30/11/2012

A validação da História

A validação da História, na medida em que é comummente aceite, é uma coisa que me dá que fazer.
Os factos a passarem a opiniões, por mais despidas de subjectividade emocional, interesseira ou de paralaxe que sejam, dão-me esse trabalho todo.
Inútil.
Os obituários pessoais, intransmissíveis, nulos e sem efeito

Estou convencido – embora não tenha nenhum tipo de informação que apoie tal a não ser a de que o erro está em todo o lado - de que a grande maioria das pessoas constrói com erros a lista dos óbitos dos seus conhecidos, sejam eles dos que se cruzaram com elas na vida, sejam meras figuras que se tornaram notadas.
Com menos conversa, teria dito que matamos na nossa cabeça gente que está viva e de boa saúde.
No meu caso, quase sempre se verifica que só desmancho esses enganos quando é tarde de mais. A pessoa foi-se efectivamente. Deixa portanto de ser engano no dia em que dou por ele.

29/11/2012

Sempre a Geometria (analítica)

Se há coisa que ilustra o meu estado de espírito é a falta de paciência para chegar a expressões que definam filigranas.
Desafio que outrora era muito do meu agrado.

27/11/2012

Dos mistérios que se conhecem como tal



No dia 24 de Janeiro de 2005, atestam para meu governo as datas apostas, sete-títulos-sete indicam que me inclinava a escrever sobre o que se pode ver e nada escrevi.
Foi decerto um alinhavo para dias vindouros, um não-te-esqueças.
Para além de alguns títulos serem confusos e me soarem mal, de nada me recordo.
O que será uma fórmula arbitrária? Uma fórmula em que entra uma variável arbitrária?
A previsão dos analistas soa mal, está mal construído como título se se pretende falar das previsões que fazem os videntes vestidos de analistas mas já se aceita se se trata de prever o que vão fazer e dizer os analistas. Mas não é grande coisa como título.
E do todo se retira que há muito mais subjectividade do que objectividade subentendida na série.
O conteúdo nunca existiu. Os títulos não me agradam, embora não diga que não os venha a utilizar.
O mistério maior é ter alinhado tanta coisa num só dia. Porque não é costume.

25/11/2012

22/11/2012

Clarabóia

Vistas que estão as coisas, percorrido que está o livro de Saramago, conclui-se que não responde aos quesitos que enunciei – uma obra que retrate a vida dentro de um prédio de rendimento ao longo de 50 anos, em Lisboa ou arredores.
Nessa história haveria de haver muitos pontos de interacção entre vizinhos mas nenhum deles decisivo.
Já no livro de Saramago, que no fundo conta seis histórias sem grande ligação, os poucos pontos em que essa ligação existe são decisivos.
E abarca um período curto.

21/11/2012

Transformadas

As transformadas de algumas linhas notáveis do globo e da rota decisiva apresentam este aspecto:



A função que as transformou anda por aqui à solta.
Portugal, 2007

20/11/2012

Acabou o prazo

Para quem enveredou por um caminho escuso, pouco sujeito a encontros decisivos que não sejam finais, estando assim menos sujeito a influências humanas do que os que percorrem ruas apinhadas, e vai contemplando o que lhe aparece dos lados e à frente, ao longe e ao perto, o facto de constatar, nas estâncias povoadas do caminho, que outros pelos mesmos ou por diversos caminhos chegaram às mesmas conclusões é um banho de humildade que previne contra a pesporrência das ideias geniais ou apenas originais.
Banho que, numa escala mais comezinha, toma quem quer escrever sobre a descoberta do ponto P, onde as condições são as ideais – as condições ideais de toda a teoria com princípios – e descobre que já acabou o prazo.
É que outros, muitos outros, já o descobriram anteriormente.

19/11/2012

A Dona Iva e a sua polícia

A suspeita estava bem estribada - um dia inteirinho sem usar o cartão de débito ou o telefone móvel. Fora isso que conduzira à minha detenção.
Caso sonial de há meia-dúzia de anos que me preparou para a hipótese de ser detido numa das voltas da vida por não ter o meu número de contribuinte associado a facturas, como pagador e pagante da Dona Iva.
O último mail do senhor Pereira não o diz mas avisa-me.
IM

Acompanho diariamente a página do Instituto de Meteorologia há muitos anos. Desde a altura em que tomou forma.
O trabalho que ali transparece é meritório.
Há, no entanto, alguns reparos a fazer. Aparentemente, ao fim-de-semana a página funciona mais ou menos em piloto automático. Nota-se que em muitos casos, e este de sexta-feira passada no Algarve é um exemplo, ao fim-de-semana não há notas sobre o que sucede.
A respeito do caso de sexta-feira, e quando sobre o qual ainda não existe nenhum tipo de nota informativa, ouviu-se que só depois de uma deslocação ao local se poderia afirmar se se tratou de um tornado ou não.
A acreditarmos na veracidade de todas as imagens que se viram, existiu de facto um fenómeno semelhante a uma tromba d’água, embora mais difuso, bem visível da costa.
Pelos relatos e pelas imagens recolhidas pelas televisões, verificou-se em terra um fenómeno meteorológico que gerou rajadas de grande intensidade numa zona bem delimitada.
Se se tratou do mesmo fenómeno e se teve ou não as características que deve ter um tornado parece-me coisa que uma análise no local não vai agora esclarecer. Será apenas para lhe conhecerem o rasto?


imagem de autor não identificado passada na RTP
Costa ocidental portuguesa, 2012

18/11/2012

Geometria

A Geometria entra pelos olhos dentro. Não tem forma de ser apreendida por textos.
Quando deixa de entrar, não adianta mudar de óculos.
Ou uma aparente contradição com este anterior parágrafo.
Por texto lá escrito, entenda-se um conjunto de designações e proposições em linguagem matemática.

17/11/2012

Sintomas

Com um avanço de uma cabeça em relação a mim, a senhora assenhoreou-se da montra da farmácia.
Não chovia nem pingava mas a senhora usava a sombrinha (chapéus de chuva de mulheres são sempre sombrinhas) com eficácia. Escondia de mim o placard das farmácias de serviço.
Quando me resolvi a pedir que me deixasse também ver o placard, revelou o seu rosto cheio de interrogações, por detrás da calote azulada.
No fundo, o que ela queria era que o placard lhe dissesse onde ficavam as farmácias cuja morada estava bem explícita. Talvez ficasse mais meia hora à espera que o placard lhe ensinasse o caminho. Ou que eu...
Precisa decerto da medicação. Para amanhã. Disse-me que queria saber onde ficavam as que estão de serviço amanhã.

16/11/2012

A máquina do pensamento perpétuo

O que de facto me ocupa é o envólucro da máquina do pensamento perpétuo. Vejo-a pintada de escarlate.