26/11/2011

Expresso

Naquela linha que aqui referi há algum tempo, o Expresso ofereceu há uns meses e publicitou largamente a oferta, umas biografias de célebres.
Nessa publicitação e na capa ou lombada nem uma única menção ao autor. Nem sempre era sequer referido na contracapa. Quem se relevava era quem tinha escrito o prefácio.
Só aparecia o nome depois que se abria o livro.
Voltou o Expresso a oferecer e publicitar biografias de célebres. Desta feita, na capa vem o nome do autor.
Ainda que com menor destaque do que o do autor do prefácio, esse sempre publicitado. Bizarros critérios. Apontados para certo tipo de mentalidades.
Pode sempre dizer-se que uma biografia é escrita pelo biografado a cada dia.
Mas, caramba, alguém compilou as coisas e as escreveu. Bem ou mal. E um prefácio, excepções raras, é palha.

A cavalo dado não se deveria olhar o dente.
E ninguém me manda comprar o Expresso desde sempre. Mas são coisas que chateiam.
E eu que nem passo cartão a biografias.


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25/11/2011

O esquecido terramoto de 25 de Novembro de 1941



No dia 25 de Novembro de 1941, pouco depois das seis da tarde, um violentíssimo terramoto ocorreu no mar a cerca de 460 milhas do Cabo da Roca e a uma distância quase igual das ilhas da Madeira e Santa Maria, nos Açores – cerca de 290 milhas de cada.



Este terramoto foi graduado na escala de Richter entre 7,9 e 8,4 e, de acordo com os dados que consultei, terá sido o sismo registado de maior magnitude no território nacional e mar adjacente.
Com esta magnitude elevada, apesar da distância, foi bem sentido em Lisboa.
No entanto hoje não figura nas habituais listas de sismos a que a imprensa deita mão. É um daqueles eventos apagados da memória colectiva a que só os especialistas se referem.
Desse ano de 1941 relembra-se o ciclone e a guerra.
É por isso que aqui deixo estes recortes de imprensa, a título de setenta anos contados:




(clicar para ampliar)

Diário de Lisboa, 26 de Novembro de 1941
Diário de Lisboa, 27 de Novembro de 1941
ABC Madrid, 26 de Novembro de 1941
ABC Sevilha, 26 de Novembro de 1941
La Vanguardia, 26 de Novembro de 1941

Fontes: Fundação Mário Soares (DL online) e hemerotecas de ABC e La Vanguardia

24/11/2011

Deleite

Camaradas, é sempre um deleite ouvir o Doutor Carvalho da Silva.
Feriado e mal pago


com a devida vénia ao Ephemera, ao Incertitudes e à CGTP e STAL.

Não sei se o dia 24 de Novembro não terá tendência a demorar-se como dia de Greve Geral. Dizem que não há duas sem três e depois de três seguidas há razão para se considerar uma série.
Devia o governo considerar esta hipótese.
É feriado, como pretende o trabalhador, e não é pago, como pretende o patrão.
Sendo feriado, dá aos trabalhadores algum descanso excepto aos que se dedicarem aos piquetes, impondo o feriado aos renitentes.
Não sendo pago, tem impacto sobre a produção mas não sobre a produtividade (hum).
E para além de tudo o mais faz bem aos fígados dos que se manifestam, gritando os seus impropérios e clamando por desiderata.
Claro que prejudica uns quantos desgraçados que precisam de se transportar ou de se tratar, por exemplo.
Mas nada que não se resolva.
Mais feriados destes resolviam em parte a questão que ora se debate se se há-de extinguir ou não o feriado de 7 de Junho.
Por mim extingue-se.

23/11/2011

Referências

Uma das coisas que eu calculava possível mas não sabia ao meu alcance era esbarrar literal e materialmente com um paralelo.
Foi o que aconteceu no momento em que tirava esta fotografia. Como se pode estimar pela presumida posição do ponteiro do velocímetro, a colisão foi a baixíssima velocidade.

22/11/2011

Praça pública

Ouvi uma jornalista referir que alguém teria dito que preferia que um certo processo judicial fosse discutido no tribunal e não na praça pública (coisa que me parece ser repetida amiúde).
A verdade é que não se pode impedir que a praça pública discuta a vida alheia. Tenha ela consequências sobre as vidas dos discutidores ou não.
Faz parte do mundo. As coisas são assim.
Ainda que se lamente que a imprensa, de uma maneira geral, discuta os processos em curso como os discutiriam duas ignaras comadres, é disso mesmo que se trata – de um lamento.
E os lamentos de pouco servem.
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença sexta

Uma surpresa é o choque com a realidade mal percebida.

21/11/2011

É automático!

Aquela rábula de não pensar como é que se faz o café porque é automático compete em imbecilidade com aqueloutra em que se dizia “Se elas [as árvores] andassem, como é que tinhas sombra?”
Será que a coisa foi estudada para um público-alvo, perdão, alvar?

