11/11/2011

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença quinta

A infelicidade adorna-se de argumentos.

10/11/2011

Porquê?

Aqui a ver esta coisa do Bom Português na RTP e depois da pergunta sobre a grafia correcta de uma dada palavra, no caso era objectivo, que pretendem ser agora objetivo, a pergunta era “e porquê?
Ora aí está uma boa pergunta e que eu devolveria de imediato a quem ma fizesse.

09/11/2011

Idade da informação

O que há verdadeiramente de novo neste princípio de século é a multiplicação da imagem.
Há inúmeros captores de imagens e facilidade na sua difusão.
E é isso que nos mostra, faz prova, de coisas que sabíamos de ouvir dizer.
A imagem da onda colhida na Nazaré tem ainda um factor decisivo associado – a escala.
Só o homem na prancha dá a devida proporção às coisas. Se ele lá não estivesse, a imagem diria quase nada.
E quanto ao que uma imagem pode dizer, já se trata disso há cerca de oitenta anos com algum acerto.
Neste caso, um belo exercício de geometria descritiva seria o de estimar um intervalo para a amplitude da onda.

08/11/2011

2005 YU55

Consoante a época, assim o barulho.
O asteróide que daqui a pouco zumbirá mais perto do que a Lua, não se fez acompanhar de grande escolta de arautos.
Há outros astros em disputa pelo lugar nas notícias.

06/11/2011

Inseguro é o Estádio Nacional

Já aqui referi várias vezes a enormidade que é dizer-se que o Estádio Nacional não é seguro, ao mesmo tempo que os pós 2003 são todos de uma segurança perfeita.
Não sei de nenhum que o seja tanto como aquele. A probabilidade de acontecerem ali acidentes graves é remota, dada a disposição, os caminhos de fuga e a inexistência de armadilhas.
Uma queda como a que aconteceu em Alvalade esta noite não seria possível ali. Não há desníveis assim ao alcance da populaça.
Mas o Estádio Nacional é que não é seguro. Porque uma vez entrou lá um cro-magnon e matou um homem.
Lisboa, 2009

Saberes

O grave é quando se amontoam coisas que julgamos poder perceber e não percebemos.
Fazer aquele julgamento parece ser coisa intuitiva.

04/11/2011

Prorrogação

Fui prorrogado há exactos quarenta anos menos umas horas.
Porque a esta hora despedia-me do mundo, entre os gritos mudos das luzes das ambulâncias que cortavam a noite, enquadrada naquela janela de hospital.
É pois ao miúdo à janela que me dirijo – nunca pensaste estar cá quarenta anos depois:
E que tal, pá?

03/11/2011

Apuramento

Dizem que o Sporting está apurado desde a 3ª jornada do grupo da Liga Europa.
Ora o grupo tem 4 equipas e 6 jornadas.
A única forma de uma equipa ficar apurada a meio do percurso, final da primeira volta, é gozar de um factor de desempate extraordinário que a ponha sempre acima das outras.
Será isso?
Ou será mais uma asneirada grossa?

adenda ainda a tempo: com um certo critério de desempate (prioridade aos pontos obtidos nos jogos entre equipas empatadas), é possível. Deu-me uma branca.
Leão d’Ouro

Torna-se confuso saber quem ganhou o Leão d’Ouro.



Composição intregrando elementos de:
http://www.therichest.org/celebnetworth/politician/president/nicolas-sarkozy-net-worth/
http://www.topnews.in/merkel-eases-stance-nationalization-industry-2108122
http://tvlowcostnetwork.wordpress.com/page/2/

02/11/2011

Inflexão*

Se as previsões estão, como eu pretendo que estão, a cada dia mais desacreditadas, isso deve-se a:
Uma maior massa de capacidade crítica absoluta – mais gente mais capaz de dar por isso a cada dia.
Um maior número de previsões e de fontes emissoras de previsões, que, ainda que não fazendo aumentar o número relativo de previsões falhadas, faz aumentar o seu número absoluto e a sua percepção.
Uma maior densidade de pontos de inflexão nas curvas estudadas e a predizer, que malogra os algortimos simples, baseados na derivada constante ou com pequenas oscilações.
Nenhum dos acima ditos.


