Strauss-Kahn
Strauss-Kahn não acredita nos métodos empregados para gerir a crise das economias europeias – empregou a expressão que cito e traduzo de memória “andamos (num primeiro tempo diz anda, depois corrige para andamos, assumindo as responsabilidades nos erros de cálculo feitos no tempo em que estava à frente do FMI) a comprar seis meses de cada vez”.
Parece-me que o diagnóstico está mais do que feito – desindustrialização, continuação da dependência da importação de matérias-primas, padrões de vida não concorrenciais com os dos países emergentes, prática de vasos comunicantes com tais países, no final da qual eles terão melhores padrões de vida e nós, europeus, os teremos muito piores.
A questão é saber se isto é inevitável ou não.
E se não é, quais serão as políticas a adoptar em conjunto para manter o desequilíbrio.
Não encontrei ainda ninguém que tivesse respostas para estas duas perguntas.
Strauss-Kahn dá corpo à ideia de que ninguém sabe o que há-de fazer ou se atreve a apresentar uma proposta eficaz.
15/07/2013
14/07/2013
Realimentação
Se um paradigma se propaga em modelos menores e se um desses modelos menores assume por sua vez a condição de paradigma, pode suceder que o modelo inicial em vez de perder condição paradigmática acrescente às suas qualidades as qualidades do modelo secundário.
É um processo de realimentação.
Se um paradigma se propaga em modelos menores e se um desses modelos menores assume por sua vez a condição de paradigma, pode suceder que o modelo inicial em vez de perder condição paradigmática acrescente às suas qualidades as qualidades do modelo secundário.
É um processo de realimentação.
12/07/2013
Idiotas
Aqueles idiotas que têm acesso aos meios de teledifusão e cujas ideias lhes parecem ser tão extraordinárias que não estarão ao alcance da percepção de qualquer um, têm desde há uns alguns anos uma inevitável bengala: “... as pessoas em casa têm que perceber...”.
Creio que tal frase incompleta ficaria muito bem como lema de muitas agremiações filiadas na rede.
*
* retroversão ao estilo das melhores etiquetas de artigos chineses e afins, o que me pareceu adequado.
Aqueles idiotas que têm acesso aos meios de teledifusão e cujas ideias lhes parecem ser tão extraordinárias que não estarão ao alcance da percepção de qualquer um, têm desde há uns alguns anos uma inevitável bengala: “... as pessoas em casa têm que perceber...”.
Creio que tal frase incompleta ficaria muito bem como lema de muitas agremiações filiadas na rede.
** retroversão ao estilo das melhores etiquetas de artigos chineses e afins, o que me pareceu adequado.
11/07/2013
Respeito
A Senhora Presidente da Assembleia da República que foi sendo durante os últimos tempos mais ou menos complacente com a baderna nas galerias do parlamento, pedindo às pessoas que saíssem por favor em vez de dar ordem à polícia que tratasse de expulsar os que não respeitam o lugar, vem agora dizer que quer tratar das regras de acesso às mesmas.
Era de esperar.
Quanto aos do costume, personificados por Mário Nogueira, já sabíamos que a democracia deles só deverá contar com os votos dos asseclas.
Nada de novo, também.
A falta de respeito a que se assistiu divide-se, a meu ver, entre os que se não dão ao respeito e os que nada respeitam a não ser os ícones que lhes implantaram no cérebro.
A Senhora Presidente da Assembleia da República que foi sendo durante os últimos tempos mais ou menos complacente com a baderna nas galerias do parlamento, pedindo às pessoas que saíssem por favor em vez de dar ordem à polícia que tratasse de expulsar os que não respeitam o lugar, vem agora dizer que quer tratar das regras de acesso às mesmas.
Era de esperar.
Quanto aos do costume, personificados por Mário Nogueira, já sabíamos que a democracia deles só deverá contar com os votos dos asseclas.
Nada de novo, também.
A falta de respeito a que se assistiu divide-se, a meu ver, entre os que se não dão ao respeito e os que nada respeitam a não ser os ícones que lhes implantaram no cérebro.
10/07/2013
Ponto-parágrafo
Ponto-parágrafo
(na cela-vestiário de passagem para a sala de exames antes de se abrir a porta de comunicação e de fazer o exame)
...acentuada megalopatia... nódulos evidentes... curva anormal do... ponto-parágrafo.
...inserção disforme... contornos difusos... ponto-parágrafo.
...litíase vesical... ponto-parágrafo.
(nas costas da médica, que se encontrava já postada frente a um computador portátil, após o exame)
- Posso fazer-lhe uma pergunta indiscreta?
- Sim?
- Qual é o software de reconhecimento de voz que utiliza?
- Ah, não. Nós aqui não temos isso. É só um gravador de voz digital.
(na cela-vestiário de passagem para a sala de exames antes de se abrir a porta de comunicação e de fazer o exame)
...acentuada megalopatia... nódulos evidentes... curva anormal do... ponto-parágrafo.
...inserção disforme... contornos difusos... ponto-parágrafo.
...litíase vesical... ponto-parágrafo.
(nas costas da médica, que se encontrava já postada frente a um computador portátil, após o exame)
- Posso fazer-lhe uma pergunta indiscreta?
- Sim?
- Qual é o software de reconhecimento de voz que utiliza?
