Férias e feriados
Se as pessoas usam dias de férias para fazer pontes entre feriados e fins-de-semana (repito o se), não usando esses dias nessa circunstância, deixam de os gozar?
29/06/2011
27/06/2011
A reprodução do erro
Não há nada mais banal do que a reprodução do erro.
Na escrita, é normalmente aquela asneira que alguém escreve em letra de forma e que depois é copiada ene vezes sem sentido crítico.
Comprei estes dias uma publicação da Câmara Municipal de Sintra que pretende ser uma monografia muito pela rama de Queluz e do seu termo.

Logo nas primeiras páginas, um erro de palmatória – o anúncio da auto-estrada inaugurada em 1949 entre Queluz e o Cacém. Coisa que já vi escrita alhures, por mais de uma vez.

De facto, em 1949 foi inaugurada a variante à E.N. 249 entre Queluz e o Cacém, estrada (e não auto-estrada) que toda a gente da zona conheceu sem grandes modificações até aos tempos de Cavaco Silva.

DL online na Fundação Mário Soares

trecho do mapa do ACP de 1970
O livro tem data de edição de 2001. Nessa altura até as crianças se lembravam de tal estrada.
Sou dos pensam que quem se mete a fazer uma monografia de um local deve ter ele próprio bastante memória do sítio.
Significa isto que nenhuma das pessoas que escreveu e reviu o texto tem (tinha) essa memória.
E não a tendo, embarcou no primeiro disparate que leu em letra de forma. Muito mau sinal.
A bem dizer, auto-estrada entre Queluz e o Cacém só passou a existir quando o IC19 foi recentemente requalificado em A37.
Não há nada mais banal do que a reprodução do erro.
Na escrita, é normalmente aquela asneira que alguém escreve em letra de forma e que depois é copiada ene vezes sem sentido crítico.
Comprei estes dias uma publicação da Câmara Municipal de Sintra que pretende ser uma monografia muito pela rama de Queluz e do seu termo.

Logo nas primeiras páginas, um erro de palmatória – o anúncio da auto-estrada inaugurada em 1949 entre Queluz e o Cacém. Coisa que já vi escrita alhures, por mais de uma vez.

De facto, em 1949 foi inaugurada a variante à E.N. 249 entre Queluz e o Cacém, estrada (e não auto-estrada) que toda a gente da zona conheceu sem grandes modificações até aos tempos de Cavaco Silva.

DL online na Fundação Mário Soares

trecho do mapa do ACP de 1970
O livro tem data de edição de 2001. Nessa altura até as crianças se lembravam de tal estrada.
Sou dos pensam que quem se mete a fazer uma monografia de um local deve ter ele próprio bastante memória do sítio.
Significa isto que nenhuma das pessoas que escreveu e reviu o texto tem (tinha) essa memória.
E não a tendo, embarcou no primeiro disparate que leu em letra de forma. Muito mau sinal.
A bem dizer, auto-estrada entre Queluz e o Cacém só passou a existir quando o IC19 foi recentemente requalificado em A37.
25/06/2011
Ocorrências de um sol posto sem maresia
Faz-se uma apreciação do cheiro a sardinha assada.
Se o cheiro a sardinha assada é sempre suportável, se só o é de barriga vazia, se só o é no exterior...
Não confundir com o cheiro pós-sardinha assada. Nem esquecer os que detestam tal coisa.
Mais adiante, observa-se uma fêmea da espécie que se entretém no canteiro talvez junto ao prédio onde reside, a mondar.
Olhando com mais atenção, verifica-se que a fêmea não monda. É recolectora. Apanha moedas de entre as ervas como quem minera.
Abre o palmo bem aberto e as moedas reluzem, com que sol? Quase se diria não serem moedas de euro.
E há então uma altura em que se ascende à consciência de ter deixado para trás o fundo musical do talvegue para se estar no limite da audição do que toca no festo.
E eu.
Depois de há dias me ter entretido a ouvir uma emissora cuja playlist é miseravelmente curta, também me dou conta de que o reportório dos conjuntos de baile não vai muito além.
Deveria talvez ter-me apercebido de tal há uns séculos. Sei que sim.
Faz-se uma apreciação do cheiro a sardinha assada.
Se o cheiro a sardinha assada é sempre suportável, se só o é de barriga vazia, se só o é no exterior...
Não confundir com o cheiro pós-sardinha assada. Nem esquecer os que detestam tal coisa.
Mais adiante, observa-se uma fêmea da espécie que se entretém no canteiro talvez junto ao prédio onde reside, a mondar.
Olhando com mais atenção, verifica-se que a fêmea não monda. É recolectora. Apanha moedas de entre as ervas como quem minera.
Abre o palmo bem aberto e as moedas reluzem, com que sol? Quase se diria não serem moedas de euro.
E há então uma altura em que se ascende à consciência de ter deixado para trás o fundo musical do talvegue para se estar no limite da audição do que toca no festo.
E eu.
Depois de há dias me ter entretido a ouvir uma emissora cuja playlist é miseravelmente curta, também me dou conta de que o reportório dos conjuntos de baile não vai muito além.
Deveria talvez ter-me apercebido de tal há uns séculos. Sei que sim.
24/06/2011
Alfabeto latino

