23/07/2010

Teste de carga


imagem do blogue Rio de Janeiro Antigo

Indagar da relevância para o sistema bancário de usar um algoritmo para medir uma coisa qualquer, fazendo variar umas variáveis, seria talvez a curiosidade do dia.
Seria, se não fosse particularmente óbvia a irrelevância do exercício académico e talvez politicamente necessário.
O que me faz lembrar da escada do economista.
Será que um tal teste de carga a esta escada também a aprovava?

22/07/2010

Vidas

Pelo pouco que vi nas reportagens sobre o caso dos presumidos homicídios de Carqueija, interrogo-me sobre se há alguma informação relevante sobre a sociedade que dali se retire, não tanto pelos crimes mas pela envolvente, ou se é um caso cuja ponderação é irrelevante, com traços semelhantes a tantos outros de tantas outras épocas.

20/07/2010

Busca e salvamento

Pergunto-me, quando vejo o aparato das corvetas e dos helicópteros, qual é a razão entre os casos de sucesso de busca e salvamento de pessoas perdidas no mar sem embarcação e o número total de casos em que tais meios são aplicados?
A partir de quanto tempo é que se pode falar ainda em salvamento e se esse tempo é compatível com a utilização das corvetas.
Quantos casos de busca, já não de salvamento, justificam tais meios?
E para que servem as motos de água e as chatas com motor a ziguezaguer sem norte, a partir do tal intervalo de tempo, que eu não sei determinar, em que o índice de sobrevivência está abaixo de zero?
Trata-se apenas e só, de um nada racional conforto psicológico para os que cá ficaram?

18/07/2010

O terramoto de 19 de Fevereiro de 1989

Apercebi-me hoje de que algo me deveria ter escapado há vinte e um anos atrás.
Ou então que da memória se me apagou tal facto.
Num livrito fraco que acabei de ler, encontrei referências a uma predição de um sismo feita por uma “bruxa” e que teve destaque na imprensa da época, aparentemente da mais popular e sensacionalista à mais circunspecta.
E que tal rumor terá gerado uma espécie de êxodo dos alfacinhas e seus circunvizinhos.
De facto, não tenho a menor ideia de tal.
Pela minha agenda, dou-me conta de que era uma época demasiado ocupada para que me desse conta de sentimentos populares mais ou menos visíveis.
Não me lembro. Ponto.
Para quem como eu observou de perto e com muita curiosidade o êxodo fantástico de Novembro de 1967, em que milhares de pessoas fugiam pelos campos e pelas estradas, a pé, de uma colossal explosão com hora marcada, seria esperável que tivesse dado alguma atenção a uma possível replicação do fenómeno embora desta vez anunciado ao que parece com muito maior antecedência, privando assim a experiência do dramatismo das fugas sem tino e sem destino.
Pois, como disse, ou não me dei mesmo conta ou a coisa foi de tal modo pífia que se me obliterou das gavetas.
As mulheres com cara de pão

Se eu me esforçasse agora um pouco talvez conseguisse dar, por escrito ou por desenhado, uma ideia do que me ocorreu serem as mulheres com cara de pão.
Talvez com isso despertasse, numa probabilidade desprezável, o receio de alguém meu conhecido se sentir identificado com o conceito.
Não o vou fazer, por ambas as razões. Não estou para esforços numa manhã de domingo e não quero correr o risco de embater com probabilidades desprezáveis.
Dito isto, posso afirmar que foi esta uma ocorrência de há minutos. A de eu ter constatado que um certo tipo de mulheres que ostenta um certo tipo de cara – e ainda assim posso adiantar sem revelar mais do que isso, que o pão deve ter vindo à baila associado a uma pele algo curtida e grossa – a de eu ter constatado, dizia, que essas mulheres depois de durante anos as ter provavelmente associado ao pão, a um panito sem sal, convenhamos, à moda do meu Alentejo, me despertavam agora uma certa curiosidade feminil.
Tudo isto se desfiou atrás dos meus olhos há pouco.
Será caso da idade?
Ou as minhas células ordenam-me que desça à rua e compre pão quente?

13/07/2010

O tipo que era uma perna só

Explicava eu aos circunstantes que, lá dá vila, do meu tempo, era este, aquele e aqueloutro.
Como exemplo de um dos mais próximos, dava um que aparecia de repente na forma de uma só perna embrulhada em qualquer coisa.
Depois chegou outro, pessoalizado, mas cheio de pressa.
Foi desse outro que ouvi pronunciar o nome agora mesmo ao telefone, o que me despertou esta onírica recordação fresquinha.

