21/12/2007

Cabo Espichel, 1990

O grande problema

Eu sei que me repito.
Mas quando ouço também repetidamente debater o sistema judicial português e quando ouço o que se diz nesses debates (agora mesmo é na RTP N), mais me apetece outra vez repetir que o grande problema desse sistema é a falta de inteligência, como se pode ver todos os dias ou quase todos, vá lá.
E é, por isso, irremediável. Fazer o quê?

Claro que há por lá as excepções. Que de nada servem.

17/12/2007

As músicas do castelo de Sines

Nesse final da gloriosa década de sessenta e nos alvores da seguinte, a minha escassa apetência para o mundo da música era espicaçada pelo mundo sonoro do meu primo J..
Dava-me prelecções sobre solos de bateria entrecortadas pelo relato de aventuras amorosas com as mais cobiçadas fêmeas a banhos.
Devo-lhe grande parte da minha iniciação musical e pouca da minha iniciação d’homme à femmes. Apesar dos exemplos franceses que também me dava. E da belíssima prima dele, meu primo.
Mas como era, e ainda é, um aventureiro e um narrador de primeira água, sentava-me na areia a ouvi-lo. Ao fim e ao cabo, a prima dele estava por perto, a tiro.
Um certo dia relatou os sucessos de uma fuga à Guarda, noitalta, que o levou a ele e a outros a não terem tempo nem pouso para cozinhar a galinha roubada que estava na base do caso.
Foi com base num pormenor da narração, que fiquei a saber que em certa dependência do Castelo estavam acantonados uns amigos dele com a parafernália própria dos conjuntos musicais.
Uns dias após, lá me levou.
Ainda hoje ouço o som do solo de bateria que afinal ninguém tocou.


Castelo de Sines, 1995

15/12/2007

Pelourinho do Ano – categoria Nacional – grau Bronze



Em primeiro lugar, agradecer ao João Espinho a atribuição do galardão.
Nunca conheci o João, apesar de nos termos decerto cruzado em Beja algumas vezes.
O facto é que Beja, embora sendo a cidade capital do meu Baixo Alentejo foi sempre um destino algo longínquo e pouco frequentado por quem repartia como eu o tempo entre os arrabaldes de Lisboa e o extremo sul do Reino de Portugal, ali nas faldas das serranias onde se entrelê a fronteira com o Algarve de Aquém.
Não obstante, tenho dela uma imagem, imagens de tempos bem passados. Não me queixo de nada que por lá me tenha acontecido, apesar de nem sempre ser de festa o motivo da minha deslocação.
Recordo, porque passam exactamente trinta anos sobre o facto – mais dia menos dia, talvez até sejam trinta certos - uma noite daquelas com que Beja contempla os forasteiros não habituados ao barbeiro. Não é o meu caso, nunca foi, que alentejano que se preze sabe o que é um geadão a sério e uma calorina de derreter alcatrões antigos, quando as caricas nele se embutiam à porta das vendas e dos cafés.
Essa noite de vela, passada ao relento do Largo do Carmo, cigarros e samarras espantando a rijeza, contrariada também por umas voltas de carro, com o calor da máquina a ajudar ao desentorpecimento que culminou com um outro carro alheio que havia zumbido toda a noite, cima e baixo, espetado numa parede ali para os lados da estação.

Porque hoje em Beja há-de estar uma noite igual e porque o João me dá, lá na sua Praça, as novas da cidade que raramente vejo mas onde se entroncam memórias próprias, de familiares e de amigos, e belas imagens que ele faz ou que nos dá a conhecer de outras feituras, aqui vai com umas fotos alusivas, este discurso de agradecimento parar.


da Cidade para o termo em 1981


do termo para a Cidade em 2005

14/12/2007

Outra vez o macaco

Ao fim de infinitas vezes, acerta. Acaba por. É inevitável.
Importa repetir que é só ao fim de infinitas vezes.



Já aqui disse que pertenço ao grupo dos que consideram que a classe política é e deve talvez ser sempre de extracção mediana em termos intelectuais.
Não cabem nela grandes intelectos, figuras excepcionais. Só o medíocre e o médio.
O que não invalida que se lhe peça que tenha, por isso mesmo, uma prestação equivalente. De medíocre a médio, entre o 8 e o 13, em dias de festa.
A actual não descola do mau.
É de uma craveira intelectual baixíssima, com uma ou outra excepção que confirma a regra. Basta ouvi-los discorrer mais de um minuto para perceber do que são capazes. Ou do que não são capazes.
Ainda não li o Tratado. Nada do que lá esteja escrito abala esta argumentação.

O macaco acaba por acertar, mesmo sem disso se dar conta. No infinito.
Segundo a CNN


imagem da CNN

Tanta coisa para dar este nome a um tratado...
E.N. 11, 2006

12/12/2007

A E.N. 2 ali em Beja

A quase totalidade dos noticiários e informações de trânsito que não se referem às corriqueiras estradas engarrafadas são erradas.
Sâo erradas porque o número da dita estrada está sempre errado.
É um dos muitos exemplos da capacidade desta gente da informação.
Outros estarão atentos a outros disparates em outros campos, eu dou por eles neste.
Há pouco mandavam apanhar a E.N. 2 em Beja.
Bastava um mapa do ACP. Só isso.


trecho da Carta Militar de Portugal - Série 1501A, escala (original) 1/250 000

Eu avistei um marco não regulamentar da 2-8 perto de Évora. Mas foi em sonhos, um dia destes, com o levitador amarelo* nas mãos.


*ainda hei-de falar sobre isso.
Ora bem

Lá se deu o que me faltava lá para os lados da Ferradura.

11/12/2007

Bem me parecia

Que estávamos com deficit de sismos.
Na verdade, ontem estranhei o baixo número de ocorrências dos últimos dias (dizê-lo agora...).
Ainda falta qualquer coisa lá para o Gorringe e além.
Vacina

Não é que tenha muita relevância pois trata-se de mais um atropelo num mar de disparates quotidianos. E a mim mais incomodam os ilogismos e a incapacidade de raciocínio seguidos da ignorância atrevida.
No entanto, “vacina contra o colo do útero” parece ser mesmo uma metáfora de uma civilização suicidária.
Há pouco, na SIC N.

08/12/2007

Um dia de datas

Dia de maus presságios difíceis de acertar. Porém, certeiros. E de más notícias difíceis de aceitar. Como nos filmes.
Um dia de ruins efemérides.
A coreografia infantil

Tropecei no genérico do Festival Eurovisão da Canção Júnior 2007.
E vi uns miúdos de capuz na cabeça a ensaiarem uma coreografia qualquer.
Fiquei absorto a observar as imagens.
Relembraram-me, de uma forma estranhamente muito acentuada, a minha aversão infantil a carneiradas, a circo e a folclore.
Avesso a todos os tipos de ordem unida, escrita, dançada, ginasticada ou cantada sempre fui.
Incapaz de admirar coreografias de qualquer sorte, grupais ou singulares.
Apenas apostado em integrar equipas da bola, sempre sem disciplina, sempre de extremos.
À avançada ou à baliza.
Um lobo solitário no meio de uma extensa alcateia.
Conversa entre linhas

07/12/2007

A Europa e a África

Estou com os que consideram que o grande paradoxo nas declarações europeias sobre a África é que qualquer intervenção é paternalista e todos os discursos anexos de igualdade são incompatíveis com a ideia inicial.
A incompatibilidade de argumentos em política é, porém, vulgaríssima.