15/05/2008

Se

Este blogue deixar de ser actualizado nos próximos dias ou semanas, há uma altíssima probabilidade de tal se dever à falha da máquina, que vem apresentando significativos sinais de cansaço e de inadequação às modernas exigências dos sistemas e da rede.
O homem, por seu turno, apresenta igualmente significativos sinais de enfado face ao exposto.
Cabeças

Pergunto-me o que terão na cabeça as pessoas que entoam cerimoniosamente a expressão “planeamento fiscal agressivo”.

14/05/2008

As apostas

Antes do jogo começar – a final da taça UEFA – disse o que previa para o jogo. Trivial acerto.
Agora digo aqui – não aposto que não tenho como – que Mourinho quando voltar ao activo ainda contrata um dos moços que esteve nesta final.
Última hora

A SIC N passou, ininterruptamente, no noticiário das 5, o seguinte rodapé de última hora:
Fumo a bordo: Primeiro-Ministro admite que errou e diz que decidiu deixar de fumar."

Nada disto é extraordinário. Antes, bifurca-se em dois bons exemplos – daqueles quase académicos – de duas coisas, de duas qualidades:
Independentemente de ser verdade ou não, é exemplar da qualidade do jornalismo actual.
A ser verdade, e a ter alguma sustentação a sugestão implícita de causa-efeito, é exemplar da qualidade de fundamento das decisões do Primeiro-Ministro.
Nada a que não estejamos já habituados. Mas é triste.

12/05/2008

A supremacia do Futebol Clube do Porto

Há algumas considerações objectivas que se podem fazer a propósito da diferença de pontos entre o campeão e o segundo classificado neste campeonato ora terminado.
Pegando no historial da prova, que foi disputada a duas voltas desde 1934-35 por um número par de clubes compreendido entre 8 e 20, pode estabelecer-se uma razão entre os pontos obtidos pelo campeão e o total de pontos possíveis; entre os pontos obtidos pelo segundo classificado e o mesmo total.
Como até 1994/95, eram atribuídos dois pontos por cada vitória e daí para cá, passaram a ser três, é necessário comparar, de igual para igual, as percentagens obtidas este ano com todas as outras desde essa época e usar uma transformada da percentagem obtida este ano, consideradas as vitórias como dois pontos apenas, para comparar com todas as percentagens anteriores àquela época.
Feito isso, verifica-se que o campeão nacional em 36,5% das vezes obteve percentagem igual ou superior à do FCP este ano. Mais do que um em cada três campeonatos. Nada de especial, portanto.
Quanto ao segundo classificado, apenas uma vez desde 1934-35 obteve tão poucos pontos em função do total possível, como esta época. Foi há três épocas quando o Porto acabou em segundo lugar com 60,8% dos pontos possíveis, atrás do Benfica.
Conclui-se daqui que a supremacia revelada deve-se mais à quebra dos antagonistas do que à superioridade daqueles.
Quanto à diferença de percentagens entre o primeiro e o segundo, apenas por duas vezes foi maior do que este ano. Em 1950-51 e 1972-73.


Webliografia: Jorge Miguel Teixeira; http://desportoluso.no.sapo.pt/Camphist.html
Barra do rio Tejo, 2008

11/05/2008

À Benfica

Desde há mais de trinta anos que o meu directo opositor encarnado é o meu velho amigo J.d’.
Com toda a sorte de disputas que isso originou, sanadas logo ao virar da esquina.
Como o tempo passa.
Esta tarde, enquanto nos detínhamos a observar o movimento nas margens do Tejo, convidei-o para ir à Luz ver o último jogo do Rui Costa. Não quis ir. Diz que não dá dinheiro para peditórios que tais.
Um caso sério


imagem da RTP

Esta mulher é um caso sério. Um caso muito sério.
Assim de repente, sem consultar cartapácios ou googlar palmarés, ocorre-me que se trata do atleta português mais categorizado de sempre.
Para além dos feitos, é agradável ouvi-la. Daquelas pessoas que atrai pela simplicidade, por uma qualquer volta na ponta.

