22/09/2012

Rever em baixa

aqui disse o que pensava sobre a expressão em epígrafe e sobre toda a indumentária mental da faixa que tais dizeres utiliza.
Ora a triste expressão aplica-se, ainda assim, ao sentimento que me assola: a idade mental da internet tem que ser mais baixa do que aqui foi dito.
E, tal como o povo não se transfigura ao volante, antes se espelha, também aqui observamos a imagem virtual da mole.

21/09/2012

Diário íntimo

Ainda não percebi se o facto de o meu médico, a quem consulto há meia dúzia de anos, se referir à medicina como uma ciência na infância da arte se deve a ter ele percebido, ainda que eu não o tivesse dito expressamente, que eu partilho da mesma crença ou se é tal fruto do acaso.
Isto da infância da arte é uma noção sem sentido. Tomando uma semi-recta qualquer e um ponto qualquer sobre ela, este está sempre mais perto da origem do que do infinito.
Trata-se afinal e apenas de julgar que o fim dos tempos não está para um destes dias.

19/09/2012

Atão mas...

Quando há cerca de um ano afirmei aqui que faltava política ainda não tinha ouvido da missa a metade.
Ontem, um secretário de Estado soltou um “atão mas...” referido aos empresários que se queixavam do valor da TSU e que agora dizem ser uma asneira o bailado que com ela se fez.
Este “atão mas...” é qualquer coisa que não pode deixar sair quem pretende ser político.
Um aprendiz de política deve saber encontrar o q.b. de distanciamento em relação ao argumentário dos interesses. E não se pode admirar com as incongruências das posições (se é que foram os mesmos que disseram uma e outra coisa) muito menos julgar o plano dos argumentos enquadrável num eixo de abcissas e outro de ordenadas.
Falta política. Como se via há um ano.
Como se vê bem agora.
Não é só a corda que nos prende ao poço de Saint-Exupéry nem a pesada herança dos anos de desvario, é algo mais. Que falta.

18/09/2012

O blogger repórter

Incêndio junto ao Jeromelo (Malveira)


(clicar para ampliar)

17/09/2012

Treino

A haver por estes dias alguns colapsos parciais no abastecimento de combustíveis servirão de bom treino para os que não sabem o que são racionamentos.
Ainda andam a clamar por direitos – à imagem dos dois paralíticos – e de repente verão que o balde de plástico é uma grande invenção.
Trânsito

Diz que as alterações ao trânsito no centro de Lisboa se destinam a retirar dali parte do tráfego.
E que até Dezembro estará a coisa à experiência.
Qualquer criança percebe que estrangulando uma artéria o fluxo diminui. Quanto mais estrangularem, menor tráfego terão – é a lógica da batata.
O facto de haver ou não um granel inicial que conduza as pessoas para outros lados é irrelevante. Com o tempo, estabelecer-se-á um novo equilíbrio.
A única coisa que poderá estar a ser sujeita a escrutínio é assim a consequência sobre o trânsito de zonas alternativas. Se existirem dados já colhidos para comparar, em Dezembro se verá.
No Marquês e na Avenida haverá menos trânsito, disso não resta a menor dúvida.

16/09/2012

As grandes questões universais - episódio q+24

O que seria preciso para transformar estas volutas num só e poderosíssimo temporal?


imagem do site do IM
Escala 1/40


esta é muitíssimo mais fácil do que aquela à escala 1/50

15/09/2012

Rua

Raras são as vezes em que o povo sai à rua sem ser para protestar contra si próprio.
Ou como diria o velho J.d’ é muito difícil educá-lo.

14/09/2012

Impressionado

Impressionado, surpreendido, espantado, maravilhado, qualquer que seja o adjectivo que escolha, parecerá adequar-se ao meu estado hoje a meio da tarde quando me vi ou no meio de uma cena godardiana ou ao volante atravessando um sonho.
Cada um dos estados a que se refere cada adjectivo é, para mim, uma espécie de primitiva cuja derivada se pode exprimir poeticamente pela mesma função – fico sempre surpreendido quando me surpreendo. E isto não é pleonasmo. Nem é o conde corado de O’Neill.
A pervertura himenente* (da vida) contribuiu mas não foi decisiva para compôr o quadro.

* Se este blogue fosse feminino (o blogue, não o autor) chamar-se-ia assim.

12/09/2012

Filme

É insuportável um filme onde de um lado há uns histéricos cheios de direitos e de outro uns tristes cheios de razões.
Vê-se claramente visto que, não havendo como não há solução para se sair do poço, tudo apodrecerá longe do sol.

11/09/2012

Os sítios

Os sítios desaparecidos que nos informam a alma, como os diaporamas incluem pessoas. E trazem anexos sons, aromas e episódios.
Pertenço a uma geração que tem provavelmente o discutível privilégio de ter assistido à maior revolução topológica no país. Recorde que até pode manter, como Bob Beamon por alguns anos mais, a julgar pela quantidade de entropia do sistema.
Faz isto com que me depare com bastante frequência com locais que pouco ou nada contêm da memória que deles tinha.
Tropecei hoje num homem que pertence a um desses diaporamas virtuais.
Anos a fio atendeu-me atrás de um balcão que de pedra passou a aço inoxidável e cujo pano de fundo passou das pipas que vertiam mesmo vinho às estantes igualmente inoxidáveis contendo garrafas para consumo exclusivo na casa. Essas mudanças porém não alteraram o essencial, tudo era reconhecível de dia para dia.
É difícil hoje sem a ajuda de um teodolito dizer exactamente onde ficava o balcão, a porta de entrada, a mesa das traseiras com vista para o vale. De um teodolito e de uma carta antiga que mostrasse como era o alinhamento da rua, as suas cotas, etc.
Foi-me hoje difícil perceber que aquele rosto pertencia a tal quadro. Foi à segunda e com reservas.
Quase como se fosse necessário o levantamento topográfico para saber de quem se tratava.

ERRATA: onde se lê diaporamas deverá ler-se dioramas

08/09/2012

As grandes questões universais - episódio q+23

Pode um pai orgulhar-se de passear na rua uma criança que guincha como um cão atropelado?
Perguntas que não se podem fazer

Onde foram estas cabeças buscar a ideia peregrina que distribuir um 13º mês pelos doze meses do ano é da preferência dos assalariados?
Do ponto de vista das contas do Estado pagá-lo de uma só vez em Dezembro não seria sempre preferível?


extracto do discurso de ontem do PM

Nota: Bem sei que já quase respondi a isto.

07/09/2012

Sangue

Ou como eu me vou repetindo sobre o tema.
Aquela velha (de mais de dez anos) sentença de um dos meus velhos amigos que uma cavalgada com reiunas se torna mais ou menos inevitável à medida que o tempo passa e o despautério grassa nas hordas de mentecaptos e de chicos-espertos que comandam a coisa, vai, à medida que o mesmo tempo passa, caducando.
No entanto, a mim cheira-me a sangue, agora mais que nunca. Não se trata de duas facções em confronto, pois os que não dão um chavo pela situação calculo que sejam em número esmagador, quase à beira das unanimidades do medo. Esta unanimidade não é do medo, é do nojo.
Calculo que haja entre os que nisto ainda mandam noção de tal. E aí sim, um certo medo.
Não vai haver guerra nenhuma mas não aposto meio-tostão furado na sorte de certas cabeças.
Lembram-se de umas certas FP?