*Homenagem a uma mente brilhante
Portugal, 2008

30/10/2011

Livros

Este era um livro que eu julgava ter nas estantes. Melhor dizendo, quando o comprei não pensava que já o tivesse lido e que me havia sido surripiado das estantes entretanto.
Não ligava a história ao título nem à capa. Sabia apenas que, na altura da compra, ele não constava das fichas.
A ideia que tinha da história centrava-se em dois pormenores: o das moedas iguais lançadas na máquina do tempo, uma para trás outra para diante, simbolizando a necessidade de massas iguais numa espécie de acção-reacção temporal e o do homem que poderia se ter encontrado consigo próprio – o que enfermava, na minha opinião nessa época já remota, de uma incompatibilidade conceptual decisiva.
Quando agora peguei no livro, só reconheci a história quando cheguei ao ponto das moedas viajarem no tempo.
Antes disso, uma coisa tinha-me impressionado: a expressão assinalada neste parágrafo:


E-book extraído daqui

O livro data de 1957. Devo tê-lo lido na década de 70. Nessa altura esta expressão era apenas uma entre muitas que compõem visões artísticas do futuro.
Como se vê, às vezes acertam na mouche.
Pesquisei e não encontrei nenhuma referência na net a este acerto.
Mais ninguém terá dado por ele?

29/10/2011

Depressão

Esta, sim, é uma previsão de depressão bonita.


carta do ECMWF via IM
12 ou 14

Outra discussão ridícula é a que gira em torno dos meses a pagar por ano.
Não tem qualquer tipo de relevância nominal, embora eu aposte que psicologicamente a maioria das pessoas preferirá ter o mesmo valor a dividir por 14 em vez de 12.
Na origem, isto teve significado. Passar de 12 para 13 salários. E de 13 para 14.
Agora, sem haver redução do valor auferido anualmente, é irrelevante.
Mas é de irrelevâncias que se faz o discurso dos tolos.
Misturar isto com o corte dos referidos salários nos anos próximos é fazer um bolo mal amassado de coisas diferentes, apanágio dos mesmos tolos.

28/10/2011

Genéricos

A renovada polémica sobre a prescrição de medicamentos genéricos é daqueles assuntos que só prospera num lodo de ignorância e pesporrência.
A questão básica é a transferência de valor das farmacêuticas para os medicados e para o Estado comparticipante ou entre farmacêuticas.
Saber se há diferenças substantivas entre medicamentos com o mesmo princípio activo é uma tarefa que qualquer criança leva a cabo desde que tenha ferramentas para tal. Havendo, um medicamento não deveria ser considerado homólogo de outro. É a lógica da batata.
Saber se uma farmacêutica pode ou não vender os seus produtos é uma tarefa das autoridades fiscalizadoras competentes.
Só a ignorância amalgamada em argumentos estéreis sustenta esta polémica. Polémica que carimba quem nela se arrasta.

27/10/2011

7 x 109

Não sei se a data simbólica em que supostamente se contariam 7 mil milhões na ecúmena é a de hoje ou não. Como se trata de uma data simbólica tanto faz.
Desde que por aqui ando, a população da Terra mais do que duplicou, dizem as estimativas. Foi a época da glória dos humanos. A Idade do Ouro.
Logo no início do troço que se apresenta recto no gráfico, se intensificaram os movimentos higienistas. Primeiro de uma forma generalizada contra a poluição e a destruição dos habitats, agora ameaçando com as catastróficas alterações climáticas que um deus irado há-de brandir.
Ora o busílis é a multiplicação dos seres.
E começa finalmente, quase a medo, a campanha decisiva – a do controle demográfico que previna a catástrofe inevitável, caso não colonizemos a tempo outros planetas.
Esse é o tema. Tudo o resto é secundaríssimo face às implicações de um crescimento contínuo da população.
Se prestarmos atenção aos discursos políticos do Velho Mundo, assolado por um envelhecimento populacional, veremos que aspiram pela expansão demográfica e não pela contenção.
Não faço ideia, tal como quem desenhou a curva futura deste gráfico, o que se seguirá. A ideia generalizada de que o mundo subdesenvolvido continuará a ter crescimentos demográficos significativos enquanto o primeiro mundo estagna ou decresce parece-me demasiado simplista e mera projecção com base na derivada actual.



Entrementes, a minha campanha que é também uma previsão do caminho que isto leva, ornou-me o bolso da camisa. Saiu à rua.