10/05/2008

O dia das efemérides

Talvez que o dia 10 de Maio seja o dia em que mais coisas relevantes na minha vida coincidem em comemorar-se. Mesmo sem se tratar de aniversários de pessoas, à excepção de...
Há de facto um esmagamento por recordações as mais diversas. Boas e más.
Porém, parece que todas elas se dissolvem como pérolas em vinho.
Hoje, ocorre-me uma face risonha e bonita debruçada de uma coincidência.
De um comboio que passou, se deteve e o qual não apanhei a não ser anos depois.
É o que me ocorre.
O eixo da Terra

Num zapping, cacei um especialista que, usando o dedo, dizia que, descontada a Lua (se ela não existisse), a conjugação precessão/nutação sofreria significativas alterações e teríamos numa escala de dezenas de milhar de anos o eixo da Terra apontado ao Sol, o que provocaria o derretimento dos gelos polares e a acumulação de outros gelos na zona equatorial.
Ora digo eu – com o mesmo simplismo com que ouvi tal e descontando a crítica da primeira conclusão, para a qual ninguém pode dar cabal suprimento – que, se o eixo da Terra apontasse ao Sol, digamos que com o pólo norte da Terra apontado ao Hélio e usando a nomenclatura habitual, verificava-se sim que o hemisfério sul ficaria permanentemente nas trevas e que a acumulação de gelo se daria no pólo sul e de forma menos acentuada em todo o hemisfério meridional, enquanto todo o hemisfério norte seria diurno e com pico de incidência dos raios solares no pólo. É o que decorre desta suposição. Não percebo como é que haveria acumulação de gelos no equador e derretimento no pólo sul.
Há qualquer coisa que me escapa no saber de alguns especialistas.
Mas também pode ter sido um lapso. Um pequeno colapso, como diria um amigo meu.
Canha, 2007



Já este ano, um dos fotógrafos do Expresso apanhou um ângulo quase igual a este.

08/05/2008

Os cromos da bola

Diz que os homens chegam a uma idade em que compram um descapotável e só querem moças novas.
Tenho um amigo que roga a todos os santos que lhe avisem quando estiver a ser ridículo.
Tenho um outro que comprou uma moto e trocou de mulher – o único que eu me lembre que substituiu a cara-metade.
Isto sem se saber muito bem o que é ser ridículo, é coisa que se deslinda bem no caso das moças novas. São elas que se riem dos velhos que as perseguem.
Eu, sem querer ser imune à ridicularia e sem querer ser melhor do que os demais, virei-me para os cromos da bola.
Num lance, vítima da argúcia comercial do meu habitual fornecedor de totolotos, vi-me de caderneta na mão a procurar por carteirinhas de cromos. Há quase quarenta anos que não o fazia. Fui ver e ainda o Eusébio jogava no Benfica com o Zé Augusto, o Coluna, o Jaime Graça, o Torres e o Simões.
A questão essencial que se me colocou foi esta: como é que estes gajos sabem quais são os eleitos do Sr. Scolari? Será por serem eles mesmos italianos?
Depois, lembrei-me que já antigamente os cromos não correspondiam às selecções. Eram só os cromos, os cromos da bola.
Ainda assim, à cautela, ouvi hoje o Sr. Scolari na RTP. Quatro dos cromos foram confirmados. Não fui assim tão enganado pelo meu fornecedor de jornais e revistas.
Logo eu, que nem ligo muito à bola.


Caderneta de cromos da Panini, alusiva ao Euro2008 (clicar para aumentar).

05/05/2008

As doze badaladas do relógio

Há algum tempo percebi que os objectos têm o seu lugar.
E que isso não é objectivo, é antes subjectivo.
Este relógio, cujas badaladas podereis ouvir aqui (clicando em baixo), esteve sempre ligado a uma parede de quatro que faziam a sua caixa de ressonância.
Objectivamente, milhões de outros relógios em milhões de outras paredes parecerão a elas pertencer.
Subjectivamente, hoje foi a primeira vez que o ouvi tiquetaquear, badalar em outro poiso.
Antes não o tivesse feito.