03/12/2011

No doubt

“No doubt the universe is unfolding as it should”
Trecho do poema “Desiderata” de Max Ehrmann, celebrizado por Les Crane

Um exemplo exemplar de certezas certas.
Das mesmas com que nos confrontamos diariamente.

02/12/2011

1959 - O ano em que as águas se soltaram


imagens colhidas aqui e acolá

O ano de 1959 começou e terminou com duas catástrofes semelhantes.
A primeira ocorreu em terras de Zamora, Espanha. Interessei-me por ela por ter coincidido quase com a hora em que nasci.
A segunda ocorreu junto ao Mediterrâneo, na Riviera francesa e só dela soube há alguns meses.
Distantes no espaço cerca de 1100 km e no tempo de 327 dias. De 9 de Janeiro a 2 de Dezembro.
Em ambos os casos, a ruptura de barragens mal projectadas ou mal construídas fez com que as águas sepultassem centenas de pessoas. Cerca de centena e meia em Espanha e mais de quatrocentas em França.
Faz portanto hoje 52 anos que ocorreu a segunda.
Aqui fica a nota e algumas ligações para imagens de televisão (de Espanha, a vermelho; de França, a azul):




Cresci com uma profecia até hoje falhada de que em Portugal sucederia o mesmo.
Boa nova

A Nação também se faz destas alegrias.
E o cimento de que ela se faz tem um categoria directamente proporcional ao grau destas emoções.

01/12/2011

Argumentário inútil

Pela Pátria não se argumenta.
Pela Família não se argumenta.
Erguem-se, constroem-se, defendem-se. Mas não com palavras.

30/11/2011

Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença sétima ou corruptela

A fideputa da vida, de dias é um par e o carnaval é terno.

28/11/2011

Inseguro é o Estádio Nacional (II)

É claro que há algum tempo lá puseram cadeiras estilhaçáveis e combustíveis. Era preciso fazê-lo para o tornarem mais “seguro”.
Quanto aos cro-magnons do costume, a técnica do aproveitamento piezoeléctrico de energia já existe e está experimentada.
Não é preciso deixá-los atear fogos.


fotografia de Patrícia Melo Moreira / AFP in JN

27/11/2011

Curiosidades

Estava capaz de apostar que a bordo do MSL (Laboratório científico marciano) lançado há menos de 24 horas se encontra uma aplicação capaz de implantar o fado como canção nacional no planeta vermelho.
Afinal não era esse o desígnio de Alfredo Marciano e do seu inseparável Miltinho Neném?

26/11/2011

Expresso

Naquela linha que aqui referi há algum tempo, o Expresso ofereceu há uns meses e publicitou largamente a oferta, umas biografias de célebres.
Nessa publicitação e na capa ou lombada nem uma única menção ao autor. Nem sempre era sequer referido na contracapa. Quem se relevava era quem tinha escrito o prefácio.
Só aparecia o nome depois que se abria o livro.
Voltou o Expresso a oferecer e publicitar biografias de célebres. Desta feita, na capa vem o nome do autor.
Ainda que com menor destaque do que o do autor do prefácio, esse sempre publicitado. Bizarros critérios. Apontados para certo tipo de mentalidades.
Pode sempre dizer-se que uma biografia é escrita pelo biografado a cada dia.
Mas, caramba, alguém compilou as coisas e as escreveu. Bem ou mal. E um prefácio, excepções raras, é palha.

A cavalo dado não se deveria olhar o dente.
E ninguém me manda comprar o Expresso desde sempre. Mas são coisas que chateiam.
E eu que nem passo cartão a biografias.


(clicar para ampliar)

25/11/2011

O esquecido terramoto de 25 de Novembro de 1941



No dia 25 de Novembro de 1941, pouco depois das seis da tarde, um violentíssimo terramoto ocorreu no mar a cerca de 460 milhas do Cabo da Roca e a uma distância quase igual das ilhas da Madeira e Santa Maria, nos Açores – cerca de 290 milhas de cada.



Este terramoto foi graduado na escala de Richter entre 7,9 e 8,4 e, de acordo com os dados que consultei, terá sido o sismo registado de maior magnitude no território nacional e mar adjacente.
Com esta magnitude elevada, apesar da distância, foi bem sentido em Lisboa.
No entanto hoje não figura nas habituais listas de sismos a que a imprensa deita mão. É um daqueles eventos apagados da memória colectiva a que só os especialistas se referem.
Desse ano de 1941 relembra-se o ciclone e a guerra.
É por isso que aqui deixo estes recortes de imprensa, a título de setenta anos contados:




(clicar para ampliar)

Diário de Lisboa, 26 de Novembro de 1941
Diário de Lisboa, 27 de Novembro de 1941
ABC Madrid, 26 de Novembro de 1941
ABC Sevilha, 26 de Novembro de 1941
La Vanguardia, 26 de Novembro de 1941

Fontes: Fundação Mário Soares (DL online) e hemerotecas de ABC e La Vanguardia

24/11/2011

Deleite

Camaradas, é sempre um deleite ouvir o Doutor Carvalho da Silva.
Feriado e mal pago


com a devida vénia ao Ephemera, ao Incertitudes e à CGTP e STAL.

