12/06/2017

San Tantónio

Por certo não falhava um. Naqueles anos.
Nos anos em que se apanhava o primeiro comboio para casa.
Nos anos em que se escolhia o percurso em função dos travões do faruque.
Nos anos em que se era protagonista.
Nos anos em que se trocavam mulheres por cigarros.
Nos anos em que até se comiam sardinhas.
Que grande distância já vai.
Mesmo dos Tantónios fora d’época.
Qualquer coisa correu bem

Qualquer coisa ou melhor qualquer conjunto de coisas correu bem para que do incêndio de um autocarro dentro do túnel do Marão onde seguiam cerca de vinte pessoas, não tenham resultado baixas ao hospital.
Também neste caso, por ter corrido bem, conviria saber que conjunto de coisas foi esse.

24/05/2017

Politicamente correcto

Politicamente correcto é, mais uma vez, dizer que o indivíduo que perpetrou o ataque em Manchester é um cidadão britânico. Como se fosse um Smith qualquer.
Ainda que se trate de um cidadão com passaporte britânico, nascido por aquelas terras, o que o diferencia e o conduziu a fazer o que fez não foi com certeza a cidadania britânica, contra a qual se revelou em último grau.

16/05/2017

Para depois

Em tempos guardava papéis como prova de vida. Para depois me lembrar do que fizera e sentira.
Esse depois era a muitos anos, a décadas de vista.
Pois bem, esses muitos anos passaram, essas décadas esgotaram-se e os papéis servem de quando em vez o tal propósito de me lembrarem outros tempos.
Os papéis que agora arrecado já não podem alvejar futuro distante. Meia-dúzia de anos, se tanto.
Ainda assim, vou guardando alguns que me lembram estranhos feitos. Como este, de ter ido ver um Arouca-Tondela a contar para a I Liga de futebol, na convicção de que tais encontros não se repetirão num futuro, esse sim, mais ou menos longínquo.

15/05/2017

Da moda

Sujeitas que andam as massas à ígnara moda, já quase não há quem distinga entre mentira e erro.