12/10/2007

Rever em baixa

Num tempo de eufemismos, de falsa ciência e de moles de papagaios pavões, a insuportável expressão rever em baixa corresponde à que aprendi do meu Pai, oficial miliciano de artilharia ao tempo das manobras de Pegões – corrigir o tiro.

Quanto a mim, aproveito o ensejo para rever mais uma vez em baixa a mediana do QI dos nossos governantes. O mau tiro inicial foi meu. Alto de mais.
As verdades – episódio Nobel, digo Óscar

Há quantos anos anda a humanidade presa de verdades incontestáveis enterradas no cemitério da ciência?
E onde fica nesse cemitério o talhão das parvas previsões catastróficas?
A minha ponte de Glienecke



Esperando sob as suas vigas as páginas soltas de um livro lançado avulso da janela do comboio.
Ao fundo do quintal.

10/10/2007

Minuciosa obsessão

Talvez porque os meus olhos esbarravam constantemente nele.
Talvez porque ele atraía os meus olhos que assim nele esbarravam.
Mas este acento não era desta parede.

Alentejo, 2006

09/10/2007

Os pés pelas mãos

É o que mete a polícia inglesa, o sistema judicial e o Estado britânico no caso de Jean Charles de Menezes.
Tanta imbecilidade reiterada quase excede as expectativas. E obviamente que não me refiro ao que dizem os jornalistas.
O homem dos sestércios

Era talvez dos que conheci, o mais Homem das Arábias.
A única vez em que lhe adentrei as portas, vi-me num museu.
Era um tipo invulgar, de facto. Da aparência, estranha mas nada exuberante, aos interesses.
Alguns deles coincidentes com os meus. As moedas, o totobola, o aroma feminino que ele me caracterizou certa vez em curta máxima.
Um dia, o álcool forçou-o a oferecer-me um punhado de sestércios. Logo, já eram moedas de ouro. Naturalmente, recusei a oferta quase correndo o risco de o ofender.
Anos mais tarde, vindo de um coincidência feminil e geográfica com as suas origens, fui encontrá-lo no habitual despacho de esplanada e ofereci-lhe, por isso, a “Orla Marítima” que acabara de comprar.
Lá estará no seu espólio com a nota da coincidência desse dia.

07/10/2007

Ex-libris

Ao fim destes anos todos, meti a mão num saco onde guardo bocados exemplares de cortiça, extraí de lá um e fiz um ex-libris em menos de uma hora. O primeiro duma vida.

Já o tintei na almofada ene vezes. Ficou bom. Mede 21×21.
Agora é começar a aplicá-lo.
Insondáveis mistérios da mente humana (m+1)

Os contadores e registadores de visitas são um manancial inesgotável destes mistérios:
fotos da casa dos meus sonhos

05/10/2007

O palestiniano armado

Em me dando a velhice, vem a coscuvilhice.
Eu que nunca mas nunca quis saber da vida alheia e tinha raiva de quem queria.
Há pouco perguntei ali no café: “O que é feito de Fulano de Tal?”
“Ah, esse! Fugiu. Armado. Não dava assistência em casa. Era contador dia e noite.”

Eu na altura não escrevi que ele se dizia nascido na Palestina.
Argumentário

Uma das técnicas de argumentação hoje muito em voga baseia-se em retirar conclusões absurdas ou impossíveis do discurso do contendor.
E depois ir por redução ao absurdo, “demonstrando” assim a invalidade das ideias contrárias.
Isto parece resultar em função da ressonância que tem na imprensa, sempre mal preparada e sempre adsorvente.

03/10/2007

O ponto mais a noroeste (continuação)

A hipótese que apresento para a definição de um ponto (ou pontos) mais a noroeste, nordeste, sudoeste ou sueste de um dado território é a seguinte:

Determinem-se os pontos mais a norte (N), a sul (S), a este (E) e a oeste (O) desse território.
Considerem-se os dois paralelos e os dois meridianos que contêm estes pontos.
Da intersecção de cada paralelo com cada meridiano resultam dois pontos. Apenas nos interessa o ponto mais próximo do território em questão.
Obtemos assim quatro pontos, na intersecção próxima de cada meridiano com cada paralelo.
Pela posição relativa de cada um, serão designados de noroeste virtual (NO'), nordeste virtual (NE'), sudoeste virtual (SO') e sueste (SE') virtual.
O ponto do território que mais próximo estiver de cada um destes “pólos” virtuais, será o seu ponto mais a noroeste, a nordeste, a sudoeste ou a sueste, respectivamente.




adenda:

Nestas condições, em Portugal continental os pontos serão em três casos os quase óbvios e noutro, a nordeste, menos fácil de identificar, os seguintes:

NO – Ínsua do Forte da dita, em Caminha
NE – No sítio das Gândaras, a este das minas de Guadramil, em Bragança, cerca de 248 m a NNO do marco fronteiriço nº 413 (ver trecho da carta militar)
SO – Cabo de São Vicente, em Vila do Bispo
SE – Ponta de Santo António, em Vila Real de Santo António

02/10/2007

O ponto mais a noroeste

Qual será a definição do ponto (ou pontos) mais a noroeste de um dado território?
Eu tenho uma hipótese para tal definição.
A verdade é que depois de andar com esta ideia na cabeça há alguns séculos, lembrei-me hoje de verificar que referências haveria a um ponto tal.
Há inúmeras na rede. De todas as que consultei, a definição de um ponto mais a noroeste (northwesternmost point - já que estas coisas procuro-as sempre em inglês) parece ser algo de óbvio, como o ponto mais ocidental ou o ponto mais setentrional. Não é, de facto.
Há por aí alguém que tenha uma hipótese também?

P.S. Júlia, O Sporting ganhou!

01/10/2007

E.M. 508 de Tavira, 1988

Tymochenko é um homem

Para os burraldos que ouvi ontem, para todos eles sem excepção, Júlia* Tymochenko é um homem.


*Júlia, pois - à portuguesa.