovada”.
Ainda que dias depois tenha havido um enorme terramoto no Chile e que o Paquistão tenha sido mais tarde em parte submerso.
Ficam assim para o almanaque do mundo a catástrofe do Haiti e para o nosso as enxurradas na Madeira.
Este foi ainda o ano em que a Lei de Murphy foi desafiada e vencida, na sua acepção distorcida e vulgarizada que eu traduzo por “se alguma coisa pode correr mal, então alguma coisa vai correr mal”. Ainda que (alg)uma e (alg)outra coisa possam ser diferentes.
Não correu nenhuma significativa coisa mal das inúmeras que poderiam ter corrido mal no caso dos mineiros.
Há uma esmagadora maioria na imprensa a classificar a catástrofe haitiana e o resgate dos mineiros como acontecimentos do ano.
Parece-me rara esta maioria. Que só acontecimentos esmagadores – como o maremoto de 2004 – conseguem suscitar.
Ainda que esse tenha ocorrido quando muitos balanços já estavam feitos. Acabaram por ser implicitamente ultrapassados.
E continua o clima de pessimismo ocidental. Cada ano será pior do que o anterior.

30/12/2010

Lula


imagem do site da Presidência do Brasil

Acabei* de verificar que o nome completo do Presidente da República Federativa (dos Estados Unidos) do Brasil é Luiz Inácio Lula da Silva.
Até hoje torcia o nariz a quem me afiançava que Lula não era nome de guerra mas sim apelido oficial. Sobrenome, à moda brasileira.
Parece que algures no tempo o homem acrescentou oficialmente a alcunha (afinal, o apelido) ao nome.
Claro que isso nada importa para o caso.
Lula vai deixar o cargo com altíssimos níveis de popularidade, ao que diz a imprensa. Ponto.
O que é que faz de um político um bom político? Entregar o país com nível modal de conforto superior ao que com que o recebeu. Seja lá como isso se mede. Mas decerto que se pode medir pela opinião que cada um dos cidadãos dele tem. Seja lá como isso se verifica.
Lula parece ter sido assim um bom político. A História dirá, ou não – por ela mesma a História ser o que é, a que ponto o foi.
Para me deixar de relativismos, apenas acrescentarei que lá pelos meados da década de oitenta, em que eu circulava em meios que tinham acesso a informação privilegiada em quase todo o panorama mundial, via diplomacia americana, se comentava que se alguma vez houvesse directas, Lula fosse candidato e ganhasse a presidência, haveria um levantamento militar.
Não houve.
O Brasil, em termos mundiais, ganhou peso. Se isso aconteceria independentemente de quem o governou, nunca se saberá.

*começado a escrever em 4 de Outubro de 2010

29/12/2010

Violação de correspondência

Para além da incompleta morada, indicando que a destinatária é pessoa do conhecimento geral, atente-se no ano a que se referem os votos – 2010.
Não faço a menor ideia de como nem por quê isto me veio parar aqui.

28/12/2010

Ninfetas

Agitado o dia, agitados os dias, ao lado ou entre uma Laura Ingalls que se entrevia fêmea e a própria imagem acabada do género.
Tudo afinal como se fosse a irmã mais nova, que nunca existiu, de um certo colega de escola primária.
O que me levou a rever alguns trechos da série.
Não há ali mistério nenhum. Tudo se confunde, apenas. Presente e futuro.


Melissa Gilbert em trecho da série encontrado aqui.

21/12/2010

O paradoxo da percepção

Na minha experiência, tenho verificado que as pessoas que mais falam em “perceber as coisas” são as que menos tendem a procurar fazê-lo.
Comummente, pretendem encontrar explicações e relações de causa-efeito em aspectos insondáveis do universo.
São, em regra, avessas a explicações lineares dentro de uma convenção – as mais simples demonstrações matemáticas ou decorrências de leis básicas. E pouco dadas a entender o funcionamento de máquinas simples.
Em contrapartida, os que mais se detêm nestas basilares divagações do espírito – tentar perceber o que é perceptível, rudimentar - são os que mais encolhem os ombros quanto às relações de causa-efeito em sistemas complexos, tais como o comportamento dos humanos.
É apenas a minha amostra. Nada mais do que isso.

20/12/2010

E duram...

É notável que o sotaque e a entoação PCP tenham sido transmitidos, de geração em geração, até hoje.
Já não falo do vocabulário. Nem da atávica defesa da Rússia, hoje capitalista.

19/12/2010

A negação da tricotomia em ti

Eu perdi mais do que tu.
Tu perdeste mais do que eu.
Este é um jogo de soma infinita.