15/12/2007

Pelourinho do Ano – categoria Nacional – grau Bronze



Em primeiro lugar, agradecer ao João Espinho a atribuição do galardão.
Nunca conheci o João, apesar de nos termos decerto cruzado em Beja algumas vezes.
O facto é que Beja, embora sendo a cidade capital do meu Baixo Alentejo foi sempre um destino algo longínquo e pouco frequentado por quem repartia como eu o tempo entre os arrabaldes de Lisboa e o extremo sul do Reino de Portugal, ali nas faldas das serranias onde se entrelê a fronteira com o Algarve de Aquém.
Não obstante, tenho dela uma imagem, imagens de tempos bem passados. Não me queixo de nada que por lá me tenha acontecido, apesar de nem sempre ser de festa o motivo da minha deslocação.
Recordo, porque passam exactamente trinta anos sobre o facto – mais dia menos dia, talvez até sejam trinta certos - uma noite daquelas com que Beja contempla os forasteiros não habituados ao barbeiro. Não é o meu caso, nunca foi, que alentejano que se preze sabe o que é um geadão a sério e uma calorina de derreter alcatrões antigos, quando as caricas nele se embutiam à porta das vendas e dos cafés.
Essa noite de vela, passada ao relento do Largo do Carmo, cigarros e samarras espantando a rijeza, contrariada também por umas voltas de carro, com o calor da máquina a ajudar ao desentorpecimento que culminou com um outro carro alheio que havia zumbido toda a noite, cima e baixo, espetado numa parede ali para os lados da estação.

Porque hoje em Beja há-de estar uma noite igual e porque o João me dá, lá na sua Praça, as novas da cidade que raramente vejo mas onde se entroncam memórias próprias, de familiares e de amigos, e belas imagens que ele faz ou que nos dá a conhecer de outras feituras, aqui vai com umas fotos alusivas, este discurso de agradecimento parar.


da Cidade para o termo em 1981


do termo para a Cidade em 2005

14/12/2007

Outra vez o macaco

Ao fim de infinitas vezes, acerta. Acaba por. É inevitável.
Importa repetir que é só ao fim de infinitas vezes.



Já aqui disse que pertenço ao grupo dos que consideram que a classe política é e deve talvez ser sempre de extracção mediana em termos intelectuais.
Não cabem nela grandes intelectos, figuras excepcionais. Só o medíocre e o médio.
O que não invalida que se lhe peça que tenha, por isso mesmo, uma prestação equivalente. De medíocre a médio, entre o 8 e o 13, em dias de festa.
A actual não descola do mau.
É de uma craveira intelectual baixíssima, com uma ou outra excepção que confirma a regra. Basta ouvi-los discorrer mais de um minuto para perceber do que são capazes. Ou do que não são capazes.
Ainda não li o Tratado. Nada do que lá esteja escrito abala esta argumentação.

O macaco acaba por acertar, mesmo sem disso se dar conta. No infinito.
Segundo a CNN


imagem da CNN

Tanta coisa para dar este nome a um tratado...
E.N. 11, 2006

12/12/2007

A E.N. 2 ali em Beja

A quase totalidade dos noticiários e informações de trânsito que não se referem às corriqueiras estradas engarrafadas são erradas.
Sâo erradas porque o número da dita estrada está sempre errado.
É um dos muitos exemplos da capacidade desta gente da informação.
Outros estarão atentos a outros disparates em outros campos, eu dou por eles neste.
Há pouco mandavam apanhar a E.N. 2 em Beja.
Bastava um mapa do ACP. Só isso.


trecho da Carta Militar de Portugal - Série 1501A, escala (original) 1/250 000

Eu avistei um marco não regulamentar da 2-8 perto de Évora. Mas foi em sonhos, um dia destes, com o levitador amarelo* nas mãos.


*ainda hei-de falar sobre isso.
Ora bem

Lá se deu o que me faltava lá para os lados da Ferradura.

11/12/2007

Bem me parecia

Que estávamos com deficit de sismos.
Na verdade, ontem estranhei o baixo número de ocorrências dos últimos dias (dizê-lo agora...).
Ainda falta qualquer coisa lá para o Gorringe e além.
Vacina

Não é que tenha muita relevância pois trata-se de mais um atropelo num mar de disparates quotidianos. E a mim mais incomodam os ilogismos e a incapacidade de raciocínio seguidos da ignorância atrevida.
No entanto, “vacina contra o colo do útero” parece ser mesmo uma metáfora de uma civilização suicidária.
Há pouco, na SIC N.