- Ah, não. Nós aqui não temos isso. É só um gravador de voz digital.
09/07/2013
08/07/2013
Governo-sombra
Governo-sombra
O caso não é inédito mas é preciso recuar uns bons anos para se ter um governo em funções e um governo-sombra atrás da cortina, a fazer as tradicionais sombras chinesas, tudo dentro do mesmo quarto.
O caso não é inédito mas é preciso recuar uns bons anos para se ter um governo em funções e um governo-sombra atrás da cortina, a fazer as tradicionais sombras chinesas, tudo dentro do mesmo quarto.
07/07/2013
06/07/2013
05/07/2013
Há meia dúzia* de dias
Há meia dúzia* de dias
Ainda há meia dúzia de dias aqueles tipos que falam com os amaricanos e que por essa via sabem tudo sobre o tempo e o clima que há-de vir, afirmavam peremptórios que este ano não haveria de haver Verão.
E, claro, tinham tempo de antena e espaço na imprensa.
* exagerando
Ainda há meia dúzia de dias aqueles tipos que falam com os amaricanos e que por essa via sabem tudo sobre o tempo e o clima que há-de vir, afirmavam peremptórios que este ano não haveria de haver Verão.
E, claro, tinham tempo de antena e espaço na imprensa.
* exagerando
04/07/2013
Meninos às compras!
Meninos às compras!
Meninos às compras!? – era uma expressão basto utilizada nas nossas noites de cartas em plena rua.
No meio dos macetes, dos chitos, das recusas e das fugas à polícia, assomava essa frase dita com um certo desdém quando algum valete pretendia debalde arrebatar uma manilha baldada.
É a frase que ilustra estes dias. Não me consigo lembrar de outra melhor para dar título à minha apreciação do que se passa e do que se irá passar.
Meninos às compras!? – era uma expressão basto utilizada nas nossas noites de cartas em plena rua.
No meio dos macetes, dos chitos, das recusas e das fugas à polícia, assomava essa frase dita com um certo desdém quando algum valete pretendia debalde arrebatar uma manilha baldada.
É a frase que ilustra estes dias. Não me consigo lembrar de outra melhor para dar título à minha apreciação do que se passa e do que se irá passar.
03/07/2013
Diplomacia
Diplomacia
Proibir um avião presidencial de um país com o qual se mantêm relações, com o presidente lá dentro, de aterrar em pistas ou sobrevoar terras e águas nacionais é um incidente diplomático de grau quê?
Não estou a fazer caso de desculpas esfarrapadas.
E é uma falta de soberania de grau quê?
Proibir um avião presidencial de um país com o qual se mantêm relações, com o presidente lá dentro, de aterrar em pistas ou sobrevoar terras e águas nacionais é um incidente diplomático de grau quê?
Não estou a fazer caso de desculpas esfarrapadas.
E é uma falta de soberania de grau quê?
01/07/2013
Dizer coisas bonitas nos funerais
Dizer coisas bonitas nos funerais
Tinha aquele homem uma qualidade que encerrava um mistério – produzia declarações envolventes nos funerais de amigos jamais caindo no lugar comum.
Mistério porque o fazia continuadamente sempre de forma a surpreender evitando tocar a banalidade que normalmente adviria da repetição.
Alguns disseram no seu funeral que o segredo dele era não ser compreendido. A não ser tarde demais.
Tinha aquele homem uma qualidade que encerrava um mistério – produzia declarações envolventes nos funerais de amigos jamais caindo no lugar comum.
Mistério porque o fazia continuadamente sempre de forma a surpreender evitando tocar a banalidade que normalmente adviria da repetição.
Alguns disseram no seu funeral que o segredo dele era não ser compreendido. A não ser tarde demais.
30/06/2013
Retrocesso social
Para dar lustro ao que aqui escrevi há cerca de dois anos e meio, o Expresso prepara-se para oferecer aos seus leitores um exemplar d’”Os Maias”. Pior, fá-lo acompanhado de um opúsculo intitulado "Introdução à Leitura d'Os Maias".
Pouco importa que estas ofertas venham acompanhadas de outras inéditas e que a seu tempo se verá a qualidade que têm.
O que importa mesmo é ter a noção de onde o Expresso situa os seus leitores. O que fará bem, se o seu mercado é o dos analfabetos irracionais com carimbadelas e certificações ISO. O que fará mal se o seu mercado pretender ser o equivalente moderno do de 1973 conjuntamente com o que resta dele, como é o meu caso.
Só por vício, me parece, ainda gasto os três euros semanais.

(clicar para aceder)
Para dar lustro ao que aqui escrevi há cerca de dois anos e meio, o Expresso prepara-se para oferecer aos seus leitores um exemplar d’”Os Maias”. Pior, fá-lo acompanhado de um opúsculo intitulado "Introdução à Leitura d'Os Maias".
Pouco importa que estas ofertas venham acompanhadas de outras inéditas e que a seu tempo se verá a qualidade que têm.
O que importa mesmo é ter a noção de onde o Expresso situa os seus leitores. O que fará bem, se o seu mercado é o dos analfabetos irracionais com carimbadelas e certificações ISO. O que fará mal se o seu mercado pretender ser o equivalente moderno do de 1973 conjuntamente com o que resta dele, como é o meu caso.
Só por vício, me parece, ainda gasto os três euros semanais.

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