Ainda faltava o resgate.
O resgate que haveria de ser feito por resistentes emboscados na beira da auto-estrada.
O resgate que haveria de ser feito depois de intensa fuzilaria contra os ocupantes da Hanomag amarela que também eles eram amarelos.
Antes mesmo disso, tínhamos desembocados nus ali onde o êxodo se fazia pelas duas faixas, sem que alguém pretendesse dirigir-se para o horizonte.
E nus, corríamos perante a chuva de letras pretas de um céu azul estival. Na berma da auto-estrada amarela.
Eram essas letras sinais de uma qualquer invasão?
Uma mensagem? Enviada por quem?
Julguei ouvir alguém comentar que o facto de se tratar do alfabeto latino era um sinal qualquer na guerra contra os amarelos. Mas ali estávamos só nós. Nus e a correr.
Até que a Hanomag se aproximou, os seus ocupantes esboçaram um ataque e foram num ápice eliminados pelos nossos semelhantes, ali emboscados.
Da roupa que nos deram - a minha era verde mas não era propriamente uma farda - das armas que nos forneceram, das munições que catámos, de nós próprios há-de ter restado pouco quando o bunker finalmente soçobrou.
os carros da composição resultam de fotografias de autores alheios

Ainda faltava o resgate.
O resgate que haveria de ser feito por resistentes emboscados na beira da auto-estrada.
O resgate que haveria de ser feito depois de intensa fuzilaria contra os ocupantes da Hanomag amarela que também eles eram amarelos.
Antes mesmo disso, tínhamos desembocados nus ali onde o êxodo se fazia pelas duas faixas, sem que alguém pretendesse dirigir-se para o horizonte.
E nus, corríamos perante a chuva de letras pretas de um céu azul estival. Na berma da auto-estrada amarela.
Eram essas letras sinais de uma qualquer invasão?
Uma mensagem? Enviada por quem?
Julguei ouvir alguém comentar que o facto de se tratar do alfabeto latino era um sinal qualquer na guerra contra os amarelos. Mas ali estávamos só nós. Nus e a correr.
Até que a Hanomag se aproximou, os seus ocupantes esboçaram um ataque e foram num ápice eliminados pelos nossos semelhantes, ali emboscados.
Da roupa que nos deram - a minha era verde mas não era propriamente uma farda - das armas que nos forneceram, das munições que catámos, de nós próprios há-de ter restado pouco quando o bunker finalmente soçobrou.
os carros da composição resultam de fotografias de autores alheios
23/06/2011
21/06/2011
Diário íntimo
E é justamente quando os dias começam a ser cada vez mais curtos que, pela primeira vez, sou governado por um tipo mais novo do que eu. Coisa que, decerto, passará sempre a acontecer doravante.
Eu sei que não estou sózinho neste particular (que assim o não é) mas isso não me serve de muito.
E é justamente quando os dias começam a ser cada vez mais curtos que, pela primeira vez, sou governado por um tipo mais novo do que eu. Coisa que, decerto, passará sempre a acontecer doravante.
Eu sei que não estou sózinho neste particular (que assim o não é) mas isso não me serve de muito.
20/06/2011
19/06/2011
18/06/2011
17/06/2011
16/06/2011
The Computing-Tabulating-Recording Company
Foi criada faz hoje cem anos.
Era a época da vertigem, do progresso, do futurismo.
Hoje chama-se IBM e entretanto interferiu com tudo.
Associo Giacomo Balla a esta vertigem, que tanta falta faz cem anos depois. Ou noventa e oito, no caso do quadro, ao que dizem os registos.

Giacomo Balla, 1913
Foi criada faz hoje cem anos.
Era a época da vertigem, do progresso, do futurismo.
Hoje chama-se IBM e entretanto interferiu com tudo.
Associo Giacomo Balla a esta vertigem, que tanta falta faz cem anos depois. Ou noventa e oito, no caso do quadro, ao que dizem os registos.
Giacomo Balla, 1913
14/06/2011
13/06/2011
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