06/10/2012

Pelotão

Na minha vida outra que a de lobo solitário, existiram e existem dois pelotões.
Não houve guerra senão a das dificuldades do quotidiano que toda a gente conhece.
Fosse como fosse, o facto de os pelotões se terem formado à pedrada, aos chutos na bola contra balizas da mesma pedra com que afugentávamos os forasteiros, a cavar para os berlindes, a subir às árvores e a disparar pistolas de plástico, cimentou até hoje a unidade, ainda que com as inevitáveis deserções.
Os dois pelotões operavam e operam em zonas distintas, um é rústico outro é urbano, e tinham e têm outras diferenças que o tempo foi apagando nuns casos e acentuando noutros.
Sendando eu solitariamente a maior parte do tempo que se contou nos últimos anos, consegui ainda assim manter-me na ordem unida sempre que necessário e instante.
A primeira baixa veio com o cair da folha.

01/10/2012

Restos de colecção (77)



E não me lembro de alguma vez em Ourique ter bebido tal preparado. Sequer visto.

30/09/2012

Abriram os olhos

Algum iluminado viu o óbvio – que as auto-estradas que já estão ao serviço devem mesmo servir, sob pena de serem um investimento inútil, dinheiro jogado à rua.
Que se veja o óbvio nos dias que correm já é caso para notícia.
Mate em três lances

Pode um tipo que observa uma partida de xadrez aperceber-se de que quem joga com as brancas tem a possibilidade de obter xeque-mate em três lances se mover o cavalo que lhe resta para E8.
Pode esse tipo, se o jogador com brancas optar por F1-F4, considerar uma burrice tal lance e ainda considerar que o jogador é fraco.
Afirmando tal, alto e bom som, caber-lhe-ia mostrar – se a isso fosse desafiado - o caminho que o levou a essa consideração, incluindo a demonstração de que movendo o cavalo para E8, quaisquer que fossem os lances subsequentes do adversário, obteria o jogador mate em três ou menos lances.
Quando alguém qualifica outrem de ignorante ou incapaz cabe-lhe demonstrar que assim é, quando óbvio não se torna que assim seja. É inutil demonstrar que o preto não é branco, que dois não são três.
Ora se um tipo desata a chamar ignorantes – como fez um tal António Borges estes dias – a um grupo de pessoas sem que seja óbvia a razão por que o faz, passa ele imediatamente a ser a imagem espelhada dos seus putativos alvos enquanto não demonstrar a sua afirmação.
É um episódio assim ao nível de umas afirmações benfiquistas de há tempos.
Só que, ao contrário dos dirigentes do Benfica, parece que o poder opinativo de tal pessoa tem repercussão nas nossas vidas.

29/09/2012

Um milhão

Não sei quais foram os palpites para o número de pessoas contidas no Terreiro do Paço esta tarde.
Dá-me ideia, sem ter ouvido palpite algum, que desde que foi preciso um especialista para esclarecer que não cabem 300.000 pessoas no Terreiro do Paço (sem haver mortos) que os palpites deixaram de ser tão estapafúrdios.
Eu contei um milhão. Não palpitei.
Mas como foi dos altos do Pragal, e as pessoas pareciam dali menores que formigas, não odemira que eu contasse tal número.

28/09/2012

26/09/2012

Geront...

O homem chega e diz:
As hipóteses são duas – ou eu estou a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico e me ocorre que em vez de estar a fazer isso deveria estar a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico; ou eu estou a apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico e me ocorre que não me posso esquecer de apertar a dobradiça de cima da porta do armário da cozinha do lado do frigorífico.
Qual delas a pior? A imperativa ou a sugestiva?
Pergunto eu: e isso faz alguma diferença?
Agora não me lembro se havia de facto um homem. Fará diferença?
Repito

Ao ouvir Rajoy, o homem que caiu do céu e não se magoou muito, a arguir o caso de Gibraltar contra o Reino Unido na Assembleia Geral da ONU, só posso repetir o que aqui disse há uma série de anos – é aproveitar a brecha. Não o fazer é crime de lesa-Pátria.
O facto é que espero tanto destes que agora nos governam como de todos os outros que os antecederam. Isto é – nada.
Lisboa, 2009

25/09/2012

Direitos

Para os que berram por direitos, uma questão entre muitas:
Teremos o direito de mandar combater um fogo florestal gente que não tem qualquer espécie de preparação para tal nem provavelmente a capacidade de calcular o risco que corre?
E, no entanto, ela move-se

Lá para as alturas da Corte Malhão, terra de terramotos lendários.
Mais uns adobes ao chão.

23/09/2012

Italia



Dizia a camisola do ciclista em epígrafe.
Calculei que estivesse no meio dos campeonatos do Mundo, disputados esta semana.
Mas não estava assim tão longe de casa.
Maria Vinagre

Refere o jornalista na RTP que há uma família que se instalou no Alentejo que serviu (ou poderia ter servido) de inspiração ao telefilme que mais logo será exibido.
Entra um trecho de reportagem e a família está instalada em Maria Vinagre. Até o homem diz que já lhes nasceu um filho algarvio.
Esta gente a quem pagamos para nos informar é surda, cega e desorientada.

22/09/2012

Rever em baixa

aqui disse o que pensava sobre a expressão em epígrafe e sobre toda a indumentária mental da faixa que tais dizeres utiliza.
Ora a triste expressão aplica-se, ainda assim, ao sentimento que me assola: a idade mental da internet tem que ser mais baixa do que aqui foi dito.
E, tal como o povo não se transfigura ao volante, antes se espelha, também aqui observamos a imagem virtual da mole.

21/09/2012

Diário íntimo

Ainda não percebi se o facto de o meu médico, a quem consulto há meia dúzia de anos, se referir à medicina como uma ciência na infância da arte se deve a ter ele percebido, ainda que eu não o tivesse dito expressamente, que eu partilho da mesma crença ou se é tal fruto do acaso.
Isto da infância da arte é uma noção sem sentido. Tomando uma semi-recta qualquer e um ponto qualquer sobre ela, este está sempre mais perto da origem do que do infinito.
Trata-se afinal e apenas de julgar que o fim dos tempos não está para um destes dias.

19/09/2012

Atão mas...

Quando há cerca de um ano afirmei aqui que faltava política ainda não tinha ouvido da missa a metade.
Ontem, um secretário de Estado soltou um “atão mas...” referido aos empresários que se queixavam do valor da TSU e que agora dizem ser uma asneira o bailado que com ela se fez.
Este “atão mas...” é qualquer coisa que não pode deixar sair quem pretende ser político.
Um aprendiz de política deve saber encontrar o q.b. de distanciamento em relação ao argumentário dos interesses. E não se pode admirar com as incongruências das posições (se é que foram os mesmos que disseram uma e outra coisa) muito menos julgar o plano dos argumentos enquadrável num eixo de abcissas e outro de ordenadas.
Falta política. Como se via há um ano.
Como se vê bem agora.
Não é só a corda que nos prende ao poço de Saint-Exupéry nem a pesada herança dos anos de desvario, é algo mais. Que falta.

18/09/2012

O blogger repórter

Incêndio junto ao Jeromelo (Malveira)


(clicar para ampliar)