08/12/2007

Um dia de datas

Dia de maus presságios difíceis de acertar. Porém, certeiros. E de más notícias difíceis de aceitar. Como nos filmes.
Um dia de ruins efemérides.
A coreografia infantil

Tropecei no genérico do Festival Eurovisão da Canção Júnior 2007.
E vi uns miúdos de capuz na cabeça a ensaiarem uma coreografia qualquer.
Fiquei absorto a observar as imagens.
Relembraram-me, de uma forma estranhamente muito acentuada, a minha aversão infantil a carneiradas, a circo e a folclore.
Avesso a todos os tipos de ordem unida, escrita, dançada, ginasticada ou cantada sempre fui.
Incapaz de admirar coreografias de qualquer sorte, grupais ou singulares.
Apenas apostado em integrar equipas da bola, sempre sem disciplina, sempre de extremos.
À avançada ou à baliza.
Um lobo solitário no meio de uma extensa alcateia.
Conversa entre linhas

07/12/2007

A Europa e a África

Estou com os que consideram que o grande paradoxo nas declarações europeias sobre a África é que qualquer intervenção é paternalista e todos os discursos anexos de igualdade são incompatíveis com a ideia inicial.
A incompatibilidade de argumentos em política é, porém, vulgaríssima.

06/12/2007

Os postos da PVT*

Por causa deste post do João Espinho, lembrei-me de ir ver aqui aos arquivos de fotos deles. Aí estão três.

Foram semeados na fase final do Estado Novo nas principais encruzilhadas ou "portos secos" dos itinerários da época.
Eram e são umas construções curiosas, agradáveis à minha vista, mas pouco "habitáveis".
Esse facto fez com que a sua utilização fosse efémera, estando em grande parte abandonados por esse país fora.
Mesmo a sua adaptação a outros usos parece impraticável, como decorre de dois destes exemplos, se não se alterarem aspectos de conforto térmico.


Lisboa, Portas de Benfica, E.N. 6** / E.N. 249, 2006


Torres Vedras, E.N. 8 / E.N. 9, 2006


Sacavém, E.N. 10, 2007


*Polícia de Viação e Trânsito, antecessora da Brigada de Trânsito da Guarda Nacional Republicana.
**A parte inicial da E.N.6 correspondia, no plano de 45, à circular exterior de Lisboa, vulgo Estrada Militar, de Moscavide a Algés.
O Carmo e a Trindade

O homem dizia que não. Que sendo em Salónica, cairia a Torre Branca.
Se fosse no Porto, então sim, é que era o Carmo e a Trindade.
Há pouco, na SIC.

É claro que há uma Igreja do Carmo e uma Igreja da Trindade no Porto. E haverá até por lá outros locais com esse nome associado.
E é também claro que os aforismos se perdem a maior parte das vezes na neblina ancestral.
E é ainda mais claro que certezas nisto...
Mas nunca me passou pela cabeça que “o Carmo e a Trindade” se referissem ao Porto.
Pode, no entanto, ser que me engane.
A certificação do blogue

Já que o post que tinha engendrado para dar entrada ao processo de certificação deste blogue fica eternamente prejudicado por este outro oportuníssimo do amigo Bic Laranja, resta-me distribuir os tó-colantes...

05/12/2007

O gang do Multibanco

Ouvi há pouco na RTPN e li depois aqui que o gang do Multibanco estava a começar a ser julgado.
E eu que pensava que o já tinha sido há muito. E condenados os seus membros.
Por vários crimes, incluindo o do homicídio e ocultação do cadáver da infeliz rapariga a quem o povão insistia como sempre em ver, depois de morta, em estações de serviço, restaurantes, passeando em Espanha, etc.
Afinal não.
Este é outro. É um, de vários, de tipos que se dedicavam a arrancar caixas multibanco das paredes e do chão, ao que parece. E que mataram também um homem.

Ora, sendo que a expressão “gang do Multibanco” ficou tristemente associada à matilha que operava a partir da outra banda (margem sul do Tejo, para quem não sabe), parece-me impróprio que se designe do mesmo modo esta outra cáfila.

Um caso idêntico e mais evidente ocorreu com a designação Guerra do Golfo.
De 1980 a 1988, todos os telejornais da RTP (não havia outra), todos os jornais se referiam assim ao conflito entre o Irão e o Iraque. Ainda que por vezes usassem a expressão atrás.
Em 1991, referiam-se à guerra de então como a invasão do Koweit (em 90), depois a invasão do Iraque e operação Tempestade do Deserto.
Já em 2003, se referiam à 2ª Guerra do Golfo. Sendo que a 1ª não era de 80-88 mas a de 91.
Mentalidades!

Um destes dias, talvez apanhem o Zé do Telhado!

P.S. - Ou julguem o Cagote!

04/12/2007

03/12/2007

A estrada



Decorridos quatro anos sobre a minha sugestão, os painéis de sinalização vão começar a passar mensagens alusivas aos mortos e estropiados da estrada.
Não vai servir de nada, como sabemos.
A boçalidade não tem cura nem mitigação.