13/03/2010

PSD



Em tempos, os congressos do PSD eram o equivalente nacional à noite dos Óscares.
Santana Lopes, uma das estrelas (ou a estrela) com lugar cativo na passadeira vermelha, matou a coisa. Ao decidir-se por chegar ao topo a partir das bases.
O que de facto nem chegou a acontecer. Chegou lá por desistência. E perdeu depois as directas que disputou. Toda uma ironia.

Não sou, nunca fui militante do PSD. Nem de qualquer outro partido.
O facto de o presidente do PSD poder vir a ser primeiro-ministro é suficiente para que me detenha na observação deste e daquele.
Já aqui escrevi sobre Passos Coelho e sobre Rangel, numa altura em que o segundo estava longe de ser considerado candidato ao lugar.
Sobre o primeiro, tenho verificado que nos últimos tempos é geralmente considerado o mais bem preparado intelectualmente dos quatro candidatos anunciados, mas...
E este mas mais os ataques de que tem sido alvo, de todos os lados, parecem denunciar um receio qualquer que não é explícito nem o pode ser.
Sobre o segundo, Rangel, registo as contradições em que caiu embora o considere um tipo capaz.
Se o parlamento tivesse, distribuídos pelos diferentes partidos, 230 deputados com a bagagem de qualquer um destes dois homens, muito melhor estaríamos na certa.
Tenho de Aguiar Branco uma ideia mais parda.
E de Castanheira de Barros, nada posso dizer.

Quem mais haverá alinhado à partida?
Não conto ir a Mafra este fim de semana.

11/03/2010

La main de Vata


imagem do site do SLB

Não fosse a mão de Vata e eu teria perdido uma aposta que de resto estava a ser instado a mudar face à transmissão televisiva a que assistíamos bem perto do Estádio do Luz.
O urro que então se ouviu antecipou, se a memória não me trai nesse particular, o alçar da mão aos nossos olhos.
Uma aposta que fizera com o mesmo companheiro de andanças, uns bons meses antes, à hora de almoço enquanto víamos na televisão do restaurante as imagens do tremor de terra em São Francisco. Era o dia 19 de Outubro de 1989 e eu apostei, não sei por que ideia luminosa, que o Benfica iria à final da Taça dos Campeões e perderia.
A mão de Vata pôs a bola na baliza quase 6 meses depois, a 18 de Abril!
O Benfica foi à final e perdeu.
Hoje faz uns jogos (um jogo?) que isso foi.
Já lá vão 35 anos

Sobre uma história muito mal contada.


Primeiras páginas em Jorge Feio; Fernanda Leitão; Carlos Pina, “11 de Março: autópsia de um golpe”, APR, Lisboa, 1975
Cofragens

Gostava eu de saber qual é a evolução da taxa de acidentes com colapso na betonagem de pontes e viadutos desde que se começou a usar betão armado (ou simples) em Portugal.

Independentemente de ter sido isso ou não o que se verificou ontem na A4. Dizem que sim mas as imagens que vi estão longe de ser esclarecedoras.


espólio Campos Vilhena, foto de MSS, 1956

10/03/2010

A Santa Oposição

Estando o país como está, a Santa Oposição em vez de atacar onde é importante e ajudar onde é necessário, anda a alinhar gente para ser ouvida nos Estaus, digo em São Bento.
A propósito de nada e de coisa nenhuma.
Toyota USA

A série de incidentes com Toyotas que nos Estados Unidos tem sido relatada é, para além das causas, uma pouco inocente campanha e um repositório de imbecilidades tal que nos faz sentir ilusória e relativamente mais seguros na estradas portuguesas.

09/03/2010

Hoje sou portista



Nunca percebi qual era a preferência clubística do meu Pai.
A única coisa relacionada com futebol que me comunicou e ficou entranhada foi uma história passada num jogo do Futebol Clube do Porto.
Mas o moral da história estava longe de ser alinhado com uma preferência por este clube.
Mesmo assim, admito que a cidade e o ambiente o possam em qualquer altura ter influenciado nesse sentido. Mas não sei. Não soube, não saberei.
Admitindo que, por essa via, tenha adquirido um pouco de sangue azul e branco, as minhas próprias experiências não me encaminharam para a simpatia para com o Futebol Clube do Porto.
Mas nunca deixei de torcer pelo Porto nas competições europeias.
Fui dos que comemorei em Lisboa a vitória de 87.
Em 2003 e 2004 já não tinha vida para isso e ainda assim passei pelas ruas de Lisboa.
Previa a eliminação do Porto esta noite. Disse-o há dias.
Mas, mesmo recordando o passado recente em casa do Arsenal (4-0 na época passada) – coisa que parece que escapa à maioria dos comentadores – não esperava um balanço tão mau.
Hoje sou portista. E fico chateado com a derrota.

08/03/2010

Paternidade

Ouvi agora mesmo no tempo de antena do MDM, a propósito do Dia Internacional da Mulher, um apelo ao respeito pelos direitos laborais correlatos com a maternidade e com... a paternidade!!!
Ele havia coisas que eu supunha impossíveis.
Pecuum

Não vou acrescentar uma palavra às referências biblícas ao pastor e às ovelhas.
Apenas noto que os maus pastores castigam as ovelhas.
Efeitos especiais

Há um erro de construção lógica quando se quer mostrar as capacidades de uma televisão a cores através de uma televisão a preto e branco,
Há um erro de construção lógica quando se quer mostrar as capacidades de uma televisão de alta definição através de uma televisão de baixa definição (sendo que alto, baixo ou normal aqui são conceitos voláteis).
Há um erro de construção lógica quando se quer dar a ilusão das três dimensões sem que o receptor possua o equipamento necessário (que pode ser um vulgar par de óculos).
Em todas estas situações há erros lógicos elementares. E, todavia, que corriqueiras elas são.