Não sei se o dia 24 de Novembro não terá tendência a demorar-se como dia de Greve Geral. Dizem que não há duas sem três e depois de três seguidas há razão para se considerar uma série.
Devia o governo considerar esta hipótese.
É feriado, como pretende o trabalhador, e não é pago, como pretende o patrão.
Sendo feriado, dá aos trabalhadores algum descanso excepto aos que se dedicarem aos piquetes, impondo o feriado aos renitentes.
Não sendo pago, tem impacto sobre a produção mas não sobre a produtividade (hum).
E para além de tudo o mais faz bem aos fígados dos que se manifestam, gritando os seus impropérios e clamando por desiderata.
Claro que prejudica uns quantos desgraçados que precisam de se transportar ou de se tratar, por exemplo.
Mas nada que não se resolva.
Mais feriados destes resolviam em parte a questão que ora se debate se se há-de extinguir ou não o feriado de 7 de Junho.
Por mim extingue-se.

23/11/2011

Referências

Uma das coisas que eu calculava possível mas não sabia ao meu alcance era esbarrar literal e materialmente com um paralelo.
Foi o que aconteceu no momento em que tirava esta fotografia. Como se pode estimar pela presumida posição do ponteiro do velocímetro, a colisão foi a baixíssima velocidade.

22/11/2011

Praça pública

Ouvi uma jornalista referir que alguém teria dito que preferia que um certo processo judicial fosse discutido no tribunal e não na praça pública (coisa que me parece ser repetida amiúde).
A verdade é que não se pode impedir que a praça pública discuta a vida alheia. Tenha ela consequências sobre as vidas dos discutidores ou não.
Faz parte do mundo. As coisas são assim.
Ainda que se lamente que a imprensa, de uma maneira geral, discuta os processos em curso como os discutiriam duas ignaras comadres, é disso mesmo que se trata – de um lamento.
E os lamentos de pouco servem.
Coisas que os antigos diziam de outra maneira - sentença sexta

Uma surpresa é o choque com a realidade mal percebida.

21/11/2011

É automático!

Aquela rábula de não pensar como é que se faz o café porque é automático compete em imbecilidade com aqueloutra em que se dizia “Se elas [as árvores] andassem, como é que tinhas sombra?”
Será que a coisa foi estudada para um público-alvo, perdão, alvar?

20/11/2011

Espanha

Se Rajoy chegar, como dizem os heraldos, a presidente do governo de Espanha, a Espanha terá literalmente um governante que caiu do céu.
Não acredito que isso modifique seja o que fôr na linha de rumo que ali se segue há décadas em paralelo com Portugal. Mais PS menos PSOE, mais PP menos PSD, tudo desagua onde se vê.
Rimou.

19/11/2011

Proibições



Não haverá ninguém que ache ridícula e inútil uma proibição de alguém contactar outrem quando ambos têm interesse nesse contacto?

18/11/2011

O Fado

O fado do Fado é ser Fado. Nada mais do que isso, creio eu.
A campanha que vai agora em procissão de tornar o Fado em património da humanidade é, aos meus olhos, uma recidiva de menor engenho do que a saga que Herman José protagonizou, com o seu fadista afamado e o companheiro Miltinho Neném, de tentar implantar em outro planeta o fado como canção nacional.
Se a memória não me pregou a partida era disso que tratava a saga (não encontrei nada na net). E era muitíssimo bem escrita e dita.
Esta campanha de agora, ao contrário daquela, que me proporcionou excelentes momentos de humor, é pífia e nada acrescenta a coisa alguma.
Esta coisa das coisas serem património da humanidade traz que benefícios? Fama? É difícil a fama brotar onde nada há que distinga uma entre tantas. É quase como o símbolo de material reciclável numa embalagem. Como dizia um velho amigo, se não há cão nem gato que não seja reciclável faz sentido é que se assinalem os que o não são.
Trará dinheiro? Ao fado em geral? Onde é que o fado tem os bolsos?
Desejo-lhes boa sorte e que se entretenham enquanto a coisa dura.

17/11/2011

Justiça e jornalismo

A maioria dos jornalistas que ouvi hoje a propósito do caso do rapaz desaparecido há 13 anos, afirma que se espera que se descubra o seu paradeiro ou o que é que lhe aconteceu através do julgamento que hoje se inicia de um acusado de implicação no caso.
O próprio advogado da família o afirma.
Estranha presunção num caso que se arrasta há tantos anos.
Presunção que em mim acentua a sensação de que o racionalismo atirado para o cesto dos papéis é coisa que se propaga vertiginosamente.

corrigenda ainda a tempo: talvez devesse ter escrito racionalidade em vez de racionalismo.