20/11/2011

Espanha

Se Rajoy chegar, como dizem os heraldos, a presidente do governo de Espanha, a Espanha terá literalmente um governante que caiu do céu.
Não acredito que isso modifique seja o que fôr na linha de rumo que ali se segue há décadas em paralelo com Portugal. Mais PS menos PSOE, mais PP menos PSD, tudo desagua onde se vê.
Rimou.

19/11/2011

Proibições



Não haverá ninguém que ache ridícula e inútil uma proibição de alguém contactar outrem quando ambos têm interesse nesse contacto?

18/11/2011

O Fado

O fado do Fado é ser Fado. Nada mais do que isso, creio eu.
A campanha que vai agora em procissão de tornar o Fado em património da humanidade é, aos meus olhos, uma recidiva de menor engenho do que a saga que Herman José protagonizou, com o seu fadista afamado e o companheiro Miltinho Neném, de tentar implantar em outro planeta o fado como canção nacional.
Se a memória não me pregou a partida era disso que tratava a saga (não encontrei nada na net). E era muitíssimo bem escrita e dita.
Esta campanha de agora, ao contrário daquela, que me proporcionou excelentes momentos de humor, é pífia e nada acrescenta a coisa alguma.
Esta coisa das coisas serem património da humanidade traz que benefícios? Fama? É difícil a fama brotar onde nada há que distinga uma entre tantas. É quase como o símbolo de material reciclável numa embalagem. Como dizia um velho amigo, se não há cão nem gato que não seja reciclável faz sentido é que se assinalem os que o não são.
Trará dinheiro? Ao fado em geral? Onde é que o fado tem os bolsos?
Desejo-lhes boa sorte e que se entretenham enquanto a coisa dura.

17/11/2011

Justiça e jornalismo

A maioria dos jornalistas que ouvi hoje a propósito do caso do rapaz desaparecido há 13 anos, afirma que se espera que se descubra o seu paradeiro ou o que é que lhe aconteceu através do julgamento que hoje se inicia de um acusado de implicação no caso.
O próprio advogado da família o afirma.
Estranha presunção num caso que se arrasta há tantos anos.
Presunção que em mim acentua a sensação de que o racionalismo atirado para o cesto dos papéis é coisa que se propaga vertiginosamente.

corrigenda ainda a tempo: talvez devesse ter escrito racionalidade em vez de racionalismo.

16/11/2011

Falhanços

Também de falhanços se faz o indígena.
Desta feita, junto logo dois e peço quitação de tal encargo.
Nem a selecção ficou afastada do Euro nem o número de furacões de grau igual ou maior do que 3 foi superior ao do ano passado.

Em 2010:

4 Danielle
4 Earl
4 Igor
4 Julia
3 Karl

Em 2011:

4 Irene
4 Katia
4 Ophelia
3 Rina

É preciso reconhecer os palpites errados e pagar logo as apostas para se ser assanhado, digo eu.

15/11/2011

Tântalo

Há, nos líderes europeus actuais, uma propensão para pensarem que os seus súbditos se submeterão ad aeternum ao suplício de Tântalo.
Outros que não eles vão ter nas mãos a resposta a tal presunção.


Alciato, “Livro dos Emblemas”, encontrada aqui

13/11/2011

Meridianos dias

Aqui há tempos defini aqui o equador pessoal.
Hoje represento-o. Válido, com este erro, para mim e para mais uns quantos.
Há dias que, de tão meridianos na essência, no simbolismo, suscitam estas alegorias.


traçado sobre o Google Earth

11/11/2011

Richter 10



Chegou-me há dias este livro. Estava para o comprar há uma catrefa de tempo mas só agora é que calhou.
Estou numa fase da leitura, ainda incipiente, em que se preparam os protagonistas para ir para debaixo do vulcão.
A coincidência do passo da obra com os desenvolvimentos recentes em El Hierro é uma fabricação minha como o são a maioria das coincidências. Elas estão em toda a parte, a todo o momento, só temos que as escolher e elaborar à nossa maneira, como quem colhe frutos de uma árvore e os descasca antes de os comer.


gráfico elaborado a partir dos dados do IGN de Espanha

A crise sísmica em El Hierro a que tenho dado atenção é, entre muitas outras coisas, também uma, mais uma, chamada de atenção para a imprevisibilidade dos fenómenos naturais.
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença quinta

A infelicidade adorna-se de argumentos.

10/11/2011

Porquê?

Aqui a ver esta coisa do Bom Português na RTP e depois da pergunta sobre a grafia correcta de uma dada palavra, no caso era objectivo, que pretendem ser agora objetivo, a pergunta era “e porquê?
Ora aí está uma boa pergunta e que eu devolveria de imediato a quem ma fizesse.