17/09/2013

As pequenas questões por isso nada universais

Até que ponto é que a palavra swap substituiu a expressão off-shore na suscitação de um sorriso alvar nos inquisidores do costume?

NOTA: na realidade a palavra e a expressão a que eles reagem e reagiram pavlovianamente são: swaps e off-shores.
Aprender

Há ocasiões em que um indivíduo bem colocado pode recolher conhecimentos únicos.
Estar no posto de comando da operação para colocar a prumo o navio Costa Concordia é uma delas. Rara.


imagem da Reuters via the Independent

15/09/2013

Alavancar (VII)

Quem é o verdadeiro manda-chuva (aquele que decide mesmo se chove ou se faz sol) em Portugal continental?
Porque é que deixaram de existir boletins meteorológicos na SIC com umas meninas que previam o tempo especificamente para Vila Nova da Raínha, Alfarelos ou Conceição de Tavira?
O que é que aconteceu a Dom Sebastião?
Qual vai ser o formato das matrículas de automóvel quando se esgotar o actual 00-AA-00?
Quem vai ser o ministro da Saúde no dia 13 de Setembro de 2027?
Quantas marcas americanas de automóveis conseguirão vender carros em Portugal em 2025?
Quem será o futuro presidente da Região Demarcada da Mulher Norte-Alentejana? Por quanto tempo mais se manterão os actuais limites de tal região?
Li até aqui o rol das perguntas a Marcelo.
Baralhas a pitonisa com o londrino M – disse-lhe. Baralhas, que é como quem diz. Misturas.
E qual é o espanto? – retorquiu.

(continua)

12/09/2013

O mundo na mesma

Mudança no mundo é uma designação de uma ocorrência que não ocorre. O mundo não muda por ocorrências. Ou não muda por ocorrências singulares e precisas.
Isto se considerarmos que uma mudança no mundo é, para além da poesia da designação, algo apreciável. Contradigo-me. Ocorre ou não?
Verifica-se. Verificou-se em tempos que marcaram eras. Não foram propriamente ocorrências precisas e datáveis mas verificou-se. Verificou-se quando hábitos mudaram para grande parte da ecúmena.
A mais recente pode apreciar-se na forma como comunicamos à distância. Da generalizada utilização do telefone agarrado a um cabo e da missiva no final da década de 80 do século passado, passámos em vinte e tal anos (e este intervalo pode ser “apurado”) para um tipo de comunicação muito diferente. O mundo mudou.
Alguma coisa de substancial mudou no mundo a 11 de Setembro de 2001? Não. O mundo terminou para milhares de pessoas. Como termina a cada dia que passa. Nesse dia terminou talvez para mais do que costuma terminar em cada dia.
Talvez tenha havido uma mudança – talvez para a maioria dos ocidentais tenha sido a primeira vez que se deram conta de que existe um conflito entre civilizações. Mas isso não se consegue medir, verificar.
Contradigo-me?


Fred R. Conrad / The New York Times Photo Archives, 1983

11/09/2013

O pomo da discórdia


imagem daqui

O pomo da discórdia desapareceu. Tanto faz que tenha sido na guerra de Tróia ou quando a massificação e a mediatização deram o salto quântico.
Hoje, em regra, uma disputa gera-se entre os que estão a favor de um bolo argumentativo inconsistente e auto-contraditório cujo significado é inalcançável e os que estão contra um bolo argumentativo inconsistente e auto-contraditório que em muito pouco coincide com o primeiro e cujo significado é igualmente inalcançável.
Por vezes nada separa os contendentes.
Por vezes nada une os concordantes.

06/09/2013

O assassino

Um Brock descrito há 60 anos por Ray Bradbury e emparelhado por mim com um pouco mais novo Myron Aub de Asimov.

05/09/2013

Dia Nacional do Legislador

É certo que podia ser outro, mas eu hoje estou por hoje – que 5 de Setembro seja o Dia Nacional do Legislador.

03/09/2013

Fósforos



Altura para afinal repetir o que já há três anos escrevi e que agora há uns quantos que vigorosamente defendem.

02/09/2013

Dedicatória a tutti quanti (em jargão do meu tempo)

Alavancar (VI)

Um teste?
Sim. No outro dia apercebi-me de que o homem respondia a perguntas a pedido.
E que seleccionaram uma de vida ou de morte. Se fulano de tal recuperava ou não. Ora isto é colocar Marcelo no lugar de pitonisa, coisa que alguns dizem que ele é, embora aparentemente ainda ninguém tivesse experimentado de forma tão explícita testar-lhe tal qualidade.
Perguntaram-lhe se um tipo sobrevivia ou não? ‘Tás a falar a sério?
‘Tou, pois. Achas que ia brincar com questões de vida ou de morte?
Dei-me conta de que a nossa conversa começava a interessar aos parceiros das mesas vizinhas. Sem que soubesse a que ponto se encontravam já a par da escrita.

(continua)

30/08/2013

Nomes

Ouvi mal ou um daqueles excelsos comentadores de ciclismo do Eurosport acabou de dizer à vista do rio que passa por Sevilha: o rio Guadalquivir ou [também chamado] Guadiana?

29/08/2013

Alavancar (V)

Vamos começar pela letra do Tony Carreira. Apontei-a à mão porque não tinha impressora e só tenho um computador de secretária, nada de portáteis grandes ou pequenos.
E dei-me a esse trabalho também com aquele espírito de quem faz cábulas – para além da utilidade do papelinho na altura do aperto, alguma coisa fica na memória enquanto se escreve. Talvez com isso quisesse suprir algum desejo inconsciente de memorizar a letra, sabe-se lá. O certo é que me interessava conhecer um exemplo do que canta o homem. Porque aí está, não duvides, a essência do povo.
Ainda empinando a mini-castello à frente do nariz, mirava-lhe a expressão empenhada refractada através do vidro.
A lista de perguntas para o Marcelo é um teste. Queres ler?

(continua)

28/08/2013

O rebanho

O rebanho é aqui a parte maioritária da mole que segue os mesmos ensinamentos, que julga da mesma forma, que papagueia com igual fervor as mesmas verdades insofismáveis e os mesmos valores divínicos.
É hoje possível determinar que cartilha é essa a partir das estatísticas de cliques.
E é possível determinar se essa cartilha é a preponderante nas televisões internacionais e é a que informa os programas da maioria dos partidos mais votados nas sociedades ocidentalizadas.
Se se concluir que a cartilha é a mesma, o Grande Irmão está mais do que instalado. Com vinte e cinco anos de atraso sobre a data de Orwell, mais coisa menos coisa, o sonho totalitário do início do século XX está consumado no dirigir das mentes sem recurso à religião.
Falha d’energia

É recorrente a escassez de energia. Raras vezes permite ultrapassar os vinte pés (!) de altitude.


Rob Gonsalves, Bedtime Aviation