
Em primeiro lugar, agradecer ao João Espinho a atribuição do galardão.
Nunca conheci o João, apesar de nos termos decerto cruzado em Beja algumas vezes.
O facto é que Beja, embora sendo a cidade capital do meu Baixo Alentejo foi sempre um destino algo longínquo e pouco frequentado por quem repartia como eu o tempo entre os arrabaldes de Lisboa e o extremo sul do Reino de Portugal, ali nas faldas das serranias onde se entrelê a fronteira com o Algarve de Aquém.
Não obstante, tenho dela uma imagem, imagens de tempos bem passados. Não me queixo de nada que por lá me tenha acontecido, apesar de nem sempre ser de festa o motivo da minha deslocação.
Recordo, porque passam exactamente trinta anos sobre o facto – mais dia menos dia, talvez até sejam trinta certos - uma noite daquelas com que Beja contempla os forasteiros não habituados ao barbeiro. Não é o meu caso, nunca foi, que alentejano que se preze sabe o que é um geadão a sério e uma calorina de derreter alcatrões antigos, quando as caricas nele se embutiam à porta das vendas e dos cafés.
Essa noite de vela, passada ao relento do Largo do Carmo, cigarros e samarras espantando a rijeza, contrariada também por umas voltas de carro, com o calor da máquina a ajudar ao desentorpecimento que culminou com um outro carro alheio que havia zumbido toda a noite, cima e baixo, espetado numa parede ali para os lados da estação.
Porque hoje em Beja há-de estar uma noite igual e porque o João me dá, lá na sua Praça, as novas da cidade que raramente vejo mas onde se entroncam memórias próprias, de familiares e de amigos, e belas imagens que ele faz ou que nos dá a conhecer de outras feituras, aqui vai com umas fotos alusivas, este discurso de agradecimento parar.

da Cidade para o termo em 1981

do termo para a Cidade em 2005







