ZoogmatismoUm dos meus velhos amigos referia a palavra
zoogmatismo para designar a influência que um animal pudesse ter sobre outro por via do olhar.
Dizia ele que era fácil para um homem
zoogmatizar uma galinha. Tal como algumas serpentes
zoogmatizavam as suas presas antes da captura.
Ouve-se dizer já que é preciso agora mexer na lei da paternidade.
Até à data, dada a natureza das coisas, apenas um e um só homem podia ser pai e uma e uma só mulher podia ser mãe de uma criança.
Claro que em alguns casos, nem o pai era o pai nem a mãe era a mãe de facto. Mas a verosimilhança fazia com que assim fosse, a cada pessoa um só pai e uma só mãe.
Enquanto a Natureza continua a insistir em que o ser humano (e mais uns quantos seres) apenas possa advir da conjunção de um macho e de uma fêmea, ainda que, desde o século XX, possam nunca se ter cruzado, há já quem ache que, já que os pais (o pai, um só) afinal não são os pais e as mães (mãe, como é sabido, há só uma) não são as mães de facto – chamam a essas e esses as e os biológicos – não faz mal nenhum que uma pessoa tenha dois (por que não sete?) pais e duas (ainda que haja só uma) mães? Ou mesmo três mães e dois pais, numa generosa
full-hand de cinco dedos (ou serão cem?), why not?
Retomo aqui, a propósito e inspirado no
mui censurado Prof. Paulo Otero, o
zoogmatismo do meu amigo.
Se
zoogmatizar pode ser sinónimo de olhar, por que não ir também “modernamente” mais longe e adoptar essa palavra para designar o animal que olha, que vela por?
Por uma criança.
É ou não verdade que os animais têm dado provas de protecção e de cuidado que muitos pais não dão?
Assim sendo, que diferença faz que um cão seja mãe de uma criança ou uma cadela seja um trio de pais de outra? Não vejo que haja que discriminar nem em espécie, nem em género nem em número.
Há por aí muitos defensores acérrimos – com argumentos que eles acham razoáveis – só do que lhes interessa.
Que cada um defenda o que lhe interessa parece-me bem.
Agora que pretenda ser razoável, racional e até universal (no sentido de aberto a todas as variantes e possibilidades) na defesa dos seus interesses é que já me parece estupidez pura e dura.
Quase sempre decididos os que o fazem a proibir os argumentos e as manifestações de interesses contrários aos seus.
O que de resto faz sentido. Uma vez que os seus argumentos são demasiado frágeis.