07/03/2010

Legalidades jornalísticas

A propósito do acidente de aviação que vitimou duas figuras bem conhecidas da sociedade portuguesa, ouviu-se hoje repetidamente dizer que a pista era “ilegal”.
Estou longe de estar inteirado dos requisitos que são necessários para que uma recta alcatroada ou não, possa receber com regularidade aeronaves que careçam de pista.
Mas sei que se me apetecer nivelar e alcatroar uma recta com umas centenas de metros lá no monte, não haverá quem me detenha.
Tudo isto, no entanto, é absolutamente irrelevante quando um avião se despenha por causas que em nada se relacionam com o local de onde levantou ou onde irá aterrar, a acreditar nas notícias.
Ou não será?
Porque ele há ruas com dias e coisas que batem certo

mapa
07MAR

No fundo, é a serra de Sintra que bate certo com a data.
Alterações climáticas

Devem ser as alterações climáticas – diz que o lince se poderá reproduzir também em Grândula.
Que grândulas alterações...


Biosfera, RTPN, 7 de Março de 2010

05/03/2010

Das divisões do Mundo (episódio n+7)

O Mundo também se divide entre os que fazem equivaler a palavra jovem à palavra criminoso, desde que o ente em questão tenha menos de vinte e não-sei-quantos anos, e os outros.
Tragédia


Rio Tua em Mirandela, 2001

O caso de Mirandela é demasiado trágico para que se possa aproveitá-lo para isto ou para aquilo.
O que não se pode, antes ou depois dele, é escamotear o clima de desrespeito, de indisciplina, de ausência de temor das consequências, nas escolas. E fora delas.
E é também demasiado trágico para que os papagaios do costume, de microfone em riste, insistam em perguntar às pessoas se se trata deste fenómeno novo chamado bullying.
Triste gente esta, nascida ontem, para a qual o mundo todos os dias traz novidades. E em inglês.
Resumindo, casos destes sempre os houve, mais ou menos graves. Nunca foi necessário ir buscar palavras inglesas para os denominar. Havia os calduços, as amostras, as cuspidelas, por aí fora.
O que é destes tempos, nem sequer sendo coisa recente mas apenas continuada, é a sua conjugação com a falta de respeito que a escola permite e até quase se pode dizer incentiva, o que origina que atinjam proporções diferentes. E a notícia que deles se tem.
Já Marçal Grilo, que foi ministro da Educação, citava no título de um livro, uma professora: “Difícil é sentá-los”.

04/03/2010

Memória

Na noite de hoje completam-se nove anos após a tragédia de Entre-os-Rios.
Cinquenta e nove pessoas faleceram nas águas do Douro no pior acidente rodoviário da história do país.
Na altura falou-se da dinamitação da ponte em 1919 durante o conflito militar que opôs realistas a republicanos.
Mas não me recordo de ter visto imagem alguma deste episódio publicada nos jornais de há nove anos.
Aqui estão duas, captadas pelo Sr. Vitorino Melo:


fotografias de Vitorino Melo, in Ilustração Portuguesa, II série, nº 682, de 17 de Março de 1919 (clicar para ampliar)

03/03/2010

Cabora Bassa

Estou um bocado curioso com os desenvolvimentos que possam responder à questão aqui formulada há três anos e tal - qual terá sido a vantagem para Portugal de vender a participação em Cabora Bassa?
Atropelamento

Começou hoje o julgamento da condutora que matou duas pessoas no Terreiro do Paço há mais de dois anos.
Desta vez já se conhece a identidade da senhora.
Coisa que bizarramente não se sabia há tempos e a que aqui fiz alusão.
Seja qual fôr o desfecho deste caso, sabe-se já que nada na lei impede a senhora de continuar a conduzir.
A menos que uma junta médica a dê como incapaz, calculo.
Isto aplica-se a esta senhora como se aplica a qualquer um que mate e estropie na estrada, ficando provando que tal aconteceu por sua única responsabilidade.
Não estou a dizer que é aqui o caso. O julgamento ainda não terminou. Só que é tão bizarro que os nomes das mortas sejam divulgados e não o nome de quem as matou, como permitir que alguma pessoa responsável por coisa semelhante continue a andar na estrada atrás de um volante.

02/03/2010

Conteúdo

Algumas considerações sobre os temas da actualidade:
A haver um canal de televisão que justificasse censura, seria decerto a ARtv.
O país ficaria impedido de aferir a qualidade modal dos seus representantes no Parlamento.
A notícia da provável criação de uma comissão de inquérito à forma como decorreu o processo de intenção de compra da TVI pela PT ou lá o que é que ela irá inquirir é uma acha mais para a fogueira da justificação da dita censura.
Digo isto porque tenho sido cliente do som de tal canal de tv. E o que ouço substancia a péssima ideia que tenho da qualidade intelectual dos sentantes do hemiciclo. Com raras e muito honrosas excepções, naturalmente.
Noto que, recentemente, nas audições da Comissão de Ética, se refere amiúde a necessidade de (ob)ter conteúdos.
De facto, a necessidade de ter conteúdos, conteúdo – basta-me o singular – deveria ser universal e óbvia. Pelos vistos, não o é.
Almejarei talvez estupidamente o melhor dos mundos. Julgo apenas que almejo um mundo político com menor número de incapazes. Só isso.
A sanha da oposição em atacar Sócrates com assuntos menores e sem ponta por onde se lhe pegue é o espelho da sua capacidade.
E a amostra da alternativa existente.
Pobre país, como dizia Pacheco Pereira.