12/07/2010

Breve nota sobre o Mundial de futebol

Como se pode aferir pelo palpite* que fiz, não percebo patavina de futebol.
Já o sabia. Mas é mais uma prova de que não me engano.
Ou de que me engano muito em se tratando destes palpites:
A Inglaterra vem-me desiludindo campeonato após campeonato, quando acreditava neles para irem até ao fim.
Neste, esperava mais da Argentina. Frente à Alemanha, desmoronou-se como todos viram. Continuo com dúvidas de que um Maradona sózinho consiga fazer desmoronar uma equipa assim.
A Itália também me surpreendeu pela negativa.
O resto que eu esperava pode avaliar-se pelos palpites que dei.
Não percebendo portanto nada de futebol, ouso ainda assim opinar de cátedra:
- O jogo Portugal – Espanha foi muito semelhante ao que ocorreu em Lisboa para o Euro 2004. Qualquer uma das duas equipas poderia ter ganho o jogo. Tal como Portugal teve mais sorte dessa vez, desta foi a ocasião da Espanha.
- Tenho uma estranha sensação de que a Espanha mereceu ser campeã. Estranha, porque vi meia-dúzia de jogos.


(clicar para ver que "seguimos siendo el mejor equipo del mundo")

E, confesso, comprei a Marca no dia a seguir à derrota dos espanhóis com a Suiça e L’Équipe do dia a seguir à derrota dos franceses com o México.


* há uma incorrecção nos palpites dos quatro finais de CJ, que foi mais certeiro ao incluir a Holanda e a Espanha.

11/07/2010

Espanha

Comecei a escrever este (um outro) post ainda havia zero a zero.
Para dizer que era espanhol, face à vergonha do jogo holandês.
Se é certo que em tempos um jogo da selecção espanhola era um festival de pancadaria, hoje foi ao contrário.
Ainda que houvesse fora-de-jogo no lance do golo, a Espanha merece ganhar.

10/07/2010

Da gentileza

A gentileza é algo que eu valorizo, determinismo à parte.
É qualquer coisa que me desarma.

Nunca fui um interneteiro.
Vi-me num IRC meia-dúzia de vezes, dez anos atrás.
Troquei umas dezenas de moedas a partir de um forum, na era do Euro.
Recebo uns três a cinco mails por mês. Ou menos. Exceptuando os dos comentários. Sequer sou alvo de spam por aí além. Já aqui o disse.
Não ingressei em nenhuma rede social, apesar do blogue.
Conheci duas pessoas por causa dele.

Não sei quem é Fernando Vilela.
Não sei quando e com que frequência visita este blogue.
Sei apenas que, por várias vezes, teve a gentileza de me enviar fotografias de placas toponímicas com dias do ano.
Fê-lo sem fazer a menor ideia de quem eu sou, apesar do blogue.
E desta vez, enviou-me esta:



A gentileza é algo que eu valorizo, determinismo à parte.
É qualquer coisa que me desarma.
Bem haja, Fernando Vilela.
Espanha, 2010

08/07/2010

A menoridade de sempre

É pelos vistos, a causa das coisas.
A ser verdade que se tratava de um atraso para uma cerimónia de tomada de posse.
Acções do Estado (II)

Estou aqui a ouvir o Ministro das Comunicações no Telejornal e até agora, para além de não ter dito coisa alguma, pareceu sempre um apresentador de programas de vinhos – disse nada com ênfase e palavras extraordinariamente escolhidas e aparentou estar convencido do que dizia. Efabulando com conceitos absurdos.
Seria de esperar mais?
Acções do Estado

Esta gente que nos governa, estes e outros que os antecederam, ainda não percebeu que quando se vende uma coisa se perdem os direitos que sobre ela se têm.
E que excepções de soberania são incompatíveis com a integração europeia.
É uma questão de capacidade. Não tem nada a ver com política nem com outra coisa qualquer.
Sabe-se que a política não é linear. Sequer é racional. É uma conjugação de forças, como quase tudo neste mundo. Avaliá-las mal é que é uma incapacidade. Racional ou artística.
Tempo


imagem do IM

Foi este gráfico que me despertou a curiosidade.
O aumento brutal da temperatura entre as duas e as três da manhã, antecedido de uma outra variação anómala entre a meia-noite e a uma, pôs-me a pulga atrás da orelha.
Vejo agora que se tratou de algo mais vasto do que um fenómeno na zona de São Teotónio.
Algo que me desperta recordações de uma certa noite do final da década de 80 ou dos primórdios de 90 em que da varanda do monte via o céu vermelho a sul, a trovoada seca e as descargas nuvem-nuvem.
Disseram-me depois que na zona central do Algarve a temperatura havia subido entre a meia-noite e as três da manhã de forma semelhante à de hoje.
Depois choveu forte e secou depressa.
Lá na vila só fez “travoada”.
E eu era muito mais novo.
Maura, a mulher-cobra e Paulo, o polvo palpiteiro

Uma das coisas por que valerá a pena passar os olhos depois do Mundial é o nascimento e a evolução da fábula do polvo palpiteiro. Propagando-se à ecúmena.
Nada mais do que uma mulher-cobra dos tempos que correm.
Não me recordo se essa também dava palpites ou era apenas uma atracção de circo.
A nível regional.