13/11/2010

Imagem do dia



E não. O carro não é meu.
E sim, foi a primeira vez que vi um carro novo com a matrícula errada na papelada.

12/11/2010

Câmbio

Quando ouço falar em propostas de regular câmbios entre diversas moedas – regular como, em favor de quem? – ocorre-me a velha história dos vizinhos em guerra que me foi contada lá na tenra idade em que era preciso perceber os paradoxos e testar a lógica:
Os carrapatenses estavam em guerra com os pulguícaros.
A moeda de Carrapatécia era o carrapato, claro. Enquanto a de Pulguícara era a pulga.
Abertas as hostilidades, o governo de Carrapatécia decidiu que a sua moeda, o carrapato, haveria de valer duas pulgas e não mais uma – que a paridade tinha sido frequente em tempo de paz.
Os pulguícaros, de imediato, retorquiram – a pulga passou a valer dois carrapatos.
Não tardou que os fronteiriços, arteiros no contrabando, iniciassem jornadas que tais:
Os de Carrapatécia muniam-se de mil carrapatos, que era muita massa, trocavam-nos na sua terra por duas mil pulgas e, cruzando a fronteira, aventuravam-se em país inimigo onde gastavam mil e quinhentas das duas mil pulgas e trocavam as restantes quinhentas por mil carrapatos.
Logo tornavam, a salto, ao país natal com os alforges cheios e o mesmo dinheiro com que tinham saído de casa. Tudo legal, excepto o contrabando e a violação da fronteira.
Os de Pulguícara haveriam de lhes ficar atrás?

11/11/2010

11 de Novembro



clicando, ouvirão a Madelon
imagem composta a partir de duas encontradas aqui e acolá

10/11/2010

Um número tipo-Erdős

Tenho a ideia de que a maioria das pessoas se deteve já a magicar sobre as redes de conhecimentos – sobre quem conheceriam os seus conhecidos e sobre quantas pessoas seriam precisas intercalar, partindo delas até se chegar a determinado indivíduo.
Alguém deu a esse número, com uma pequena diferença de conceito, a designação de número de Erdős.
Não se trata de nada mais do que do número de passos do caminho mais curto entre dois nós, numa dada rede.
As actuais redes sociais virtuais possibilitam a quem as gere obter uma boa aproximação sobre a moda desse número.
Ou seja: considerando, por exemplo, o universo do Facebook, qual será a moda do número mínimo de passos necessários para se ir de um indivíduo a outro, aleatoriamente escolhidos?
Qual será o número inteiro a partir do qual, temos apenas uma percentagem marginal de relações binárias indexadas a esse número e aos seus sucessores em ordem ascendente?
Qual será a correlação que existe entre uma amostra feita no Facebook e o mundo real?
Qual será o número tipo-Erdős mais frequente na ecúmena, considerando pessoas que se cumprimentaram pelo menos uma vez?


exemplo meramente ilustrativo e sem significado a partir de um mapa do Facebook
(clicar para ampliar)

09/11/2010

FCP



Desde a 6ª jornada que o Futebol Clube do Porto parece ter o titulo assegurado.
Isto por comparação com o que aconteceu nos últimos quinze anos.
Não há nenhum caso em que uma tal diferença de rendimento – 100% para o Porto contra 61 % de Académica, Braga e Guimarães que eram então os segundos classificados exaequo – tenha sido superada nos jogos restantes.
O Porto é portanto campeão no final de Setembro!

Não sou propriamente um apreciador das cores portistas. Não que não torça pelo Porto nas competições europeias, mas fico incomodado com o grupo de pessoas que, à volta dele, acendem uma certa raiva anti-lisboeta e anti-sulista.
Raiva essa que não se nota em mais clube nenhum, do norte ou do sul, do continente ou das ilhas. Raiva da qual acabam por ser vítimas, por ricochete.
Essa raiva, extravasada dos lindíssimos contornos do Estádio do Dragão, só tem algum paralelo recente nas declarações de alguns madeirenses.
Quanto ao clima cismático que pretende criar, excluindo os episódios madeirenses, só indo buscar a linha de Rio Maior em 1975 ou o nebuloso caso do movimento independentista algarvio se encontram similitudes. Num contexto completamente diferente.

O Futebol Clube do Porto, apesar de ou contando com esta singularidade, merece o crédito das suas façanhas futebolísticas.
Mas não cria simpatias entre os que hostiliza, directa ou indirectamente.

08/11/2010

Coordenadas

Então trata-se de encontrar os pontos estruturantes do desenho, em coordenadas esféricas.
Adaptadas aos hemisférios, e em proporção resultante da média de ambas (uma é rectangular, outra quadrada e a cruz tem nas duas proporções diferentes em relação à altura), de um lado, a bandeira da Cruz Vermelha, do outro a da Suiça.
Isto para ilustrar a bola que ressaltou nas cabeças dos que acompanhavam à última morada uma de duas pessoas.
Vista de um balão goodieariano, em trajectória ascendente, depois de uma justificada e indignada charutada desferida por um dos circunstantes.
A história é muito mais complicada do que os cálculos.


