04/12/2008

Os naipes orquestrados



Trinta anos.
Trinta anos desde a leitura da frase ilustrada acima.
Quantos deles esquecido do contexto próximo que a enleava.
Suponho que quem leu o mesmo livro, não pode deixar de saber que baralho ilustrei eu.
A culpa dos homens

A culpa talvez não possa não ser senão dos homens.
Porque são eles e só eles que sabem o que é a culpa.
Há quem defenda que outros animais – os cães são os mais nomeados, parece-me – também a conhecem.
Como ainda não conseguimos trocar ideias e conceitos com eles ou com qualquer outra espécie de ser vivo, animal ou vegetal, ficamos sós e a sós com ela.
Estão os clássicos e os menos clássicos cheios de alusões à culpa. Ou estarão, que a minha ignorância enciclopédica não me permite ser assertivo. Ainda assim, atrevo-me a colocar mais uma interrogação sobre o assunto: se a culpa é sempre, só e irrevogavelmente, dos homens por que raio se anda a perder tanto tempo com essa questão quando se fala das ditas mudanças climáticas?
Há, afinal, alguma culpa que não seja dos homens?

03/12/2008

Check-in ou coisa que eu ainda não tinha visto embora não deva ser singular

A farmácia estava prestes a fechar - mirei primeiro o ponteiro dos minutos antes de empurrar a porta - e dei com ela cheia de bagagens que três mulheres tentavam manipular.
Inquiriram-me do balcão sobre as minhas necessidades ao que repliquei estarem as senhoras à minha frente.
Percebi pelo sorriso que afinal estavam ali apenas para pesar a bagagem - uma das malas deu duas arrobas bem pesadas.

30/11/2008

Os simples

A fácies da boçalidade para as câmaras de televisão.
Pondo absurda e desnecessariamente em risco a vida dos outros.
Não será possível educar, instruir os simples?

Afinal, foi apenas um nevão.
Um destes dias morre gente. Por inaptidão pura e simples. É afinal a selecção natural. Darwiniana.
Porto, 2008

27/11/2008

Esforço, Dedicação, Devoção e Glória!



Quando não há nenhuma glória e eventualmente pouco dos outros três.
Sempre Sporting!

26/11/2008

C.M. 1098 de Torres Vedras, 2005

Ainda me lembro das olimpíadas de Lake Placid

Designei o teu sorriso
Como sinal de bonança em invernias.
Dessas invernias que a lareira cimentava
E em que me apetecia recitar
Entre dois copos de bagaço
E em que me apetecia cantar
E descansar, no teu regaço!
Designei a tua voz como silêncio solene
Quebrado num templo escolhido.
E ouvia-te embalar-me como se ouve
A chuva cantarolar nas vidraças.
E o Inverno ria-se de nós,
Deixando-nos por ali a sós
No seu e nosso conchego.
A maravilha não é um dom de fadas
E de histórias infantis,
É um preceito do amor,
Que embora escondido,
Às vezes nos faz feliz!


1985

SG, "Dizeres do Sul", 1993


Desencantei um SG piegas para esta noite de frieza. Talvez ele não me perdoe. Até pela relativa incorrecção do título.

25/11/2008

Confusões

Não me dei conta de que alguém tivesse posto em causa, beliscasse sequer, a honestidade do Presidente da República.
Já o mesmo não posso dizer que não tivesse acontecido ao seu critério. Critério de escolha.
Chuva e frio

Pode a coisa avaliar-se através dos dados do IM, que infelizmente não estão à disposição do público sem pagamento como estão os do INAG, de que me socorro amiúde.
Mas sem avaliação que não seja a falível que me vem dos sentidos e da memória, direi que é a segunda vez em tempos recentes que vejo, que sinto a concomitância da chuva e do frio tal como a sentia há muitos, muitos anos.
Atrevo-me a dizer, com a mesma subjectividade e falibilidade que têm a memória e os sentidos, que durante décadas, aqui nestes arrabaldes de Lisboa, uma e outro não formaram par.

24/11/2008

Abracadabra

Captando o programa* da RTP “Cuidado com a Língua!”, ouço que a palavra ABRACADABRA era exibida em amuletos, da forma que segue em ilustração, para que pudesse ser lida em todos os sentidos.



Uma asneirola, em todos os sentidos!
Coisa ruim para quem pretende dar lições aos outros.


corrigenda: não é "em todos os sentidos", mas "em vários sentidos".

* por enquanto ainda só está disponível o programa da semana passada. Já lá está o programa de hoje. A parte mencionada começa a 1:18.
Azenhas do Mar, 2008

23/11/2008

O Google e a lista telefónica


imagem daqui

Li o interessante artigo de Nicholas Carr na revista “The Atlantic” de Julho / Agosto deste ano – “Is Google Making Us Stupid?”.
Há ali pano para mangas e tiros certeiros na identificação de algumas “patologias” mentais induzidas pelos tempos.
Mas o Google, embora para eles trabalhe, ainda está longe de responder a quem pega numa lista telefónica, a agarra e lhe diz, baixinho: “quero ver o número de telefone de Fulano de Tal”.