A Terra não é esférica
Este livro figurava numa estante em casa de uns tios-avós.
Não foram poucas as vezes que, em menino, o retirava de lá e me punha a folheá-lo, tentando entender o fio das razões ali expendidas.
Era uma espécie de íman inconsequente, do qual me livrava ao fim de pouco tempo.
E sobre o qual ouvi a minha tia discorrer, afirmando que era obra de um amigo do meu tio, que assinara com um pseudónimo.
Suponho que em adulto terei dado nula importância ao facto de o ter ali à mão. Ou talvez o tempo que me demorava lá por casa fosse cada vez menor, não sei.
Sei que apenas soube do desfecho que disse respeito ao recheio da casa, mortos os tios-avós, e da certeza de estar entregue a gente pouco mais do que analfabeta, a única coisa que me ocorreu resgatar foi o livro – este livro e não outro qualquer.
O facto de a memória me ter traído em certa medida, rotulando a obra com um
redonda onde haveria de ser
esférica, fez-me perder o norte quando me dediquei a procurá-lo, há alguns anos.
Recentemente, por um acaso qualquer, ocorreu-me tentar variações e acabei por escrevê-lo direitinho na pesquisa do Google. Hélas!
Fui cair na
Livraria Hesperia em Saragoça, depois de passar pela
Flat Earth Society.
E verifiquei que também existe na BN. O que seria de esperar, é claro.
Lá o arrematei.
Chegou a hora de apanhar de novo o fio à meada. E de comparar as nossas crenças actuais com as do autor.
Creio que terei matéria para uns quantos posts.
Do cheiro que sai das páginas, libertam-se falsas memórias.
Vejo de novo o cenário de tantas recordações agradáveis.