imagem adaptada do Google maps

04/11/2010

Os mercados



Vai para um quarto de século, ao balcão do banco onde fazia as minhas apostas na bolsa, um alpaca, acenando com um folheto, enumerava-me, de acordo com as tabelas constantes do dito folheto, as vantagens de ir a uma certa OPV.
Depois de o ouvir até ao fim, respondi-lhe que considerava esta coisa dos mercados mais como um reflexo do faro de alguns e menos como uma sólida consequência de uma conta de somar. A palavra que usei era uma derivada de psique, disso recordo-me.
E apesar de não ter a menor recordação da cara dele – ainda que considere ter uma razoável memória fotográfica – tenho a lembrança do tipo de morfologia indumental e do ricto que talvez significasse a distância benevolente face a um indivíduo mais novo e mais ignorante dos segredos da vida.
Passava-se esta cena no tempo fervilhante que antecedeu a noite do “gato por lebre”, única ocasião em que um político me fez sair da cama mais cedo. No dia seguinte, à primeira hora, dei ordem para vender tudo.
Talvez ao mesmo alpaca.
Muitas vezes até hoje me lembrei dele.
Por ter achado que ele estava convencido do que dizia, ao contrário do que sucede com o vulgar vendedor.
É isso que acho muitas vezes a propósito daqueles que, com responsabilidades, dizem não concordar (mais significativo do que não perceber) com a evolução dos mercados - que estão mesmo convencidos do que dizem.
Não digo que não seja um grosseiro erro meu. De avaliação.

03/11/2010

Os bois



Como é preciso arrumar os bois partidários em manjedouras (sempre a olhar para um palácio) admira-me que esta iniciativa para criar uma comissão ainda não tenha sido copiada cá.
Sem submissão a sufrágio, naturalmente, e com fundos do erário público.
Será por causa dos cortes na despesa?

02/11/2010

O obamismo

Gerou o Tea Party.
Equivalem-se em profundidade. Em substância.
Os que criaram o mito Obama, creram na mais velha das crenças: serem todos mais felizes, mais ricos, mais saudáveis, mais bonitos por causa de um só homem.
Os outros crêem na mais velha das crenças, antes daquela e vice-versa, que é tudo simples desde que reduzido ao canónico. Um argumento (crença) de rabo na boca, perto de La Palisse.
Por se equivalerem em profundidade e substância é que germinam (germinaram) a par, na mesma terra.
Uma soma de zeros dá zero.
Classificá-los, a uns e outros, com outros apodos é não atentar à soma.

As meninas do Tea Party fariam as delícias de um velho amigo. Que assevera haver um tom de voz que é inequívoco quanto à capacidade mental das mulheres e que gosta delas assim.
Quanto a mim, não estarei instalado na residencial das eleições americanas.
Ou seja, um sítio de eleição para os primeiros dias de Novembro.

01/11/2010

Terrorismo

Não faço a menor ideia se estes alertas para o terrorismo que volta e meia são substanciados por episódios mais ou menos rocambolescos são ou não legítimos.
Acho irrelevante que o sejam ou deixem de o ser.
O que é relevante e notável é que o mundo ocidental tenha estado a salvo de um atentado de grandes proporções desde Julho de 2005. Há mais de cinco anos.
Isto significa que tem sido feito muito bom trabalho de sapa. Não pode haver disso a menor dúvida.
O que não quer dizer que um dia destes não sejamos atacados em grande escala pelos nossos inimigos. Por uns inimigos que nem sabemos que temos.
É uma questão de tempo, apenas.
Classe média

Estou um bocado farto de ouvir a classe média queixar-se de que não pode trocar de carro, ir de férias para o estrangeiro, comprar uma televisão plana, ir ao cabeleireiro ou ao restaurante todas as semanas, etc. etc..
Os pobres não passam bem nos telejornais, é certo.

31/10/2010

Restos de colecção (73)


em clicando, ampliará
Tac tac bagatelas

Há-de haver uma razão maior para David Cameron ter recebido (para as objectivas) Angela Merkel, de mangas arregaçadas.
Ou não.
Das horas que são

Atentando às pretensões dos insatisfeitos com a mudança da hora, percebe-se que a maioria o que quer não é este ou aquele fuso horário, quer dias mais longos. É só isso. E não lhes fazem a vontade.

29/10/2010

Serão loiros ou ruivos?

Os Maomés ingleses e galeses.
Raoul’s umbrella*


© Disney / Cameron Mackintosh - imagem encontrada aqui

Confirma-se. Foi em 1994, pelo São Miguel, na feira de Ourique, a última vez que comprei um chapéu de chuva.
Um daqueles azuis, a sério. Que ostentei, alardeando a minha deambulação feiral com uma namorada improvável.
Esse outono e esse inverno e os do ano seguinte terão sido provavelmente os últimos em que me dotei de tal adereço para me abrigar da chuva.
Faço conta de ir hoje comprar um.
O que dá, se só andei duas invernias com o último, quinze anos. Mais perto de um terço da minha vida do que de um quarto.
Isto deve querer dizer qualquer coisa sobre:
A meteorologia dos últimos anos nos locais onde costumo hibernar.
Os meus hábitos de vida e de indumentária.

O cajado do de Ourique vai dar uma belíssima bengala.

*jogo de palavras enigmático.